O Tio Patinhas vai te dar dinheiro de graça

Um desses anúncios de internet me chamou a atenção. Era algo nessa linha: “Ganhei muito dinheiro na vida. Estudei o tempo todo sobre dinheiro, como acumular dinheiro, estratégias de investimento. Entrevistei bilionários, milionários, celebridades, autores de livros sobre bilionários. O dinheiro é minha vida. E eu posso te ensinar isso também, de graça, basta acessar o meu perfil e entrar nos links”.

Ou seja, alguém cuja vida gira em torno de dinheiro vai te passar tudo de graça? É provável que ele te veja mais como um cifrão do que como uma pessoa…

Cuidado com esse pessoal. É o que sempre digo, não existem atalhos…

Pirâmide demográfica

Um dos sites mais interessantes que conheço é o Population Pyramid, sobre demografia mundial:

Population of WORLD 2019 – PopulationPyramid.net

Seguem alguns dos gráficos.

A superpopulosa China está envelhecendo, em parte devido à política do filho único iniciada 40 anos atrás (observe o “dente” na faixa dos 40 anos do gráfico).

O pico populacional será por volta de 2030, com aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas.

A Índia, outro gigante mundial, ainda tem a pirâmide populacional parecendo levemente uma pirâmide, mas o número de filhos vem diminuindo. O pico ocorrerá por volta de 2055, com 1,6 bi de habitantes! Ou seja, a Índia será mais populosa do que a China, em futuro próximo.

E o Brasil?

Pelo gráfico, vem envelhecendo, aos poucos. Vai manter por bastante tempo em torno de 200 milhões de habitantes.

Os EUA têm um perfil esbelto, e vai continuar crescendo segundo as projeções.

A África tem o gráfico parecido com um pirâmide. Populações com menor desenvolvimento econômico apresentam perfil semelhante.

Já a Europa, envelhecida:

O site também permite voltar para o passado e ir para o futuro. Vejamos o BR. Nota-se claramente o efeito de envelhecimento da população.

Muito estranho é o caso de países asiáticos, como o Japão, onde as pessoas estão tendo menos filhos do que o número mínimo de reposição. Ou seja, a tendência é de envelhecimento e diminuição da população!

No Japão de hoje, já existem situações de escolas vazias por falta de alunos.

O mesmo ocorre com a Coreia do Sul, envelhecendo e decrescendo populacionalmente.

O grande Peter Drucker dizia que demografia o futuro que já aconteceu, é como uma bomba-relógio!

Quase todo o mundo desenvolvido terá que conviver com populações envelhecidas e poucos filhos.

E, por fim, o mundo como um todo deve continuar crescendo continuamente, até estabilizar perto de 10 bilhões de pessoas em 2100!

A Guerra de Canudos em Quadrinhos

Recomendação de leitura: A Saga de Canudos.

É uma história em quadrinhos bastante curta, ilustrando o episódio da Guerra de Canudos, e focada em seu ilustre protagonista, Antônio Conselheiro.

Os conflitos ocorreram entre 1896 e 1897, num período logo após a Proclamação da República do Brasil.

Link da Amazon: https://amzn.to/3ivWGNc

Antônio Conselheiro era um pregador, que viajava o Nordeste do Brasil. Ele criticava duramente a República, dizendo ser materialização do AntiCristo, pelo Estado ser laico. Outro ponto eram os altos impostos para financiar o novo governo. O profeta foi ganhando seguidores, e se estabeleceu numa fazenda, batizada como “Belo Monte”, mas que ficou conhecida na história como “Canudos”.

A comunidade de Canudos cresceu ao ponto de ter 25 mil habitantes. Seus seguidores: ex-escravos (foi um período logo após a abolição da escravatura), vagabundos, pessoas sem esperança, sem nada a perder. Era uma comunidade onde toda a produção era compartilhada entre os moradores.

Canudos começou a incomodar, por ser abertamente contra a República, e também por estar crescendo.

Foram 4 ataques militares, crescentes em termos de soldados e armamento, até finalmente Canudos ser completamente destruída.

“O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão” – Antônio Conselheiro

“Os Sertões”, de Euclides da Cunha, é uma das maiores obras da literatura brasileira, e narra o episódio. Lembro porque caía no vestibular, e o livro era bem difícil de entender.

“E surgia na bahia o anacoreta sombrio, os cabelos crescidos até os ombros,​ barba inculta e longa; face acaveirada; olhar fulgurante” – Euclides da Cunha.

Até hoje não sei o que significa “Anacoreta”…

Ironicamente, o sertão de Canudos realmente virou mar. O açude de Cocorobó colocou as ruínas da cidade debaixo da água.

Vale a pena conhecer um pouco mais deste episódio da cultura brasileira.

https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/com-a-estiagem-cidade-de-canudos-volta-a-aparecer-apos-17-anos/

Dicas para ter um infarto produtivo em tempos de trabalho remoto

1 – Trabalhe de 9 da manhã até 9 da noite, ou nem tenha hora para parar, inclusive finais de semana e feriado

2 – Não perca tempo com a esposa, ou os seus pais, afinal, eles só atrapalham mesmo

3 – Ao invés de brincar com os seus filhos, fique no celular mandando piadinhas pelo zap ou navegando no Instagram

4 – Peça fast food pelo delivery, um hambúrguer duplo, batata frita grande com queijo, e engula em 10 minutos – nada de frutas, verduras ou comida caseira, numa refeição tranquila

5 – Ao invés de tomar água, beba muito refrigerante, café ou álcool

6 – Não faça nenhuma espécie de exercício físico

7 – Quando com dificuldades para dormir, não hesite em tomar calmantes, e de manhã, tome estimulantes e energéticos para ficar pilhado o dia todo

8 – Pague para ver Big Brother Brasil, nada de gastar um centavo sequer com um bom livro (o site https://ideiasesquecidas.com/ tem excelentes recomendações, não o acesse)

9 – Com o dinheiro acumulado, faça compras on-line de tranqueiras que não precisa, ou se endivide para comprar um carrão que não pode pagar

10 – Nunca ande pela natureza, ouça uma boa música ou reflita sobre sua vida

Seguindo os passos acima, cedo ou tarde o miocárdio vai pagar a conta – seja em tempos de trabalho remoto ou não.

Veja também:

A Marcha – John Lewis e Martin Luther King

Recomendação de quadrinhos históricos para o fim de semana.

A Marcha, sobre a luta do senador americano John Lewis pela igualdade racial, nos turbulentos anos 60.

Link da Amazon:

A Marcha: Livro 1 – John Lewis e Martin Luther King em uma história de luta pela liberdade

Lewis, desde pequeno, demonstrava extremo interesse em estudar.

Na época da colheita, o pai dele não deixava os filhos irem à escola. Lewis, inconformado, um dia se escondeu do pai e pegou o ônibus assim mesmo. Tomou uma surra na volta; nos dias seguintes fez o mesmo, até que o pai desistiu.

A primeira vez que ele ouvira falar de Martin Luther King foi no rádio. Lewis era um garoto de 14 anos, e Luther, um pastor que lutava pela igualdade de direitos civis.

Um dos episódios que desencadeou inúmeros protestos foi quando uma mulher negra chamada Rosa Parks se recusou a dar seu lugar para um homem branco, no ônibus.

Anos mais tarde, Lewis foi um dos líderes do movimento, em sua cidade de Nashville.

Uma das características mais notáveis do grupo foi a não-violência, inspirado em atos similares promovidos por Gandhi, na Índia.

Eles tinham até oficinas de não violência. Treinavam para ver o comportamento da pessoa. Os candidatos eram sujeitos a xingamentos, ofensas raciais, cusparadas e tudo mais, para testar os limites. Era necessário suportar tudo isso sem revidar, para estar à frente das ações.

O primeiro alvo foram restaurantes que não serviam pessoas de cor.

O movimento pedia para comprar algo, o pedido era negado, e iam embora. Só isso.

A seguir, passaram a pedir para chamar o gerente e tentar dialogar. O restaurante se recusava, e o serviço era encerrado. O grupo ficava o resto do dia ali, sentado às mesas, sem ação.

À medida que ganhavam notoriedade na imprensa, mais e mais pessoas se juntava ao grupo. Chegaram e ter mais de 200 integrantes.

A sociedade branca revidou, com ofensas, insultos, agressões.

Teve um momento em que as prisões ficaram cheias de manifestantes. Era tanta gente, que o juiz estabeleceu uma fiança pequena, a fim de que todos fossem embora, porém, o grupo se recusou a deixar a prisão – ou seriam inocentados, ou continuariam ali.

A vitória veio tempos depois, quando as leis que permitiam a segregação foram abolidas.

Há um volume 2 do livro, que ainda não li completamente. Há também um terceiro volume da série, porém ainda não foi lançado no Brasil.

Link da Amazon:

A Marcha – Livro 2

A série venceu ganhou um prêmio Eisner de melhor história em quadrinhos baseada em fatos reais.

O senador Lewis faleceu em 2020, e Martin Luther King Jr, em 1968, assassinado.

Bônus: o discurso “I have a dream”, de Martin Luther King, é um dos mais famosos e poderosos da história. Vale a pena ouvir.

A internet é um lugar vasto

Pouca gente entendeu o poder da internet.

A internet não liga para o seu status. Seus títulos, sua idade. Sua aparência, sexo.

E está só começando. Cerca de 50% das pessoas do mundo estão conectadas, e este número só tende a aumentar, em número de conexões e também no tempo de conexão das que já estão conectadas.

Não há mais fronteiras físicas.

Há milhares de oportunidades (e perigos), no vasto mundo da internet.

Há algumas dezenas de anos atrás, li um história em quadrinhos sobre a Unimente. Um povo alienígena, com uma inteligência coletiva superior, extremamente maior do que a soma das inteligências individuais. Eles se comunicavam por telepatia, e cada um contribuía um pouquinho para o todo.

Pois bem, a internet é a nossa unimente. Ao invés de telepatia, temos wireless.

Segue um desafio: Fazer um real pela internet.

O gráfico do sucesso e o gráfico da felicidade

Um professor que tive, há muito tempo, relatou o encontro de 20 anos de formado da sua turma. A conversa era sempre algo do tipo: “E aí, há quanto tempo! Olha só, quanto você está ganhando?”

Hoje, na minha vez de ter quase tanto tempo de formado, vejo que o comentário do professor estava correto. A pergunta não é tão explícita assim, mas envolve de alguma forma status e comparações sociais.

Lembra bastante o “Gráfico do sucesso” abaixo. Para cada faixa de idade, existem as “conquistas” desejadas, e para a faixa da meia-idade, dinheiro e status social são destaque.

Porém, mais importante do que o “Gráfico do sucesso”, é o “Gráfico da felicidade”. É basicamente a mesma curva, porém ao contrário.

Ironicamente, somos mais felizes quanto mais jovens ou mais velhos, quando não temos expectativa de nada. Quanto mais conseguimos, mais infelizes somos.

Justamente o ponto mais baixo da felicidade é quando temos tudo de tudo: ainda jovem o suficiente, com família, economicamente ativo, já em posição madura em sua ocupação…

O desafio é fazer justamente o oposto do que todo mundo faz. Quando no auge do gráfico do sucesso, não buscar mais dinheiro ou status, e sim, desfrutar do que tem, aproveitar a família e amigos, ler e viajar (difícil atualmente), e, principalmente, dedicar esforços em alguma contribuição legal a deixar como legado para as pessoas, seja um blog com ideias espertas, seja trabalho voluntário, ou alguma outra contribuição. Pelo menos, é assim que penso.

Trilha sonora: The Beatles – Money

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