Melhores textos de Richard Feynman

O brilhante físico americano Richard Feynman (1918 – 1988) teve uma carreira invejável:

  • Participou do Projeto Manhattan
  • Inventou um método de visualização de eletrodinâmica quântica que é usado até hoje
  • Ganhou o Prêmio Nobel de Física
  • Foi essencial para descobrir e denunciar problemas no ônibus espacial Challenger

“Os Melhores textos de Richard Feynman” reúnem alguns artigos e palestras. São textos extremamente agradáveis de ler e que mostram um pouco da criatividade, valores e forma de trabalho deste gênio.

Seguem algumas reflexões.

  • Explicação visual: Feynman adorava transformar ideias abstratas em analogias fáceis de imaginar. Não era daqueles físicos que falavam difícil. Exemplo: Explicação sobre tiranossauros: “Essa coisa tem 7,5 m de altura e a cabeça tem 1,80 m de diâmetro. Vamos ver o que é isso. Se ele parasse ali no quintal teria altura suficiente para enfiar a cabeça pela janela mas não muito porque a cabeça é meio larga demais e quebraria a janela quando passasse.”
  • Como escolher o problema certo a atacar? Uma forma racional é fazer a estimativa tamanho do impacto do problema x probabilidade de resolver.

“Tudo é interessante quando a gente mergulha com profundidade suficiente.”

“O primeiro princípio é não enganar a si mesmo e somos as pessoas mais fáceis de enganar”

  • Los Álamos visto de baixo. Texto relatando inúmeras experiências de Feynman em Los Álamos, onde participou do Projeto Manhattan, para o desenvolvimento da primeira bomba atômica da história. O “visto de baixo” porque ele era apenas um pesquisador promissor em início de carreira, frente a gigantes da física como Fermi, Von Neumann, Bohr.

Sobre o convite: a primeira reação dele foi rejeitar, mas depois de pensar um pouco, ele aceitou: “A razão original para começar o projeto era que os alemães eram perigo. A possibilidade de Hitler desenvolver uma bomba era óbvia, e a possibilidade de desenvolver antes de nós era apavorante.”

Uma das tarefas de Feynman, físico teórico, era analisar se método de separar isótopos de urânio funcionariam na prática.

Além disso, ele conta várias histórias sobre a mobilização na base, a censura de cartas, e de como passava horas aperfeiçoando sua habilidade de abrir cofres – ou ouvindo o padrão de combinações, ou observando cofres abertos para descobrir parte do código.

Os computadores da época utilizavam cartões perfurados como forma de entrada e saída de informação.

“Um dos segredos para resolver nosso problema foi o seguinte: os problemas eram cartões que tinham de passar por um ciclo, primeiro somar depois multiplicar e passava por um ciclo completo de máquinas, devagar, dando voltas e mais voltas. Aí inventamos um jeito usando cartões de cores diferentes: depois de pôr todos para circular, mas fora de sincronia, podíamos resolver dois ou três problemas ao mesmo tempo. Enquanto um somava o outro multiplicava.”

Sobre encontro com Niels Bohr, que era uma lenda viva à época. Feynman o encontrou numa reunião, mas nada disse. No dia seguinte, o filho de Bohr o chamou para um encontro, para discutir a viabilidade de um problema com o próprio Bohr.
Sobre a razão de escolher Feynman, o filho de Bohr relata uma conversa com o pai: “Você lembra o nome daquele sujeitinho no canto? Ele é o único que não tem medo de mim e vai dizer se a minha ideia é maluca. Não dá para discutir com esses caras que só dizem sim, sim, doutor Bohr. Então chame aquele sujeito primeiro”

  • Feynman é considerado o iniciador da nanotecnologia. O texto “Há muito espaço no fundo” tem ideias intrigantes e um desafio no final. Segue um pequeno trecho.

“Por que não podemos escrever todos os 24 volumes da Enciclopédia Britânica na cabeça de um alfinete? Uma cabeça de alfinete tem 1,5 mm de diâmetro. Se ampliar isso em 25.000 diâmetros, a área da cabeça de alfinete será igual a área de todas as páginas da Enciclopédia Britânica. Portanto é preciso reduzir o tamanho de todo o texto da enciclopédia 25 mil vezes… um ponto conteria 1.000 átomos, então não há dúvida de que há espaço suficiente para pôr toda a enciclopédia”

Ao final da aula, Feynman lançou um desafio de mil dólares a quem inventasse um motor elétrico que pudesse ser controlado de fora, com as dimensões de um cubo de 1/64 polegada de lado.

Nota: Ele pagou o prêmio duas vezes, a primeira menos de um ano depois, a um ex aluno da Caltech.

  • Sobre a sinestesia de Feynman.
    “Quando vejo equações, vejo as letras coloridas não sei por quê. Enquanto estou aqui falando, vejo vagas imagens de funções de Bessel com j marrom claro, n azul levemente arroxeado e o x marrom escuro esvoaçando-se.”
  • A curiosidade de Feyman o levava a tentar entender tudo profundamente. Sobre o número pi: “O pi era um número profundo maravilhoso. A razão entre a circunferência e o diâmetro de todos os círculos, não importa o tamanho. Havia um mistério nesse número.”

“Anos depois, olho nas fórmulas de um livro qualquer e descobri que a fórmula da frequência de um circuito ressonante era de 2 x pi x raiz( L C), onde L é indutância e C capacitância. Estava lá o pi. Mas onde estava o círculo? O pi era uma coisa com círculos, e estava ali o pi numa fórmula de um circuito elétrico em vez de um círculo. Da onde veio o pi nesse circuito?

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Grato ao amigo Cláudio Ortolan pelo livro.

Veja também:

A neblina na estrada do futuro

Como dirigir na neblina?

Lembro de uma vez, quando tinha uns 12 anos, que visitei a casa de um parente distante. No porão da casa dele, havia sua biblioteca particular: meia dúzia de estantes de livros diversos, além de diversas caixas espalhadas pelo chão, cheias de livros. Fiquei a tarde toda maravilhado, olhando para as capas e folheando aleatoriamente páginas velhas cheias de letras e poeira. Particularmente, achei fascinante uma apostila de cursinho, que condensava matérias como Matemática, Química, História e outros temas de vestibular.

É da mesma época o joguinho Enduro, de Atari. Um carro de corrida que deve ultrapassar outros carros. Na fase normal, é mais simples, dá para ver os demais carros à distância. Contudo, há uma fase em que surge uma neblina espessa, e só dá para ver os outros carros a uma curtíssima distância.

Naquela época, eu não tinha a menor ideia do que seria no futuro, dos caminhos possíveis a trilhar. É como uma espessa neblina à frente, só dá para ver alguns poucos passos possíveis e ter uma leve ideia do objetivo final. O que já sabia era que eu que gostava enormemente de estudar, de livros e conhecimento. E de temas pragmáticos, que tinham aplicação concreta na vida real.

A neblina da guerra

O teórico de guerra John Von Clausewitz cunhou o termo “neblina de guerra”, referente à informação incompleta nas decisões dos exércitos. Decisões essas que podem mudar o destino inteiro de uma nação e da história.

Dois exemplos históricos.

1 – O novíssimo e poderoso navio de guerra britânico “Prince of Wales” foi enviado ao Oceano Pacífico, alguns dias após o Japão bombardear Pearl Harbour, em 1941. O Prince of Wales foi detectado por uma escolta japonesa, e decidiu retornar ao porto de origem, por segurança. Naquela época, não tinha GPS ou satélites, então encontrar um navio no oceano era um jogo de busca exaustiva, gato e rato.

No caminho, o navio recebeu um relato de atividade dos japoneses, em terra, e não resistiu à tentação de se deslocar ao local para usar todo o poder de seus canhões no inimigo. Horas de deslocamento depois, o Prince of Wales chegou ao destino, para só então descobrir que o relatório estava errado: não tinha atividade japonesa nenhuma.

Nesse meio tempo, o navio foi avistado pelos aviões japoneses. Horas depois, uma frota de mais de 80 aviões torpedeou e afundou o Prince of Wales, que mal conseguiu revidar. Os britânicos cometeram uma série de erros, como superestimar o poderio naval e subestimar o estrago que aviões podem causar, mas não tivessem ido atrás de um relatório errado, o destino poderia ser outro.

Foi um desastre que virtualmente eliminou a oposição britânica no Pacífico.

Uma lição é separar o sinal do ruído – e isso não é fácil.

https://www.warhistoryonline.com/instant-articles/end-battleship-hms-prince-wales-repulse-sunk-10th-december-1941.html

2 – Previsão do tempo no dia D.

O desembarque na Normandia pelos aliados, em 1944, foi a maior operação anfíbia da história, com mais de 2000 navios de guerra, 150 mil soldados. Entretanto, tudo poderia mudar, por um motivo simples e difícil de prever: o clima.

Era necessário que houvesse lua, no mínimo parcialmente, porque as operações aéreas começariam de madrugada. A maré deveria estar baixa – para permitir que as tropas localizassem o campo minado deixado pelo inimigo. O tempo deveria estar bom – pouco vento, poucas nuvens.

Um desembarque em condições climáticas ruins custaria caro: imagine o pesadelo que seria desembarcar sob tempestade e sob fogo nazista.

Para piorar, o tempo literalmente fechou, dias antes da operação. A responsabilidade caiu nos ombros do meteorologista chefe dos americanos, o Capitão James Stagg. Ele previu que o clima ia dar uma pausa, e a operação seria possível na data. Felizmente para os aliados, ele acertou.

Além da técnica, também existe a sorte: a virtú e a fortuna de Maquiavel.

O contexto da neblina de Clausewitz é militar, mas a ideia é análoga, para a neblina na estrada do futuro.

Não temos como enxergar muito longe, nesse panorama nebuloso. Temos que ter fé de que estamos ligando pontos corretamente.

Conectar os pontos

Por fim, vale a pena ver a terceira história de Steve Jobs, no discurso de formatura de Stanford. Ele fala sobre conectar os pontos.

“É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.”

“De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.”

Veja também:

O superpoder da linguagem corporal 

Que tal ter o superpoder de detectar mentiras? Saber se alguém está confortável com sua presença ou não? Reconhecer quando alguém realmente se interessou pelo tema ou está sendo apenas educado? 

Não ligue para o que as pessoas dizem. As palavras podem ser manipuladas. Aprenda a reconhecer a linguagem corporal, para realmente entender o que elas querem dizer. 

Principalmente agora, que as reuniões presenciais estão retornando, é muito útil saber um pouco do assunto. 

É claro que não sou especialista no tema. Apenas replico algumas recomendações, de fontes diversas, e indico dois excelentes livros ao final do texto. 

– 93% da comunicação é não verbal (tom de voz, linguagem corporal) 

– Observe a inclinação do corpo de uma pessoa em direção ou oposta a outra. Na direção a outra indica desejo de ouvir mais, chegar mais perto; inclinação oposta, desejo de distância 

– Observe se cabeça, tronco e pés estão alinhados. Se a cabeça estiver numa direção, e os pés na direção oposta, indica um desejo de fugir 

– Para mostrar confiança: corpo aberto, peito e mãos abertos. Sem barreiras físicas. Instintivamente, protegemos nossos órgãos importantes, como o coração e o pescoço, quando desconfortáveis. Palma da mão aberta mostra que estamos desarmados, ao passo que um punho fechado indica que estamos prontos para lutar 

– Domine o espaço. Perto. Longe. Inclinar para ouvir e dar atenção 

– Olho no olho aumenta a atenção e comunicação. Levantar sobrancelhas indica atenção, desejo de ver mais 

– Atenção plena no ouvinte. Não mexa no celular 

Um cuidado é que um indicativo desses isolado não é conclusivo. É necessário um conjunto de observações, somado ao contexto. Existem diferenças culturais e pessoais também (digamos, alguém pode ser mais tímido). 

No final, pode ser que não detectemos uma mentira com 100% de precisão, mas a linguagem corporal ajuda muito, na maioria dos casos. 

Recomendações: 

“O corpo fala”, de Pierre Weil. Link da Amazon: https://amzn.to/3PCbAip 

“Desvendando os segredos da linguagem corporal”, de Allan e Bárbara Pease. Link da Amazon: https://amzn.to/3vbI8aH 

Tela da Matrix no Excel

Que tal reproduzir a tela do filme Matrix no Excel?

É necessário ativar macros. Para mudar os valores, teclar CTRL + SHIFT + A (é um atalho para rodar a macro).

É uma macro mais ou menos simples.

 – Definir a área de trabalho (60 linhas e 100 colunas)

 – Pintar o fundo de preto e a fonte do caractere de verde claro

 – Para cada coluna, escolher uma linha inicial aleatória e um tamanho aleatório do vetor

 – A partir da linha inicial ir preenchendo aleatoriamente caracteres até o tamanho máximo

 – Uma melhoria foi pintar o último caractere de branco

Para download, usar o link: https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7joDZw0SVX0hktLsYV

Ainda não está tão legal quanto no filme, mas Neo, estou chegando lá!

Veja também:

https://ferramentasexcelvba.wordpress.com/

Quem é voluntário para responder?

Quando o professor faz a pergunta, “Quem é voluntário para responder?”, no Brasil, uma ou duas mãos se levantam, timidamente, ou pior, ninguém levanta a mão. Aí, o professor intima alguém para se voluntariar à força: “fulano, o que você acha…” . Quem nunca vivenciou a situação?

Já presenciei uma turma de alunos japoneses (do Japão, não os descendentes), e quando o professor chama algum voluntário, é o exato oposto: há uma corrida para ver quem levanta a mão primeiro.

A ideia é que a educação é um tema extremamente importante, e demonstrar interesse, ser voluntário, é um passo para aprender mais. O objetivo do aluno não é só passar de ano, é tirar 10 em tudo, é ser o primeiro numa sociedade ultra-competitiva (sem entrar no mérito da questão, isso tem os seus prós e contras).

É claro que não dá para generalizar. Um monte de gente nem se interessa de verdade e levanta a mão só para constar, ao passo que o oposto também é possível, alguém tem vergonha de participar mas está genuinamente interessado na aula.

Uma consequência é a posição japonesa no ranking Pisa (uma avaliação mundial no nível segundo grau), sempre nos primeiros lugares. E o Brasil no ranking Pisa? Confira aqui no link (https://ideiasesquecidas.com/2019/12/03/ranking-de-educacao-pisa-2018/).

De forma geral, uma dica é sempre se voluntariar a responder ou participar, quando parte do público. Realmente, sempre aprendemos mais quando a nossa participação é maior!

Veja também:

Advanced Analytics

Semana passada, fiz uma apresentação sobre Advanced Analytics na Fateb (Faculdade de Telêmaco Borba).

A ideia foi contar um pouco da minha experiência profissional e visão sobre o tema.

O Advanced Analytics avançou exponencialmente nos últimos anos, devido à maior disponibilidade de dados, avanços em hardware e software.

Eu não tinha a menor ideia de que trabalharia com o que faço hoje (até porque conceitos de advanced analytics nem existiam).

Exemplos de evolução: hoje Python tem pacote para tudo, antigamente tinha que programar cada linha no braço.

Alguns trabalhos possíveis atualmente: sequenciamento ótimo de produção, roteirização, manutenção preditiva, forecast de demandas e preços, detecção de anomalias, reconhecimento de imagens, entre outros.

Por fim, algumas dicas para os alunos:

  • Tenha como finalidade sempre gerar valor de verdade. Dê à sociedade mais do que recebe, isso volta para nós de alguma forma.
  • Estude muito. Trabalhe muito. É uma evolução constante, e o trabalhador do conhecimento de hoje não pode parar de ser curioso e continuar a estudar.
  • Networking. Diga-me com quem andas e direi quem és. Passe o maior tempo possível com as pessoas mais brilhantes que você conhece. E não é fácil arrumar tempo deles, são pessoas extremamente ocupadas.

Os alunos de hoje assumirão o bastão em algum momento futuro. Plante boas sementes, e virão bons frutos.

Winston Churchill, o homem que mudou o mundo 

Adolf Hitler quase venceu a Segunda Guerra Mundial. Em 1940, a Alemanha tinha invadido a Polônia, Bélgica, Holanda. A França tinha caído, e as tropas inglesas que haviam ajudado na defesa estavam evacuando em Dunkirk (tem até um filme a respeito). 

Os EUA não tinham entrado na guerra. A Rússia tinha um pacto de não-agressão com a Alemanha. A Itália era aliada da Alemanha.  

A única oposição real ao poderio alemão era a Inglaterra. Um homem, Winston Churchill, se opôs ferrenhamente a Hitler, e levou a nação-ilha a resistir, até a situação mudar. 

Era o homem certo no momento certo no lugar certo. 

Ele entendeu, desde sempre, que era inútil negociar com Hitler. Ele também entendeu que deveria modernizar o exército, com tanques e aviões. Por tudo isso, foi taxado de extremista, nacionalista, beligerante.  

Churchill tinha um vasto conhecimento e imaginação. E habilidade para criar a partir de seu conhecimento. Ele era tão letrado que podia citar Lord Byron e Shakespeare de cabeça. Estudava história, tinha paixão. 

Churchill usava palavras como bombas. Incendiava a paixão do povo britânico, através de discursos como o “The finest hour” e o “sangue, suor e lágrimas”. 

Também teve os seus erros, como subestimar o Japão, ou confiar demasiadamente em Stalin, por exemplo. 

Como Churchill mudou o mundo e o que podemos aprender com ele? 

O começo

O jovem Winston sempre achou que estava destinado à grandeza. Modéstia não era parte de sua característica. Impaciência para alcançar a grandeza. Tinha certeza de que a fortuna estava com ele. 

Escreveu 5 livros ainda na faixa dos 20 anos, participou da guerra dos Boers, e protagonizou uma fuga épica nesta, tornando-o famoso. 

Falhou duas vezes no vestibular, porque seu interesse maior era em inglês e história, não em matérias como latim. Entrou na terceira tentativa, mas seu pai o considerava uma pessoa de pouco valor. 

Veio de uma família aristocrata, de duques britânicos. 

Buscou abertamente riscos que o pudessem colocar na rota da grandeza esperada. 

Fazia treinamento exaustivo de seus discursos. Decorava o discurso todo, podia recitar de trás para frente. Além disso, devorava um estante de livros para escrever artigos e discursos. 

“Estude história, estude história. Na história, jaz todos os segredos da política de estado.” 

“Política é tão excitante quanto a guerra. Porém, na guerra, você só pode morrer uma vez, na política, várias vezes.” 

Ao invés de esperar por sua vez no congresso, desde o começo atacava oponentes mais poderosos como Neville Chamberlain, um político da época. 

Brilhante, com 30 e poucos anos já era parlamentar em ascensão. Ele ia para onde poderia ter oportunidades de agir. 

Como Almirante da Marinha 

Churchill se tornou almirante da marinha, com 36 anos. Missão de modernizar marinha britânica, ante a evolução da marinha alemã. 

Deu dois passos ousados, antevendo o futuro. Navios mais rápidos a óleo ao invés de carvão, e armamentos maiores. 

Porém, havia um risco. A Inglaterra não tinha acesso confiável a petróleo, para os navios a óleo. Isso foi resolvido com aumento da participação na companhia Anglo Persa de petróleo, que hoje é a British Petroleum, BP. 

O segundo problema, era que o armamento de 50 polegadas não existia, era inovador demais. Se fosse esperar todo o ciclo de testes, isso significaria dois anos a mais de atraso. A solução foi crer que funcionaria, e projetar os navios já com o novo armamento. 

Ele pensava grande e ousava, quando a maioria não o faria. 

Para tal, também tinha que se livrar dos oficiais incompetentes e ficar com os mais competentes. 

Influência do almirante Fisher: “Ataque primeiro, ataque pesado, continue atacando. Sem piedade, implacável, sem remorso. Se você odeia, odeie; se você luta, lute.” 

Outra inovação arriscada, à época (cerca de 1915), também era utilização de aviões (só para comparação, o famoso voo de Santos Dumont foi em 1906). Churchill estava sempre à frente da curva.

 

Primeira grande guerra

Diante de indecisão dos políticos, assumiu a frente. Tinha juventude, energia e experiência militar. 

A marinha, armada anteriormente, estava pronta e ajudou a vencer a guerra. 

Ocorreu um erro de seu mentor, Fisher, ao atacar o estreito de Dardanelos, ao buscar vitórias fáceis que não mudam o jogo. A Inglaterra não foi bem sucedida em Dardanelos, e o erro caiu na conta de Churchill. 

Após uma ascensão meteórica, agora ele caia. 

O custo político foi abdicar da posição de almirante, e foi enviado a ocupar um cargo menor, burocrático. Em poucos meses, abdicou do cargo. Não queria uma aposentadoria remunerada de pouca importância. 

Voltou ao exército, e foi à guerra, como major. Churchill foi ridicularizado, como alguém que tinha sido chefe da Marinha poderia se rebaixar a oficial subalterno? 

Esse episódio mostra que Churchill tinha a pele no jogo. Gostava de liderar não só com palavras, mas com o exemplo. 

Outro exemplo de visão. Ele defendeu tanques, outra inovação, para se contrapor aos alemães, que estavam se armando. Na época, a infantaria ainda usava cavalos. 

Novas oportunidades 

Churchill esperou pacientemente por uma posição. 

Nesse meio tempo, ele voltou a escrever. 

Ele escreveu um livro sobre a Primeira Guerra Mundial, incorporando muito de sua visão e experiência. Ele, que gostava tanto dos livros de história, agora estava escrevendo história. 

Nota: Churchill tinha tanta capacidade narrativa que ganhou prêmio Nobel em 1953. 

E o lado escritor ajudou a carreira política. Churchill assumiu como chanceler, e uma das grandes decisões da época foi a volta ao padrão ouro. 

Era uma época de trauma da primeira guerra. Pacifismo e desarmamento estavam na mente das pessoas.  

Em contrapartida, Churchill queria se armar, ante ameaças crescente de Hitler e Stalin. 

Perante a opinião pública, Hitler projetava imagem de pacifista moderado, amante da paz, que só queria se proteger e apenas reivindicava o que era de direito. Um pensamento da época era que a Alemanha, tão maltratada depois da primeira guerra, agora para compensar poderia se armar. 

Nessa época, outra inovação era o avião Spitfire, moderno, para fazer frente à Força Aérea alemã. Episódio curioso é que houve uma campanha de doações, chegando à casa de 500 milhões dólares (atuais) para salvar o projeto. Este avião foi imprescindível na Segunda Guerra. 

O avanço de Hitler e a Segunda Guerra 

A Alemanha de Hitler avançou sobre a Áustria, e depois ameaçava a Tchecolosváquia. 

Nessa época, o primeiro-ministro britânico da época, Neville Chamberlain, encontrou Hitler três vezes, para discutir a paz. 

Hitler queria os sudetos tchecos, e tinha como justificativa proteger os alemães da região e voltar à fronteira pré-Primeira Guerra. 

Chamberlain e Hitler chegaram a um acordo, cedendo os sudetos. Chamberlain voltou à Inglaterra saudando a paz, e convicto de que Hitler pararia por aí. Mas foi um total desastre. 

Hitler anexou os sudetos, e meses depois, a Tchecolosváquia toda. Depois, partiu para a Polônia. 

Com a Rússia, a Alemanha assinou um pacto de não agressão, essencialmente partilhando a Polônia. 

Churchill, que sempre fora crítico à política de apaziguamento de Chamberlain e de outros políticos da época, estava certo.  

A agressão alemã continuou: Finlândia, Bélgica, e isso derrubou Chamberlain. Churchill assumiu, como Primeiro-Ministro inglês, aos 65 anos. 

Após a queda da linha Maginot e da França, ele sabia que seria o próximo alvo. Liderou as preparações, como concentrar os spitfires. 

Os ingleses refutaram os alemães, após resistir aos bombadeios, na famosa “Battle of Britain”. 

Após a tentativa frustrada de conquistar a Inglaterra, Churchill sabia que Hitler compensaria indo para leste. Conhecia o inimigo. 

Joseph Stalin não era confiável. Mas como inimigo dos alemães, faria exatamente o necessário, tinha objetivos alinhados. 

A ameaça de invasão passou, mas daí em diante, começou o cerco. Submarinos, navios patrulhando as fronteiras da Inglaterra. O quanto uma ilha pode sobreviver? 

A maré virou com a entrada dos EUA na guerra, após os ataques japoneses a Pearl Harbor. 

O presidente americano, Franklin Roosevelt, era como um par de Churchill, alguém com trajetória e pensamentos semelhantes. 

Agora, o grande império britânico tinha ficado pequeno com o esforço de guerra, e com a Rússia e os EUA no jogo. Churchill sabia que seu ápice tinha passado, seu grande desafio tinha sido nos anos anteriores: segurar Hitler sozinho e trazer aliados para a guerra. 

Era uma questão de tempo até os Aliados vencerem o Eixo. 

Pós Segunda Guerra 

Stalin foi um dos grandes vencedores da Segunda Guerra: Rússia ocupando leste europeu e quebrando acordos. Uma reflexão era que Hitler tinha caído, porém Stalin estava mais forte do que nunca. O mundo tinha trocado um ditador por outro. 

Após a guerra na Europa, a Inglaterra tinha dificuldades de manter a marinha. Estavam exaustos. Numa geração, duas guerras mundiais. O cidadão comum queria comida na mesa, não combater o restante da guerra no oceano Pacífico. 

Como reflexo, o partido de Churchill perdeu as eleições após a guerra. 

O primeiro-ministro seguinte foi o oposto a Churchill. Alguém sem grande destaque, nada de liderança forte. Povo queria sossego, não entrar na história. 

Fora do governo, aos 70 anos, Churchill voltou a ser escritor. Escreveu a História da Segunda Guerra. Novamente, sendo um dos protagonistas, escrevendo e participando da história. 

Após a guerra e com liderança do Partido Trabalhista inglês, não houve êxito na Inglaterra ao implantar o estado de bem-estar social. Em 1947, houve racionamento de comida e de energia. Cotas de carvão, comida, fábricas fechando, cotas de roupa. Até o sabão em falta. 

Algumas causas de problemas: empréstimos e gastos demais. 

Isso levou Churchill a pronunciar, famosamente, “O capitalismo concentra riquezas, socialismo reparte misérias”. 

Tal situação levou Churchill de volta ao cargo de Primeiro-Ministro, em 1951, ficando mais seis anos, até se licenciar por problemas de saúde. 

Conclusões

Se Churchill nunca tivesse existido, talvez a Inglaterra não estaria preparada para encarar Hitler. Talvez tivesse feito um tratado de paz em 1940, dando tempo e recursos para a Alemanha consolidar os territórios conquistados na Europa e marchar para leste sem a preocupação de dividir o seu exército. Os EUA não teriam entrado na guerra, ou entrariam muitos anos depois. O mapa geográfico da Europa seria outro, e talvez o Terceiro Reich existisse até hoje… 

Churchill atingiu seu ápice ao encarar Hitler, praticamente sozinho, e manejar a situação até conseguir virar o jogo. 

Sir Winston Churchill morreu em 24 de janeiro de 1965, aos 90 anos. 

O que a história de Churchill pode nos ensinar? Algumas pequenas reflexões. 

– Estudar muito. Ter um background literário e histórico imenso ajudou Churchill a escrever discursos, entender os inimigos e estratégias. 

– Manter a posição que acredita, de forma coerente. A maré vira a favor e contra, e houve tempos em que Churchill estava em baixa (era taxado de retrógrado, armamentista, beligerante). Porém, no final ele estava certo, e se destacou por isso. 

– Coragem para ousar e buscar riscos. Inovações como navio a óleo, o avião spitfire e tanques, valiosos tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra, demorariam anos a mais não fosse a visão e coragem de Churchill. 

– Aliados. Grande parte do sucesso de Churchill dependeu de alianças. Ele não poupou esforços ao voar para a Rússia de Stálin e os EUA de Roosevelt, para costurar alianças, e isso, com quase 70 anos! 

– Não ter vergonha de dar passos para trás. Churchill preferiu abandonar um cargo burocrático e sem importância para assumir um cargo menor na marinha, sendo ridicularizado por muitos. O conhecimento de campo e a pele no jogo mostraram-se de enorme valia no futuro. No final das contas, Churchill mudou o mundo, os que o ridicularizaram, não. 

Por fim, uma última mensagem de Winston Churchill: “Nunca, nunca, nunca desista”. 

Este conteúdo é um resumo baseado em “How Winston Churchill changed the world”, da série “The Great Courses”, além de outras fontes. 


Veja também: 

Churchill, o destino de uma nação: https://amzn.to/3aWCZHw 

O filme Dunkirk é sobre o resgate dos soldados britânicos na França. https://amzn.to/3eg4eia 

The Gathering Storm, filme sobre Churchill na HBO. 

Aforismos sobre escopo, hábitos e história

O seu escopo não se limita ao seu escopo

Um conselho que dei a um conhecido: o seu escopo não se limita ao seu escopo.

Sempre podemos fazer mais do que o papel esperado. Propor um passo a mais, uma ideia diferente. Testar uma inovação. Sugerir um novo trabalho.

Tudo isso dentro do bom senso, e combinando claramente com os outros envolvidos, é claro.

Hábitos atômicos

Eu vi um atendente de caixa com o livro “Hábitos atômicos”, do James Clear, em sua baia de trabalho. Fiz um elogio: um livro muito bom, parabenizei-o por estar lendo.

Ele perguntou se eu já tinha lido, ao qual respondi positivamente, e depois emendou: e que bom hábito você adquiriu, lendo o livro?

Pensei um pouco e disse: sou muito tímido, e naturalmente evito o contato com pessoas. Porém, adquiri o hábito de discutir sobre livros, sempre que possível.

E, ao leitor também, estou aberto a discutir sobre bons livros e ideias aleatórias em geral.

Estude história

Estou lendo sobre a vida do grande estadista Winston Churchill. Um post em futuro próximo será sobre ele. Segue aqui um pequeno preview.

Churchill dizia que, se quiser saber sobre política, devemos estudar a história.

“Estude história, estude história. Toda a política está nos livros de história.”

Saber o passado possibilita que uma espécie de superpoder, de dar um zoom out no mundo em que vivemos, para reconhecer padrões além do que podemos enxergar em uma só vida.

Bônus: Um conselho de Viktor Frankl

“Não procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transformarem num alvo, mais vocês vão errar. Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior do que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.”

Viktor Frankl, psicólogo austríaco que descreveu sua experiência em campos de concentração nazista, na Segunda Guerra, e as diferentes reações dos prisioneiros.


Veja também:

O que significa Kamikaze?

“Kamikaze” significa “vento divino”. “Kami” significa “Deus” e “Kaze”, “Vento”. Um vento divino a proteger a ilha do Japão.

O termo se popularizou ao final da Segunda Grande Guerra: pilotos japoneses suicidas levavam o avião, carregado de explosivos, a se chocar contra os navios americanos. Eram os kamikazes (ou camicase).

(Foto da Wikipedia)

É muito impressionante ver vídeos deste tipo de ataque. Ao invés do avião jogar bombas no navio alvo, o avião mergulha em direção ao navio e, o piloto, à morte.

Era uma época em que o Japão estava perdendo a guerra, e tinha pouquíssimos recursos em termos de aviões, bombas e armamentos. A fim de causar o maior dano possível ao oponente, eles lançaram mão dessa estratégia suicida. Era um ataque final, um último suspiro.

Em ideograma, kamikaze é a figura abaixo.

Historicamente, a ideia veio do “vento divino” que salvou o Japão da invasão sino-mongol, no século XIII.

Kublai Khan, neto do mongol Genghis Khan, dominava a China, à época. Ele tentou invadir o Japão em 1274, com 300 navios e 15.000 soldados. O Japão, um país de agricultores, não conseguiria resistir ao poderio bélico dos atacantes. Aí, os japoneses tiveram uma ajudinha dos deuses: uma grande tempestade durante a noite destruiu os navios inimigos.

Kublai triplicou a aposta, e em 1281, mobilizou 900 navios, 17.000 marinheiros, 25.000 soldados coreanos, mongóis e chineses. Dessa vez, o Japão estava mais preparado, e resistiu às tentativas de desembarque inimigo nas primeiras semanas, até que, adivinhe, houve uma enorme tempestade que afundou a esquadra invasora. Novamente, o vento dos deuses protegeu o Japão, acabando com as ambições do grande Khan da época.

Até a Segunda Grande Guerra, nenhum país estrangeiro tinha conseguido invadir a ilha do Japão, criando a lenda de que seria um país protegido pelos deuses, pelo vento divino.

Veja também:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Kamikaze

A curva da Felicidade x Dinheiro

Uma pequena reflexão.

Não ter um mínimo de recursos é ruim, sem dúvida. Há uma correlação aqui: um estado de miséria é ruim, e vai melhorando proporcionalmente à uma renda: saúde, alimentação, moradia, educação, etc…

Entretanto, a partir de um certo ponto, não necessariamente mais vai ser melhor – virão outros problemas (muita pressão, exigências, medo de perder, entre outros).

Procure ficar na faixa ótima.

Trilha sonora: A Felidade – Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Veja também:

Os segredos do infinito

Como o infinito pode permear as nossas vidas?

Indicação de leitura: Os segredos do infinito.

É um livro com uma coletânea de artigos sobre o infinito, com abordagens que vão desde matemática e física, até biologia, filosofia e artes. São tópicos curtos e bastante ilustrados, para facilitar a compreensão.

O livro contém 150 facetas do infinito, mas seguem apenas 4, para dar uma pequena mostra.


Roman Opalka. Artista francês de origem polaca, num dia de 1965 iniciou uma série de pinturas de números. Escreveu o número 1 no canto superior esquerdo do quadro, depois o 2, etc, obstinado a escrever todos os números até o infinito, ou até onde conseguisse chegar em sua vida.

Pintou 233 quadros, usando sempre telas de mesmo tamanho, e números em traços idênticos. Cada quadro continuava onde o anterior tinha terminado. Começou a pronunciar os números pintados e gravar, em 1972, e sempre tirava uma foto em frente ao quadro pintado, para registrar o contraste entre o crescente dos números e o envelhecimento do artista.

O número final que ele pintou foi o 5.607.249, segundo a Wikipedia.


O Nó Borromeano

Três círculos entrelaçados, com uma propriedade deveras particular: cortar qualquer círculo liberta os outros dois.

Tente visualizar qualquer um dos círculos sendo cortado, e como os outros dois restantes são liberados.

Por isso, simboliza a força e a unidade: a importância de cada elo para o sistema todo.


As obras infinitas de M. C. Escher

O artista holandês Mauricius Cornelius Escher produziu alguns dos experimentos visuais mais impressionantes de todos os tempos.

Figuras impossíveis, como água em movimento perpétuo.

Experimentos em planos hiperbólicos.

E diversas outras obras de infinita beleza.


A fórmula da Lemniscata.

Fiz um post completo, para implementar o símbolo do infinito, a Lemniscata. Fui inspirado na fórmula apresentada no livro. Vide o link a seguir.


Portanto, o infinito, apesar de abstrato, está sempre nos inspirando, desafiando a criar as mais belas obras e as mais belas ideias já feitas pelo ser humano.

Obs. Este livro faz parte de um pacote de 20 livros que ganhei do amigo Marcos Gomes de Melo. Sou grato pelo tesouro de conhecimento.

Para os que não tem o privilégio de ter um amigo como o Melo, segue o link da Amazon: https://amzn.to/3nS8meC

Veja também:

Como traçar a Lemniscata no Excel

“Lemniscata” é o nome do símbolo do infinito, o “8 deitado”.

É uma curva bonita e simbólica. Eu imagino uma formiga percorrendo a trilha da curva, indo e vindo infinitamente, sem nunca chegar ao final.

Pois bem, a curva tem uma equação elegante, dada a seguir.

Fica mais fácil de jogar na fórmula se considerarmos a forma paramétrica a seguir.

No Excel, primeiro vamos dividir um ângulo de 360 graus (ou 2*pi) em 100 pedacos.

A primeira coluna vai de 0 a 100, e a segunda coluna calcula o ângulo theta.

A seguir, calcular as coordenada X e Y conforme a fórmula paramétrica dada acima.

Destaquei a fórmula utilizada para X.

Note também que há alguns #Núm!, que ocorrem quando há problemas (no caso, raiz de número negativo).

Selecionar as colunas calculadas X e Y e plotar o gráfico.

Inserir -> Gráficos -> Dispersão -> Dispersão com linhas suaves.

Em Design, podemos escolher alguns estilos alternativos.

Com um pouco de formatação, chegamos à curva Lemniscata, com fórmulas e gráficos de Excel.

Vide arquivo, para quem quiser estudar a fórmula.

Link para download. https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7joDIVFc6dGCU285vX

Vide também:

Lemniscata de Bernoulli – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)