Li os volumes 1 e 2 da Fênix, a obra-prima incompleta do maior mangaká de todos os tempos, Osamu Tesuka. E estou completamente apaixonado pela obra.

Porém, já digo: é um mangá num nível de pensamento profundo. Não é uma obra divertida, nem cheia de ação ou fan service, mas sim, uma obra repleta de imaginação e com temas existenciais.
Esta não é uma história de um único personagem, mas sim, uma coleção de diversas histórias levemente interconectadas, tendo a Fênix, o pássado de fogo, como elo entre elas. E são histórias complexas, diversas vezes com personagens que não conseguimos distinguir entre bem e mal.
Curiosidade: tem um escrito em japonês como subtítulo, que significa “Pássaro de Fogo”. O Kanji “Hi” significa “fogo”, e o “tori”, “pássaro”.
O mangá intercala a história passada do Japão, por reinos antigos como o de Yamatai e o de Yamato, até cenas futurísticas como astronautas numa viagem espacial. Neste ponto, lembra o espetacular filme “2001, Uma Odisseia no Espaço”, que também sai do alvorecer da humanidade com o homem primitivo até o futuro em viagens interplanetárias.

A Fênix é descrita como um pássaro que, ao atingir uma certa idade, mergulha no fogo e ressurge como um pássaro novo, cheio de vitalidade. Popularmente, ressurge das cinzas.
Diz a lenda que, se alguém beber o sangue da Fênix, terá a imortalidade.
Na obra de Tesuka, alguns dos personagens desta obra que percorre milênios da humanidade também ressurgem, como descendentes daqueles do passado – seria essa outra interpretação da imortalidade?
Nem todos os finais são felizes no arco de histórias, e nem todos os personagens são bons. Alguns destoam totalmente do que esperamos de uma obra como essa.
Tenho a impressão de que Tesuka não escreveu Fênix para vender, obter sucesso, já que não segue nenhuma das fórmulas manjadas de agradar ao público. Ele escreveu a obra da vida dele, aquela que descrevia totalmente a essência do seu ser e que deveria ser exprimida na forma de alguma criação. E também foi escrevendo aos poucos, ao longo de décadas, entre outras obras.
Felizmente, ainda faltam algumas edições para eu ler. É daquelas obras que quero que não acabe, quero aproveitar cada página dela.
Infelizmente, Tesuka faleceu antes de terminar o que tinha a contar desta história.
A editora JBC relançou Fênix, em 5 volumes, cada um destes com cerca de 500 páginas. De novo, não é uma obra para todos os públicos, somente para quem tem muita filosofia dentro de si!
