Barrichello e os 99%

O episódio mais lamentável da F1 ocorreu no GP da Áustria em 2002, quando Rubens Barrichello deixou Michael Schumacher passar, claramente, na última volta, a poucos metros da linha de chegada.

Rubinho é um dos maiores pilotos da história do Brasil e da Fórmula 1. Mais de 60 pódios, 19 anos de carreira, alguém que certamente ficou milionário com o seu talento, sua habilidade e paixão. Vencer e perder é normal, tentar e não conseguir também. A grande mancha, a meu ver, foi esse episódio vergonhoso.

No link a seguir, uma entrevista recente de Rubens Barrichello (julho/2021).

Na entrevista, Rubinho cita que não havia nada no contrato para ele deixar isso acontecer (mas que no contrato do Schumacher tinha algo assim, uma preferência). Que houvera um episódio anterior, em que ele era segundo e Schumacher terceiro, e ele também tinha deixado o alemão passar. A diretoria da Ferrari tinha dito que o mesmo não ocorreria se ele fosse o primeiro.

Porém, eis que na Áustria, ele estava em primeiro e a história se repetia. Segundo Barrichello, nas últimas 8 voltas, com a equipe falando para ele passar, o diretor da Ferrari fez uma ameaça mais forte.

“Eu ouvi uma coisa grotesca que me fez pensar que seria mandado embora.” (Vide o vídeo da entrevista).

Depois de quase uma década na F1, finalmente ele estava numa equipe top. O contrato tinha acabado de ser renovado. Poucos segundos para uma decisão, na pressão de uma corrida, a 300 km/h, sem ter a consciência de isso repercutiria por décadas… Ele cedeu, na última volta, afirmando que 99% dos brasileiros fariam a mesma coisa.

E ele está certo, 99% dos brasileiros cederiam e cedem a pressões diversas, a fim de manter o trabalho que a tanto custo conseguiram. Criticar é fácil, fazer é difícil. Na prática, as pessoas cedem por muito menos.

Bom, eu iria criticar Barrichello e elogiar o grande Ayrton Senna.

Mas deixa quieto.

No fim das contas, somos todos humanos.

A cena mais memorável da F1

Ayrton Senna, após vencer o Grande Prêmio do Brasil de 1991, ficou fisicamente tão exausto que não conseguia nem levantar o troféu. Confira no vídeo.

Senna conquistou a vitória no braço, após a sua McLaren perder todas as marchas, exceto a sexta, faltando 20 voltas para o final da prova.

Para dar uma ideia, ele tinha que entrar numa curva e manter a mesma velocidade (as outras marchas entravam em ponto morto), tirando a
diferença na habilidade e no volante.

“Se soubesse dos problemas de Senna duas voltas antes talvez pudesse vencer”, afirmou Ricardo Patrese (da Williams). “Mas Senna era um piloto não apenas muito rápido como dotado de grande senso de estratégia. Escondeu o quanto pôde suas dificuldades”.

Vencer o GP do Brasil era um de seus sonhos, e Senna faria o impossível para tal. Após a vitória, o desgaste foi tão grande que ele teve que ser atendido pelos médicos da FIA, demorando mais de vinte minutos para ir ao pódio.

Veja uma descrição detalhada desta vitória em:

A trilha sonora deste post só pode ser o Tema da Vitória, que não ouvimos há muito tempo.