Balder e fragilidade

Como leitor das histórias do Poderoso Thor, da Marvel Comics, sei que um dos irmãos dele é Balder (sendo Loki outro irmão).

Essas histórias têm como base a mitologia nórdica antiga. Há um conto simbólico sobre Balder, que pode ser analisado sob a ótica de robustez e antifragilidade (conceitos por Nassim Taleb).

Quem foi Balder?

Balder (ou Baldur) era um dos deuses mais amados do panteão nórdico. Filho de Odin e Frigg, ele era associado à luz, beleza, justiça e sabedoria. Era visto como invulnerável, puro. Ele era tão puro, tão tão puro, tão bonzinho, que Odin (o deus todo poderoso) pediu para todos os seres vivos pouparem o seu querido filho de qualquer mal. Só que Balder morreu, assim mesmo.

A morte de Balder: a flecha de visco

Odin falou com todos os seres e objetos do mundo, que prometeram não fazer mal a Balder. Exceto o visco (uma plantinha mixurica), que ficou de fora da lista por ser considerado inofensivo demais para causar dano.

Então, os deuses, confiantes na invulnerabilidade de Balder, faziam um jogo: arremessavam armas e objetos nele, que ricocheteavam sem feri-lo.

Mas Loki, sempre ele, tramou sua morte. O deus da desordem, o gerador do caos no mundo, fabricou uma flecha feita de visco e convenceu um outro deus a atirá-la. A flecha perfurou Balder, que morreu instantaneamente.

Na minha cabeça, vem a imagem daquela mãe que superprotege o filho, que se machuca feio na primeira vez que a mãe se descuida.

Balder representa aquilo que parece perfeito e inviolável, mas é frágil: como um copo de cristal mantido longe de qualquer uso por medo de quebrar.

E a flecha é como um evento Cisne Negro. Algo não previsto, desconsiderado dos radares de risco, mas que causa um impacto extremo quando chega.

Sistemas, pessoas ou empresas protegidas em excesso (sem exposição ao erro, crítica ou falha) tornam-se frágeis. Um sujeito que fica 20 anos numa multinacional fazendo a mesma coisa, mas um dia tem que mudar de profissão, por exemplo. Melhor sofrer estresses no dia-a-dia, ser testado e questionado na medida certa, do que ficar numa posição superprotegida, até no dia em que uma flecha de visco o atingir.

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