O teste do Marshmallow no país dos malandros

O teste do Marshmallow Original

Um marshmallow é oferecido à crianças, e é feita uma proposta. Ou ela come o marshmallow agora, ou espera 15 min sem comer e ganha mais um.

Há vídeos engraçados deste experimento. Algumas crianças comem o doce, outras ficam se esforçando e fazendo caretas para resistir à tentação.

O experimento original é dos anos 70 e foi conduzido em Stanford pelo prof. Walter Mischel, com 600 crianças. Estas foram acompanhadas por várias décadas. A conclusão: há uma correlação entre autocontrole e maior sucesso na vida. Os que conseguiram se conter no experimento demonstraram maior capacidade de suprimir o desejo imediato de curto prazo, e buscar recompensa maior a longo prazo.

O experimento do Marshmallow com desconfiança

Recentemente, a Universidade de Rochester refez o estudo, adicionando uma variante.

Primeiro, as crianças eram submetidas à uma atividade de artes. Porém, o material de apoio fornecido era medíocre. O adulto, supervisor da turma, prometia trazer um material melhor.

As turmas foram separadas em duas (sem elas saberem). Na primeira, o adulto dava uma desculpa qualquer e não trazia o material novo. Na segunda, o adulto trazia uma boa quantidade de material conforme combinado.

A seguir, as crianças eram submetidas ao teste do Marshmallow.

Resultado: Na primeira turma, apenas uma de 14 crianças esperou os 15 min para consumir o doce, enquanto na segunda, mais da metade o fez.

A decisão das crianças foi completamente racional. Houve uma queda brutal na confiança, e nesses casos, antes um pássaro na mão do que dois voando.

Quando as pessoas estão num ambiente onde o longo prazo e a confiança não existem (digamos, alta inflação, malandros que não vão entregar o que prometeram, caos nas ruas), elas tendem a maximizar o ganho de curto prazo.

Um país de malandros não passa no teste do Marshmallow!

https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2012/10/13/the-marshmallow-test-revisited/

https://ideiasesquecidas.com/2015/06/16/pequeno-experimento-com-o-dilema-do-prisioneiro/

https://ideiasesquecidas.com/2017/09/19/jo-rodrigo-caio-maquiavel-e-kant/

Trilha sonora: Cássia Eller – Malandragem

Como evitar um desastre climático

Resumo e discussão do novo livro de Bill Gates, “Como evitar um desastre climático”.

O fundador da Microsoft e atualmente o maior filantropo da face da Terra, é uma das pessoas mais inteligentes ainda vivas. Tem pouquíssimo carisma, é demonizado por muitos, porém é alguém extremamente efetivo no que faz, conforme adiantei no link aqui (https://ideiasesquecidas.com/2021/02/21/bill-gates-a-vacina-da-poliomelite-e-o-seu-modo-de-pensar/).

Alguns pontos do seu livro sobre mudanças climáticas. https://amzn.to/3qTh106

Há dois números que você precisa ter em mente sobre mudanças climáticas. Um é 51 bilhões. O outro, zero.

51 bilhões são as toneladas de gases de efeito estufa que o mundo lança à atmosfera anualmente. Embora isso possa variar para mais ou para menos a cada ano, de modo geral está subindo. É onde estamos hoje. Zero é o que devemos almejar. Para impedir o aquecimento global e evitar os piores efeitos das mudanças climáticas, o ser humano precisa parar de emitir gases de efeito estufa.

Atualmente, 1 bilhão de pessoas não contam com acesso confiável à eletricidade e que metade delas vivia na África subsaariana. Renda e energia andam de mãos dadas.

O mundo precisa gerar mais energia para que os pobres possam prosperar, mas sem liberar mais nenhum gás de efeito estufa. O problema então pareceu ainda mais complicado. Não bastava fornecer energia barata e confiável para os pobres. Ela também tinha de ser limpa.

  1. Para evitar um desastre climático, devemos chegar a zero. 2. Temos de empregar as ferramentas de que já dispomos, como energia solar e eólica, com mais rapidez e inteligência. 3. Precisamos criar e produzir tecnologias revolucionárias capazes de nos conduzir pelo resto da jornada. Esse número, zero, não é negociável. Se não pararmos de lançar gases de efeito estufa à atmosfera, a temperatura continuará a subir.

Eis uma analogia bastante útil: o clima é como uma banheira sendo enchida lentamente. Mesmo se fecharmos um pouco a torneira e deixarmos apenas um fio de água escorrendo, em algum momento a banheira acabará transbordando.

Em 2020, o desastre chegou quando um novo coronavírus se espalhou pelo mundo. Para qualquer um que conheça a história das pandemias, a devastação causada pela covid-19 não foi uma surpresa. Eu estudava surtos de doenças havia anos como parte de meu interesse em iniciativas globais de saúde e ficara preocupadíssimo, já que o mundo não estava pronto para lidar com uma pandemia como a gripe de 1918.

Após o coronavírus, as emissões de gases de efeito estufa no mundo devem ter caído apenas 5%. O extraordinário não é como as emissões diminuíram devido à pandemia, mas como a queda foi pequena. Essa diminuição pouco considerável é uma prova de que não conseguiremos chegar a emissões zero apenas andando menos de avião e carro.

Também invisto em tecnologias de carbono zero. Gosto de pensar nelas como outra espécie de compensação para minhas emissões. Já investi mais de 1 bilhão de dólares em propostas que espero que ajudem o mundo a chegar a zero, incluindo energia limpa barata e confiável e cimento, aço, carne e outros produtos e serviços de baixas emissões. E não conheço ninguém que faça maiores investimentos em tecnologias.


Fiquei surpreso quando descobri que aquilo que parecia ser um pequeno aumento na temperatura global — apenas 1ºC ou 2ºC — poderia na verdade causar grandes problemas. Mas é verdade: em termos de clima, uma mudança de apenas alguns graus significa muita coisa. Durante a última era do gelo, a temperatura média era apenas 6ºC mais baixa do que hoje.

Esse momento chegará em trinta anos? Cinquenta? Não sabemos ao certo. Mas, considerando como o problema será difícil de resolver, mesmo que o pior momento seja daqui a cinquenta anos, precisamos agir desde já. Já elevamos a temperatura em pelo menos 1ºC desde o período pré-industrial e, se não reduzirmos as emissões, provavelmente teremos um aquecimento de 1,5ºC a 3ºC até meados deste século, e entre 4ºC e 8ºC até o fim dele.

E todo esse calor extra possui efeitos colaterais; por exemplo, significa que as tempestades têm se agravado.

Essas tempestades mais fortes estão criando uma estranha situação de oito ou oitenta: embora chova mais em alguns lugares, outros sofrem com secas mais frequentes e severas. O ar mais quente pode reter mais umidade, e à medida que se aquece torna-se mais seco.

O nível do mar vai subir. Isso ocorre em parte por causa do derretimento do gelo polar, mas também porque a água se expande conforme esquenta.

Por fim, com o calor e o excesso de dióxido de carbono que o causa, plantas e animais também serão afetados. Segundo pesquisa do ipcc, um aumento de 2ºC diminuiria o território geográfico de vertebrados em 8%, de plantas em 16% e de insetos em 18%.

Até meados do século, as mudanças climáticas podem ser tão mortais quanto a covid-19 e, em 2100, cinco vezes mais letais.


Há um ótimo motivo para os combustíveis fósseis estarem por toda parte: custam uma merreca. Ou seja, petróleo é mais barato que refrigerante.

Jamais conseguiremos emissões zero sem políticas públicas adequadas, e ainda estamos longe disso. (Falo dos Estados Unidos, mas isso se aplica a muitos outros países também.)

Em suma: precisamos realizar algo gigantesco, nunca visto antes, muito mais rapidamente do que qualquer coisa similar já feita. Para isso, necessitamos de muitos avanços na ciência e na engenharia.

Qual é a proporção de gases de efeito estufa gerada pelas coisas que fazemos?

  • Fabricar as coisas (cimento, aço, plástico) 31%
  • Ligar as coisas na tomada (eletricidade) 27%
  • Cultivar e criar as coisas (plantas, animais) 19%
  • Transportar as coisas (aviões, caminhões, cargueiros) 16%
  • Manter as coisas quentes e frias (sistemas de aquecimento, ar-condicionado, 7%

(Gates chama de “Prêmios Verdes” o quanto a mais temos que pagar para obter energia com emissão zero. A seguir, ele faz uma extensa pesquisa sobre as matrizes energéticas existentes, alternativas e seus prêmios verdes)

Captura direta do ar, também conhecida pela sigla em inglês dac. (Para resumir, o ar é soprado sobre um dispositivo que absorve dióxido de carbono, e depois o gás é armazenado, por segurança.) A dac é uma tecnologia cara e está longe de ter sua eficácia comprovada, mas se funcionasse em larga escala nos permitiria capturar dióxido de carbono independentemente de quando e onde fosse produzido.


A energia hidrelétrica tem muita coisa a seu favor — é relativamente barata —, mas também tem grandes desvantagens. O represamento desaloja comunidades locais e a vida selvagem. Se há muito carbono no solo de um terreno que cobrimos com água, esse carbono acaba virando metano e escapa para a atmosfera — por isso estudos mostram que, dependendo de onde é construída, a represa pode na verdade ser uma fonte de emissão pior do que o carvão por cinquenta a cem anos antes de compensar todo o metano.


Mas o petróleo barato e as linhas de transmissão caras não são os maiores responsáveis pelo Prêmio Verde na geração de eletricidade. Os principais culpados são nossa exigência de confiabilidade e a intermitência. O sol e o vento são fontes intermitentes — não geram eletricidade 24 horas por dia, 365 dias por ano. Mas não é o caso de nossas necessidades energéticas: queremos energia o tempo todo.

Baterias têm um custo proibitivo. A eletricidade que armazenamos para uso noturno custará três vezes mais do que a consumida durante o dia.

A ideia é ilustrar uma questão crucial: armazenar eletricidade em larga escala é complicadíssimo e caríssimo, mas teremos de fazer isso se vamos depender de fontes intermitentes para gerar uma porcentagem significativa da eletricidade limpa que consumiremos nos próximos anos.


Sobre energia nuclear:
Os cientistas e os engenheiros apresentam várias soluções. Estou muito otimista com a solução criada pela TerraPower, empresa que fundei em 2008, unindo algumas das melhores cabeças na física nuclear e na produção de modelos computacionais para projetar um reator nuclear de última geração.

A energia nuclear é perigosa? Não se levarmos em conta o número de mortes causadas por unidade de eletricidade.

O mais importante é o mundo voltar a levar a sério o desenvolvimento do setor de energia nuclear. Ele é simplesmente promissor demais para ser ignorado.


Com o concreto, o desafio é ainda mais complicado. Para fabricá-lo, misturamos cascalho, areia, água e cimento. Os três primeiros são relativamente tranquilos; é o cimento que traz problemas para o clima. Para fabricar cimento, precisamos de cálcio. Para obter cálcio, começamos pelo calcário — que contém cálcio, mais carbono e oxigênio. A queima do calcário resulta no que queremos — cálcio para o cimento — e em algo que não queremos — dióxido de carbono. Não se conhece uma forma de fabricar cimento sem passar por esse processo.

Fabrique uma tonelada de cimento e produza uma tonelada de dióxido de carbono.


De onde o plástico costumam obter seu carbono: refinando petróleo, carvão ou gás natural e em seguida processando os produtos refinados de várias maneiras. Isso ajuda a explicar por que os plásticos são conhecidos por custar pouco: como cimento e aço, o plástico é barato porque os combustíveis fósseis são baratos.

Resumindo, o caminho para emissões zero na manufatura é mais ou menos o seguinte: 1. Eletrificar todos os processos possíveis. Isso exigirá muita inovação. 2. Obter essa eletricidade de redes elétricas descarbonizadas. 3. Utilizar captura de carbono para absorver as emissões remanescentes. Idem. 4. Usar materiais com mais eficiência.


Criar animais para alimentação é uma das principais causas de emissões de gases de efeito estufa.

Um frango, por exemplo, tem de ingerir o equivalente a duas calorias de grãos para render uma caloria de carne — ou seja, precisamos alimentar um frango com o dobro das calorias.

Um porco ingere o triplo das calorias que proporciona quando vira alimento. Para bovinos, a proporção é a mais elevada de todas: seis calorias de alimento para cada caloria de carne.

No mundo todo, cerca de 1 bilhão de cabeças de gado são criadas para fornecer carne e laticínios. O metano de seus arrotos e peidos exerce anualmente o mesmo efeito de aquecimento de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, correspondendo a cerca de 4% das emissões globais totais.

Uma opção é a carne vegetal: produtos à base de planta processados de várias maneiras para imitar o sabor da carne. Sou um investidor em duas empresas de produtos vegetais — a Beyond Meat e a Impossible Foods —, portanto sou suspeito para falar, mas acho a carne artificial muito boa. Quando preparada do jeito certo, é um substituto convincente para a carne moída.


Porém, a carne artificial vem com um pesado Prêmio Verde. Em média, um substituto de carne moída custa 86% a mais do que carne de verdade

Para cultivar nossas safras, precisamos de toneladas de nitrogênio — muito mais do que seria possível encontrar em um ambiente natural. É adicionando nitrogênio que criamos pés de milho de três metros de altura e conseguimos imensas quantidades de sementes.


O cultivo exige fertilizantes. O processo de refino, quando as plantas são transformadas em combustível, também gera emissões. E a agricultura para fabricação de combustível ocupa um terreno que de outro modo seria utilizado para cultivar alimento — o que pode forçar os fazendeiros a desmatar para ter onde plantar.


Além disso, embora as unidades de ar-condicionado representem o maior consumo de eletricidade, não são as maiores consumidoras de energia nos lares e estabelecimentos americanos. Essa honra vai para nossos sistemas de calefação e aquecedores de água.

No mundo todo, há 1,6 bilhão de aparelhos de ar-condicionado em uso, mas não são distribuídos de forma equilibrada. Em países ricos como os Estados Unidos, 90% ou mais das casas têm sistema de refrigeração, enquanto nos países mais quentes do mundo, esse número é de menos de 10%.


É cada vez mais difícil fornecer água potável para todos. A maioria das megacidades do mundo já enfrenta graves períodos de escassez, e, se nada mudar até meados do século, a quantidade de gente sem acesso a água limpa pelo menos uma vez por mês crescerá em mais de um terço, chegando a 5 bilhões de pessoas.


Duas tecnologias altamente disruptivas e polêmicas:

Para compensar o aquecimento causado por gases de efeito estufa lançados à atmosfera, precisamos reduzir a quantidade de luz do sol que chega ao planeta para cerca de 1%.** Existem várias maneiras de fazer isso. Uma envolve espalhar partículas extremamente finas — com milionésimos de centímetro de diâmetro — nas camadas mais altas da atmosfera.

Outra iniciativa de geoengenharia é tornar as nuvens mais brilhantes. Como a luz do sol se esparrama pelo topo delas, poderíamos tornar a luz ainda mais difusa e resfriar o planeta borrifando sal nas nuvens, para dispersarem mais a luz. E não seria preciso uma mudança dramática; para chegar a uma redução de 1%, precisaríamos apenas aumentar em 10% o brilho das nuvens que cobrem 10% da área terrestre.


Sobre políticas:
Precisamos que o governo desempenhe um papel igualmente imenso para criar os incentivos certos e assegurar que esse sistema funcione para todos.

Devemos expandir a oferta de inovações — o número de novas ideias que são testadas — e a outra, a acelerar a procura por inovações. O trabalho nessa primeira fase é o clássico processo de pesquisa e desenvolvimento.

Calcular um preço para o carbono. Seja na forma de um imposto ou de um sistema de comércio de carbono em que as empresas possam comprar e vender o direito de emiti-lo, precificar as emissões é uma das coisas mais importantes que podemos fazer para eliminar os Prêmios Verdes.


O que podemos fazer?

Compre um veículo elétrico. Os veículos elétricos avançaram muito em termos de custo e desempenho.

Experimente um hambúrguer vegetariano.


Uma lista de tecnologias:

  • Hidrogênio produzido sem emissão de carbono
  • Armazenamento de eletricidade em escala de rede capaz de durar uma estação do ano inteira
  • Eletrocombustíveis
  • Biocombustíveis avançados
  • Cimento de carbono zero
  • Aço de carbono zero
  • Carne e laticínios derivados de vegetais e células-tronco
  • Fertilizantes de carbono zero
  • Fissão nuclear de última geração
  • Fusão nuclear
  • Captura de carbono (tanto direto do ar como no local de emissão)
  • Transmissão de eletricidade subterrânea
  • Plásticos de carbono zero
  • Energia geotérmica
  • Hidrelétrica reversível
  • Armazenamento termal
  • Cultivos tolerantes a secas e inundações
  • Alternativas de carbono zero para o óleo de palma
  • Fluidos refrigerantes sem gases fluorados

Há mercados de bilhões de dólares à espera de que alguém invente cimento, aço ou combustível líquido de carbono zero a baixo custo.

Algumas recomendações do livro:

  • Earth’s Changing Climate, Richard Wolfson, The great courses.
  • Weather for Dummies
  • Energy Transitions e Energy Myths and Realities, de Vaclav Smil

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/resumos/

McCubo Feliz

O McDonald’s está com uma promoção, com brinquedos inspirados em cubos mágicos, no McLanche Feliz.

Tem vários tipos. Comprei dois:

O da esquerda é uma espécie de “Tetris”. Um cubo decomposto em partes.

Os blocos se encaixam para formar o cubo 3x3x3.

Já o da direita, é uma espécie de “cobrinha”. Algumas das peças giram, e o desafio é colocar no formato original.

Como são brinquedos para crianças, são bem fáceis de resolver.

Boa diversão!

Para cubos mais complexos, vide:

https://ideiasesquecidas.com/cubos-magicos/

Bill Gates, a vacina da Poliomelite, e o seu modo de pensar

A filha de Bill Gates perguntou: “Pai, o que você fez para ajudar essa pessoa com poliomelite?”

Resposta: “Por ela, não fiz nada”.


A pergunta acima é mostrada no documentário “O código Bill Gates”, da Netflix.

O documentário mostra os esforços da fundação Bill e Melinda Gates, em relação à três temas: energia nuclear, poliomelite e uma privada que não usa água.

Sobre a poliomelite, o documentário mostra o esforço deles para ajudar a vacina chegar aos recantos mais inóspitos do mundo e erradicar a doença da face da Terra.

Bill relata o encontro que teve com uma moça que estava paralítica devido à poliomelite, e como isso prejudicara todo o seu futuro.

Sobre ela, a filha de Bill Gates perguntou: Pai, o que você fez por essa pessoa em particular?

A resposta de Gates foi algo como: por ela, eu não fiz nada. Há uma quantidade finita de recursos para alocar. O meu esforço é no sentido de ser o mais efetivo possível.

Gates não tem a presença de um Steve Jobs, nem o carisma de um grande político como Bill Clinton. É um nerd, um jacu.

Respostas como a dada acima explicitam esse lado racional sobre o emocional. Ele pensa mais como uma máquina do que como um ser humano.

Do ponto de vista econômico, ele está certo.

Se eu tenho um real para investir, devo alocar o recurso da melhor forma possível. A melhor forma de alocar o mesmo é resolver o problema em escala global, cortar o mal pela raiz, do que aliviar um sintoma específico.

Não à toa, a Microsoft navegou brilhantemente pelas últimas décadas. O Windows é onipresente. O Office é a ferramenta de produtividade definitiva no mundo corporativo. A Microsoft quase ficou fora da onda da internet, mas quando entrou, entrou jogando pesado.

Ele tem perfil discreto. Não se envolve em polêmicas. E é extremamente efetivo no que faz.

E o resultado também tem as mesmas características. É efetivo e silencioso.

Ex. Este link de 2018 mostra como ele ajudou a pagar a dívida da Nigéria no combate à polio.

https://www.cnbc.com/2018/01/18/bill-and-melinda-gates-foundation-is-paying-off-nigerias-polio-debt.html

Já este link de 2020 mostra os resultados: erradicação da polio na África (sem citar Gates em momento algum).

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/08/25/oms-anuncia-erradicacao-da-poliomielite-na-africa.ghtml

Há poucas pessoas como eu, que têm Bill Gates na lista dos mais admirados do mundo. Pelo contrário, é extremamente mais comum demonizar o mesmo, colocá-lo no mesmo pedestal de Hitler, ou até pior. Há até boatos de que ele ajudou a criar o coronavirus! Uma injustiça total.

Gates já tem os seus 65 anos, é um dos homens mais ricos do mundo e poderia muito bem estar fazendo nada, ou levando uma vida pacata sem preocupações. Ao invés disso, ele investe pesado para tentar, na escala da inovação mundial, o que ele conseguiu fazer com o software: revolucionar o mundo.

https://www.gatesfoundation.org/what-we-do/global-development/polio

Um anúncio. Estou lendo o novo livro dele, sobre mudanças climáticas, e semana que vem haverá um post sobre isto. Aguardem…

https://amzn.to/3dzQLEb

Como ser um gênio, segundo um gênio


Uma pequena dica do brilhante Richard Feynman, físico americano vencedor do Prêmio Nobel, conhecido por sua criatividade.
“Mantenha em mente uma lista de uma dúzia dos seus problemas favoritos, sempre constantes em sua mente, mas na maioria das vezes em estado dormente. Todas as vezes que você ouvir ou ler sobre um novo truque ou novo resultado, teste contra cada um dos problemas, para ver se ajuda. Vira e mexe, haverá um hit, e as pessoas dirão: ‘como ele fez isso? Deve ser um gênio'”

Veja algumas outras boas ponderações no blog Farnan Street: https://fs.blog/2021/02/gian-carlo-rota/

Programa de Associados da Amazon: faça dinheiro do nada!

O desafio 2 da lista de desafios propostos (https://ideiasesquecidas.com/2021/02/04/lista-de-alguns-pequenos-desafios/) é o de fazer 1 real pela internet. Quero compartilhar uma dica.

O programa de associados da Amazon (há outras também) é uma forma de fazer dinheiro a partir do nada! Este funciona remunerando as pessoas pelas indicações.

Não é necessário ter os produtos, nem estoques, nem saber programação para criar uma loja na internet. Mágica? Nem tanto. Há uma série de “poréns”… Confira a seguir.


Como fazer?

O primeiro passo é entrar em https://associados.amazon.com.br/ e criar uma conta – que estará vinculada à sua conta principal da Amazon, se tiver.

O programa de associados remunera indicações. Basicamente você deve indicar alguma coisa a outras pessoas. Se algumas das pessoas indicadas comprar o produto, um percentual entra para você de comissão.

Digamos que eu queira divulgar o link do excelente livro “Antifrágil”, de Nassim Taleb.

Na página de associados, procuro pelo livro que quero indicar.

Depois, em link, para obter o caminho para o livro:

A seguir, é só divulgar o link para amigos, colocar no blog, etc. Confira, clicando a seguir.

https://amzn.to/3drWEDw

Clicando no link, redireciona para a página da Amazon, onde o cliente pode escolher a versão em papel ou Kindle, o tipo de capa, etc. Importante notar, na URL, que tem um “ref=…”.

A Amazon espera acumular um valor mínimo de R$ 30,00, e deposita o valor no cartão de crédito cadastrado. Simples, fácil, não é preciso fazer nada.

Além de livros, é possível divulgar qualquer coisa existente na Amazon, digamos, um produto de beleza, um eletrônico,

um funko pop do Einstein: https://amzn.to/3bkLNIM,

o prime vídeo: https://amzn.to/3dpmU10, etc.


E quais as contrapartidas?

A primeira contrapartida é que não é tão fácil assim. O link pode ter muitos cliques, mas só um ou dois efetivamente se convertem em compra.

Outra, é que a comissão é bem baixa (afinal, você não tem o produto, não fez a loja, não se responsabiliza por problemas de pagamento, etc).

Você basicamente agregou valor fazendo o marketing, um marketing de indicação.

Da experiência deste blog. Nos últimos 30 dias, ocorreram 164 cliques em produtos, a partir de indicações minhas. Dessas, duas comissões, somando R$ 13,64… não é isso que vai deixar alguém milionário! Ou seja, o programa funciona melhor para quem é muito popular!

Comecei o mesmo no ano passado, e o programa rendeu uns R$ 150,00 em 2020. Não é nenhuma fortuna, mas paga o custo do domínio. E, se ajuda pouco, pelo menos não atrapalha. É uma renda passiva, já que o link da recomendação estará para sempre nos artigos publicados.

Outra dicas. Não fazer recomendações por fazer, visando essas magras comissões. Fazer recomendações por realmente acreditar que o livro, o produto, vai agregar valor às pessoas. Eventuais comissões são bônus, apenas isso.

O Magazine Luiza também tem um programa similar. Lá, dá até para criar uma loja virtual. Parece interessante, mas nunca testei.

https://www.parceiromagalu.com.br/

Sobre o programa de associados, é isso.

Sobre o desafio de fazer R$ 1,00 pela internet, além da dica citada, há inúmeras outras formas:

  • Vender livros usados pela Amazon (https://ideiasesquecidas.com/2020/10/18/o-que-aprendi-vendendo-livros-pela-amazon/)
  • Vender produtos pelo Mercado Livre – é possível até pensar em comprar algo e revender
  • Criar um blog, página do Youtube – e ganhar pelo adsense (eu não gosto de propagandas, note que o blog não tem anúncios)
  • Escrever um e-book e vender
  • Dar aulas, ou vender alguma outra forma de serviço

Cada vez mais, será necessário entender formas alternativas de interagir, dada a revolução que a Internet vem proporcionando!

Ficam as dicas!

A cena mais memorável da F1

Ayrton Senna, após vencer o Grande Prêmio do Brasil de 1991, ficou fisicamente tão exausto que não conseguia nem levantar o troféu. Confira no vídeo.

Senna conquistou a vitória no braço, após a sua McLaren perder todas as marchas, exceto a sexta, faltando 20 voltas para o final da prova.

Para dar uma ideia, ele tinha que entrar numa curva e manter a mesma velocidade (as outras marchas entravam em ponto morto), tirando a
diferença na habilidade e no volante.

“Se soubesse dos problemas de Senna duas voltas antes talvez pudesse vencer”, afirmou Ricardo Patrese (da Williams). “Mas Senna era um piloto não apenas muito rápido como dotado de grande senso de estratégia. Escondeu o quanto pôde suas dificuldades”.

Vencer o GP do Brasil era um de seus sonhos, e Senna faria o impossível para tal. Após a vitória, o desgaste foi tão grande que ele teve que ser atendido pelos médicos da FIA, demorando mais de vinte minutos para ir ao pódio.

Veja uma descrição detalhada desta vitória em:

A trilha sonora deste post só pode ser o Tema da Vitória, que não ouvimos há muito tempo.

A terrível estratégia bélica que salvou o Império Romano

Lembra do poderoso Império Romano, que se estendeu por séculos e dominou a Europa inteira?

Talvez a história fosse completamente diferente, e talvez hoje não estivéssemos falando de um Império Romano, e sim, de um Império Cartaginense que dominou a Europa toda por séculos.

Cartago e Roma entraram em confronto, em ocasiões conhecidas como as Guerras Púnicas. Nesta, muito se fala do grande general cartaginense Aníbal Barca, que cruzou o Mediterrâneo e atravessou os Alpes, com um exército de homens e elefantes, e obteve vitórias humilhantes sobre os romanos.

Porém, apesar de vitórias espetaculares, Aníbal perdeu, no final das contas. Roma venceu a guerra contra Cartago, sem ter vencido nenhuma batalha contra Aníbal. Se fosse um campeonato de futebol, era como se Roma tivesse sido campeão sem ter vencido nenhum jogo.

Como isso foi possível? É aí que entra a…

A estratégia fabiana

Quintus Fabius Maximus Verrucosus, também conhecido como o Cunctator (o postergador), foi o comandante militar e ditador de Roma.

Ele foi eleito ditador em 217 a.C., após uma sequência humilhante de derrotas de Roma para Aníbal. Nota: Um ditador era um líder com poderes especiais para enfrentar situações de crise, e na Roma antiga eles poderiam ser eleitos e tirados do poder.

O exército cartaginense era espetacularmente forte, e Aníbal, um brilhante estrategista. Fabius, ao invés de partir para o confronto direto, partiu para uma guerra de atrito e desgaste. Ele fez o exército romano acompanhar Aníbal de longe. Sempre posicionava as tropas em lugares altos, de forma a impossibilitar ataques surpresa. Atacava a cadeia de suprimentos de Aníbal, e atazanava os cartaginenses com ataques regulares.

Fabius também não caía nas provocações de Aníbal, por mais vantajosa que a ocasião parecia ser. Ele sabia que o cartaginense era especialista em criar armadilhas. Sendo de natureza bastante conservadora, Fabius foi jocosamente apelidado de “ovelhinha”, e “o postergador”.

Voltado à analogia do campeonato, era como se Roma jogasse numa retranca impenetrável, com 10 zagueiros dentro da área. Porém, da mesma forma, ninguém gosta de ver um time na defesa o tempo todo, as pessoas gostam daquele que ousa, e parte para cima, o ofensivo vencedor.

A estratégia de Fabius gerou uma série de críticas de seus rivais políticos, e à medida que o tempo passava, a lembrança das derrotas passadas ia ficando mais distante.

Quando acabou o mandato de ditador de Fabius, Roma colocou outro comandante em seu lugar, que tentou realizar um ataque decisivo para aniquilar o oponente. O resultado foi uma desastrosa derrota romana em Cannae (em 216 a.C.). Daí para frente, Roma aprendeu a lição, e retornou à estratégia fabiana. Foi um momento crucial para Roma, porque, após inúmeras derrotas, ela estava quase indo à lona. A estratégia fabiana essencialmente salvou o Império Romano.

O exército de Anibal ficou perambulando pela Itália por mais 15 anos. Eles não tinham poder suficiente para sitiar Roma, e nem outra grande cidade murada. O seu ataque forte ficava anulado se não tinham com quem batalhar. Além disso, os homens de Aníbal eram parte deum exército profissional, visando ao lucro de pilhagens e ganhos rápidos, ao passo que os romanos poderiam esperar o tempo que fosse necessário.

A estratégia fabiana joga com o tempo a seu favor. Troca um ataque maciço concentrado por pressão contínua por um tempo maior. Vence não por destruir o oponente diretamente, mas por exaurir os seus recursos (dinheiro, suprimentos, paciência). Vence por não perder, sabendo que pode suportar perdas por mais tempo que o outro lado.

Os cartaginenses permaneceram isolados no sul da Itália, até que os romanos ganhassem força suficiente para contra-atacar, com o general Cipião africano, que derrotou Aníbal.

A Segunda Guerra Púnica durou de 218 a.C. até 201 a.C.

A estratégia fabiana também foi famosamente adotada por George Washington, na Revolução Americana. Ao invés de utilizar ataque direto, ele adotou a estratégia de atrito contra os britânicos, vencendo-os no final.

Algo semelhante ocorreu na vitória Russa contra Napoleão: foram recuando, dando espaço dentro do vasto território russo, atacando as linhas de suprimento e fustigando os franceses, até que o terrível inverno da região virasse o jogo.

Outra menção digna de nota é a Sociedade Fabiana, formada na Inglaterra. É uma vertente socialista, porém ao invés de vencer pela revolução, a ideia é vencer pela evolução. Usa exatamente a estratégia fabiana: atacando os flancos, ganhando aos poucos e sempre. O primeiro logotipo deste grupo era um lobo em pele de cordeiro, provavelmente uma homenagem à ovelhinha que salvou Roma! Depois, trocaram para uma tartaruga, devagar e sempre, como na fábula de Esopo.

Em negócios, é muito comum um grande player baixar preços ou até dar de graça, suportando prejuízos, por mais tempo do que o oponente consegue ficar solvente (digamos Internet Explorer x Netscape Navigator).

Enquanto Aníbal entra para a história como um dos grandes generais de todos os tempos, Fabius é apenas uma nota de rodapé. Na vida real, Fabius foi extremamente mais importante, ao não levar Roma à derrota total. No final, Roma foi um dos maiores impérios da história, e foi Cartago que virou a nota de rodapé.

A estratégia fabiana não é simplesmente postergar e não fazer nada, e sim, trocar ataque pontual por pressão contínua. Energia por paciência. Cercar, fustigar, perder batalhas pequenas, mas vencer a guerra a longo prazo.

Utilize variantes da estratégia fabiana em sua vida!

Veja também:

https://ideiasesquecidas.com/2019/01/02/o-tao-da-guerra-do-general-er-hu/


https://ideiasesquecidas.com/2018/03/23/as-36-estrategias-secretas-chinesas/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_P%C3%BAnica#A_estrat%C3%A9gia_Fabiana


https://www.britannica.com/biography/Quintus-Fabius-Maximus-Verrucosus

https://en.wikipedia.org/wiki/Quintus_Fabius_Maximus_Verrucosus

“The Economist” sobre 2021

O que está por vir em 2021, em 20 pontos da revista “The Economist”.

1 – Os humanos querem se socializar novamente, mas o trabalho remoto basicamente permanecerá o mesmo. Vamos continuar a trabalhar online a partir de nossas casas cada vez mais adaptadas e com reuniões em lugares diferentes todos os meses para socializar e conectar.

2 – Escritórios vão fechar com uma porcentagem muito alta e esse modelo retrógrado será tomado por tecnologias disruptivas. A cada dia teremos mais assistentes digitais para trabalhar de forma eficiente. As grandes corporações serão sempre lembradas como os enormes mamutes de 1980-2020 em extinção.

3 – Os hotéis de trabalho desaparecem em pelo menos 50%. Viagens, congressos ou reuniões de trabalho nunca voltam a ser como eram, se puderem ser feitos online. O turismo de trabalho praticamente desaparece. As chamadas se tornam chamadas de vídeo.

4 – As casas tornam-se mais tecnológicas e adaptadas ao trabalho diário. Muitas empresas se dedicarão a resolver as necessidades de trabalhar em casa. Hoje você pode morar fora de uma cidade grande, trabalhar da mesma forma e gerar o mesmo valor.

5 – A produtividade não depende mais de um chefe que te vê, agora é por meio de plataformas que te ajudam a medir resultados, KPIs e tempos eficientes. A forma de contratação de pessoal é repensada. Contratar os melhores do mundo hoje é mais fácil, barato e eficiente. Não haverá diferença entre contratar pessoal local e estrangeiro. Hoje somos todos globais.

6 – Tudo o que é repetitivo torna-se virtual e em regime de assinatura. Igrejas, arte, academias, cinemas, entretenimento. Poucos lugares podem manter estruturas físicas como antigamente.

7 – Empresas que não investem pelo menos 10% em novas tecnologias irão desaparecer. A empresa tradicional chegou ao fim em 2020. Resta esperar sua morte final. Uma empresa de tecnologia, fresca e nova hoje, pode substituir outra que tem feito o mesmo nos últimos 50 anos.

8 – O turismo para entretenimento retorna plenamente fortalecido no segundo semestre de 2021, sempre acompanhado de muita tecnologia na sua operação, desde a compra, a operação e as experiências a serem recebidas. As pessoas apreciam mais do que nunca visitar o natural mas com soluções altamente tecnológicas. Locais mais remotos, experiências mais autênticas suportadas com assistência digital 24 horas por dia, 7 dias por semana.

9 – O tratamento de dados pessoais torna-se mais delicado e as grandes plataformas vão mudar. As pessoas voltam a pagar assinaturas devido ao senso de transparência que isso envolve. Eles preferem pagar a doar seus dados. As grandes marcas hoje valem sua credibilidade. Tudo pode ser copiado ou replicado, exceto prestígio.

10 – A força de trabalho será drasticamente reduzida e muitas operações simples serão fornecidas por IA. Em 2024, a IA já lidará com operações complicadas em milhões de locais. Uma grande temporada global de demissões está chegando. O desemprego ocorre por motivos multifatoriais e não apenas por causa da crise econômica.

11 – A educação nunca mais será igual. Cada um pode estudar o que precisar. Estudar offline e online será normal. Escolas e universidades são transformadas em um esquema híbrido para sempre. Serão aceitos candidatos sem formação universitária para cargos de menor importância, que tenham a experiência necessária.

12 – O sistema médico será adaptado com tecnologia remota para sempre. Uma consulta médica por teleconferência será normal. A vacina da COVID é muito rápida, mas você encontrará grandes desafios ao longo do caminho. Grandes hospitais repensam seu funcionamento devido às crises econômicas que sofreram com a Covid 19. As pessoas ficam menos doentes com vírus, bactérias e doenças devido ao manuseio inadequado dos alimentos, graças à limpeza recorrente do indivíduo comum.

13 – A economia pessoal se contrai, novas formas de gerar transações comerciais são utilizadas e as pessoas economizam mais. Uma alta porcentagem dos gastos da família vai para atividades que antes não tinham demanda e vice-versa. A compra de itens como roupas elegantes é substituída por roupas casuais.

14 – E-commerce continua a crescer, players como Facebook, Tik-Tok e YouTube entram para competir com a Amazon. Fechamento de 50% das lojas físicas globais. As lojas sobrevivem graças ao fato de serem experiências e showrooms, mas o comércio real no final de 2024 será maior online do que presencial em muitas áreas. Os grandes shoppings ficarão presos no tempo. Poucos sobreviverão a longo prazo.

15 – Mudanças climáticas serão um tópico muito discutido e apoiado. As grandes indústrias continuarão a se transformar com apoio da IA. A adoção da bicicleta como principal meio de transporte continuará crescendo graças à transformação das cidades. Vamos passar da questão Covid para a Mudança Climática como a questão principal.

16 – Novos modelos de informações e notícias por assinatura com mais transparência ajudarão a disponibilizar conteúdo sem tantas fake news. Credibilidade e transparência serão a pedra angular de todas as empresas. As pessoas estão cansadas de tanta informação e preferem interagir com alguns seletos provedores de informação.

17 – A saúde mental torna-se um tema recorrente. Grandes plataformas ajudam as pessoas a enfrentar as situações de agressividade, solidão e angústia que vivenciaram durante o isolamento. Há muito a repensar. As crises de liderança nas empresas serão mais comuns a cada dia.

18 – Os grandes problemas como educação, saúde, energia, segurança, política, destruição da classe média, ganham destaque. Grande capital é investido para fazer o bem, enquanto os problemas globais são resolvidos. Empreendedorismo social no seu melhor, com resultados financeiros muito substanciais.

19 – Tudo vai para o natural e saudável. Alimentos, experiências e forma de interação. 100% natural, produzir a própria comida, meditar e se exercitar, passa a fazer parte do dia a dia. Ser mais saudável é o “novo luxo”. Produtos suntuosos perdem valor e justificativa. A reciclagem está voltando muito mais forte depois de um ano de desperdício incontrolável, agora com grandes tecnologias que realmente resolvem os problemas gerados no passado.

20 – O mundo está vendo este ano como um novo começo. Um renascimento. As pessoas vão repensar seus objetivos pessoais, de trabalho, saúde, dinheiro e espirituais. Grandes oportunidades estão surgindo para satisfazer todos esses requisitos e mudanças de pensamento. Acumular, consumir e viver pelo material vai para o lado negativo. A inovação, a tecnologia, o pensamento natural e lateral são a base da nova realidade. Todos estão a tempo de encontrar novos caminhos. Você apenas tem que encontrar as novas rotas pessoais ou comerciais.

Fonte: The Economist

Obs. Recebi uma versão por Whatsapp, porém estava tão mal traduzida e redigida que resolvi reescrever e resumir.

Veja também:

The World In 2021 | The Economist

Um pouco de Sapiens, de Yuval Harari

https://ideiasesquecidas.com/2020/12/13/sapiens-o-nascimento-da-humanidade/

Sobre Cisnes Negros, de Nassim Taleb

https://ideiasesquecidas.com/2017/08/09/a-teoria-dos-cisnes-negros/

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com/

Lista de alguns pequenos desafios

Propus para o meu amigo Marco Lima os dois primeiros desafios abaixo. Na verdade, foi o oposto, ele propôs que eu propusesse alguns desafios. Achei a ideia muito boa.

No caso dele, me propus a ser um coach, no sentido de acompanhar a evolução destes trabalhos a cada 2 semanas.

Por restrições de tempo e energia, não consigo fazer o mesmo para todos. Mas fica aqui uma lista de alguns pequenos desafios, para inspiração.

  1. Fazer um real pela internet
    Vender algum produto pelo Mercado Livre, um livro pela Amazon, vender serviços de alguma forma, receber comissão por recomendar algum produto. Há inúmeras maneiras de fazer alguma transação pela internet.

  1. Escrever um texto para blog
    Pegar um livro de interesse, fazer um resumo de uma página do Word e publicar em algum blog (ou criar um blog). Ou publicar no LinkedIn, também é algo excelente.

  1. Tomar um não
    Baseado na Terapia da Rejeição de Jia Jiang (link abaixo), fazer um pedido relevante a alguém e tomar um não. Aproveite para pedir algo bem difícil de conseguir (um aumento, um curso, um emprego no Google, um encontro com uma moça charmosa).

Leia a técnica primeiro:
https://ideiasesquecidas.com/2021/01/30/meta-ser-rejeitado-100-vezes/

  1. Arrumar a gaveta
    É algo trivial, porém minha gaveta era extremamente bagunçada, até eu seguir a técnica de Marie Kondo – que também não tem nada de mais. A única restrição é pegar e fazer mesmo.
    https://ideiasesquecidas.com/2020/02/17/tres-indicacoes-de-literatura-em-quadrinhos/

Se arrumar a gaveta for um desafio muito fácil, substituir por alguma tarefa doméstica que está há meses parada por falta de tempo e prioridade, e usar um fim de semana para completá-la. Digamos, pintar o quarto, arrumar a cerca, jogar móveis velhos e quebrados (em SP existe o Ecoponto para tal).

  1. Bom humor
    Pegar uma reunião tensa, tentar entrar e sair dela com bom humor.
    Como dizem, é mais fácil falar do que fazer. Porém, é uma boa estratégia tentar.

  1. Doe sangue e convide 2 outras pessoas a fazê-lo também
    Doar sangue é simples, basta ir ao locais de doação e doar. Nesses tempos de pandemia, os estoques de sangue estão em baixa.

Dúvidas: https://www.doesanguedoevida.com.br/

  1. Tente renegociar alguma conta (internet, celular, aluguel, anuidade de cartão)

Para muitos desses serviços, os meses passam, os reajustes vêm, e a gente paga no automático ou nem sabe que está pagando. Várias vezes, basta relembrar, ligar e renegociar.

Pior ainda é pagar algo que não usa. O meu pai pagou por anos um pacote de turismo que dava desconto em viagens, e nunca usou…

Hoje em dia, vale o mesmo para serviços de streaming. Netflix e outros: o plano atual está exagerado? Menos telas e menos resolução podem resolver. O Spotify está caro? Tem outras, a Deezer é muito boa, Amazon Prime Unlimited também.

  1. Pegue algo que esteja sobrando e doe para instituições ou para algum jovem.

Equipamentos que ficaram obsoletos para nós (computador, tablet, celular, iPod) podem ser úteis para outras pessoas.

O mesmo vale para livros, produtos em bom estado, móveis seminovos. Há várias instituições que aceitam doações.

Doe

https://www.exercitodesalvacao.org.br/

  1. Fique um dia inteiro offline. Sem computador, celular, nada
    É possível sobreviver sem internet – era a vida de todos 20 anos atrás.

  1. Trabalhe um fim de semana no seu sonho
    Sabe aquele trabalho sonho que está na gaveta desarrumada do item 4? Dedique um fim de semana para trabalhar nele, começar a tirar do papel. Não são vários fins de semana, é um só, um mini-projeto com prazo curto. Saia com um protótipo rodável.

Escolha um ou dois da lista e vá em frente.

Lançar e topar desafios é fácil, fazer é bem mais difícil. Por fim, publique em algum lugar como foi essa experiência, a fim de criar um incentivo para você e para outras pessoas a estarem fazendo o mesmo.

Amazon, a loja de tudo

Na semana em que Jeff Bezos deixa o comando da Amazon, um resumo do livro “A loja de tudo”.

Bezos é descrito como um homem de ação, agressivo, ambicioso.

Blue Origin founder Jeff Bezos speaks after receiving the 2019 International Astronautical Federation (IAF) Excellence in Industry Award during the the 70th International Astronautical Congress at the Walter E. Washington Convention Center in Washington, DC on October 22, 2019. (Photo by MANDEL NGAN / AFP) (Photo by MANDEL NGAN/AFP via Getty Images)

Ele queria uma empresa voltada a consumidor, de longo prazo. Walmart como modelo.

A empresa começou com livros, mas desde o início queria ser uma loja de tudo. Primeiro, livro sobre caiaques, depois o caiaque, subscrições de corridas de caiaque, reservas de viagens para andar em caiaques – uma loja de tudo.

O nome “Amazon” é por conta do maior rio do planeta – antes o nome era “Kadabra”.

Nos primórdios da Amazon, eles não tinham estoques e faziam pedidos em outras editoras.

Um de seus pilares era conhecer o consumidor e coletar o máximo possível de informação.

Bezos sempre fez tudo para contratar as pessoas mais inteligentes possíveis.

Eram jornadas de trabalho intensas, mais de 60h por semana. Se alguém citasse algo como “qualidade de vida” na entrevista, era eliminado de cara.

5 valores principais e mais 1:

  • Obsessão pelo consumidor
  • Frugalidade
  • Tendência à ação
  • Mentalidade de dono
  • Alto nível para talentos
  • Inovação

Um fato que pode parecer estranho, a Amazon começou a vender livros usados no marketplace, podendo potencialmente canibalizar suas próprias vendas. O motivo é o foco no cliente.

A Amazon passou por vários anos de prejuízo.

Há aqueles que buscam meios de cobrar mais, e os que buscam meios de cobrar menos. Ponto final.

Uma forma inteligente de ver o frete:

  • Frete grátis para quem pode esperar mais
  • Frete expresso para quem não pode esperar

Ao invés de terceirizar o armazenamento, eles o consideraram como o mais importante da companhia, e o reinventaram. Armazéns tem barcodes nos produtos, funcionários, empilhadeiras.

Bezos era pesado com funcionários.

Sobre o Amazon Prime: a conta não fechava. Valor nos EUA: 79 dólares por ano. Mas Bezos insistiu, porque incentivava o usuário a comprar mais. E daria para desafiar logística, para baixar custos.

Outras apostas de risco: o turco mecânico, o web services, o search engine próprio.

Foi uma das primeiras empresas que tinha um “Chief algorithm office”, algo como um diretor de algoritmos.

O AWS surgiu da capacidade computacional que estava sobrando.

O Kindle foi outro passo estranho, ir para hardware, porém Bezos insistiu.

Um exemplo ilustra a agressividade. O que é negociação? Dois lados felizes? Resposta errada. Para Bezos, era ganhar tudo.

Pressão forte nos editores para digitalizar livros para o Kindle.

A loja Kindle oferecia livros a $ 9,99. Para tal, exprimiu fornecedores e fez Amazon ganhar marketing share.

Amazon x Zappos

Houve guerra de preços, e a crise de 2009 afetou a Zappos. Acabou sendo vendida para a Amazon.

A frugalidade é tanta que o funcionário recebe mochila e notebook ao chegar, e ao sair da empresa, pedem até a mochila de volta. A frugalidade é para gerar valor ao cliente final, o consumidor.

Não há uma vantagem competitiva única. São várias vantagens competitivas pequenas, dia a dia.

Hoje, 2021, a Amazon é uma das maiores empresas do mundo, e Bezos é considerado o homem mais rico do planeta.

Link do livro na Amazon:

https://amzn.to/3tlgBBh

Veja também:

Tony Hsieh – Satisfação Garantida (ideiasesquecidas.com)

4 biografias nota 10 (ideiasesquecidas.com)