O político Paulo Papagaio e o técnico Anderson Andorinha

Era dia difícil na Aves S.A., uma grande empresa nacional. Anderson Andorinha estava sendo demitido por Paulo Papagaio. A causa não era performance ou mau comportamento, mas sim, que a companhia estava passando por maus bocados, sendo superada pela concorrência.

Paulo Papagaio e Anderson Andorinha tinham mais ou menos a mesma idade e formação acadêmica, porém, habilidades completamente distintas.

Paulo Papagaio era pomposo. Falava bem, comunicava-se com estilo com diretoria e outros gerentes. Adorava apresentações em PPT, tanto para o pessoal interno quanto para fora. Conhecia todos os chavões modernos do mundo do negócio: agile, scrum, squads, alavancas de desempenho, KPI, OKR, EBITDA, AI, inovação, design thinking, MVP, POC, ERP, VUCA, CEO, CIO, CTO, COO e mais uma infinidades de siglas do tipo, dá até para jogar bingo.

Além disso, era político, extremamente político. Falava o que os outros queriam ouvir. Concordava com tudo o que a chefia falava, acrescentando algum chavão citado acima e prometendo resultados. Além de falar sem parar, ele vestia-se de forma impecável, sempre seguindo a tendência da moda. Também adorava participar de festinhas e comemorações, onde, invariavelmente, pedia a palavra para despejar sobre os convidados algum discurso verborrágico sobre o excelente desempenho dele.

Devido às características acima, Paulo Papagaio era gerente de departamento, sendo Anderson Andorinha um dos seus técnicos.

Já Anderson Andorinha era quieto e efetivo. Era tímido, não gostava tanto de holofotes nem dominava o PPT, mas ele quem, no final das contas, carregava o piano: fazer acontecer o trabalho prometido pelo Papagaio. Era humilde, ele até comentava que sua participação era pequena nos projetos que executava. Era muito técnico, sempre procurando algum curso complementar no começo do ano e participando de fóruns especialistas. Porém, era zero político: quando algum plano extravagante não tinha chance de dar certo, ele simplesmente pedia a palavra e elencava os riscos e dificuldades envolvidos, de forma concisa e direta – normalmente, era interrompido pelo Paulo Papagaio.

A Aves S.A. tinha crescido nos últimos anos, de modo que as camadas gerenciais tinham aumentado. Como sempre acontece nesses casos, a relação entre causa e efeito torna-se mais difusa, e habilidades como comunicação e política tornam-se mais relevantes em níveis gerenciais. Dessa forma, tanto Paulo Papagaio tinha ganhado mais atuação, quanto a empresa começou a contratar mais papagaios para cobrir as demandas crescentes: mais escopo, mais eficiência, mais indicadores, mais resultados.

Entretanto, Anderson Andorinha estava sobrecarregado, pois o número de andorinhas tinha aumentado pouco.

A empresa entrou numa espiral de grandes expectativas e resultados decrescentes, de forma que uma consultoria (das “Big”), veio fazer um diagnóstico, e conclui que deveriam cortar as pessoas menos relevantes para a empresa.

Ora, segundo a alta gerência, Paulo Papagaio era essencial – conhecia tudo, entendia as pessoas e gerenciava bem, então era essencial. Já Anderson Andorinha, ninguém sabia bem o que ele fazia exatamente, era apenas uma pecinha na máquina corporativa, portanto, altamente dispensável.

Aqui, voltamos ao início do texto, com Anderson Andorinha arrumando suas coisas e saindo da Aves S.A.

Porém, para Anderson Andorinha, foi até melhor, foi um “cair para cima”. Utilizando seu elevado conhecimento técnico e também com os contatos que realmente entendiam e reconheciam o seu trabalho, ele rapidamente conseguiu colocação numa empresa concorrente, menor e mais focada, a “Passarinhos Ltda”.

Não por coincidência, a Passarinhos Ltda. era uma das concorrentes que tinham ganhado enorme market share em cima da Aves S.A., devido à enorme eficiência de sua operação e qualidade de entregas.

No lugar de Anderson, Paulo Papagaio contratou um estagiário, muito mais barato. Por desconhecimento do processo, o estagiário deixou passar inúmeros erros, que se refletiram em problemas em etapas posteriores do processo (mas o Papagaio dizia que era culpa das outras áreas). Além disso, o estagiário saiu 6 meses depois, para uma vaga melhor, e outro estagiário veio cobrir a posição.

A espiral continuou por vários anos, com a Passarinhos Ltda. aumentando as suas andorinhas, e a Aves S. A. vivendo sua ilusão corporativa, colocando mais papagaios para dizer como deveriam operar.

Anderson Andorinha foi promovido na Passarinhos Ltda, sendo gerente técnico de outros como ele.

Paulo Papagaio acabou demitido da Aves S. A., após rodadas subsequentes de cortes de custo. Hoje ele ocupa posição mais humilde, numa loja de roupas do varejo.

Segundo a assessoria de imprensa, a Aves S.A. continua uma empresa de altos resultados e dos sonhos para trabalhar. Na prática, na análise fria dos números, é a concorrente, a Passarinhos Ltda., que tem resultados que saltam aos olhos, enorme eficiência operacional e efetividade na entrega.

Vide também:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Loja e Recomendações:

Como tornar o seu produto mais valioso através da escassez e da curadoria

Um fenômeno curioso e nada intuitivo aconteceu comigo, nos últimos meses, e isso pode ser utilizado como alavanca para melhorar os seus produtos ou serviços.

Como eu já divulguei diversas vezes neste espaço (vide aqui e aqui), sou usuário frequente de serviços de resumo de livros, ou microlivros. São áudios de cerca de 12 a 20 minutos, sobre diversos assuntos, geralmente não-ficção. São boas introduções a assuntos relacionados à negócios, economia, produtividade e temas correlatos.

Dois serviços que mais gosto são o 12 min e o Blinklist.

Ambos podem ser encontrados como aplicativos de celular, e são em inglês (é a língua universal dos dias de hoje, quem quiser dar saltos evolutivos deve necessariamente dominar inglês).

Tanto o 12 min quanto o Blinklist fornecem uma amostra de seus serviços, através de 1 único áudio resumo liberado por dia.

Se você tiver disciplina suficiente, pode ler mais de 300 resumos por ano, de graça e de forma legal.

Pois bem, o fenômeno curioso citado no começo do texto foi que:


1) Eu comprei a assinatura vitalícia do 12 min, numa promoção,
2) Passei a ter acesso a todo o conteúdo do 12 min e,
3) Paradoxalmente, eu passei a usar mais o concorrente, o Blinklist.

Uma explicação é a escassez. Imagine que tenho pouco tempo por dia, 30 a 40 min, disponível para a atividade de ouvir resumos. Como o Blinklist libera apenas um áudio free, e ele expira no final do dia, eu sempre prefiro começar por este, ao invés de começar com o 12 min – já que o acesso é ilimitado e posso ouvir depois.

Porém, o problema é que o passo acima se repete todos os dias. Contabilizando, utilizo mais o Blinklist do que o 12 min, numa proporção de 3 para 2.

A Escassez é um dos seis fatores de influência, de Robert Cialdini (vide aqui).

Outro fator é a curadoria. Os áudios liberados pelo Blinklist são muito bons. Há variedade nos temas e pouca repetição de títulos liberados de graça. A excelente curadoria do Blinklist faz, como o próprio termo indica, a gente se sentir cuidado. Este espaço também procura liberar conteúdo de qualidade, bem curado e que agregue valor ao leitor.

Paradoxalmente também, o serviço prestado pela Blinklist é melhor assim, na versão gratuita, do que na versão paga – vai que eu gasto dinheiro, acabo com a escassez e deixo de usar?

Conclusões e recomendações:

  • Resumos de livros são excelentes, é uma bom hábito ler (ouvir) um por dia,
  • A Escassez de um produto de qualidade tem um poder imenso,
  • A boa Curadoria faz toda a diferença.

Veja também:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Teoria dos números: Divisão 03

Mais visualizações via “álgebra de pedrinhas” para ajudar a explicar a Teoria dos Números.

Teorema: 1 | n

Basta imaginar que n bolinhas podem ficar em uma coluna, independente do tamanho de n.

Teorema: d | n -> a * d | a * n, com a inteiro

Digamos que n = 6 e d = 3,

Visualizando, é como copiar e colar esse bloco todo, a vezes, para a direita. Como d | n, não há bolinhas “sobrando”, e não haverá bolinhas sobrando, ao replicar o bloco a vezes.

Ex. n = 6, d = 3 e a = 2

Teorema: a * d | a * n e a <> 0 -> d | n

Esse aqui é exatamente o inverso do anterior.

Ex. 6 | 18 pode ser representado no diagrama abaixo.

Mas é a mesma coisa que 3*2 | 3 * 6, ou seja, a = 3, d = 2 e n = 6.

Pintei os a = 3 bloquinhos de d = 2 e n = 6 de cores diferentes, para visualização.

Teorema: d | n e n <> 0 -> |d| <= |n|

Novamente, é útil pensar em pedrinhas colocadas em colunas.

Se d | n, e n <> 0, consigo colocar as n bolinhas em d colunas. Representando as fronteiras das d colunas como linhas, no diagrama abaixo.

Já se n < d, digamos n = 4 e d = 5, sempre vai “sobrar” uma ou mais casas vazias, de modo que não consigo preencher as todas colunas – e, portanto, d não divide n.

Teorema: d | n e n | d -> |d| = |n|

Essa afirmação é consequência do teorema acima. Se d | n, d <= n, por outro lado, se n | d, n <= d, e isso só é possível se |d| = |n| (em módulo porque os números podem ser negativos).

Exercício. Se eu tenho 13 pombos e 6 casas para comportá-los, mostre que pelo menos uma casa terá 3 pombos.

Resolução: pela visualização em álgebra de pedrinhas, fica evidente que consigo distribuir igualmente 12 pombos em 6 casas, duas de cada. Porém, ainda tem um pombo restante, de modo que uma casa terá pelo menos 3 pombos.

Esse é o “Princípio da Casa dos Pombos”.

Continue acompanhando a série “Teoria dos Números Visual”.

Veja também:

Como criar MiniGráficos no Excel

Divulgando, um post do meu blog de Excel e VBA.

Ferramentas em Excel-Vba

Um truque muito bom e fácil para visualização de dados é a utilização de minigráficos, como os abaixo.

Cada linha de dados é plotada num minigráfico, que ocupa uma célula do Excel.

Para utilizar esse truque, basta selecionar os dados e Inserir -> Minigráficos -> escolher algum deles.

Depois é possível formatar cores, etc.

Vide arquivo aqui (https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7jn30AJG0to5c7DxtX).

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia
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Ver o post original

Teoria dos Números Visual – Divisão (2)

Dando continuidade à Teoria dos Números via “álgebra de pedrinhas”, vamos provar alguns teoremas iniciais.

Teorema: Se a | b e n é inteiro, a | b*n

Relembrando, a divisão é como se o numerador b fosse o número de bolinhas, e o denominador, a, o número de colunas: distribua 8 bolinhas em 4 colunas, e temos o diagrama a seguir.

Se eu multiplicar o número por b um inteiro, digamos n = 2, é só copiar a quantidade de bolinhas anterior e colar em cima. As pedrinhas vão continuar sendo dispostas em a colunas. E o padrão se repete, para qualquer número n inteiro (inclusive negativo).

Teorema: Se a | b e a | c, a | b + c

A ideia aqui é similar. Se b consegue ser colocada em exatamente a colunas, e idem para c, é só empilhar os resultados para concluirmos que (b + c) podem ser colocados em a colunas.

No exemplo acima, 3 | 6 e 3 | 9, então 3 | (6 + 9)

Teorema: Se a | b e a | c, m e n são inteiros, a | b*m + c*n

Observe como a composição de afirmações simples vai gradativamente se tornando mais complexa.

Este teorema é basicamente a combinação dos dois anteriores.

Partindo para um exemplo, se 3 | 6 e 3 | 9, então 3 | (6*2 + 9).

Teorema: n | n

Este teorema é bem simples. Se tenho n pedrinhas, elas podem ser dispostas em n colunas, basta colocar uma do lado da outra.

exemplo: 6 | 6.

Teorema: n | 0

Infelizmente, não há representação visual, porque tenho zero pedrinhas na mão. Se tenho 0 pedrinhas, coloco 0 delas em cada uma das n colunas, mostrando que n | 0.

No próximo artigo sobre o tema, vamos continuar provando teoremas básicos de Teoria dos Nùmeros, usando a “álgebra de pedrinhas”. Fiquem ligados na página!

Veja também:

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Rodar algoritmos de apoio em:

https://asgunzi.github.io/TeoriaNumeros01_Divisao/Index.html

Referência: Introdução à Teoria dos Números, José Plínio de Oliveira Santos, Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada.

Museu Monteiro Lobato

Estive na cidade de Taubaté, no último fim de semana. Um dos filhos mais ilustres da cidade é o escritor Monteiro Lobato, autor do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Fui visitar o museu dedicado a Lobato, em Taubaté. Fica próximo ao centro da cidade, um quarteirão com uma casa pertencente a um tio de Monteiro Lobato. Minha expectativa era levar as minhas filhas para conectar um pouco mais com personagens clássicos de nossa cultura.

Não conheço bem os personagens do sítio, porém já ouvi falar de Emília, Visconde de Sabugosa, Cuca e outros. Na minha infância, outros personagens ganharam o share de atenção: a Disney com personagens como o Tio Patinhas, desenhos americanos como o He-Man e Thundercats, séries japonesas como o Jaspion.

Na infância de hoje, vejo as crianças cada vez mais consumindo outras mídias – Youtube, jogos de celular e comunidades que nem entendo nem consigo sequer acompanhar.

Pois bem, achei o museu dedicado a Lobato… muito mal cuidado. O terreno de 22 mil m² está repleto de mangueiras, há mangas putrefatas para todo lado.


O museu é até interessante, tem uma série de objetos da época, como um fogão à lenha, uma máquina de escrever, e uma estante cheia de exemplares dos livros de Lobato. Não tem nada muito além disso, é possível fazer a visita em 10 minutos. Na saída, há alguns atores vestidos como os personagens.

Ao longo do terreno, há algumas estátuas – tia Nastácia e Emília, Pedrinho, Rabicó, Saci, Cuca. Porém, achei horripilantes, feias demais – minhas filhas nem quiseram tirar fotos com as estátuas.

Há um playground com alguns brinquedos também – em meio às mangas putrefatas.

A entrada é gratuita. Não há loja para comprar souvenires, nem nada – no máximo, alguns ambulantes na entrada que aproveitam esse vácuo.

O que era, na minha cabeça, um passeio lúdico para aproximar a infância dos clássicos de nossa cultura, acabou sendo até repulsivo de certa forma.

Há 100 anos, quando os primeiros livros de Monteiro Lobato foram publicados, mal tínhamos livros sendo editados no Brasil. Mal existiam programas de rádio, muito menos televisão. Hoje, as mídias evoluíram, e para atingir as mentes e corações das gerações vindouras, os personagens devem estar nessas mídias.

Uma mostra disso é que as obras de Lobato entraram em domínio público em 2018, mas fora algumas publicações de livros, não vemos os seus personagens sendo explorados nessas novas mídias – nenhuma série da Netflix ou desenho no Disney+.

Enfim, pelo visto, a obra de Monteiro Lobato teve a sua glória e ficou ali, parada no tempo, envelhecendo como as mangas caídas no terreno. A cada dia que passa, estamos mais e mais distantes do legado de Lobato.

Ideias Técnicas com uma pitada de filosofia

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E-Book “O Índice X-Men de Inflação”

Segue o link para o E-Book “O Índice X-Men de Inflação”.

Senti na pele o dragão da hiperinflação e planos econômicos desastrados dos anos 80 e 90. Parte desse efeito foi refletido na capa da revista dos X-Men, sendo possível criar uma espécie de Índice X-Men de inflação.

Link para comprar: https://go.hotmart.com/E65587105U?dp=1

Este é um dos posts que mais gosto. Como uma postagem de blog tem uma natureza mais efêmera que um e-book, creio que este conteúdo mereça esse destaque.

Para os que se aventurarem, boa leitura!

Duas ótimas fontes de dados

1)      O site “Our World in Data” é uma das melhores fontes de informação do mundo, sobre dados econômicos.

Our World in Data

Este site também conta com gráficos interativos bem legais, como o seguinte. How much energy do countries consume when we take offshoring into account? – Our World in Data

Outro exemplo, dados de produção agrícola.

Global Food Explorer – Our World in Data

2 –  Um site excelente, sobre a população mundial, é o seguinte.

Population of WORLD 2019 – PopulationPyramid.net

Vejamos o Brasil de 1965. Eram 83 milhões de habitantes, e uma típica pirâmide de idades.

O Brasil atual já não tem mais o formato de pirâmide: menor natalidade, maior expectativa de vida.

Essa tendência é bem mais acentuada em países de primeiro mundo, chegando ao ponto da baixa natalidade representar um problema real para o futuro.

Ficam os links.

https://ourworldindata.org

https://www.populationpyramid.net

“Veni, vidi, vici” – Júlio César

Veja também:

Digital Minds – A Década Quântica

Participei da série Digital Minds, da IBM, com a participação de alguns dos maiores especialistas do Brasil. Uma mesa-redonda sobre computação quântica e aplicações.

Alguns dos tópicos:

  • Que sugestões você daria para CEOs e CIOs que pretendam implementar uma estratégia de computação quântica nos negócios?
  • Quais aplicações com maior potencial?
  • Quais os maiores riscos e qual o status atual da tecnologia?

Confira no link a seguir.

Os titãs dos quadrinhos

Recomendação de livros para o final de semana: as biografias em quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby, duas lendas que revolucionaram os quadrinhos nos anos 60 e 70!

Devemos à eles a criação de personagens como o Quarteto Fantástico, os Vingadores, os X-Men, o Homem-Aranha, Homem de Ferro, Dr. Estranho, os Vingadores e muitos outros.

Stan Lee é figura mais conhecida, devido às aparições frequentes em filmes do Universo Cinemático Marvel. É o velhinho simpático da foto, e de certa forma, o rosto da Marvel nos últimos quarenta anos.

Stan Lee, Incrível, Fantástico, Inacreditável. Link da Amazon: https://amzn.to/3Ia17GK

Já Jack Kirby é o gênio criativo por trás dos fantásticos desenhos que enchiam os olhos de milhões de crianças e adolescentes, este escriba incluso.

Jack Kirby. Link da Amazon: https://amzn.to/3A0Feae

Porém, a história real nunca é tão perfeita quanto na nossa imaginação. A “casa das ideias” da Marvel teve uma série de problemas. Listando rapidamente algumas curiosidades.

  • Jack Kirby criou o Capitão América, nos anos 40, com Joe Simon, em outra editora. Posteriormente, o Capitão foi incorporado à Marvel.
  • Os heróis de Stan Lee tinham a característica de serem humanos, falíveis e com pontos fracos. O Homem-Aranha, por exemplo, é um garoto franzino, azarado e que precisa trabalhar de fotógrafo freelancer para fechar as contas. Outra característica de Stan é muito humor.
  • Os heróis da geração anterior, sendo o Superman o mais emblemático, eram superhumanos beirando a perfeição. É reflexo do zeitgeist da época, que vai mudando com o tempo.
  • A Marvel ganhou uma fatia enorme de mercado nas décadas seguintes, mas o mercado é cíclico – concorrentes copiam a fórmula, outras mídias ganham espaço, etc…
  • Jack Kirby e Stan Lee tiveram a primeira grande contribuição juntos no Quarteto Fantástico.
  • Kirby, com o passar dos anos e com o sucesso dos personagens, começou a se incomodar com o método de Stan Lee. Ambos discutiam brevemente o enredo, Kirby idealizava e desenhava tudo, e Stan preenchia os diálogos. Kirby ficava com uma porção enorme do trabalho, mas os créditos eram sempre para Stan como escritor e ele como desenhista. Quanto ao pagamento, ele recebia apenas como desenhista, embora tivesse feito grande parte do roteiro.
  • Steve Ditko, o criador do Homem-Aranha junto com Stan, também ficava incomodado em estar fazendo quase todo o trabalho e levando pouco crédito. Ditko chegou a nem falar mais com Stan, e saiu da Marvel na primeira oportunidade que teve.
  • No começo, Kirby era uma explosão de criatividade, propondo personagens fantásticos e cenários os mais criativos possíveis. Exemplo: ele criou sozinho o Surfista Prateado, mas como sempre, o crédito foi para Lee indiretamente. Chegou uma hora que ele continuou criando, mas guardando os melhores para si mesmo, para usar em outra ocasião.
  • Finalmente, Kirby saiu para a rival DC, onde utilizou parte do material guardado anos antes para criar Os Novos Deuses, Darkseid e outros. Porém, Kirby passou poucos anos na DC e retornou à Marvel, em seu retorno criou Os Eternos (que virou filme recentemente).
  • O material de Jack Kirby sozinho é visualmente muito bonito, porém, nitidamente as histórias eram inferiores ao trabalho junto com Stan Lee – mostrando que realmente a amálgama entre ambos é que criava uma magia incomum.
  • Jack Kirby morreu em 1994, não chegou a ver suas criações nas telonas. Ele não tinha nenhuma porcentagem de royalties sobre os personagens, era amargurado por isso e chegou a passar mal ao ver brinquedos do Capitão América à venda. Kirby é relativamente desconhecido do grande público, ao contrário de Stan Lee, que tem até versões de si em action figure.

Funko Stan Lee

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  • Stan Lee virou editor, contratou uma série de novos roteiristas e desenhista, e em meados dos anos 80 dedicou muito tempo a ser a “cara” da Marvel, em palestras por todo o país. Um sujeito energético, engraçado, capaz de contar histórias que entretém multidões, e com um ego de alguém que gosta de aparecer.
  • Os X-Men originais nunca foram muito bem, e até tiveram a revista cancelada. Nos anos 70, com a internacionalização forte dos quadrinhos, os editores queriam um grupo com personagens de várias nacionalidades. O escritor Len Wein então reformulou os X-Men, com novos integrantes como o Noturno (Alemanha), Colossus (Rússia), Wolverine (Canadá) e Tempestade (África). Pouco após, foi com o escritor Chris Claremont que os X-Men ganharam histórias de altíssima qualidade, aumento expressivo de vendas e as características que conhecemos hoje e foram inspiração para o cinema.
  • Stan Lee continuou trabalhando em projetos diversos até o fim da vida, incluindo um com a DC Comics. Ele conseguiu fama e fortuna, ao contrário de Kirby e da imensa maioria dos roteiristas e desenhistas com quem trabalhou.
  • A Marvel Comics foi sendo comprada por inúmeras editoras, e estava perto de um beco sem saída, quando os filmes de seus superheróis começaram a fazer sucesso no cinema, notadamente o Homem-Aranha e os X-Men de meados do ano 2000. Após o sucesso inicial, filmes diversos começaram a surgir na sequência.

Um enorme OBRIGADO ao gênio criativo de Stan Lee, Jack Kirby e tantos outros, e vejamos as cenas dos próximos capítulos.

Teoria dos Números Visual – Divisão

Vou começar uma série de artigos, explicando a bela Teoria dos Números a partir de uma abordagem visual, que chamei de “álgebra de pedrinhas”.

A motivação é que os livros comuns de matemática exploram pouco os recursos visuais, e a matemática fica mais intuitiva com objetos do mundo real.

Vamos começar com a divisão.

Definição. Se a e b são inteiros, dizemos que a divide b, denotando por a|b, se existir um inteiro c tal que b = a*c.

Por exemplo, 12 dividido por 4 = 3, pode ser interpretado por 12 bolinhas, dispostas em 4 colunas, cada coluna com 3 bolinhas de altura.

Convido o leitor a experimentar o algoritmo em:

https://asgunzi.github.io/TeoriaNumeros01_Divisao/Index.html

Definição: O algoritmo da divisão.

Dados dois inteiros a e b, b>0, existe um único par de inteiros q e r tais que:

a = q*b+r,

com 0<= r < b

q é chamado de quociente e r de resto da divisão de a por b.

Outro exemplo: 8 dividido por 2 = 2 colunas com 4 bolinhas de altura (o quociente). No caso, o resto da divisão é zero.

Vejamos um caso com resto na divisão.

Para o caso 13 / 4, não consigo arrumar 13 bolinhas em 4 colunas. Consigo arrumar 4 colunas com 3 bolinhas de altura (quociente), e vai “sobrar” uma linha com uma bolinha. Essa “sobra” é o resto da divisão.

13 = 4*3 + 1

(numerador = denominador*quociente + resto)

Neste caso, é dito que 13 não é divisível por 4.

Um último exemplo: 22 não é divisível por 5, porque vai restar uma linha com 2 pedrinhas “sobrando” (resto da divisão).

O algoritmo da divisão é base de todo o resto do livro, e dá para chegar à conclusões bastante complexas construindo o raciocínio, pouco a pouco.

Rodar algoritmos de apoio em:

https://asgunzi.github.io/TeoriaNumeros01_Divisao/Index.html

Referência: Introdução à Teoria dos Números, José Plínio de Oliveira Santos, Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada.

Veja também:

Ambição x Valores

Segue um pequeno, porém útil, framework para decisão sobre pessoas, baseado em Jack Welch – o lendário CEO que revolucionou a General Electric.

  • Pessoas com grande ambição e poucos valores são perigosas. Devem ser identificadas rapidamente e retiradas da companhia
  • Pessoas com grande ambição e altos valores são estrelas, que devem ser desenvolvidas e promovidas
  • Pessoas com pouca ambição e poucos valores não causam dano, mas também não chegarão a lugar nenhum
  • Pessoas com pouca ambição e altos valores podem ser interessantes, podem ser desenvolvidas

Por fim, uma frase do mestre, para pensar: “Se você escolhe as pessoas corretas, dá a elas a oportunidade para espalhar as asas e coloca compensações na carreira, você quase não terá que gerenciá-las”.

Veja também: