Algumas histórias do mulá Nasrudin

Nasrudin é processado

Um dia, o mulá Nasrudin disse: “Os sábios desta cidade são sabem merda nenhuma”.

O pessoal da cidade processou Nasrudin, demandando que ele provasse o que dizia ou sofresse punição.

“OK”, disse Nasrudin.

Ele deu um pedaço de papel e caneta para o público. “Cada um de vocês, escrevam o que é merda?”.

Eles escreveram e entregaram o papel ao juiz.

“O cientista escreveu que merda é uma composição de água e detritos de comida”.

“O filósofo escreveu que é uma manifestação dos ciclos de mudanças da vida”.

“O médico escreveu que é matéria descartada do corpo para boa saúde”.

Nasrudin, então, completou: “Vejam só, todos os sábios deste lugar, não sabem merda nenhuma”.

O dia da festa

Nasrudin foi ao palácio, num dia de festança. Foi barrado na entrada pelos servos, por estar trajando roupas esfarrapadas.

O mulá voltou para casa, vestiu-se com roupas extravagantes, e dessa vez, foi aceito na entrada.

Nasrudin então começou a derramar comida e vinho em suas roupas, causando estranheza em outro convidado, que indagou, “O que você está fazendo?”

“Oh, estou alimentando a minha roupa primeiro. Afinal das contas, ela é que foi aceita na festa”.

Você está correto

O juiz Nasrudin estava ouvindo um caso. Após o promotor apresentar o seu lado, Nasrudin falou, “Você está correto”.

Após o defensor explanar a sua versão, Nasrudin afirmou: “Você está correto”.

A esposa de Nasrudin estava ouvindo o caso, e afirmou, “isso não faz sentido, como ambos podem estar corretos?”

“Sabe de uma coisa”, disse Nasrudin. Você também está correta!

O pássaro que salvou a minha vida

Nasrudin estava andando no deserto, e encontrou um homem santo, que se apresentou: “Sou um místico, devotado à apreciação da vida, especialmente pássaros”.

“Que maravilha”, Nasrudin respondeu. “Sabe, um dia um pássaro salvou a minha vida”.

O homem santo gostou do mulá, e passaram horas conversando – mas, todas as vezes, Nasrudin se recusava a contar a história.

Outro dia, após diversas súplicas do homem santo, Nasrudin finalmente concordou em contar a história:


“Um dia, faz uns seis anos, eu não tinha comido há muito tempo e estava morrendo de fome. Então, peguei um passarinho numa armadilha, e assim, ele salvou a minha vida”.

Veja outras histórias do mulá Nasrudin:

https://ideiasesquecidas.com/2020/02/22/a-sabedoria-do-mula-nasrudin/

https://ideiasesquecidas.com/2019/05/05/e-depois/

https://ideiasesquecidas.com/2019/01/06/o-fardo-que-carregamos/

E depois?

Li uma história do Mula Nasrudin, cujo original não consigo encontrar, mas era mais ou menos assim.

Estava o Mula Nasrudin a dormir em sua rede debaixo de uma árvore, no meio da tarde, após pescar quantidade suficiente de peixes para o dia.

Um graduado em administração com MBA em Harvard estava passando pelo local, quando resolveu questioná-lo.

  • Por que você está aí, ocioso, ao invés de utilizar todo o seu dia para trabalhar?
  • Porque já pesquei o suficiente para hoje.

  • Por que você não continua pescando, para gerar um excedente de peixes e ter lucro vendendo-os no mercado?
  • O que vou fazer com o lucro?

  • Você pode acumular o lucro para comprar um barco maior e equipamentos de pesca melhores.
  • E depois?

  • Você pode aumentar a sua produtividade e pescar mais peixes em menos tempo, aumentando o seu EBITDA.
  • E depois?

  • Com aumento de sua margem EBITDA, você pode conseguir investimentos ou se associar a outros empreendedores, para comprar mais barcos e contratar mais pescadores, maximizando os ativos obtidos.
  • E depois?

  • Com o sucesso deste empreendimento inicial, você pode criar uma frota de barcos pescadores, aumentando o seu share e até chegando a dominar o mercado.
  • E depois?

  • A sua companhia pesqueira pode crescer tanto ao ponto de se tornar uma empresa global, e quem sabe, abrir o capital na bolsa de SP.
  • E depois?

  • Aí você será um homem rico. Poderá passar férias num lugar paradisíaco como este, e dormir sossegado numa rede debaixo de uma árvore, sem preocupações…
  • Então eu não preciso de nada do que você falou. Eu já estou fazendo isto.

O Mula Nasrudin convidou o graduado a se sentar, tomar uma água de côco de frente para o mar, e ficaram lá o resto da tarde, até contemplar o pôr do Sol.

O fardo que carregamos

Este conto é do folclore do Oriente Médio. As histórias do mulá Nasrudin combinam sabedoria e muito humor. “Mulá” significa “mestre”. Este é sobre os fardos que carregamos na nossa mente.

Um dia, Nasrudin, em sua peregrinação, encontrou um rio enorme que o impedia de continuar o caminho. Dado o tamanho do rio e agitação da água, seria impossível atravessá-lo a nado.

Então, ele juntou tudo o que podia e passou um dia e uma noite construindo uma bela e segura canoa. Na manhã seguinte, a colocou na água e conseguiu chegar ao outro lado sem maiores dificuldades.

Assim que ele estava em terra firme, amarrou a canoa em suas costas e com muito esforço e sofrimento continuou em seu caminho, em direção à floresta, se arrastando para suportar todo aquele peso.

Num momento, um passante o avistou e, curioso, perguntou:
“Senhor, por que está carregando essa canoa em meio a uma floresta?”

Nasrudin respondeu:
“Não posso deixá-la para trás. Ela me ajudou a atravessar o rio. Espero que também me ajude a atravessar a floresta.”

Assim como ilustra a história de Nasrudin, também carregamos as nossas canoas, que foram úteis em algum momento, mas certamente nos seguram no meio de uma floresta.