As 5 joias do Infinito do Poder

Que tal ter a capacidade de persuadir outras pessoas? Impor sua vontade? Quais são as formas de Poder?

Um framework extremamente útil é o de John French e Bertram Raven, cientistas sociais que estudaram o assunto e publicaram sobre os 5 tipos de poder, em 1959.

As bases de poder são:

  1. Legitimidade: direito formal de ocupar a posição e tomar decisões a serem cumpridas. Este poder é delegado pela empresa ou pela sociedade. O juiz responsável pelo julgamento. O chefe na hierarquia da empresa. O árbitro do esporte. É um poder que vem do cargo, e quando a pessoa é substituída do mesmo, perde o poder.
  2. Recompensa: capacidade de oferecer recompensas, benefícios, compensações por conformidade.
  3. Punição: capacidade de punir outras por não-conformidade.

Recompensas e punições são dois lados da mesma moeda. Já dizia o general chinês Sun Tzu,

“Qual exército administra recompensas e punições de forma justa?

Quando recompensas teus homens com os benefícios que ostentavam os adversários eles lutarão com iniciativa própria, e assim poderás tomar o poder e a influência que antes tinha o inimigo. É por isto que se diz que onde há grandes recompensas, há homens valentes.

Por conseguinte, em batalha de carros, recompensa primeiro o que tomar ao menos dez carros.

Se recompensas a todo mundo, não haverá suficiente para todos; assim pois, oferece uma recompensa a um soldado para animar a todos os demais.

Se o exército não tem disciplina, isto quer dizer que o general não é levado a sério.”

  1. Especialista: origina-se da habilidade, conhecimento técnico avançado, experiência profunda em algum tema de difícil domínio. É um poder pessoal, que pode ser adquirido através de estudos e prática no tema. Independente de posição, força ou riqueza.
  2. Referencial: advém da relação, da referência a algum grupo que possa influenciar outros. Igreja, maçonaria, grupos em comum. Também pode referir à capacidade de fazer associações, relações.

Interessante notar que há pessoas com poder legítimo, mas que não detém poder real, em termos de informação ou de relações. Digamos, um gerente de uma grande empresa que faz apenas a política, mas depende do seu grande especialista para entregar de fato as melhorias prometidas. Acredite ou não, isso é muito comum. Também é bem comum o líder oculto, capaz de fazer associações entre diversas áreas e assim garantir alinhamento para o bem comum. Procure sempre quem detém o poder real, e não o título.

Há inúmeros estudos sobre o poder, e há outras “joias do infinito” não consideradas nesses 5 itens, porém, o framework de French e Raven é pequeno e efetivo para ter em mente.

Ação para hoje: Qual a forma de poder que você tem hoje? Como fazer o bem com o poder atual?

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Trilha sonora: Iron Man – Black Sabbath

Balanço sobre o forecast de 2021, da revista “The Economist”

No começo de 2021, a revista “The Economist” fez uma previsão de tendências para o ano.

Era um perído repleto de incertezas, com a Covid no pico, e as primeiras vacinas ainda chegando.

Em geral, o forecast sugeriu mudanças de comportamento maiores do que realmente ocorreram. Algumas das tendências realmente estão ocorrendo, porém, deve levar mais do que o ano de 2021 para se concretizarem.

Segue uma reflexão sobre o artigo “O que está por vir em 2021, em 20 pontos da revista The Economist”.

1 – Os humanos querem se socializar novamente, mas o trabalho remoto basicamente permanecerá o mesmo. Vamos continuar a trabalhar online a partir de nossas casas cada vez mais adaptadas e com reuniões em lugares diferentes todos os meses para socializar e conectar.

Balanço: Com o arrefecimento da propagação da Covid, a tendência atual é um modelo híbrido. Retorno gradual aos escritórios, trabalho remoto em alguns dias da semana. Alguns setores nunca pararam, por serem presenciais por natureza. Já a socialização tende a retornar aos patamares anteriores, com ajuda de tecnologia – afinal, socializar ao vivo é extremamente melhor do que socializar remotamente!

2 – Escritórios vão fechar com uma porcentagem muito alta e esse modelo retrógrado será tomado por tecnologias disruptivas. As grandes corporações serão sempre lembradas como os enormes mamutes de 1980-2020 em extinção.

Balanço: Algumas tecnologias disruptivas, de comunicação remota, ganharam força durante o ano, mas ainda estamos longe de um metaverso, e grande parte dos “mamutes em extinção” ainda não foram extintos. Deve levar mais tempo e novas ondas de mudança para o forecast se concretizar.

3 – Os hotéis de trabalho desaparecem em pelo menos 50%. Viagens, congressos ou reuniões de trabalho nunca voltam a ser como eram, se puderem ser feitos online.

Balanço: Hotéis e todo o setor ligado ao turismo foram fortemente afetados durante a pandemia. Com o retorno gradual às atividades alguns movimentos contrabalançearam, como o trabalho nômade. Eventos e congressos online permitiram a participação de pessoas do mundo todo, a contrapartida é o overflow de convites e banalização de eventos online. Alguns eventos voltaram ao ser no formato presencial, embora ainda não com força total.

4 – As casas tornam-se mais tecnológicas e adaptadas ao trabalho diário. Muitas empresas se dedicarão a resolver as necessidades de trabalhar em casa. Hoje você pode morar fora de uma cidade grande, trabalhar da mesma forma e gerar o mesmo valor.

5 – A produtividade não depende mais de um chefe que te vê, agora é por meio de plataformas que te ajudam a medir resultados, KPIs e tempos eficientes. Contratar os melhores do mundo hoje é mais fácil, barato e eficiente.

Balanço: Mesmo antes do trabalho remoto, KPIs e medições objetivas deveriam complementar ou substituir o “chefe que te vê”. Sobre contratação, boa parte das empresas brasileiras ainda não se adaptou, não permitindo jornada 100% remota. Quem o fizer terá um diferencial competitivo interessante.

6 – Tudo o que é repetitivo torna-se virtual e em regime de assinatura. Igrejas, arte, academias, cinemas, entretenimento. Poucos lugares podem manter estruturas físicas como antigamente.

Balanço: Este forecast parece estar na direção correta, mas ainda vão alguns anos ou outro choque para se concretizar.

7 – Empresas que não investem pelo menos 10% em novas tecnologias irão desaparecer. A empresa tradicional chegou ao fim em 2020. Resta esperar sua morte final.

Balanço: As empresas tradicionais ainda não morreram, e algumas ainda vão sobreviver por um bom tempo. Mamutes também se adaptam!

8 – O turismo para entretenimento retorna plenamente fortalecido no segundo semestre de 2021, sempre acompanhado de muita tecnologia na sua operação, desde a compra, a operação e as experiências a serem recebidas.

Balanço: Devido a outras ondas e repique da Covid, o turismo para entretenimento ainda está prejudicado, embora tenha retornado no segundo semestre de 2021.

9 – O tratamento de dados pessoais torna-se mais delicado e as grandes plataformas vão mudar. As pessoas voltam a pagar assinaturas devido ao senso de transparência que isso envolve. Eles preferem pagar a doar seus dados. As grandes marcas hoje valem sua credibilidade. Tudo pode ser copiado ou replicado, exceto prestígio.

Balanço: A tentação de fonte gratuita de dados, e o enorme número de assinaturas necessárias para cobrir diversas fontes de informação fossem esses pagos, ainda fazem com que as pessoas se preocupem menos com os seus dados pessoais do que com o seu bolso, em geral.

10 – A força de trabalho será drasticamente reduzida e muitas operações simples serão fornecidas por IA. Em 2024, a IA já lidará com operações complicadas em milhões de locais. Uma grande temporada global de demissões está chegando.

11 – A educação nunca mais será igual. Cada um pode estudar o que precisar. Estudar offline e online será normal. Escolas e universidades são transformadas em um esquema híbrido para sempre.

12 – O sistema médico será adaptado com tecnologia remota para sempre. Uma consulta médica por teleconferência será normal. As pessoas ficam menos doentes com vírus, bactérias e doenças devido ao manuseio inadequado dos alimentos, graças à limpeza recorrente do indivíduo comum.

13 – A economia pessoal se contrai, novas formas de gerar transações comerciais são utilizadas e as pessoas economizam mais. Uma alta porcentagem dos gastos da família vai para atividades que antes não tinham demanda e vice-versa.

Balanço: Não é necessariamente verdade que as pessoas economizam mais. Sobre oferta e demanda, tendem a um novo equilíbrio, como sempre ocorreu na história.

14 – E-commerce continua a crescer, players como Facebook, Tik-Tok e YouTube entram para competir com a Amazon. Fechamento de 50% das lojas físicas globais. As lojas sobrevivem graças ao fato de serem experiências e showrooms, mas o comércio real no final de 2024 será maior online do que presencial em muitas áreas. Os grandes shoppings ficarão presos no tempo. Poucos sobreviverão a longo prazo.

15 – Mudanças climáticas serão um tópico muito discutido e apoiado. As grandes indústrias continuarão a se transformar com apoio da IA. Vamos passar da questão Covid para a Mudança Climática como a questão principal.

Balanço: O tema “Covid” continua forte, devido à variantes inúmeras e ao trauma causado nos últimos dois anos.

16 – Novos modelos de informações e notícias por assinatura com mais transparência ajudarão a disponibilizar conteúdo sem tantas fake news. Credibilidade e transparência serão a pedra angular de todas as empresas. As pessoas estão cansadas de tanta informação e preferem interagir com alguns seletos provedores de informação.

Balanço: Ao invés de credibilidade e transparência, boa parte das pessoas, para não dizer todas, prefere o viés confirmatório de notícias que vão ao encontro de sua visão de mundo, formando bolhas de pensamento.

17 – A saúde mental torna-se um tema recorrente. Grandes plataformas ajudam as pessoas a enfrentar as situações de agressividade, solidão e angústia que vivenciaram durante o isolamento. Há muito a repensar. As crises de liderança nas empresas serão mais comuns a cada dia.

Balanço: Saúde mental realmente tornou-se um tema de enorme importância, principalmente na fase mais aguda de Covid e medidas de distanciamento.

18 – Os grandes problemas como educação, saúde, energia, segurança, política, destruição da classe média, ganham destaque. Grande capital é investido para fazer o bem, enquanto os problemas globais são resolvidos.

Balanço: O mundo não parece ter mudado tanto a ponto de priorizar os temas citados.

19 – Tudo vai para o natural e saudável. Alimentos, experiências e forma de interação. 100% natural, produzir a própria comida, meditar e se exercitar, passa a fazer parte do dia a dia. Ser mais saudável é o “novo luxo”.

Balanço: O natural e saudável é uma tendência que continua ganhando força.

20 – O mundo está vendo este ano como um novo começo. Um renascimento. As pessoas vão repensar seus objetivos pessoais, de trabalho, saúde, dinheiro e espirituais. Grandes oportunidades estão surgindo para satisfazer todos esses requisitos e mudanças de pensamento. Acumular, consumir e viver pelo material vai para o lado negativo. A inovação, a tecnologia, o pensamento natural e lateral são a base da nova realidade. Todos estão a tempo de encontrar novos caminhos.

Balanço: O mundo não parece ter mudado tanto a ponto de fazer a humanidade repensar os seus grandes caminhos e buscar iluminação espiritual. Com o gradual retorno à normalidade, também retornamos às mesmas preocupações mundanas de sempre.

Conclusão

O começo de 2021 era de extrema ansiedade, refletido em projeções mais ousadas do que realmente ocorreram. O mundo mudou, mas menos do que o previsto.

As tendências apontadas continuam válidas para os próximos anos. E-commerce, rearranjo de oferta e demanda, preocupações com saúde mental e novas epidemias; mudanças climáticas e alimentação saudável.

Educação remota e trabalho remoto, até medicina remota, equilibrados com uma parte híbrida.

Inovação, inteligência artificial e automação, além da própria digitalização de quase tudo, podem levar a reequilíbrio de alocação de trabalho e pessoas, em geral aumentando a concentração de renda dos vencedores num mundo cada vez mais globalizado.

Uma palavra para 2022: Esperança. Esperança de deixarmos para trás a terra arrasada pela pandemia, e termos anos mais estáveis pela frente.

Post original

Trilha sonora:
U2 – I Still Haven’t Found What I’m Looking For

Cartão Ano Novo 2022

Abra a sua mensagem, no cartão de Ano Novo especial, em VBA (download em https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7jn2xWRBFi7K056PNB). Rode a macro para ver.

Um Feliz Natal e um excelente 2022 para todos!

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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As 10 regras de ouro de Sam Walton

O que o fundador do Walmart tem a nos ensinar?

Fiz um infográfico, para ilustrar, e também coloquei no formato de planilha bizurada.

Planilha bizurada:

Link para download:  
https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7jn2qhEBa5Cl6JJaCT

Veja também:

O bilionário que fazia gráficos com lápis coloridos

Ray Dalio é, literalmente, um homem de 20 bilhões de dólares. Sua empresa, a Bridgewater, é o maior fundo de investimentos do mundo. Dalio é o “Steve Jobs” das finanças.

Dalio descreve, no livro “Princípios”, que fazia análise de regressão no braço, e desenhava gráficos com lápis coloridos, na era pré computadores.

“Bem no começo, fazia regressões com a minha calculadora de bolso Hewlett-Packard HP-67, traçava gráficos com lápis de cor e registrava em cadernos.

Com a chegada dos computadores pessoais, passei a digitar os números e vê-los convertidos em planilhas. Sabendo como gado bovino, porcos e frangos avançavam pelos seus estágios de produção era possível ver como a máquina produzia preços de gado bovino, porcos e frangos nos quais eu podia apostar.

Por mais básicos que fossem esses modelos iniciais, eu adorava construí-los e refiná-los — e eles eram bons o suficiente para me render dinheiro.

Essa abordagem diferenciada era um dos principais motivos pelos quais eu captava movimentos econômicos e de mercado que os demais deixavam passar.

Computadores estavam entre os bens mais valiosos que adquiri; eles me ajudavam a pensar. Sem eles, a Bridgewater nem de longe teria conquistado tanto sucesso.”

A abordagem de Dalio obviamente vai além do number crunching, é claro. Saber a conta a fazer é mais importante do que saber fazer a conta. Esse é poder do #Analytics para tomada de decisão.

Exponential View

Recomendação de newsletter: Exponential View (https://www.exponentialview.co/email/d6966c4c-6906-47c4-bfec-d251920ed248/)

É grátis, e tem gráficos extremamente interessantes.

Eles enviam uma newletter semanal, com os gráficos da semana, sobre temas variando de indicadores econômicos a dados de tecnologia.

Fica a dica.

Princípios Para O Sucesso – Ray Dalio

Os Princípios, do legendário Ray Dalio, é sempre uma leitura a ser recomendada.

Ray Dalio é, literalmente, um homem de 20 bilhões de dólares, que é o montante gerido pela sua empresa, a Bridgewater. Então, nós pobres mortais, podemos tirar algum aprendizado útil de sua visão de mundo.

Divulgando aqui. A versão ilustrada está em promoção, pela Amazon, por apenas R$ 20,00. É uma simplificação da versão full, e comprei para as minhas filhas lerem futuramente.

Nesta, é como se Dalio, do alto dos seus 70 anos, estivesse no topo de uma montanha, olhando para o caminho, e dizendo: tome cuidado aqui; espera-se alguns percalços acolá e alívio logo a seguir, etc.

Fica a dica.

Versão ilustrada:

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Versão full:

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O homem que nunca trabalhou, gastou tudo em festas, viagens e morreu pobre

A primeira vez que ouvi falar de Jorginho Guinle foi há uns 20 anos, lendo a matéria de uma revista Veja ou similar. O playboy, herdeiro do Copacabana Palace, o mais luxuoso e famoso hotel do Rio de Janeiro, gabava-se de nunca ter trabalhado, e dizia ter torrado a sua fortuna em festas, viagens, mulheres, comida, bebida, tudo do bom e do melhor que o dinheiro poderia comprar. Porém, tinha errado a conta: achava que viveria 75 anos, mas continuava saudável depois disso, quebrado, falido, sem um tostão furado no bolso (faleceu aos 88 anos, em 2004).

Lembro da reportagem ter causado uma sensação de repulsa – um sujeito assim era o oposto de tudo o que eu acreditava ser uma vida nobre, aquela de dedicação a um trabalho decente e honesto, de querer plantar sementes para outros colherem ao invés de apenas consumir todos os frutos para mim sem ter plantado nenhuma.

Ontem vi o filme “Jorginho Guinle – Só se vive uma vez”, no Prime Video. É um filme nacional, de 2019, sobre o playboy. Logo, me vem à cabeça a reportagem citada, e um pensamento do tipo “como é que o brasileiro dá valor a uma pessoa fútil assim”. Entretanto, movido pela curiosidade, assisti ao filme, eu mesmo dando valor a uma pessoa fútil assim.

A família Guinle era mais fabulosamente rica do que apenas o Copacaba Palace. O início foi com a fundação da Companhia Docas do Porto de Santos. O comércio internacional no início do século passado gerou uma fortuna imensa à família, que também investiu em uma série de outros negócios, envolvendo desde eletricidade até bancos.

Além da fortuna, havia também os contatos. O presidente Getúlio Vargas, entre outros, era frequente à mesa dos Guinle.

O filme logo foca nas desventuras de Jorge Eduardo Guinle, que segue em linha do que já foi descrito: festas, viagens caríssimas à Europa, romances com atrizes de Hollywood (Rita Hayworth, Jayne Mansfield, Marilyn Monroe, dentre uma lista grande), casamentos, joias caras, restaurantes luxuosos, champanhe da melhor qualidade.

Pertenciam à família Guinle, entre outros:

  • O Palácio das Laranjeiras, em Botafogo, residência oficial do governador do Rio de Janeiro
  • A Granja Comari, em Teresópolis, que hoje é utilizada pela Seleção Brasileira de Futebol
  • O Jóquei Clube do Rio de Janeiro
  • O hotel Copacabana Palace

A seguir o declínio gradual dos negócios da família, a morte do pai, a venda de ativos para continuar a manter o alto padrão anterior.

Lembro de uma história budista, onde havia 7 tipos de inferno. Não lembro de todos, mas para dar um exemplo, um dos infernos era o de existir alimento mas a pessoa passar fome eternamente, outro era dela ser despedaçada fisicamente todos os dias, etc. O sétimo inferno era o das vaidades infinitas: ter que estar sempre participando de festas cada vez mais luxuosas, estar preso num ciclo infindável de nunca ser rico, bonito, talentoso, bom o suficiente quanto os pares.

Nesse ponto, notei algo. Essas frases de efeito, de nunca ter trabalhado, de ser um playboy que errou na conta de quando morreria, o maior playboy do Brasil, etc, eram uma máscara. Chegou num ponto da vida em que ele interpretava um personagem de si mesmo. Talvez ele quisesse ser reconhecido pela versão ideal de playboy, talvez por sinceridade, não sei.

“Nenhum playboy de hoje pode ser meu sucessor. Todos têm um grave defeito: eles trabalham”

Pensando bem, eu acho extremamente mais honesto viver a vida de playboy e assumir isso, do que ser o hipócrita que posa de bom moço; do que fazer doações de mixaria só para suavizar a imagem; do que usar os chavões usuais de meio-ambiente e responsabilidade social apenas para a aparência. Jorginho Guinle continua não sendo um modelo a ser seguido, fique bem claro, só acho ele mais honesto do que outros ricaços na mesma situação.

Jorginho Guinle foi um epicurista de intensidade máxima.

“O segredo do bem viver é morrer sem um centavo no bolso. Mas errei o cálculo e o dinheiro acabou antes da hora”.

Obs. A trilha sonora do filme, com muito jazz e participação especial de Daniel Boaventura, é um espetáculo à parte.

Link para assinatura do Prime Video:

https://amzn.to/3D1pWBZ

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Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

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Uma bobina a mais e o MP Load

Descrevendo uma situação que me deixou bastante feliz. Durante visita à unidade de Sacos, em Lages, o meu amigo Marcelo Oliveira contou que a utilização do MP-Load, descrito abaixo, possibilitou o envio de um pallet a mais no contêiner. “Não cabe”, dizia o pessoal; “Cabe, olha só o estudo”, disse o Marcelo.

O MP Load é uma ferramenta extremamente simples, feita em Excel – VBA.

Basta preencher as dimensões (Altura – Largura – Comprimento) e carga máxima do contêiner; e dimensões da bobina a ser transportada – diâmetro externo, largura e peso individual.

As unidades das dimensões estão em milímetros.

Como hipótese, as bobinas sempre vão de pé, e todas as bobinas são iguais. O limite é o volume geométrico ou o peso máximo, o mais restritivo.

Há ferramentas de formação de carga extremamente mais complexas, que conjugam bobinas de vários tipos, deitadas, de pé, etc. Porém, a situação simples de bobina única e de pé deve atender uns 90% das situações, e a beleza é ela ser puramente geométrica, simples de resolver.

O MP Load surgiu com a inspiração acima, pelo amigo Didiel Peça. A ideia era utilizar na hora de tirar pedidos dos clientes de mercado externo, de modo que o valor solicitado fechasse exatamente a carga de um contêiner.

Para o caso de Pallets, basta escolher “P” no campo. As dimensões agora são comprimento – largura – altura (pelo pallet ser retangular) e o peso por pallet.

Há também uma folga adicional de 10 mm no comprimento e na largura, por hipótese.

E que diferença faz uma bobina a mais por carregamento, ou um pallet a mais? Otimização de frete.

Uma bobina faz pouca diferença, individualmente. Mas uma bobina, multiplicada por todas as áreas que otimizam o carregamento, multiplicada por todos os dias em que o estudo é feito, faz toda a diferença.

Segue link.

https://1drv.ms/x/s!Aumr1P3FaK7jn2hfs8JKd7qiZX30

Hipóteses utilizadas:

  • As bobinas são todas idênticas (idem para pallets)
  • As bobinas sempre vão de pé
  • No caso de pallets, há uma folga considerada de 10 mm
  • O comprimento do contêiner é maior do que a largura do mesmo

Como o cálculo é realizado?

Tanto para bobinas quanto para pallets, são analisados dois padrões: retangular e zig-zag

O padrão retangular é um do lado do outro.

Para o cálculo, arrendondar para baixo as dimensões do contêiner dividido pelo diâmetro da bobina.

Já o padrão zig-zag (por falta de um nome melhor), considera um encaixe tipo laranjas empilhadas:

Sejam c e d catetos de um triângulo retângulo, com a hipotenusa sendo o diâmetro externo.

d = sqrt ( Dext^2 – c^2)

Se encontrarmos o valor de c, o valor de d estará definido pela fórmula acima.

No zig-zag, o contorno externo terá um Dext de dimensão, e as camadas internas serão X vezes a dimensão c.

O limite máximo para X é dado pela (Largura do contêiner – Dext) dividido pelo Dext, arredondando para cima.

Com isso, calculamos o número de linhas X, o c e o d, todos os parâmetros para a distribuição.

Por fim, analisamos o carregamento pelo padrão retangular x padrão zig-zag, e pegamos o que ficou melhor.

Um mundo melhor através do Analytics.

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Empilhamento de cartas e série harmônica

Quantas cartas consigo empilhar, de modo que a borda das superiores saiam da mesa e elas se sustentem apenas por gravidade? Qual distância máxima consigo chegar?

Este probleminha é relativamente simples, e interessante, por remeter à série harmônica.

Para analisar o raciocínio, deve-se pensar da carta de cima para as cartas de baixo.

Com uma carta, posso colocar o centro de gravidade exatamente na borda da mesa (representada pelo triângulo). Ou seja, ando lateralmente meia carta. Como hipótese, podemos considerar que a carta tem tamanho 2, sendo assim, meia carta tem tamanho 1, para facilitar as contas seguintes.

Com duas cartas, considera-se que o centro de gravidade da primeira carta está exatamente na borda da segunda carta. O ponto de equílibro do centro de gravidade do sistema é dado por pela soma de distâncias * pesos.

Nesse caso: (1-x) P = x*P

-> x = 1/2

Com três cartas e o mesmo raciocínio:


(1-x)* P = x*2*P

-> x = 1/3

Temos um padrão, e para a k-ésima carta:
(1-x)* P = x*(k-1)*P

-> x = 1/k

Ou seja, o total que a pilha anda lateralmente é dado exatamente pela série harmônica:
1 + 1/2 + 1/3 + 1/4 + 1/5 + … + 1/k

Sobre a série harmônica, o notável matemático Leonard Euler, no século 18, notou que esta tem uma similaridade enorme com a função logaritmo. Mais formalmente, temos a constante de Euler, dada por:

e

γ≈0.5772156649

Ou seja, a soma da série harmônica e o logaritmo neperiano tendem a uma constante.

Dá para perceber a semelhança entre as séries através da prova da divergência da série harmônica (veja aqui). Para cada avanço adicional na soma da série, é necessária uma quantidade exponencialmente maior de termos (ou seja, para cada metro lateral adicional, é necessária uma quantidade exponencialmente maior de cartas).

Uma curiosidade é que não se sabe até hoje se a constante de Euler é racional ou irracional.

Bom, respondendo à pergunta do problema. A série harmônica diverge, ainda que muito lentamente, de modo que a pilha pode andar na lateral uma distância infinita! É claro que, para isso, será necessária uma quantidade infinita também de cartas. Nada mau, para uma pergunta tão ingênua!

Veja também.

https://en.wikipedia.org/wiki/Euler%27s_constant

https://mathworld.wolfram.com/Euler-MascheroniConstant.html

O Cultura Pass e o último suspiro

Estou experimentando o programa “Cultura Pass”, da Livraria Cultura – https://www3.livrariacultura.com.br/Cultura-Pass.

Funciona assim: por um valor mensal de R$ 14,90, o usuário pode pegar livros emprestados nas livrarias físicas (devolução em até 30 dias), e utilizar o serviço Ubook Select, da plataforma de audiolivros Ubook.

É a última tentativa da Livraria Cultura, um movimento desesperado para fazer os leitores retornarem às lojas físicas.

Sobre os empréstimos

Para leitores vorazes como eu, vale a pena. Qualquer livro interessante custa uns R$ 50 em média, podendo variar de uns R$ 30 até mais de R$ 100. Um título só já vale dois ou três meses da assinatura. Outra coisa útil é o prazo de 30 dias para devolver – a escassez de tempo evita que o livro fique na estante intocada até o fim dos tempos.

Sobre os títulos disponíveis, a Liv. Cultura não tem mais a exuberância de antigamente. Lembro de ter diversas raridades na seção de matemática, umas 5 estantes cheias de títulos tão variados quanto Cálculo, Teoria dos Jogos e Diversões Matemáticas. Porém, ainda assim, há uma gama boa de títulos.

Sobre o Ubook Select

O Ubook é uma plataforma de audiolivros e ebooks, e o assinante Cultura Pass ganha uma assinatura “Select”. Eu não gostei dessa. Dos títulos disponíveis, apenas uma parcela pequena está aberta para a modalidade “Select” – apesar do nome pomposo, é uma seleção para baixo.

Eu até reclamei com o Ubook. Se for para oferecer tão pouco, melhor nem fazer.

Vale a pena?

Para o usuário, sim, principalmente o aluguel de livros. A parte do Ubook não vale a pena, é só um bônus.

Para a livraria, claramente não vale a pena virar uma biblioteca. Se valesse, muitas delas teriam feito este movimento antes. A Liv. Cultura só fez isso porque está atolada em dívidas, moribunda, é como um último suspiro.

Outro movimento que esta fez foi comercializar livros usados. “Sebo Cultura” é o nome do programa. Agora que o filé mignon está com a Amazon e outros players relevantes do e-commerce, a Liv. Cultura concorre em níveis menos nobres, de segunda categoria. Mesmo assim, a conta não fecha, o aluguel do espaço na Paulista é grande e nobre demais para comportar um sebo.

Portanto, a dica para os amantes de livros é aproveitar o Cultura Pass enquanto puder, pois não durará muito tempo.

Veja também:

Pequeno desafio do mês de Dez/21

Fazer uma flexão por dia, todos os dias.

Qual a lógica de fazer uma flexão por dia?

É baseado na teoria dos microhábitos. O objetivo não é fazer tão pouco, e sim, ser algo simples o suficiente para superar a barreira da ativação. Daí para a frente, pode-se fazer quantas flexões forem necessárias.

Tipo a Lei da Inércia de Newton. O que está parado tende a continuar parado. O que está em movimento tende a continuar em movimento.

Tente fazer uma flexão por dia em Dezembro. Funciona bem.

O desafio do mês passado era fazer um pedido relevante a alguém e tomar um NÃO. pedir algo bem difícil de conseguir.