O que é o efeito Urashima Taro?

A história de Urashima Taro é um dos contos populares mais famosos do Japão. É uma história para crianças, contada e recontada, de geração em geração, por mais de mil anos segundo a Wikipedia*.

Urashima Taro é um garoto, um pescador, que estava voltando para casa após um dia de pesca.

No caminho, ele notou um grupo de moleques, judiando de uma tartaruga gigante. Após algumas tentativas mal sucedidas de impedir o bulling, eles chegaram num acordo: Urashima Taro deu os peixes que ele havia pescado para os moleques, e estes foram embora.

Agradecida, a tartaruga voltou para o mar.

Alguns dias depois, quando Urashima estava pescando no mar, ele reencontrou a mesma tartaruga.

A tartaruga disse: “A princesa do mar Otohime está extremamente agradecida com a sua ação. Venha visitar o Castelo do Dragão, no fundo do mar, para que possamos retribuir”.

A tartaruga deu uma pílula para que o rapaz pudesse respirar dentro da água e o levou até o Castelo do Dragão.

A princesa Otohime e as suas belas serviçais receberam Urashima com muita pompa: ofereceram os melhores banquetes, mostraram os melhores lugares do reino submarino.

A vida de sonho do garoto estava tão boa que ele acabou ficando um ano como hóspede da princesa Otohime, no Castelo do Dragão.

Um dia, porém, ele ficou com saudades de casa e decidiu retornar. A princesa deu-lhe uma caixa de madeira com adornos de ouro, falou que a caixa o protegeria, e para ele nunca abrir.

Urashima retornou para a superfície terrestre, mas tudo estava estranho demais. As casas da vila tinham mudado, ele não encontrava mais ninguém que conhecia. A sua antiga casa já nem existia. Desesperado, ele questionou os moradores sobre o que estava acontecendo, até descobrir que mais de 100 anos tinham se passado!

Após chegar à conclusão de que 1 ano no fundo do mar tinham lhe custado 100 anos de vida, ele se lembrou da bela caixa dada pela princesa, que não era para abrir. É claro, ele abriu a caixa, da onde saiu uma fumaça branca e… puf, Urashima Taro não era mais um garoto, agora ele tinha se transformado num idoso de mais de 100 anos.

Videozinho sobre o conto:
https://www.youtube.com/watch?v=9pGT-CdThQ4

Moral da história?

Uma das primeiras perguntas que surgem é “Qual a moral da história?”

O rapaz foi recompensado por ser bom com a tartaruga, mas depois castigado por ter aproveitado a recompensa?

Na minha opinião, o problema está na pergunta. Na nossa cabeça ocidental, histórias para crianças devem ter uma “moral da história”, a julgar por fábulas de Esopo e contos do tipo. Contudo, nem todas as culturas são iguais à que temos. Para mim, o conto de Urashima Taro não tem uma “moral da história”. É um conto, cheio de imaginação, só isso, sem lição de moral.

Talvez seja na verdade uma lição de física moderna, não de moral, o que leva ao tópico seguinte.

A Teoria da Relatividade

Um dos resultados mais interessantes da Teoria da Relatividade de Einstein é o “Paradoxo dos gêmeos”. Um dos gêmeos fica na Terra, enquanto outro viaja num espaçonave, a uma velocidade próxima à da luz.

Relembrando um pouco da teoria, a velocidade da luz é constante para todos os observadores, enquanto o tempo e o espaço se curvam. No caso dos gêmeos, o tempo passa de forma diferente para ambos.

O efeito final é o seguinte: quando o gêmeo astronauta retorna para casa com quase a mesma idade da partida, o seu irmão terrestre já vai ser idoso, digamos 100 anos a mais!

Essa teoria, apesar de parecer nada intuitiva, já foi comprovada inúmeras vezes. Uma forma de comprovar é com relógios atômicos. Um fica em terra, o outro embarca num avião por algumas horas. Quando são colocados novamente um do lado do outro, o que ficou em terra vai indicar mais tempo do que o seu par que viajou em velocidade maior.

O filme “Interstellar” mostra esse efeito também. O protagonista encara as proximidades de um buraco negro, e quando retorna ao lar, a sua filha já é uma idosa, enquanto ele ainda é jovial.

Será que o Castelo do Dragão viaja na velocidade da luz? Ou o mesmo é um buraco negro? Acho que não, quando o conto foi criado, há mil anos, a teoria nem existia.

O Efeito Urashima Taro

Um último tópico.

Sabe a história da caixa dourada, com uma fumaça que envelhece a pessoa? Podemos usar a analogia, o “Efeito Urashima Taro”, para descrever algo que envelheça as pessoas a um ritmo acelerado.

Os últimos dois anos, de pandemia, incertezas e problemas em geral foram um “Efeito Urashima Taro” para muita gente.

Mas isso só acontece se abrirmos a caixa de preocupações. Se a deixarmos lá, quietinha, pouco seremos afetados!

Veja também:

*https://en.wikipedia.org/wiki/Urashima_Tar%C5%8D

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