Recomendação de livro: Red Notice

Como o autor se tornou o inimigo número 1 de Vladimir Putin e como surgiu a Lei Magnitsky.

É um livro extremamente interessante pela história vivida, pela coragem do autor em denunciar a corrupção em estatais russas e, principalmente, por conseguir mobilizar a máquina política americana e internacional em busca de justiça após a morte de seu advogado, Sergei Magnitsky.

Pontos rápidos:

A Rússia dos anos 1990 era uma oportunidade única

Após o colapso da União Soviética, empresas estatais foram privatizadas. Vouchers representando share nessas empresas foram distribuídos para a população, e eram negociados por uma fração do seu valor intrínseco.

O ambiente era caótico, sem instituições fortes.

Bill Browder foi um dos primeiros investidores a perceber o tamanho da oportunidade e a ter coragem para desbravar esse território, inicialmente como funcionário do Salomon Brothers e, depois, montando o próprio fundo, o Hermitage Capital.

Foto: William Browder

Corrupção e desvio de verbas

As empresas privatizadas eram frequentemente saqueadas por seus gestores e pelos poucos oligarcas que concentraram o controle delas.

Browder começou reunindo provas e denunciando desvios em empresas como a Gazprom, entre outras. Boa parte da imprensa e da opinião pública estava ao seu lado.

Putin, no início, estava do seu lado

Putin, nessa época, estava consolidando seu poder e queria enfraquecer a oligarquia então dominante. Portanto, sempre que havia alguma denúncia liderada por Browder, tomava alguma providência, como demitir os envolvidos.

Essa combinação de “fazer o bem e ainda melhorar as empresas” gerou retornos extraordinários para o seu fundo.

Depois, não foi bem assim…

Depois que Putin consolidou seu poder, os oligarcas passaram a estar submissos a ele, e as denúncias começaram a incomodar.

A retaliação contra Browder veio em seguida. Seu visto foi cancelado, ele foi considerado uma ameaça à segurança nacional e seus ativos foram confiscados.

Ele mesmo comenta, no livro, que se ele fosse russo, provavelmente teria consequências muito piores.

O caso Sergei Magnitsky

O episódio central do livro.

Com Browder exilado, seu advogado era Sergei Magnitsky.

Foto: Sergei Magnitsky

Magnitsky descobriu que funcionários do Estado haviam utilizado empresas de Browder para realizar uma gigantesca fraude tributária: um reembolso de US$ 230 milhões em impostos, aprovado em apenas um dia.

Em vez de prender os fraudadores, as autoridades prenderam Magnitsky.

Ele ficou quase um ano preso, sofreu torturas e maus-tratos e morreu na prisão em 2009.

Após a morte de Magnitsky

Browder abandonou sua carreira como gestor de investimentos.

Passou anos convencendo governos a criar leis que congelam bens e impedem a entrada nos EUA (e em outros países) de pessoas envolvidas em violações de direitos humanos.

Foi uma luta extremamente difícil: entender os mecanismos e mover as engrenagens do lobby político para aprovar a lei.

A recompensa veio na forma de inúmeros relatos de pessoas também afetadas pela truculência de regimes autoritários, novas denúncias contra os perpetradores desses crimes e milhares de sanções aplicadas até hoje.

Normalmente, oficiais corruptos sabem que seu futuro no próprio país é incerto. Uma forma de proteger seu patrimônio é enviar recursos para o exterior. A Lei Magnitsky, adotada por diversos países, ajuda justamente a restringir esse privilégio.

Veja também o TEDx Berlin:

Agradecimentos ao amigo Stheffn Borges pela excelente indicação.

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