​Prometeu e Epimeteu

Nesta virada de ano, nada mais adequado que a história da criação do homem segundo a mitologia grega. Começa com Prometeu e Epimeteu, irmãos, e titãs, raça de seres que antecederam os deuses do Olimpo.

https://i1.wp.com/tooeleonline.com/wp-content/uploads/2013/06/Prometheus-and-Epimetheus-630x630.jpg

O primeiro tem o dom da antevisão, e o segundo, o dom da visão retrospectiva. Um olha para o futuro, e o outro, para o passado. O primeiro, muito sábio, inteligente e zeloso, o segundo, afobado, inconsequente, incauto.

Os deuses deram aos irmãos a tarefa de criar os seres vivos da Terra.

Prometeu (o que olha para o futuro) criou os seres vivos com muito cuidado a partir de argila, e a deusa Atena deu o sopro de vida a estes.

Epimeteu (o que olha para o passado) ficou com a responsabilidade de conceder um dom específico a cada animal.

Os animais pegaram a senha, ficaram numa fila, e Epimeteu foi distribuindo as habilidades: garras, velocidade, casca dura, poder de voar, etc.

O ser humano foi o último da fila, e quando chegou a sua vez, o atrapalhado Epimeteu já tinha distribuído todas as habilidades que ele tinha em mãos. Assim, o ser humano não tem garras afiadas, dentes esmagadores, velocidade arrasadora, veneno, nem nada especial.

Prometeu apiedou-se deste indefeso ser, e deu um jeito de fornecer alguma habilidade. Tornou-os eretos como os deuses. E, além disso, roubou o fogo dos deuses para dar aos homens.

O fogo permitiu que os humanos se protegessem do frio, forjassem armas, cozinhassem alimentos, ajudando a sua evolução de um macaco desajeitado a um grande caçador coletor, depois um grande agricultor.

Os deuses enfureceram-se com Prometeu. Ele foi acorrentado a uma rocha, e condenado a ter o seu fígado devorado por uma águia, todos os dias. Durante a noite, o fígado crescia, para ser devorado novamente no dia seguinte.

https://i0.wp.com/www.theoi.com/image/T20.1Prometheus.jpg

O homem também sofreu a vingança de Zeus. Este criou uma bela criatura, chamada Pandora, a primeira mulher, e enviou-a a Epitemeu. Pandora tinha um espírito enganador, uma língua afiada e muita curiosidade. Epimeteu tinha sido avisado pelo precavido Prometeu a não aceitar presente algum de Zeus. Mas Pandora era de tal beleza, uma coisa tão linda, tão cheia de graça, num doce balanço a caminho do mar, que foi impossível o incauto Epimeteu resistir.

Junto com Pandora, veio uma caixa, que tinha somente uma instrução clara: não abrir. Porém, um dia, a curiosidade de Pandora foi tanta, que ela abriu a caixa, e espalhou todas as doenças por este planeta. Depois que todas as doenças se espalharam, ela viu que tinha ficado alguma coisa no fundo da caixa: a Esperança.

https://i1.wp.com/curiosityculture.com/wp-content/uploads/2017/02/Pandora-Opens-the-Box.jpeg

O nosso benfeitor Prometeu se safou, depois de um tempo. O herói Hércules matou a águia e o libertou, numa pausa dos seus 12 trabalhos. Tendo o dom de antever o futuro, Prometeu sabia que sofreria consequências, mas também sabia que dar o fogo aos homens era a coisa certa a ser feita, e que ele mesmo se safaria no final.

E, mais do que o fogo, Prometeu deu aos homens o dom da antevisão. Todos os animais conseguem olhar apenas para o presente e o passado, como Epimeteu: juntar alimentos, sobreviver hoje e agora. Somente o ser humano tem o dom de olhar para o futuro, prever e planejar o amanhã a partir do momento presente. Este é o verdadeiro legado de Prometeu.

Veja também: o Deus Janos.

 


Links

http://www.uexpress.com/tell-me-a-story/2011/3/6/prometheus-and-epimetheus-a-greek-myth

https://www.greekmythology.com/Myths/The_Myths/Creation_of_Man_by_Prometheus/creation_of_man_by_prometheus.html

 

 

 

 

 

 

 

Macaco e Abacaxi

 

Image

Há muito tempo atrás, vi um programa da NatGeo, onde os pesquisadores davam um abacaxi coberto com mel para os macacos comerem.

A justificativa era assim:

– Macacos são seres bastante inteligentes

– Se der a comida prontinha, eles ficam entediados e acabam gastando energia com travessuras

– Portanto, damos a comida a eles com algum grau de dificuldade, para obrigá-los a pensar e gastar energia. Só que o grau de dificuldade não pode ser grande demais, senão ele não consegue e se frustra.

 

Pensamento meu: Será que a Vida não faz a mesma coisa com o ser humano? Dá uns abacaxis para você descascar e obter o mel? O problema é que as vezes a Vida erra na dosagem, e dá uns abacaxis espinhosos demais.

 

Almoço

Image

Uma vez, tive uma conversa assim:

Eu: A hora do almoço é a melhor hora do dia, não?

Colega: Sim, o nosso trabalho poderia ser só almoçar. A gente chega meio-dia, almoça com o pessoal, e volta para casa. E continua recebendo salário integral, é claro.

Eu: Verdade.

Colega: Mas o ser humano é um ser lazarento. Ia ter gente reclamando: “Puxa, que saco sair de casa só para ir almoçar. Ter que encontrar o chefe é ruim demais. O bom mesmo seria receber sem nem sair de casa”.

Eu: Rs, concordo plenamente.

 

Schopenhauer: “A ganância do homem é como a água do mar: quanto mais bebemos, mais sede temos”

 

 

 

Falta e excesso

BigMac

O ser humano passou mais de 10 mil anos convivendo com a falta de comida. Subnutrição era a regra.

Nos dias atuais, pela primeira vez na história, grande parte da população tem acesso fácil à alimentação.

O Big Mac tem a melhor relação calorias/custo da história. Um big mac seria um banquete, na idade média.

Mas, agora, o ser humano tem que se privar voluntariamente do excesso para não engordar.

Quando não se sofre pela falta, sofre-se pelo excesso.

 

Viés de coisas úteis x inúteis

O ser humano tem o viés de pagar caro para comprar coisas inúteis e economizar em mixarias que podem ser muito importantes.

Se é um óculos de marca, uma roupa cara, uma TV nova, o ser humano paga caro com prazer, parcela no cartão e se enrosca até não poder mais. E, no final das contas, você precisa disto mesmo?

Mas se é para comprar uma gafarrinha de água num dia quente, um guarda chuva num dia chuvoso, um presentinho para a esposa, um brinquedinho para o filho, ou qualquer coisa útil de pouco valor, o ser humano tende a desprezar. Mas, e no dia em que você precisar do copinho de água a mais?

Como diria o Bastter: para que pagar caro para comprar coisas de marca para impressionar pessoas que não gostam de você?

Não seria melhor comprar coisas baratas e úteis para você e para as pessoas que gostam de você?