Sobre criação, Dionísio e Pigmaleão

Após escrever mais de 1000 posts neste espaço (e uns 500 em outros), posso afirmar, do meu método de escrita.

Não tenho um objetivo claro, um plano bem definido. Muito menos, um público-alvo, uma persona que quero atingir. Nada aqui foi projetado tendo em mente um canal específico, nem contém propositalmente palavras-chave pesquisadas para bombar em SEO. Tudo isso é baboseira. Um texto escrito assim seria chato, burocrático, sem vida, o pior texto do mundo, falso, artificial.

O método é caótico. Começo com uma leve ideia da mensagem que quero transmitir, e um ou dois tópicos de apoio. O texto vai ganhando vida, linha por linha, quase que por conta própria – é como se as palavras quisessem ser escritas, e eu fosse apenas o dedo que imprime a mensagem no papel.

Nem todas ideias viram texto, nem todos embriões ganham vida – há um processo automático de eliminação – é como se o rascunho falasse, “não, não está certo”.

As que ganham vida são, como dizia Nietzsche, escritas com sangue, e devem ser lidas com a alma.

Ainda citando Nietzsche, o método do plano bem definido seria representado pelo deus grego Apolo, da ordem, da beleza, de tudo o que é certinho.

O contraponto é o deus Dionísio, do caos, da feiúra, da embriaguez, da êxtase inebriante.

Dionísio é o senhor da criação. As grandes ideias vêm do caos.

Outra lenda grega é a de Pigmaleão. Um escultor, que fez uma estátua de uma mulher tão perfeita, que ele se apaixonou pela própria criação. Ele ficou tão perdidamente louco de amor que Zeus se apiedou e deu vida à estátua.

E assim são as grandes ideias. Todo criador deve ser como Pigmaleão. Todas as grandes ideias têm potência, têm tesão, têm vida própria!

“Viver não é necessário; o que é necessário é criar.” – Fernando Pessoa

Pigmaleão

Na mitologia grega, Pigmaleão foi um escultor que dedicou todos os esforços para esculpir a mulher que ele considerava perfeita.

 

Pigmaleão trabalhou com esmero em sua obra, por infindáveis horas, preocupando-se com cada mínimo detalhe.

 

A belíssima estátua recebeu o nome de Galateia. O escultor apaixonou-se de tal forma pelo seu trabalho que passou a tratá-la como um ser humano de verdade, dando-lhe presentes, carinho, e considerando-a como a sua esposa de verdade.

 

A deusa Vênus apiedou-se de Pigmaleão. Ela procurou entre as mulheres alguma que fosse tão perfeita quanto Galateia, mas não encontrou mortal à altura. Daí, Vênus deu vida à estátua. Galateia se tornou uma mulher de carne e osso e se casou com Pigmaleão.

 

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O mito de Pigmaleão inspirou a peça “My fair lady”

Este mito é comumente associado à ideia de profecia auto-realizável. Se dedicarmos paixão suficiente em nosso trabalho, qualquer seja, conseguiremos fazer com que este seja tudo o que esperamos dele.

 

 

De modo geral, é simples perceber quando um trabalho foi feito com paixão ou quando foi feito de forma burocrática. A dica é sempre fazer o melhor trabalho possível, dedicando o máximo carinho e paixão, e o resultado com certeza virá.

 

 


 

Links

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Pigmale%C3%A3o

https://www.infoescola.com/mitologia-grega/pigmaliao-e-galateia/

http://hbrbr.uol.com.br/o-lider-pigmaleao/