Braquistócronas, tautócronas e cicloides

Fui ao Parque Sabina, em S. Bernardo do Campo, no último fim de semana. O Parque Sabina tem um aquário de vida marinha, com pinguins, tartarugas e arraias. Há também uma bela exposição científica, com experimentos de acústica, ótica, magnetismo, eletricidade, entre outros.

Havia uma demonstração da curva braquistócrona. Fiz um vídeo, postado abaixo.

No vídeo, há três bolinhas seguindo três trajetórias diferentes: uma linha reta, uma curva simples, e a vencedora é a braquistócrona.

Curiosamente, estive conversando com o amigo Marcos Melo há uma semana.

Fiz um simulador para ilustrar a curva cicloide, obtida pensando num ponto sobre uma circunferência girando (aqui).

Eu não sabia, mas o Melo explicou que a cicloide de cabeça para baixo é a braquistócrona (cronos = tempo e braqui = menor).

Mais do que isso. A mesma curva cicloide invertida é uma tautócrona (mesmo tempo). Solte duas bolinhas de qualquer posição na curva, elas vão chegar ao mesmo tempo no ponto mais baixo.

Essas ideias são totalmente anti-intuitivas. Solto uma bola de mais longe e ela chega no mesmo tempo? A resposta é a forma da curva: ela está mais longe, mas vai ganhar mais aceleração, enquanto a mais próxima está sujeita a menos aceleração.

Para resolver essas equações, imagino que um procedimento seja separar a curva em pedacinhos retos e calcular a aceleração e velocidade para cada pedacinho – ou seja, usar cálculo.

Não à toa, os primeiros matemáticos que resolveram tais equações foram os pioneiros do cálculo. Diz a lenda que o matemático Jakob Bernoulli propôs o problema como desafio, e vieram 5 soluções. Além da dele mesmo, Gottfried Leibniz, Guilherme de l’Hôpital, do irmão de Bernoulli, e uma solução anônima. Para quem fez cálculo na faculdade, todo mundo aí virou nome de teorema.

Sobre a carta anônima, logo ficou evidente ser de Isaac Newton. Bernoulli teria dito: “reconheço o tigre pelas garras”. Afinal, Newton criou a sua própria versão de cálculo, com notação diferente da notação que temos hoje (que deriva de Leibniz). Além disso, naquela época, quantos dominavam o cálculo?

Este é o poder da matemática.

https://en.wikipedia.org/wiki/Brachistochrone_curve


Ideias técnicas com uma pitada de filosofia: https://ideiasesquecidas.com

Ferramentas Excel-VBA: https://ferramentasexcelvba.wordpress.com/

Recomendações de livros sobre a cultura e história da China

É bastante difícil entender a cabeça de um povo com 5000 anos de história, tão distante e com um framework mental completamente diferente do nosso. Não basta apenas saber algo sobre a linguagem, entender um pouco da cultura é muito mais sutil e extremamente mais poderoso.

Um exemplo. Na família, o chinês chama o avô materno de um nome específico, o avô paterno com outro nome – enquanto por aqui é só avô e pronto, tanto faz se é da parte do pai ou da mãe. Outro exemplo, o irmão mais velho tem uma denominação, o segundo irmão tem outro nome, o terceiro, outro, etc… Para efeito de comparação, aqui temos um nome para o primeiro (primogênito) e o último (caçula). Isso tudo não é por acaso, e sim porque a hierarquia é bastante importante na cultura confuciana, e o avô por parte do pai é mais importante do que o avô por parte da mãe.

Divido os oito livros em duas seções: uma da cultura chinesa e outra sobre a história da China.

Parte 1 – Sobre cultura

1) O Romance dos Três Reinos. É um dos maiores clássicos da literatura chinesa e o meu livro favorito disparado desta lista. É um romance épico, uma espécie de Ilíada chinesa.

A história se passa quando a China era dividida em três reinos, cada qual guerreando com os outros pela dominação total da China e pela própria sobrevivência. É uma trama enorme, repleta de alianças, traições, reviravoltas, armadilhas, espionagem e contraespionagem, vitórias e derrotas.

Na China, conversei sobre este com algumas pessoas, e perguntaram qual o meu personagem favorito (lá, todo mundo tem um). O meu é o estrategista Zhuge Liang Kong Ming, que liderou várias das histórias mais épicas deste conto. A pessoa com quem conversei disse que a dela era o Cao-Cao.

Existem várias versões e interpretações do livro, em filmes, jogos, séries. Um que gosto muito é uma versão em mangá, adaptado por um autor japonês, por isso o nome Sangokushi (https://ww2.mangafox.online/sangokushi).

2) Os Anacletos de Confúcio. O confucionismo dominou a cena na China por vários milênios. Provas para concursos públicos eram baseados nas obras de Confúcio, um sábio que viveu há 2500 anos atrás.

Os Anacletos permeiam vários dos tópicos da sabedoria de Confúcio, entre eles respeito às tradições, ao imperador, aos governantes, aos pais, aos mais velhos – nesta ordem, daí a importância da hierarquia. Era por isso que os imperadores gostavam do confucionismo, porque dava uma razão moral para a sua própria atuação.

Um outro pilar é a importância dos estudos – e até por isso, os cargos públicos da era imperial deixaram de ser por aristocracia hereditária, para ser um concurso público por provas. Até hoje, tanto chineses quanto japoneses dão um valor enorme aos estudos, a ponto de exaustão física e emocional, para não dizer suicídio, ao tentar ingressar nas melhores faculdades.

Felizmente, podemos ler os Anacletos sem decorar palavra-por-palavra, letra-por-letra o que está escrito, porque eram assim as provas dos períodos imperiais: se trocasse a ordem de uma palavrinha, estava errado!

3) Jornada a Oeste. Outro livro épico da literatura chinesa. Conta a história de um macaco que faz uma jornada épica, onde encontra aliados, inimigos, passa por desafios, sempre permeado por mitologia, religião: taoísmo, confucionismo, budismo.

Também há dramatizações diversas, desenhos, mangás e outros.

Se o Romance dos Três Reinos é uma Ilíada, esta Jornada a Oeste parece uma Odisseia. Traduzindo, a Ilíada conta a história da Guerra de Troia contra os gregos, e a Odisseia, a jornada de Ulisses para voltar para casa.

4) O Tao-Te-Ching. O Tao é tudo. O Tao é nada. O Tao é um. Do Tao fez-se o Ying e o Yang, o positivo e o negativo, o cheio e o vazio, o tudo e o nada.

Uma casa é feita de algo, de paredes sólidas, mas ela só tem valor por casa do nada, do espaço vazio que ela contém.

O Tao-Te-Ching é um livrinho bem curto, cheio desses enigmas paradoxais, cheios de sabedoria.

5) A Arte da Guerra. Este é o livro mais famoso desta lista, e é muito conhecido no Ocidente. Contém lições valiosas sobre foco, planejamento, timing, importância da informação. Também é um texto bastante curto, no original (algumas versões ocidentais enchem com um monte de exemplos e divagações inúteis, ao invés de conservar a essência do texto).

É no estilo do Tao, dando importância aos métodos indiretos, e escrito também em forma de textos curtos, enigmáticos e paradoxais.

Um dos maiores generais de todos os tempos, Napoleão Bonaparte, era profundo estudioso da Arte da Guerra de Sun Tzu.

Parte II – Livros de História

6) The fall and rise of China. Brilhante série de aulas, do prof. Richard Baum, sobre a história da China, desde os primórdios até os dias atuais. Permeia passado e presente, pontuando os principais pontos da história, como o Grande Salto para Frente, a Revolução Cultural. Também inclui relatos pessoais, como a sua visão quando ocorreu o incidente da Praça da Paz Celestial.

O prof. Baum é extremamente didático, e esta é a minha recomendação para conhecer a história da China.

7) China’s Economy. O prof.  Arthur R. Kroeber fala da China, porém sob uma perspectiva mais econômica – porém também é necessário tocar nos assuntos de história que afetam e explicam a economia, como a política do filho único.

O legal também é que é um livro mais atual, então cita programas atuais como o Made in China 2025 e o Belt and Road, e problemas, como a supercapacidade produtiva ociosa, a necessidade de um “pouso suave”.

8) China in 10 Words. Relato pessoal do autor, um chinês, relatando o que ele viveu na pele quando criança e adolescente, e só passou a compreender muitas décadas mais tarde, adulto. Coisas pequenas, como um caso em

ele relata estar vacinando dezenas de pessoas com a mesma agulha amassada, costuradas com a explicação do contexto em que a China vivia na época (de novo, e nem ele sabia na época).

É um livro extremamente interessante, porém é necessário ter um bom background da história da China primeiro, para captar a essência do que o autor relata.

Conclusão

Dada a vastidão histórica e cultural da China, há uma quantidade infindável de bom material que ficou de fora (e que nem consegui conhecer).

Algumas dicas adicionais.

O Youtube chinês é o Youku https://www.youku.com/. O problema é que a pessoa tem que saber chinês.

Ninguém usa Whatsapp, todo mundo lá usa WeChat.

Ninguém aceita cartão de crédito.

10 tópicos sobre a China.

Um Cisne Negro paira sobre a China.

Livros na Amazon:

Three Kingdoms: https://amzn.to/2VJDMGO

Confúcio: https://amzn.to/3bOkpC4

Tao Te Ching: https://amzn.to/2KG5u0x

Art of war: https://amzn.to/3bDiKPv

China’s Economy: https://amzn.to/2xgsdgM

China in 10 words: https://amzn.to/2yNBdKC

Viver com simplicidade

Seis dicas simples extraídas do livro “Zen e a arte de viver com simplicidade”:

Reduza a sua quantidade de pertences

Não perca tempo com o que você não pode mudar

Se der para fazer hoje, o faça

Acredite em si mesmo

Coma devagar

Seja otimista

E uma última, que não está no livro mas é igualmente importante: Keep it simple, stupid!

Teoria da não-clonagem e fábrica de biscoitos

Todos os biscoitos são iguais?

Numa fábrica de biscoitos, embora a forma seja a mesma etodos os biscoitos pareçam exatamente iguais, não o são em nível microscópico. Se pegarmos uma lupa (muito potente, diga-se de passagem), veremos que um biscoito vai ter um átomo de alguma impureza, outro vai ter um pouco mais de poeira, moléculas de água a mais, imperfeições, e assim sucessivamente. Não há dois biscoitos (ou bolachas?) iguais.


Diria o filósofo grego Heráclito (540 – 480 a.C.) que “não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, porque da segunda vez o rio não é o mesmo, e nós também não somos os mesmos”.

O mesmo não ocorre num nível microscópico.

A física moderna diz que as partículas elementares são indistinguíveis.Um elétron é igual a outro elétron. Um fóton é igual a outro fóton com a mesma energia. Dois átomos feitos exatamente com o mesmo número de cada partícula elementar serão indistinguíveis.

Fazendo um contraste com Heráclito, tais partículas elementares estão mais para o mundo das ideias de outro filósofo grego, Platão (428-348 a.C): embora cada biscoito seja diferente, todos são feitos a partir de uma ideia, um “molde” ideal, imutável, perfeito.

Teleporte e clonagem


Então, vamos fazer o seguinte experimento mental.


Um equipamento escaneia cada átomos do corpo de uma pessoa, a nível de partículas subatômicas. Ela envia esta informação para um outro dispositivo, que manipula átomos e monta o corpo novamente, exatamente na mesma ordem e posição do original.

Como não é possível distinguir duas partículas subatômicas, o novo corpo vai ser exatamente igual ao original!

Pior ainda, se copiarmos a informação num hard disk e utilizarmos a máquina de montar corpos novamente, podemos ter infinitas cópias exatamente iguais da mesma pessoa!

Será que a pessoa original a mesma que a pessoa remontada? Serão os clones a mesma pessoa original?

Como saímos dessa enrascada?

Colapso da função de onda

Em relação à leitura de informação, há um teorema que pode ajudar. Quando fazemos a medida de um estado quântico, a função de onda colapsa para um dos estados puros. Este é um colapso irreversível, no sentido de que a partir da informação obtida (zero ou um) não conseguimos deduzir o qubit ( | \psi \rangle = a | 0 \rangle + b |1 \rangle ).

Uma máquina que faria a leitura de cada partícula do corpo humano não pode ter precisão absoluta, ela teria necessariamente que perder informação.

Observação: não é possível medir e armazenar o qubit, mas é possível “teleportar” o mesmo, que é o tal teleporte quântico.

Não-clonagem


Bom, em relação aos clones, há outro teorema da física que pode ajudar: o teorema da não-clonagem!


Ela diz que não é possível copiar o estado | \psi \rangle = a | 0 \rangle + b |1 \rangle de um qubit para outro.


Isto violaria o princípio da incerteza de Heisenberg: não é possível determinar a posição e o momento de uma partícula quântica simultaneamente.

Se clones a nível quântico fossem possíveis, era só fazer dois clones, medir a posição com precisão em um clone, e o momento (massa x velocidade) em outro. Por evitar essas e outras contradições, o físico Richard Feynman disse que o princípio da incerteza protege a física quântica.


Ou seja, embora as partículas elementares sejam indistinguíveis, não é possível fazer um clone exatamente igual ao outro – Heráclito estava certo,afinal.

Imitar e aprender

Tenho três filhas de idades diferentes. Um padrão é que a do meio imita a maior, digamos em desenhos, brincadeiras, e a caçula imita a do meio. Outro padrão é que as maiores não gostam de serem imitadas pelas menores.

A palavra em japonês para “aprender”, manabu, veio originalmente da palavra para “imitar”, maneru. Aprender começa com o ato de imitar um modelo.

É claro que imitar é o começo. Uma vez que a técnica foi aprendida, começamos a criar asas e inventar as nossas próprias variações.

O Japão pós-guerra fez muitos produtos americanos falsificados de baixa qualidade, até que conseguiu aprender a manufaturar bons produtos, competir e superar os EUA em algumas áreas.

Há um trecho do filme “De volta para o futuro” que ilustra isto. Marty McFly vem do ano 1985, e encontra o Dr. Brown nos anos 1960.

Doc Brown: “É claro que o circuito falhou, aqui diz ‘Feito no Japão'”
Marty: “O que você quer dizer, Doc? Tudo que é bom é feito no Japão.

A China atual está seguindo os mesmos passos: produz produtos com 80% da qualidade a 60% do preço, ao mesmo tempo em que investe caminhões de dinheiro em P&D e na importação de conhecimento (chegando a políticas agressivas de propriedade intelectual). Um dia eles vão competir igual para igual com os EUA.

Para concluir: a filha maior imita os pais… portanto, é bom tomar cuidado com as suas próprias atitudes.

Referências:

Kiyoyuku Higuchi, Are the Japanese blind imitators? Revista PHP, Jan 1976

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/01/10-topicos-para-entender-a-china/

Neon Genesis Evangelion

Está disponível, na Netflix, o anime Neon Genesis Evangelion.

É um anime muito bom. História intrigante, enredo divertido com personagens carismáticos. Continua sendo um dos melhores de todos os tempos.

Lembro de ter visto partes deste lá pelo ano 2000. Para conseguir, era muito trabalhoso…

Alguns colegas tinham alguns episódios na intranet. Alguns episódios tinham que ser baixados via torrent, conexão discada. Era esperar até meia-noite (para cobrar um pulso telefônico), deixar baixando até as seis da manhã, e, quem sabe, conseguir assistir a um capítulo.

A resolução do vídeo também era um problema: quase sempre, numa resolução muito baixa. A legenda, às vezes em inglês, às vezes português, quando tinha…

Outra forma de ver era comprando, digamos no Mercado Livre, um cd com alguns episódios gravados, de alguém que tinha uma internet melhor.

Ou seja, antigamente eram episódios pulados, em qualidade ruim, demandando muito tempo e esforço para obter os vídeos. Hoje, os episódios em alta resolução, na ordem certinha, estão a um clique de distância por um custo muito baixo.

Porém, a contrapartida é que justamente devido ao esforço empregado, a gente dava muito valor aos poucos episódios obtidos. Hoje, é muito fácil começar a ver algo, enjoar e largar.

Os mangás (revista em quadrinhos) do Evangelion também não eram fáceis de obter. Uma curiosidade é que o autor do mangá publicava uma revista por ano (de vez em quando, nenhuma). Ele começou em 1995 e só terminou em 2014.


Outras recomendações de anime ou live action. A plataforma Crunchyroll (https://www.crunchyroll.com) é tipo um Netflix de animes.

Em especial, alguns desenhos viraram séries interpretadas por atores reais, e isto dá uma dimensão a mais ao seriado.

Duas recomendações:

Liar Game: Uma menina ingênua de dar dó acaba se envolvendo num jogo, onde o objetivo é enganar os outros. Ela consegue a ajuda de um geniozinho em psicologia, e enfrentam desafios cada vez maiores. Curiosamente, o que desequilibra o jogo é justamente a honestidade da moça.

Death Note: Um caderno que mata qualquer que tenha o nome escrito nele, nas mãos de um gênio do crime. O misterioso detetive L, deduzindo os próximos passos. Um jogo de gato-rato bastante elaborado. Quem vence?

As 7 fontes de inovação

O grande Peter Drucker destacou 7 fontes de inovação.

Alguns exemplos práticos:

O inesperado. Para mim, era apenas mais um post, porém teve um que gerou muitos bons feedbacks. Analisando, o assunto tinha o foco bem específico para um nicho. Aprendi o poder do foco.

A incongruência. Numa fábrica, notei que o operador enviava metade da informação pelo sistema, e outra metade ele imprimia em papel e entregava em mãos. Ora, pedi para a equipe inserir um campo a mais no sistema, e a papelada nunca mais circulou.

Novo conhecimento. Há uns dois anos, a nossa TI propôs um programa de visualização de dados (como Tableau, Qlik, no caso Spotfire). Ajudei a abraçar e divulgar a ideia. O novo software pegou muito forte e virou padrão.

Portanto, fique atento ao inesperado, incongruências e outras fontes de inovação.

Só o gagá salva!

Testei o LinkedIn Learning e algumas outras plataformas de EAD nas últimas semanas, e a ideia aqui é fazer uma breve comparação.

O IN Learning adquiriu a plataforma chamada Lynda.com, e é nele que os cursos se baseiam.

São vídeos, muito bem produzidos, com foco em áreas: business, creative and technology.

Cada mini-curso desses tem quizzes, não muito difíceis, e emitem um certificado de conclusão ao final – certificados esses que podem ser colocados no perfil do LinkedIn.

Há algumas modalidades de assinatura premium do LinkedIn, que fornecem acesso aos cursos desta plataforma – o mais barato era de R$ 40,00 mensais. Há uma opção de trial por um mês, podendo ser cancelado a qualquer momento.

Dos cursos que fiz, não achei os temas profundos e também não há uma prova ou trabalho de conclusão ao final. Os cursos são, em geral, uma introdução.

Em comparação, a Udemy também tem cursos com vídeos apenas (vide review).

A Coursera apresenta vídeos, quizzes e testes, em cursos um pouco mais longos (vide review).

A Udacity, na modalidade nanodegree, tem cursos bem pesados e profundos, com projetos bastante demandantes (vide relatório). Outras, como a própria Coursera e EDX também têm programas mais profundos.

Em geral, os cursos mais simples são mais baratos (algumas dezenas de reais e poucos dias). Os cursos com testes são um pouco mais caros, centenas de reais e algumas semanas. Os nanodegrees, milhares de reais e alguns meses – investimento proporcional ao tempo e profundidade abordadas.

Para falar a verdade, os cursos on-line são um apoio, mas o melhor meio de aprender é pela forma tradicional: meter a cara nos livros (hoje em dia, muito fáceis de conseguir), ficar sábados, domingos e madrugadas numa mesa, estudando para valer.

E não é o certificado que conta, mas a capacidade de fazer alguma coisa útil no mundo real com a capacidade adquirida.

Não é o professor que tem que ensinar, não é a beleza do vídeo produzido que vai fazer alguma diferença. É o aluno que tem que aprender, seja vendo vídeo no Youtube, conversando com outros feras do assunto ou devorando livros. É a capacidade da pessoa aprender que conta, no final do dia.

No célebre Instituto Tecnológico de Aeronáutica, há um termo que expressa de forma única este sentimento: Só o gagá salva!

Review – curso online da Coursera

Fiz um curso na plataforma Coursera (https://www.coursera.org/), sobre Quantum Computing. Foi um curso pago, 100 e poucos reais, a fim de ter o compromisso de terminar o mesmo. É possível fazer o mesmo curso de graça, só não tem o certificado no final.

O instrutor era um professor da universidade de S. Petersburgo.

O curso era dividido em 5 semanas, com quizzes rápidos entre os vídeos e um teste ao final de cada semana.

Em termos da estrutura da Coursera, achei muito bom. O certificado é dado somente a quem assistir os vídeos e passar nos testes. É um pouco mais caro, porém bem mais exigente do que o curso da Udemy (que era apenas ver os vídeos).

Não gostei da parte didática. O instrutor não era muito claro, e resolvi muitas das tarefas mencionadas não com as instruções dadas pelo curso, mas através de outras fontes. Parece (e é) um professor normal, daqueles de sala de aula, só que ao invés de escrever na lousa, escrevia num tablet.

Há um fórum de discussão, mas aparentemente este curso tem poucos interessados, então somente o instrutor respondia depois de alguns dias (e, de novo, não era uma resposta muito didática).

Conclusão:

Gostei do esquema de vídeos e testes da Coursera, mas não deste curso em específico.

Outro item interessante é que dá para linkar o certificado de conclusão no LinkedIn. Se alguém quiser me adicionar no mesmo: https://www.linkedin.com/in/arnaldogunzi

Sempre achei isso uma bobagem, porque o que vale é o que a pessoa sabe e não o que está descrito no currículo. Porém, vi que várias pessoas se motivam a fazer cursos vendo que um conhecido o fez, e isto cria um feedback positivo.

Nota: O nanodegree da Udacity é muito mais completo, pesado em termos de carga horário e projetos a fazer, além de muito mais caro. Porém, não dá para comparar com um curso isolado, o programa da Udacity é, como o nome diz, um nanodegree. O próprio Coursera tem programas neste estilo (chama de bachelor degree), e o EDX também.

Um futuro distópico

A seguir, quatro indicações de livros distópicos que marcaram a literatura do gênero.

Se uma “utopia” é como sonhar com um futuro bom e justo, uma “distopia” é o oposto: um pesadelo, um futuro sombrio e ruim…

4) Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, 1931.

É sobre um mundo perfeito, sem sofrimento. Os seus seres perfeitos física e moralmente têm apenas prazeres. Um exemplo é sexo à vontade sem a preocupação com reprodução – este “detalhe” fica à cargo de ventres artificiais feitos para isso, e um outro exemplo é uma pílula da felicidade chama “soma”. Entretanto, à margem da sociedade perfeita ficam os seres excluídos, no mundo real. A trama se baseia num homem que é tirado do mundo real e colocado no mundo “perfeito”.

É algo como a Matrix do filme, que também é sobre um futuro distópico perfeito em detrimento do mundo real.

3) Laranja mecânica, 1962, Anthony Burgess.

O protagonista é um jovem chamado Alex, líder de uma gangue de arruaceiros numa Inglaterra futurista. Esta gangue pratica a ultraviolência, com cenas pesadíssimas de brigas, espancamentos, assaltos, leite com drogas, violência sexual e tudo mais de ruim que alguém pode fazer.

Quando Alex é preso, ele passa por um tratamento psiquiátrico, tipo uma lavagem cerebral, que elimina dele todo o instinto de violência. Mas, quando ele retorna à sociedade, ele está indefeso e é a vez dele de ser espancado e torturado pelos rivais, ex-colegas e antigas vítimas.

A gangue utiliza uma gíria inventada pelo autor, que era fascinado por linguagens e como gangues a utilizavam.

O nome é porque uma laranja não natural, mas mecânica, é algo muito esquisito. É como o Alex natural por fora, mas completamente diferente por dentro. O que é correto, manter a natureza agressiva do rapaz ou transformá-lo num zumbi sem vontade?

O livro foi base do filme de mesmo nome, de 1971, por Stanley Kubrick – um dos clássicos do cinema moderno.

A seguir, dois livros do grande autor inglês George Orwell.

2) A revolução dos bichos, 1945, por George Orwell.

É sobre uma revolução dos animais numa fazenda. Um dos porcos, o velho Major, tem uma revelação de um mundo melhor, liderado pelos animais ao invés do ser humano. Logo depois, Major morre, mas dois dos outros porcos, Napoleão e Bola de Neve, lideram a bem sucedida revolução, expulsando os seres humanos.

No começo é bom, mas com o tempo, Napoleão expulsa e difama Bola de Neve, os animais continuam a trabalhar como sempre fizeram antes, e nada tinha mudado para eles, exceto para os porcos que eram cada vez mais parecidos com os humanos. Os animais também estavam em constante alerta contra a ameaça dos seres humanos, o que justificava que os mais capazes, os porcos, concentrassem o poder.

Há uma série de frases icônicas, como:

  • Quatro patas bom, duas patas ruim
  • Todos os animais são iguais

Quando os porcos começam a assumir cada vez mais as feições dos seres humanos, estas viram:

  • Quatro patas bom, duas patas melhor ainda
  • Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros

No fim do livro, os porcos moram na casa grande, se vestem como humanos e fazem negócios com humanos.

1) 1984, de George Orwell, publicado em 1949.

O Big Brother é o líder máximo de uma sociedade totalitária. Ele a tudo vê (não por acaso, há um programa de TV horrível inspirado por este termo). É uma sociedade dominada pela propaganda, a polícia do pensamento e doutrinação.

O livro tem vários termos como duplipensar (aceitar duas ideias opostas do jeito que lhe convém) e novilíngua (tipo uma linguagem politicamente correta). O próprio Orwell virou um adjetivo, um orwelliano, algo que denota uma distopia sombria.


Conclusões:

Embora tais livros sejam do século passado, os temas continuam cada vez mais atuais.

Um fato curioso é que pessoas com espectro políticos diferentes olham para os livros 1984 e Animal Farm e veem claramente uma ditadura comunista, ou uma ditadura fascista. Olham para a patrulha de pensamento e criticam o outro lado, e acusam um ao outro de duplipensar. Cada lado defende os seus argumentos com unhas e dentes.

Bom, cada um interprete à sua maneira.

Links:

https://en.wikipedia.org/wiki/Brave_New_World
https://en.wikipedia.org/wiki/Modern_Library_100_Best_Novels
https://en.wikipedia.org/wiki/Animal_Farm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nineteen_Eighty-Four

Voando com o cérebro

O cérebro é um mecanismo assombroso.

Com ele, podemos sonhar com mundos além do espaço e voar para lugares além do tempo.

Pesa 1 quilo e meio, 77% disto é água, e contém cerca de 100 bilhões (!!) de neurônios.

Porém, é extremamente caro, em termos de energia: precisa de quase 1 litro de sangue (de 5l que temos), e consome cerca de 20% da energia do corpo humano (embora tenha apenas 2% da massa total).

Este consumo é como se fosse um “custo fixo”: usando pouco ou muito, a energia gasta é praticamente a mesma.

Se fosse um “custo variável”, o grande cientista Albert Einstein teria de comer como Michael Phelps, nadador olímpico que comia 10 ovos e 5 sanduíches só no café da manhã.

No entanto, o cérebro do Einstein usava tanta energia quanto o de qualquer outra pessoa comum.

Talvez o motivo seja o de que imaginar-se voando ao lado de um raio de luz seja tão difícil quanto imaginar um mundo fantástico, cheio de seres de outra época, tapetes voadores e construções magníficas, coisas que todos nós conseguimos fazer.

Ilustração: Sandman n. 50

Usando mal ou usando bem, a energia gasta é a mesma.

Moral da história: faça bom uso desta poderosa ferramenta que temos em nossas cabeças.

Links:

https://hypescience.com/veja-o-tamanho-e-peso-do-cerebro-humano-em-comparacao-com-outros-animais/
http://inescozzo.com/quanto-sangue-tem-no-cerebro/
http://axpfep1.if.usp.br/~otaviano/energianocorpohumano.html

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia:

https://ideiasesquecidas.com/

Thomas Carlyle e a Teoria do Grande Homem

“A história pode ser amplamente explicada pela biografia dos grandes homens”.

Esta é a “Teoria do grande homem”, do historiador e escritor escocês Thomas Carlyle, 1795-1881.

Grandes líderes são inatos. Liderança não é uma habilidade adquirida. Grandes líderes são abençoados com inspiração divina e as características corretas, e estes fazem a diferença nos rumos da humanidade.

Ele identifica seis tipos de heróis:

  • Divindade, como Odin
  • Profeta, como Jesus
  • Poeta (como Shakespeare)
  • Sacerdote (como Luther King)
  • Homem de letras (como Rousseau)
  • e Rei (como Napoleão)

A liderança é inata, ou a pessoa é apenas um fruto do seu tempo? O líder faz mesmo a diferença, ou o time teria chegado ao mesmo resultado sem a sua ajuda? Como sempre em filosofia, há uma ideia diametralmente oposta e defendida de forma igualmente sólida por outros gigantes do pensamento, como Herbert Spencer.

Dois exemplos de líderes me vêm à cabeça. São bem posteriores à época de Carlyle, porém ilustram muito bem a teoria.

Adolf Hitler assumiu o comando de uma nação destruída pela Primeira Guerra, devastada pela hiperinflação e desemprego, e ditou os seus rumos em direção à um conflito intercontinental…

Haveria uma Segunda Guerra Mundial sem Hitler? Algum outro líder seria capaz de mobilizar a Alemanha para uma guerra?

Hitler planejava uma guerra rápida, anexar alguns estados vizinhos, consolidar sua posição e se fortalecer antes de continuar a sua estratégia de dominação. Após um início avassalador, em 1940, a Europa inteira tinha caído (como França, Polônia), a Itália era aliada do Eixo, a URSS tinha feito um tratado de não-agressão, os EUA não tinham entrado na guerra. Hitler tinha triunfado.

Somente uma nação se opunha à Alemanha na época, e esta era a Inglaterra. E, na Inglaterra, um homem foi ferrenho opositor à Hitler: Winston Churchill.

Havia duas opções: fazer um tratado de paz com a máquina de guerra alemã (posição defendida por Lord Halifax) ou continuar a oposição para deter de uma vez por todas o império do Eixo (posição defendida por Churchill). Ambos, Halifax e Churchill, concorriam ao cargo de primeiro ministro do Reino Unido.

Churchill venceu Halifax, a Inglaterra resistiu ao avanço nazista, os EUA entraram na guerra no ano seguinte, e o tratado de não-agressão com a URSS foi quebrado.

Sem Churchill, Hitler teria tido um enorme triunfo, e certamente o mundo seria muito diferente do que é hoje. Talvez, ao invés da União Europeia, tivéssemos até hoje o Terceiro Reich.

Ou não? Será que teriam surgido outras pessoas equivalentes a Hitler e Churchill?

Nunca saberemos…


Fontes e links:

https://en.wikipedia.org/wiki/May_1940_war_cabinet_crisis

A obra de Carlyle é o livro “On heroes, hero-worship and the heroic in history”, de 1841.

https://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Carlyle

https://en.wikipedia.org/wiki/Great_man_theory

https://www.verywellmind.com/the-great-man-theory-of-leadership-2795311

http://history.furman.edu/benson/fywbio/carlyle_great_man.htm

Index filosófico: https://ideiasesquecidas.com/index-filosofico