E-Book “O Índice X-Men de Inflação”

Segue o link para o E-Book “O Índice X-Men de Inflação”.

Senti na pele o dragão da hiperinflação e planos econômicos desastrados dos anos 80 e 90. Parte desse efeito foi refletido na capa da revista dos X-Men, sendo possível criar uma espécie de Índice X-Men de inflação.

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Este é um dos posts que mais gosto. Como uma postagem de blog tem uma natureza mais efêmera que um e-book, creio que este conteúdo mereça esse destaque.

Para os que se aventurarem, boa leitura!

Os titãs dos quadrinhos

Recomendação de livros para o final de semana: as biografias em quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby, duas lendas que revolucionaram os quadrinhos nos anos 60 e 70!

Devemos à eles a criação de personagens como o Quarteto Fantástico, os Vingadores, os X-Men, o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Dr. Estranho, os Vingadores e muitos outros.

Stan Lee é figura mais conhecida, devido às aparições frequentes em filmes do Universo Cinemático Marvel. É o velhinho simpático da foto, e de certa forma, o rosto da Marvel nos últimos quarenta anos.

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Já Jack Kirby é o gênio criativo por trás dos fantásticos desenhos que enchiam os olhos de milhões de crianças e adolescentes, este escriba incluso.

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Porém, a história real nunca é tão perfeita quanto na nossa imaginação. A “casa das ideias” da Marvel teve uma série de problemas. Listando rapidamente algumas curiosidades.

  • Jack Kirby criou o Capitão América, nos anos 40, com Joe Simon, em outra editora. Posteriormente, o Capitão foi incorporado à Marvel.
  • Os heróis de Stan Lee tinham a característica de serem humanos, falíveis e com pontos fracos. O Homem-Aranha, por exemplo, é um garoto franzino, azarado e que precisa trabalhar de fotógrafo freelancer para fechar as contas. Outra característica de Stan é muito humor.
  • Os heróis da geração anterior, sendo o Superman o mais emblemático, eram superhumanos beirando a perfeição. É reflexo do zeitgeist da época, que vai mudando com o tempo.
  • A Marvel ganhou uma fatia enorme de mercado nas décadas seguintes, mas o mercado é cíclico – concorrentes copiam a fórmula, outras mídias ganham espaço, etc…
  • Jack Kirby e Stan Lee tiveram a primeira grande contribuição juntos no Quarteto Fantástico.
  • Kirby, com o passar dos anos e com o sucesso dos personagens, começou a se incomodar com o método de Stan Lee. Ambos discutiam brevemente o enredo, Kirby idealizava e desenhava tudo, e Stan preenchia os diálogos. Kirby ficava com uma porção enorme do trabalho, mas os créditos eram sempre para Stan como escritor e ele como desenhista. Quanto ao pagamento, ele recebia apenas como desenhista, embora tivesse feito grande parte do roteiro.
  • Steve Ditko, o criador do Homem-Aranha junto com Stan, também ficava incomodado em estar fazendo quase todo o trabalho e levando pouco crédito. Ditko chegou a nem falar mais com Stan, e saiu da Marvel na primeira oportunidade que teve.
  • No começo, Kirby era uma explosão de criatividade, propondo personagens fantásticos e cenários os mais criativos possíveis. Exemplo: ele criou sozinho o Surfista Prateado, mas como sempre, o crédito foi para Lee indiretamente. Chegou uma hora que ele continuou criando, mas guardando os melhores para si mesmo, para usar em outra ocasião.
  • Finalmente, Kirby saiu para a rival DC, onde utilizou parte do material guardado anos antes para criar Os Novos Deuses, Darkseid e outros. Porém, Kirby passou poucos anos na DC e retornou à Marvel, em seu retorno criou Os Eternos (que virou filme recentemente).
  • O material de Jack Kirby sozinho é visualmente muito bonito, porém, nitidamente as histórias eram inferiores ao trabalho junto com Stan Lee – mostrando que realmente a amálgama entre ambos é que criava uma magia incomum.
  • Jack Kirby morreu em 1994, não chegou a ver suas criações nas telonas. Ele não tinha nenhuma porcentagem de royalties sobre os personagens, era amargurado por isso e chegou a passar mal ao ver brinquedos do Capitão América à venda. Kirby é relativamente desconhecido do grande público, ao contrário de Stan Lee, que tem até versões de si em action figure.

Funko Stan Lee

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  • Stan Lee virou editor, contratou uma série de novos roteiristas e desenhista, e em meados dos anos 80 dedicou muito tempo a ser a “cara” da Marvel, em palestras por todo o país. Um sujeito energético, engraçado, capaz de contar histórias que entretém multidões, e com um ego de alguém que gosta de aparecer.
  • Os X-Men originais nunca foram muito bem, e até tiveram a revista cancelada. Nos anos 70, com a internacionalização forte dos quadrinhos, os editores queriam um grupo com personagens de várias nacionalidades. O escritor Len Wein então reformulou os X-Men, com novos integrantes como o Noturno (Alemanha), Colossus (Rússia), Wolverine (Canadá) e Tempestade (África). Pouco após, foi com o escritor Chris Claremont que os X-Men ganharam histórias de altíssima qualidade, aumento expressivo de vendas e as características que conhecemos hoje e foram inspiração para o cinema.
  • Stan Lee continuou trabalhando em projetos diversos até o fim da vida, incluindo um com a DC Comics. Ele conseguiu fama e fortuna, ao contrário de Kirby e da imensa maioria dos roteiristas e desenhistas com quem trabalhou.
  • A Marvel Comics foi sendo comprada por inúmeras editoras, e estava perto de um beco sem saída, quando os filmes de seus superheróis começaram a fazer sucesso no cinema, notadamente o Homem-Aranha e os X-Men de meados do ano 2000. Após o sucesso inicial, filmes diversos começaram a surgir na sequência.

Um enorme OBRIGADO ao gênio criativo de Stan Lee, Jack Kirby e tantos outros, e vejamos as cenas dos próximos capítulos.

O índice X-Men de Inflação

O Dragão dos anos 80

Este post é para quem só conhece o Real como moeda brasileira.

Quem tem menos de 30 anos hoje não conhece na pele as garras do dragão dos anos 80, a Hiperinflação. Foi uma época de inúmeros planos econômicos, troca de moeda constante, perda de valor monetário e descrença no futuro, que só mudou com o Plano Real de Fernando Henrique Cardoso.

Eu também era muito jovem nos anos 80, mas senti alguns dos efeitos nefastos de uma hiperinflação. Não chega nem perto do que sentiram as pessoas da população economicamente ativa da época, mas mesmo assim senti.

Esta história começa em 1986. José Sarney era o primeiro presidente civil do Brasil em muitas décadas.


Plano Cruzado

Em fev 1986, Sarney anunciou o Plano Cruzado. As medidas econômicas foram congelamento de preços, troca de moeda de Cruzeiro para Cruzado, cortando 3 zeros.

 

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X-Men 1 – nov 88. Cz$ 260,00

Em nov 88, a épica revista X-Men número 1 foi lançada pela Editora Abril, a um preço de capa de Cz$ 260,00 (Cruzados).

As histórias desta época eram do fantástico roteirista Chris Claremont, e eram um mix de aventura, drama, suspense. Mas o que quero trazer para o post são somente as capas. Na verdade, somente os preços da capa. Esta era em formatinho padronizado com 80 páginas e tiragem mensal, o que faz com que a revista tenha praticamente o mesmo valor anos depois, sendo a variação de preços somente devido à inflação.

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X-Men 2 – dez 88: Cz$ 350,00

A revista X-Men n.2 já custava Cz$ 350, e no outro mês, Cz$ 450. Um aumento de 200 cruzados (80%) em 2 meses!

E, 1988, 0 plano Cruzado (e o Cruzado II) já tinha afundado completamente. O congelamento de preços não funcionou (nunca funciona), os gastos públicos não diminuíram. Foi como dar um analgésico sem tratar a causa da doença.

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X-Men 3 – jan 89: Cz$ 450,00. Brasil e a Inflação, até que a morte os separe!

Lembro-me de que neste época todo mundo era “Fiscal do Sarney”: responsável por fiscalizar se algum malvado comerciante capitalista estava aumentando preços congelados.fiscalSarney.jpgCongelamento de preços sempre causou e sempre causará desabastecimento de produtos. Desabastecimento sempre gera um mercado negro. Imagine uma dona de casa que faz bolos para vender. Se ela gastar Cz$ 80 para fazer o bolo e coloca uma margem de Cz$ 20, o produto final terá um preço de Cz$ 100. Mas, se o bolo tiver o preço congelado a Cz$ 50, a dona vai tomar prejuízo se vender o bolo. Ela vai preferir não vender o bolo, ou não fazer o bolo – vale mais a pena comer o bolo do que trabalhar para fazer e vender o mesmo. Ou ela pode vender panquecas. Ou vender o bolo a Cz$ 100 no mercado negro, para quem realmente estiver precisando do bolo ao preço justo deste.

 

Mercado Negro não é um lugar secreto de piratas, longe da polícia. Mercado negro é qualquer lugar onde o comprador e vendedor simplesmente ignoram o congelamento e acordam o preço. Ou seja, qualquer lugar com quaisquer pessoas.

Caso descrito pelo livro “Saga Brasileira”, da jornalista Miriam Leitão. Um efeito bizarro do congelamento de preços, foi que o carro usado (sem tabela de congelamento) passou a ser mais caro do que o carro novo (preço tabelado). Mas é óbvio que ninguém conseguia comprar o carro novo na concessionária, só via mercado negro.

As três edições de X-Men em Cruzados geram o gráfico a seguir. Anualizando o índice X-Men de inflação desses dois meses, dá uma inflação de 3.300% ao ano!!

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Plano Verão

 

O Plano Verão veio em jan 1989. Mudança de Cruzado para Cruzado Novo, cortando 3 zeros, congelamento de preços (de novo, esse pessoal não aprende).

A revista X-Men n. 4 veio com o preço de capa de NCz$ 0,45  (Cruzado Novo), o que reflete exatamente o corte de três zeros do preço em Cruzados (450 Cz$).

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X-Men 4- fev 89: NCz$ 0,45. O Brasil também viveu uma jornada de horror!

O preço de NCz$ 0,45 se manteve pelos próximos dois meses. E aí, o dragão adormecido voltou, e com força total. NCz$ 0,58, NCz$ 0,75, NCz$ 1,00.

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X-Men 8 – jun 89: NCz$ 0,75

Em janeiro de 1990, a revista X-Men n. 15 já custava NCz$ 17. No mês seguinte, NCz$ 30, e no posterior, NCz$ 53. Um aumento de 8 mil % em um ano!

 

Sarney, quando questionado sobre o que poderia fazer para acabar com a inflação, disse: “Nada. É tudo culpa da crise internacional!”. Infelizmente, mais de 20 anos depois, uma certa presidenta do Brasil disse o mesmo.

 

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X-Men 17 – mar 90:  NCr$ 53. Fim da linha para o Futuro do Brasil.

Para dar um paralelo de como era a situação, imagine uma nota de 100 reais. Hoje, 100 reais compra um monte de coisas. Mas, daqui a um ano, a nota de 100 reais tem um poder de compra equivalente a 1 (um) real, e o governo tem que inventar notas de 500 reais, 1000 reais, etc. Depois que um pãozinho passa a custar 1000 reais, o governo corta três zeros, inventa uma moeda chamada “real novo” ou “real verdadeiro”, e o pãozinho passa a custar 1 real novo.

 

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1000 Cruzados passaram a valer 1 Cruzado Novo

 

Lembro-me que nesta época ninguém carregava moedas no bolso. A gente recebia um troco em moedas, e dois meses depois a moeda não valia mais nada. Era mais válido receber o troco em balas – pelo menos o açúcar da bala não evaporava com o tempo. Mas como o dono da padaria não era bobo, ele fazia questão de empurrar as moedas sem valor como troco.

 

Lembro-me também que fui ao Japão com os meus pais. E uma coisa que me chamou a atenção era a de que eles utilizavam moedas. Tudo quanto era máquina de refrigerante aceitava moedas, a moeda de 100 ienes. Hoje, mais de 20 anos depois, as moedas de 100 ienes continuam existindo no Japão.

 

As edições de X-Men em Cruzados Novos geram o gráfico a seguir, começando em NCr$ 0,45 e terminando em NCr$ 53. Anualizando o índice X-Men de inflação deste período, dá uma inflação de 8.000% ao ano!! Note que o gráfico é exponencial. Se nada fosse feito, o dragão só iria ficar cada vez mais forte.

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Plano Collor

Lembro-me bem do primeiro presidente eleito democraticamente pelo brasileiro após décadas. Lembro-me de que ele era a esperança de salvação deste povo sofrido. Lembro-me da cobertura das revistas e jornais da época, e de uma ministra chamada Zélia Cardoso de Melo.

Logo nos primeiros dias de governo, era lançado o Plano Collor 1, em março de 1990. A moeda passou de Cruzado Novo para Cruzeiro, sem corte de zeros. A primeira revista deste novo governo era a X-Men 18, com preço de Cr$ 30,00.

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X-Men 18 – abr 90: Cr$ 30,00. Amargo destino do brasileiro sob Collor.

Ocorreu nesta época uma dos experimentos econômicos mais bizarros da história: o confisco da poupança. Imagine todo o seu dinheiro guardado no banco. E imagine que agora ele não é mais seu. Aliás, é seu, mas você não pode sacá-lo, nem usá-lo para nada, e este estará sujeito à uma taxa de correção arbitrária, obviamente abaixo da inflação. Ou seja, um confisco.

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X-Men 19 – mai 90: Cr$ 30,00

A lógica é mais ou menos assim: o excesso de dinheiro em circulação causa inflação. Então, vamos tirar o dinheiro de circulação na marra, isto vai acabar com a inflação e os brasileiros vão ficar felizes.O Plano Collor 1 foi radical. Destruiu inúmeros sonhos, quebrou centenas de empresas. Tinha muita gente com dinheiro na poupança para comprar um apartamento, e que estava esperando Collor assumir para ver se os preços baixavam – ficaram sem apartamento e sem dinheiro. Foi uma época de desesperança, depressão, suicídios e ataques cardíacos. Não é nada agradável ver todo o dinheiro de uma vida confiscado. Todo mundo conhecia alguém que fora muito afetado pelo plano de Collor e Zélia.

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X-Men 20 – jun 90: Cr$ 40,00

Tirar dinheiro de circulação na marra causou uma recessão, o Brasil diminui 4% no ano. Pequenos empresários que não tinham capital de giro quebraram, porque não recebiam e tinham que pagar os salários em dia.

O plano foi tão desastrado que levou, indiretamente, à queda de Collor. O impeachment foi por uma denúncia qualquer de corrupção, mas a indignação popular foi causada mesmo pelo pior plano econômico de todos os tempos.

E o pior é que a inflação não morreu. Só deu uma acalmada no começo.

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X-Men n.30 – abr 91: Cr$ 180,00

 

Em abril de 1990, a revista X-Men n. 18 custava Cr$ 30,00. Em julho de 90, já custava Cr$ 60,00. Em dez /90, já custava Cr$ 180,00.

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X-Men n. 33 – jul 91: Cr$ 330,00. Vingança da inflação, que voltava com tudo

O governo Collor foi liberando o confisco da poupança para os setores amigos. O governo continuava a gastar como sempre. Como em todos os planos econômicos, quem pagou o pato foram os mais fracos, que não conseguiam se proteger e tiveram o dinheiro de uma vida toda preso no banco. Ao Collor I sucedeu-se o Plano Collor II, com congelamento de preços (de novo?!?!) e outras medidas que nada resolveram. 

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X-Men n. 35 – set 91: Cr$ 430,00.O mistério da Fênix da inflação, que retorna das cinzas

Em ago/1992, a revista custava Cr$ 5.200,00, 172 vezes o valor do início do plano.

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X-Men n. 46 – ago 92: Cr$ 5.200,00. Não tinha melhor título do que Inferno!

Nesta época, eu tinha uma estratégia. Esperava dois meses para comprar a revista, com o preço corroído pela inflação. Em set/92, a editora abril cansou de remarcar os preços, e adotou uma tabela. A revista custava o valor B7 da tabela. E o jornaleiro só tinha que trocar a tabela, todos os dias, arruinando a minha estratégia de comprar revistas de meses passados.

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X-Men n. 50 – dez 92. A capa não tinha mais preço. A inflação era tão alta que desistiram de remarcar o preço.

Collor prometeu dar um tiro na inflação. Acabou dando um tiro nos brasileiros, e o dragão da inflação continuou firme e forte. Note o comportamento exponencial do gráfico do índice X-Men. Neste período, a inflação anualizada foi de 800%!O comportamento exponencial do gráfico nem permite que se veja os números. Disponibilizei neste link os dados tabulados da série histórica da revista dos X-Men.

 

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A minha família é de ascendência japonesa. Nesta época, diversos familiares emigraram para o Japão – tornando-se dekasseguis. 80 anos depois dos japoneses emigrarem para o Brasil, a terra prometida, era a vez de seus filhos e netos retornarem para o Japão.
A insegurança econômica (não adianta acumular cruzados, pois desvalorizarão) e a insegurança jurídica (não adianta colocar no banco, pois o o governo confiscará) geraram um Brasil sem futuro. Quanto mais o futuro é imprevisível, mais gasto tudo no presente.
Se não posso guardar, tenho que consumir tudo o quanto antes. Era comum o pessoal ganhar o salário e fazer a compra do mês no mercado, estocando commodities. E o escambo (troca de mercadorias sem troca de dinheiro) tinha voltado, já que a moeda tinha cada vez menos valor.

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Espero nunca ver um pãozinho custar uma nota de 100 mil reais


Plano Real
Em fev 1994, depois do fracasso de três ministros da fazenda, Itamar Franco chamou Fernando Henrique Cardoso ao ministério da Fazenda. Ele montou uma equipe de economistas predominantemente da PUC-RJ, e adotou uma série de medidas consistentes para atacar a causa do problema da inflação.

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X-Men n. 71 – set 94: R$ 1,45

Não foi um caminho fácil, é claro. Foi necessário abrir a economia, quebrar monopólios, permitir a competição. Modernizar a estrutura produtiva, gastar somente o que se arrecada (Lei de Responsabilidade Fiscal). Muito estudo, planejamento, coragem para encarar políticos irresponsáveis, mas eis que agora o Brasil voltava aos eixos!

O mais importante de tudo: o Brasil voltou a ter futuro. Era possível planejar. Grandes investimentos poderiam ser feitos com segurança.

A história do Plano Real pode ser acompanhada no livro Saga Brasileira, da jornalista Míriam Leitão.Um efeito disto: a editora Abril voltou a publicar o valor da revista na capa.

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X-Men n. 85 -nov 95: R$ 1,90

A inflação é o mais cruel dos impostos. É a forma do governo te taxar sem colocar uma arma na sua cabeça. O problema é que são os mais fracos são os mais prejudicados. É como uma corrida em que quem aumenta primeiro sai ganhando. Quem não tem poder de barganha para negociar  aumentos fica para trás, e vai comprar tudo com preço de hoje mais caro, a partir de um salário nominal do mês retrasado.

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X-Men n. 95 – set 96: R$ 2,20

O Brasil colheu os frutos de uma moeda forte por 20 anos, o que permitiu um avanço inimaginável na economia, política, e na sociedade. Não mais troca de moedas. Não mais corte de três zeros. Não mais troca de ministro da Economia a cada meio ano, como um time que só perde troca de técnico.

 

Mais de 90 meses depois, em março de 2000, a revista X-Men n. 137 custava R$ 2,50. Para quem esperava que ela custasse 250.000 reais, aquilo era um sonho! As pessoas voltaram a usar porta-moedas, o dono da padaria voltou a empurrar balas como troco.

 

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X-Men n. 137, mar 2000: R$ 2,50. O resgate do Brasil.

Note como o índice X-Men de inflação é muito melhor para o período pós Plano Real. Em seis anos, o aumento do preço de capa foi de apenas 1 real. O comportamento exponencial já não existia mais. A moeda de 1 real existe até hoje, em 2016.

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A revista dos X-Men em formatinho acabou uns meses depois, passando a ter um outro formato, outro número de páginas, etc. Mas eu não colecionava mais as revistas nesta época.

 


 

Conclusão – a Fênix dos anos 2010

Quem viveu o período de hiperinflação provavelmente entrou com zero e saiu com zero. Apenas sobreviveu, não acumulou patrimônio.

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A Fênix ressurge das próprias cinzas

Quem sabe, se os rumos políticos e econômicos fossem menos desastrosos no passado, hoje estivéssemos num nível de desenvolvimento como o da Coreia do Sul, por exemplo.Ousei sonhar com um Brasil de primeiro mundo, após o Plano Real. Parecia que o Brasil começava a decolar. Mas o Dragão da inflação, do desgoverno, das políticas econômicas demagogas e ineficazes, voltou das cinzas como uma Fênix, ameaçando engolir o futuro.

 

O que é possível fazer, neste contexto? Pelo menos a minha parte: trabalhar, criar novas soluções criativas para as necessidades atuais, tornar-se cada vez mais produtivo dentre as dificuldades. É para isto que trabalho, e é para isto que este espaço existe.

Arnaldo Gunzi
Fev 2016

 


 

Leitura recomendada.

Saga Brasileira, a longa luta de um povo por sua moeda. Míriam Leitão.

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http://www.livrariacultura.com.br/p/saga-brasileira-22491015

 


 

Anexos:

Disponibilizei neste link os dados tabulados da série histórica da revista dos X-Men.

Veja também

Telefonia nos anos 80

Crise e Oportunidade