Os titãs dos quadrinhos

Recomendação de livros para o final de semana: as biografias em quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby, duas lendas que revolucionaram os quadrinhos nos anos 60 e 70!

Devemos à eles a criação de personagens como o Quarteto Fantástico, os Vingadores, os X-Men, o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Dr. Estranho, os Vingadores e muitos outros.

Stan Lee é figura mais conhecida, devido às aparições frequentes em filmes do Universo Cinemático Marvel. É o velhinho simpático da foto, e de certa forma, o rosto da Marvel nos últimos quarenta anos.

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Já Jack Kirby é o gênio criativo por trás dos fantásticos desenhos que enchiam os olhos de milhões de crianças e adolescentes, este escriba incluso.

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Porém, a história real nunca é tão perfeita quanto na nossa imaginação. A “casa das ideias” da Marvel teve uma série de problemas. Listando rapidamente algumas curiosidades.

  • Jack Kirby criou o Capitão América, nos anos 40, com Joe Simon, em outra editora. Posteriormente, o Capitão foi incorporado à Marvel.
  • Os heróis de Stan Lee tinham a característica de serem humanos, falíveis e com pontos fracos. O Homem-Aranha, por exemplo, é um garoto franzino, azarado e que precisa trabalhar de fotógrafo freelancer para fechar as contas. Outra característica de Stan é muito humor.
  • Os heróis da geração anterior, sendo o Superman o mais emblemático, eram superhumanos beirando a perfeição. É reflexo do zeitgeist da época, que vai mudando com o tempo.
  • A Marvel ganhou uma fatia enorme de mercado nas décadas seguintes, mas o mercado é cíclico – concorrentes copiam a fórmula, outras mídias ganham espaço, etc…
  • Jack Kirby e Stan Lee tiveram a primeira grande contribuição juntos no Quarteto Fantástico.
  • Kirby, com o passar dos anos e com o sucesso dos personagens, começou a se incomodar com o método de Stan Lee. Ambos discutiam brevemente o enredo, Kirby idealizava e desenhava tudo, e Stan preenchia os diálogos. Kirby ficava com uma porção enorme do trabalho, mas os créditos eram sempre para Stan como escritor e ele como desenhista. Quanto ao pagamento, ele recebia apenas como desenhista, embora tivesse feito grande parte do roteiro.
  • Steve Ditko, o criador do Homem-Aranha junto com Stan, também ficava incomodado em estar fazendo quase todo o trabalho e levando pouco crédito. Ditko chegou a nem falar mais com Stan, e saiu da Marvel na primeira oportunidade que teve.
  • No começo, Kirby era uma explosão de criatividade, propondo personagens fantásticos e cenários os mais criativos possíveis. Exemplo: ele criou sozinho o Surfista Prateado, mas como sempre, o crédito foi para Lee indiretamente. Chegou uma hora que ele continuou criando, mas guardando os melhores para si mesmo, para usar em outra ocasião.
  • Finalmente, Kirby saiu para a rival DC, onde utilizou parte do material guardado anos antes para criar Os Novos Deuses, Darkseid e outros. Porém, Kirby passou poucos anos na DC e retornou à Marvel, em seu retorno criou Os Eternos (que virou filme recentemente).
  • O material de Jack Kirby sozinho é visualmente muito bonito, porém, nitidamente as histórias eram inferiores ao trabalho junto com Stan Lee – mostrando que realmente a amálgama entre ambos é que criava uma magia incomum.
  • Jack Kirby morreu em 1994, não chegou a ver suas criações nas telonas. Ele não tinha nenhuma porcentagem de royalties sobre os personagens, era amargurado por isso e chegou a passar mal ao ver brinquedos do Capitão América à venda. Kirby é relativamente desconhecido do grande público, ao contrário de Stan Lee, que tem até versões de si em action figure.

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  • Stan Lee virou editor, contratou uma série de novos roteiristas e desenhista, e em meados dos anos 80 dedicou muito tempo a ser a “cara” da Marvel, em palestras por todo o país. Um sujeito energético, engraçado, capaz de contar histórias que entretém multidões, e com um ego de alguém que gosta de aparecer.
  • Os X-Men originais nunca foram muito bem, e até tiveram a revista cancelada. Nos anos 70, com a internacionalização forte dos quadrinhos, os editores queriam um grupo com personagens de várias nacionalidades. O escritor Len Wein então reformulou os X-Men, com novos integrantes como o Noturno (Alemanha), Colossus (Rússia), Wolverine (Canadá) e Tempestade (África). Pouco após, foi com o escritor Chris Claremont que os X-Men ganharam histórias de altíssima qualidade, aumento expressivo de vendas e as características que conhecemos hoje e foram inspiração para o cinema.
  • Stan Lee continuou trabalhando em projetos diversos até o fim da vida, incluindo um com a DC Comics. Ele conseguiu fama e fortuna, ao contrário de Kirby e da imensa maioria dos roteiristas e desenhistas com quem trabalhou.
  • A Marvel Comics foi sendo comprada por inúmeras editoras, e estava perto de um beco sem saída, quando os filmes de seus superheróis começaram a fazer sucesso no cinema, notadamente o Homem-Aranha e os X-Men de meados do ano 2000. Após o sucesso inicial, filmes diversos começaram a surgir na sequência.

Um enorme OBRIGADO ao gênio criativo de Stan Lee, Jack Kirby e tantos outros, e vejamos as cenas dos próximos capítulos.

Mitologia Nórdica

Mais algumas recomendações de leitura: Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman, e várias histórias do Thor, de Walter Simonson.


  1. Mitologia Nórdica

Hoje em dia, temos os filmes da Marvel, porém, milênios antes de existirem telas de cinema e histórias em quadrinhos, os antigos povos escandinavos contavam histórias, ao redor de fogueiras, sobre as incríveis façanhas de Thor, o Deus do Trovão; Odin, o pai de todos os deuses; Loki, o traiçoeiro, e tantos outros.

As lendas nórdicas antigas são recontadas pelo maior tecedor de histórias da atualidade: Neil Gaiman, da série Sandman, também autor de Deuses Americanos, Stardust e Good Omens.

As histórias incluem:

  • Como o muro de Asgard foi construído? (Loki enganou um gigante do gelo para isso)
  • Por que o martelo de Thor tem um cabo tão curto? (também tem manipulação do Loki na história)
  • O casamento de Freya (a mais bela das asgardianas) com um gigante do gelo. Essa história é especialmente cômica, porque Thor se disfarça de Freya (a contragosto, plano de Loki, óbvio), e Loki vai passando a conversa no gigante até o dia do casamento.

O próprio Neil Gaiman narra trechos deste conto, em (71) Neil Gaiman reads “Freya’s Unusual Wedding” – YouTube.

  • Como Odin perdeu o seu olho?
  • A morte de Balder. O personagem Balder não aparece em nenhum dos filmes da Marvel, mas nos quadrinhos, sim, e eu gostava muito dele: um deus nobre, bastante querido por todos. Um deus diferente dos demais.
  • A história de Fenris, o terrível cão com poder de causar o Ragnarok. Na mitologia, Fenris é filho de Loki. Hela também é filha de Loki (só coisa ruim vem dele). O conto mostra como os deuses enganaram o cão, prendendo-o até o fim dos tempos (spoiler: um dos deuses teve que ceder o braço por isso). Fenris aparece em um dos filmes do Thor, porém o original da mitologia é infinitamente mais perigoso.

Gaiman sempre incorporou inúmeros elementos da mitologia nórdica (e também egípcia, grega, japonesa e de diversas outras culturas) em suas histórias. Este compilado de contos, apesar de não serem originais (afinal, são lendas de milênios), tem a pitada do gênio do autor: história bem narrada do início ao fim, linguagem contemporânea, com muito humor e drama.


2. Thor, de Walter Simonson

O meu contato com Mitologia Nórdica foi com os quadrinhos do Thor, da Marvel, nos anos 90. Foi uma fase muito boa, porque tais histórias foram escritas por Walter Simonson, um dos melhores escritores e desenhistas de quadrinhos de todos os tempos.

Ouso a dizer que, sem Simonson, o Thor da Marvel seria um personagem tão sem graça quanto o Homem Formiga.

Algumas histórias do Thor de Simonson, abaixo. Hoje em dia, não sei como encontrar no formato HQ de anos atrás, porém segue a indicação assim mesmo:

A Saga de Surtur: Simonson introduziu vários elementos das antigas histórias, como Surtur e outros personagens das lendas.

Bill Raio Beta: Um alienígena digno de levantar o martelo de Thor! É um arco de histórias tão interessante que pode facilmente ser adaptado ao cinema ou à alguma minissérie.

Simonson é responsável por uma das cenas mais icônicas desta fase.

O Executor, Skurge, sempre foi um personagem de segunda linha, eternamente apaixonado (e usado como capacho) pela bela Encantor.

Thor, Balder e o exército asgardiano tiveram que descer ao Hel (Inferno), a fim de resgatar algumas almas presas injustamente. Na fuga, estavam todos encrencados com as hordas do Hel.

Skurge se ofereceu para ficar para trás, sacrificando-se para segurar as hordas por tempo suficiente para a fuga de seus companheiros. Com isso, ele ganhou o respeito de todos, inclusive de Hela, a deusa do Inferno.

Por fim, uma história sem noção, mas divertida: Simonson transformou o Deus do Trovão em sapo!

A mitologia é muito divertida, quando aliada à outros elementos lúdicos e numa linguagem contemporânea.

Boa leitura!

Veja também:

​O olho da sabedoria (ideiasesquecidas.com)

O índice X-Men de Inflação (ideiasesquecidas.com)