Dois Erros

Dois Erros

Deixar de gastar quando é necessário é um erro, porque o dinheiro existe para isso, para ser gasto quando precisa. Se não usar quando precisa, vai usar quando?

Já usar sem necessidade não é bom. É a situação inversa da versão acima.

Nova York

Fiz uma viagem de 10 dias a Nova York, EUA, em março de 2014. Nova York é cidade mais badalada do mundo. Megalópole, centro financeiro do mundo (Wall Street), palco do atentado terrorista de 11/9, cenário de inúmeros filmes, do Homem Aranha ao Poderoso Chefão. Sede da ONU (o que não quer dizer muita coisa). Lugar de magnatas (Rockfeller, Trump). Mix de inúmeras culturas, com viajantes e imigrantes de tudo quanto é lugar no mundo.

Eu já tinha feito uma viagem há 5 anos atrás. Em 2009, a internet tinha um impacto muito menor do que tem hoje. Ninguém comprava pela internet, preferindo lojas físicas. Tecnologias como iPhone e iPad eram muito menos difundidas do que são hoje.

Conclusão 1: o mundo está muito mais próximo hoje do que há 5 anos. A tal da globalização é real, não é só ficção não.

Conclusão 2: As pessoas são iguais em qualquer lugar do mundo, com seus desejos, sonhos, comportamentos.

Seguem curiosidades e detalhes observados.

New York

– A cidade de New York fica numa ilha. É uma cidade portuária, tendo um dos maiores portos naturais do mundo. Isto deu à cidade uma vantagem competitiva em relação a outros lugares. Possibilitou um rico comércio e grande desenvolvimento.

– Não tem moeda de 50 centavos. Tem de 1, 10, 25 e 1 dólar. Dizem que tem nota de 2 dólares, mas eu não vi.

– Utilizamos o serviço AirBnb para alugar um apartamento por 10 dias. O apartamento era bonitinho, bem arrumado. Foi muito bom

– New York parece uma cidade planejada. Todas as ruas são retangulares, seguindo uma numeração longitudinal e transversal. Na longitudinal, NY é atravessada por avenidas longas, que vão de ponta a ponta. É uma cidade bastante plana, sem morros (não sei se é naturalmente assim ou teve ação humana).

Apps

– Dicas de apps: tanto o Google Maps quanto o maps da Apple funcionam em NY. Eu não tinha conexão à internet, mas os mapas apareciam perfeitamente (o que indica que a base de dados NY está incorporada aos apps). O app Nyc Subway é muito bom, porque o metrô de NY é um labirinto.

Aeroporto

– O aeroporto JFK é muito grande. Para ter uma noção, o aeroporto de São Paulo em Guarulhos, que é um dos maiores do Brasil, tem 2 terminais. Já o JFK tem 8 terminais, cada qual tão grande quanto um terminal de Guarulhos.

Trânsito

– O trânsito em NY é tão caótico quanto em SP. Os carros não respeitam farol, fechando cruzamentos. Buzinas para tudo quanto é lado. Congestionamentos.

– Entretanto,o número de motos é bem pequeno. Dizem que é porque os carros são tão baratos que preferem carro a moto. E também porque estava frio (de -5 a 5 graus). Nas épocas frias do ano, as pessoas preferem andar de moto.

– Todas as ruas têm semáforo para pedestres. E os motoristas respeitam a faixa de pedestres, parando para as pessoas atravessarem.

Metrô

– O metrô de NY é muito velho, mas bastante eficiente. Tem uma dezena de linhas, que cortam a cidade inteira e que chegam a quase todos os lugares.

– O pico do trânsito no metrô parece menos ruim do que em SP. Isto porque há muitas linhas, o que distribui as pessoas. Enquanto isso, em SP há poucas linhas, o que faz com que todo mundo obrigatoriamente passe nos mesmos pontos críticos de conexão, como a estação praça da sé.

– É comum ter pessoas cantando no metrô. Ou pregando alguma crença. Ou fazendo um showzinho. Uma vez, entrou um grupo de americanos negros no metrô. Tocaram um som, fizeram acrobacias nas barras do metrô, um show atlético e acrobático. Naturalmente, pediram o tip no final da apresentação.

– Dica: se você estiver na rua 40 e quiser ir para a 80, o sentido é “uptown”, porque está subindo. E o inverso é verdadeiro também, “downtown” quando estiver descendo.

– Em termos de acessibilidade, várias estações de metrô não tem elevador nem rampa para carrinhos. Cansamos de carregar o carrinho pelas escadas – (não tem escada rolante nos metrôs)

Impessoal

Os americanos têm uma cultura onde tudo é transação comercial. Não tem essa de favor, de dar um jeitinho, de ajudar o amigo. Sim é sim e não é não. Por isso mesmo, em geral o resultado é mais justo do que no BR.

A cultura deles é de ser muito polido. Nunca ouvi tanto “sorry” e “excuse me”. Por mais que seja puramente formal, sem ter motivação real, é outra mentalidade. É um choque, ao voltar ao BR.

Mix de culturas

– Ficar 5 minutos na Times Square, o famoso cruzamento entre a Broadway e a 7ª avenida, diz muito sobre a cidade. Há turistas de todos os lugares do mundo. Línguas como chinês, italiano, russo, português, castelhano, indiano, alemão são muito comuns

– Os trabalhadores, principalmente os de nível mais operacional (garçom, cozinheiro, auxiliares, taxistas), são todos imigrantes. Vi latinos trabalhando em cafeterias, o taxista era egípcio, indianos carregando caixas, russos (ou de algum país da região) nas barraquinhas de cachorro quente, chineses tocando grocery store.

– Há muitos judeus ortodoxos. Aqueles caricatos, com barba, paletó e chapéu preto, donos de joalherias e que emprestam dinheiro.

– Entretanto, as pessoas são iguais. Uma forma de ver isto é olhando para o catálogo de revistas à venda. A proporção é a mesma: revistas sobre pessoas famosas, esportes, notícias, curiosidade, sobre como conseguir o amor da sua vida, como obter trabalho melhor. Emagrecimento, dietas, exercícios físicos. São americanos, migrantes e imigrantes, em busca de sonhos, de uma vida melhor.

Efeitos do e-commerce

– Há 5 anos, havia uma grande rede de livrarias chamada Borders. Era algo como uma Saraiva Megastore, porém mais mega do que a mais mega das Saraivas. Ocupava quase um quarteirão inteiro, perto do Madison Square. Hoje, a Borders não existe mais.

– Há 5 anos, havia uma grande loja da Barnes & Nobles na quinta avenida, intitulada “a maior livraria do mundo”. Hoje, não existe mais.A BN fechou diversas lojas nesses 5 anos.

– Por outro lado, a Amazon cresceu exponencialmente. Hoje em dia, com e-books, ipads e afins, é muito mais rápido, fácil e barato comprar pela internet e ler no tablet. E você não precisa mais ir aos Estados Unidos para comprar o livro mais recente ou o melhor livro que existe na sua área de atuação. Basta encomendar pela Amazon.

– Há 5 anos, as lojinhas de turistas em NY, com chaveiros, camisetas e miniaturas de estátua da liberdade pareciam muito legais. Hoje, não parecem mais. O mundo mudou muito em 5 anos. O Brasil hoje tem acesso a muita coisa, a muitos produtos e serviços bons. A enxurrada de produtos chineses que chega nos EUA também chega no BR.

– Uma Starbucks em NY era o máximo, há 5 anos. Hoje tem umas 20 em SP, até perdeu a graça.

Preços

– Frutas e Verduras, em abundância em qualquer feira livre do BR, são muito escassaz em NY. Para se ter uma ideia, vi em muitos lugares as bananas sendo vendidas por unidade. Uma banana, 50 centavos de dólar. Aqui no BR, são 12 bananas por 1 dólar.

– É muito caro comprar produtos básicos, como o pãozinho, presunto, queijo, carne. Porém, não é caro comprar o produto já industrializado: a comida pronta no restaurante, o prato para viagem numa deli.

– Exemplo: comprar laranja para fazer o suco é mais caro do que comprar o suco pronto. Isto porque é muito mais difícil importar a laranja do que o suco pronto.
A laranja é perecível, é ruim de armazenar, ruim de transportar. Já o suco vem em caixinhas, pallets, e não estraga tão rápido.

– Já em termos de eletrônicos, é muito barato comprar nos EUA. Graças aos impostos, tarifas de importação, logística tosca, o preço do produto no BR é muito alto.

– Em termos de restaurantes, infelizmente o preço do BR é comparável ao de NY. Um jantar para dois no Red Lobster saiu a 60 dólares. Num restaurante bom de SP, talvez custe um pouco menos, mas é nesta faixa. O problema é que aqui, recebemos em reais e não em dólar.

Gigantismo

– Não tem um shopping Center em NY, porque cada loja já é um Shopping Center.

Loja da MM tem três andares. Loja de brinquedos, como a Toys r us, é metade de um quarteirão e tem 4 andares. A Macy’s é intulada “a maior loja do mundo”, com 8 andares, do tamanho de um quarteirão. Muitos shoppings brasileiros são menores que a Macy’s.

– Tudo em NY é mega, super. A camisa do Michael Jordan, ídolo, custa 300 dólares. Já a camisa de um outro cara, não tão fera, custa 100 dólares. Este é o poder do torcedor americano.

– Até os pombos são obesos. Pesquisei um pouco, se era por causa do frio que só os gordos sobreviviam, ou se era por causa da abundância de alimento mesmo. Parece que a hipótese mais plausível é a segunda. Os pombos são gordos por causa do fast food mesmo.

– Acessibilidade: as calçadas todas têm rampas para carrinhos. E todas as lojas grandes têm elevadores. Eles não deixam você subir a escada rolante com carrinho de bebê, como fazemos no BR.

Apple Store NY

– Uma experiência muito interessante é visitar a Apple Store. Lá, cada detalhe foi pensado, tendo em vista o consumidor.

– O design é espetacular. Um cubo de vidro transparente. Um elevador panorâmico cilíndrico com paredes transparentes, onde parece que você está flutuando.

– Há áreas de experimentação à vontade. Você pode entrar lá sem saber nada e pedir para o atendente te ensinar. Pode ficar o dia inteiro aprendendo e ninguém vai te olhar de cara feia. E tem um “genius bar”, onde qualquer um pode tirar qualquer dúvida sobre qualquer coisa.

– Uma coisa simples, mas que mostra a preocupação deles. Só na Apple Store existe um espaço para as crianças brincarem com os ipads, com mesas e cadeiras da altura delas e apps de crianças. Contra Exemplo: no extra, Carrefour, wallmart, os tablets ficam em mesas, na altura dos adultos, e sem cadeira (para que ninguém fique sentado mexendo).

– Fui comprar um cabo, e estava procurando o caixa para pagar Não tem caixa. Um atendente, muito simpático, me ajudou. Sacou um iphone, digitou o pedido e mandou a nota por e-mail. Quando você pensa em caixa, pensa em fila, burocracia, chatice. A Apple Store foi feita para ser legal, cool, sem chatices.

– Pensei que os atendentes ganhassem mais, por serem muito prestativos, atenciosos, simpáticos. Pesquisei um pouco, e na verdade, não parece ser isso que acontece. O que acontece é que são pessoas apaixonadas pelo que fazem, que é ajudar os outros, e que encontraram uma cultura propícia a isso. O objetivo da Apple Store não é vender, mas sim, ajudar o consumidor. Os atendentes têm até a liberdade de fazer coisas malucas, como trocar de graça o seu iphone quebrado fora da garantia, se eles sentirem que você está certo e que esta é a coisa certa a fazer.

– Por isso tudo, a Apple Store está lotada 24 horas por dia.