O curso de Engenharia de Turismo

A presidenta da Banânia, Janete Anta, queria muito deixar uma marca espetacular em seu governo. Ela pensou por muito tempo, até que decidiu que a Educação Superior seria o campo escolhido.

“Um curso superior significa um emprego melhor, um aumento no salário recebido e maiores perspectivas na vida”, pensou a ilustre presidenta.

O seu ministro da educação, Fernando Andrade, criou uma ampla linha de financiamento para o terceiro grau. Porém, com receio de que tal investimento não gerasse frutos, ele e a presidenta também impuseram outra condição: agora era proibido reprovar os alunos!

Ou seja, era só se matricular, assistir as aulas, e, independente do resultado das provas, os alunos seriam automaticamente aprovados. Afinal, as estatísticas diziam que quem tinha o diploma conseguia melhores condições, então, que se consiga o diploma!

O programa foi um sucesso no início. O ingresso nas universidades aumentou quase 100% no primeiro semestre do programa, e continuou aumentando em ritmo frenético nos semestres seguintes.

Com o aumento da demanda por cursos superiores, houve uma pressão inflacionária equivalente nos valores dos cursos – mas tudo bem, afinal o governo estava financiando mesmo! Quando o aluno tivesse que pagar, dali a 5 anos, ele já teria um bom emprego numa empresa sólida.

Outro efeito foi o aumento da oferta de cursos. Um curso de engenharia tradicional, full-time por cinco anos, era pesado demais. As universidades então criaram cursos alternativos, light, cursos como “engenharia de turismo”, com dedicação parcial por três anos e trabalhos remotos por um ano.

Como a reprovação era impossível, era necessário apenas preencher as provas e entregar os trabalhos, qualquer fosse o conteúdo: copy e paste da wikipedia, poesias aleatórias, o hino do Corinthians… Só não valia falar mal do governo, de seus programas ou de sua ideologia, este erro obrigava o aluno a refazer todo o conteúdo.

Após poucos anos, a presença obrigatória também foi flexibilizada. Era obrigatória, exceto em casos em que o aluno tivesse que faltar por algum motivo importante, com justificativa. O curioso é que alguns alunos tiveram motivos importantes por mais de 50% do período letivo, um verdadeiro turismo de engenharia!

O ápice do programa foi o “Balada sem fronteiras”, em que alunos da Banânia eram enviados para o exterior por um ano, para complementar sua formação, com as mesmas exigências de não-reprovação das bandas de cá…

O efeito não demorou a ser percebido. Poucos anos após a flexibilização do estudo, as empresas passaram, curiosamente, a ter uma enxurrada de pessoas formadas porém sem formação. Isto fez com que estas apertassem os seus filtros, exigindo pós-graduação, cursos complementares, experiência anterior e cartas de indicação.

Curiosamente, hoje em dia é necessário ter curso superior completo para um cargo de analista assistente júnior, um emprego de um salário mínimo.

Curiosamente também, as estatísticas agora mudaram. Ter um curso superior não é mais garantia de emprego melhor. Na verdade, nem diferencial para emprego é mais.

Os anos foram passando, e para os primeiros formados no programa, a conta chegava. Tinham uma dívida estudantil enorme, porém com salário medíocre, muito diferente do que era esperado anos atrás. Era efeito da crise internacional, vociferava a presidenta em sua defesa.

Mesmo hoje, a presidenta ostenta, em sua conta no Twitter: fui a pessoa que quintuplicou o número de formados na Banânia!

Veja também:


https://ideiasesquecidas.com/2018/09/15/quem-esta-no-ranking-mundial-de-educacao/
https://ideiasesquecidas.com/2018/09/29/tribo-comunista-x-tribo-capitalista/

2 comentários sobre “O curso de Engenharia de Turismo

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