O curso de Engenharia de Turismo

A presidenta da Banânia, Janete Anta, queria muito deixar uma marca espetacular em seu governo. Ela pensou por muito tempo, até que decidiu que a Educação Superior seria o campo escolhido.

“Um curso superior significa um emprego melhor, um aumento no salário recebido e maiores perspectivas na vida”, pensou a ilustre presidenta.

O seu ministro da educação, Fernando Andrade, criou uma ampla linha de financiamento para o terceiro grau. Porém, com receio de que tal investimento não gerasse frutos, ele e a presidenta também impuseram outra condição: agora era proibido reprovar os alunos!

Ou seja, era só se matricular, assistir as aulas, e, independente do resultado das provas, os alunos seriam automaticamente aprovados. Afinal, as estatísticas diziam que quem tinha o diploma conseguia melhores condições, então, que se consiga o diploma!

O programa foi um sucesso no início. O ingresso nas universidades aumentou quase 100% no primeiro semestre do programa, e continuou aumentando em ritmo frenético nos semestres seguintes.

Com o aumento da demanda por cursos superiores, houve uma pressão inflacionária equivalente nos valores dos cursos – mas tudo bem, afinal o governo estava financiando mesmo! Quando o aluno tivesse que pagar, dali a 5 anos, ele já teria um bom emprego numa empresa sólida.

Outro efeito foi o aumento da oferta de cursos. Um curso de engenharia tradicional, full-time por cinco anos, era pesado demais. As universidades então criaram cursos alternativos, light, cursos como “engenharia de turismo”, com dedicação parcial por três anos e trabalhos remotos por um ano.

Como a reprovação era impossível, era necessário apenas preencher as provas e entregar os trabalhos, qualquer fosse o conteúdo: copy e paste da wikipedia, poesias aleatórias, o hino do Corinthians… Só não valia falar mal do governo, de seus programas ou de sua ideologia, este erro obrigava o aluno a refazer todo o conteúdo.

Após poucos anos, a presença obrigatória também foi flexibilizada. Era obrigatória, exceto em casos em que o aluno tivesse que faltar por algum motivo importante, com justificativa. Estranho, que alguns alunos tiveram motivos importantes por mais de 50% do período letivo, um verdadeiro turismo de engenharia!

O ápice do programa foi o “Balada sem fronteiras”, em que alunos da Banânia eram enviados para o exterior por um ano, para complementar sua formação, com as mesmas exigências de não-reprovação das bandas de cá…

O efeito não demorou a ser percebido. Poucos anos após a flexibilização do estudo, as empresas passaram, curiosamente, a ter uma enxurrada de pessoas formadas porém sem formação. Isto fez com que estas apertassem os seus filtros, exigindo pós-graduação, cursos complementares, experiência anterior e cartas de indicação.

Curiosamente, hoje em dia é necessário ter curso superior completo para um cargo de analista assistente júnior, um emprego de um salário mínimo.

Curiosamente também, as estatísticas agora mudaram. Ter um curso superior não é mais garantia de emprego melhor. Na verdade, nem diferencial para emprego é mais.

Um exemplo é o de Enzo, 32 anos. Ele passou 9 anos estudando Ciências Políticas na USP, até ser jubilado. Ficou mais um ano no alojamento, até ser expulso do mesmo também.

Depois da mudança de regras, finalmente ele conseguiu se formar em Engenharia de Turismo. Agora, o desafio é conseguir um emprego, que está difícil: “Essa sociedade fascista capitalista não reconhece o meu esforço”, diz, em tom de resignação.

Os anos foram passando, e para os primeiros formados no programa, a conta chegava. Tinham uma dívida estudantil enorme, porém com salário medíocre, muito diferente do que era esperado anos atrás. Era efeito da crise internacional, vociferava a presidenta em sua defesa.

Mesmo hoje, a presidenta ostenta, em sua conta no Twitter: fui a pessoa que quintuplicou o número de formados na Banânia!

Veja também:


https://ideiasesquecidas.com/2018/09/15/quem-esta-no-ranking-mundial-de-educacao/
https://ideiasesquecidas.com/2018/09/29/tribo-comunista-x-tribo-capitalista/

A estratégia do logro

UMA ANTIGA LENDA

Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era pessoa influente do reino e por isso, desde o primeiro momento se procurou um “bode expiatório” para acobertar o verdadeiro assassino. O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história. O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou um julgamento injusto, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.

Disse o juiz: sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino, determinou o juiz. Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativa para o pobre homem.

O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e pressentindo a “traição” aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

– Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?

– É muito fácil, respondeu o homem. Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário.

Imediatamente o homem foi liberado.

MORAL: Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar até o último momento. Há sempre uma saída.

(do antigo folhetim da Viasoft News)

Conectar os pontos

Nos tempos atuais, o mundo está cada vez mais demandante e competitivo. Além disso, há dezenas de opções de caminhos a seguir, e, para piorar, todos os dias surgem novos caminhos.

Qual o caminho correto a seguir?

Este pensamento me remete à história de “conectar os pontos”, de Steve Jobs.

Achamos que alguém como Steve Jobs sempre soube o que queria fazer e aonde queria chegar. Na verdade, as histórias contadas no discurso de formatura em Stanford, em 2005, mostram uma realidade muito diferente. Ele nunca soube para onde o caminho levaria. A única confiança que ele tinha era a de que, no fundo do coração, ele sabia que estava fazendo a coisa certa.


Ligar os pontos

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?

Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.” Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade.

E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes.

Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.

Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm.

É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.

De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Discurso de Steve Jobs em Stanford, 2005.

Links:

Transcrição da segunda história: sobre amor e perda

Transcrição da terceira história: sobre vida e morte

Transcrição do epílogo: Continuem famintos, continuem tolos

Comunicação assertiva

5 dicas para a comunicação assertiva:

  • Fale com entusiasmo e orgulho
  • Mantenha tom de voz e expressão corporal positiva
  • Olho no olho
  • Seja claro e conciso
  • Verifique o entendimento da outra pessoa

Sempre me achei um péssimo comunicador. Porém, praticando consistentemente os passos descritos, melhorei bastante.

Análise de resultados

Todo começo de ano, a mesma coisa: promessas e desejos a serem perseguidos durante o ano.

Porém, poucos fazem o fechamento deste ciclo no fim do ano: apurar as metas prometidas.

Eu diria que muita gente nem lembra das metas do início do ano… eram apenas boas intenções, nunca foram muito além disso, para a grande maioria das pessoas. Para as pessoas que realmente querem atingir suas metas, peço para que continuem a ler o texto.

Chamo a ajuda do grande mestre da Administração, Peter Drucker, para explicar o seu “feedback analysis”. Estes são alguns trechos de seu livro, “Gerenciando a si mesmo”:

Quais os seus pontos fortes?

Muita gente acha que sabe no que são bons. Eles estão normalmente errados. Mais frequentemente, eles eles sabem no que não são bons. Entretanto, as pessoas conseguem performar apenas nas suas forças. Não é possível performar nas fraquezas, muito menos em algo que a pessoa é totalmente incapaz.

A única forma de descobrir suas forças é através da análise de feedback. Sempre que você tomar uma decisão ou ação chave, escreva o que você espera que acontecerá. Um tempo depois, digamos 9 a 12 meses, compare os resultados com as expectativas.

Praticado consistentemente, este método simples mostrará, em pouco tempo, talvez dois ou três anos, onde estão as suas forças – e isto é o mais importante a conhecer. O método mostrará o que você está fazendo ou falhando em fazer que te priva do benefício total de suas forças. E, finalmente, mostrará onde você não é particularmente competente e não pode performar.

Na análise, responda às seguintes perguntas:

  • Quais os resultados que sua habilidade gerou?
  • Que habilidades você deve desenvolver para melhorar os resultados desejados?
  • Quais os hábitos improdutivos que estão atrapalhando sua performance?

A pessoa deve gastar o mínimo esforço possível em melhorar áreas de baixa competência. Requer muito mais energia e trabalho para melhorar de incompetência para mediocridade do que de performance de primeira para excelência.

Energia, recursos e tempo devem ser focados em transformar uma pessoa competente numa de performance espetacular.

Livro: Managing Oneself, Peter F. Drucker.

Porque o verão começa no meio do verão?

A afirmação do momento é “está tão quente, e o verão nem chegou ainda”, para a qual dou sempre a resposta “está quente porque o verão é celebrado no meio da estação real do verão”.

Explicando… Este ano o verão começa oficialmente em 21/12/2018. Por quê? Porque é a data do solstício de verão, o dia mais longo do ano.

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Imagine um ciclo. Começa no inverno, no dia mais curto do ano (solstício de inverno). Os dias vão se alongando, pouco a pouco, até chegar ao máximo, no início do verão. Depois, os dias vão se encurtando, encurtando, até voltar ao inverno do ano seguinte. Portanto, o dia escolhido para marcar o começo do verão é bem no pico do verão. Daria para dizer que o verão começa no meio do verão.

Em um gráfico, ficaria assim. Peguei a imagem a seguir do site Climatempo.

O mesmo vale para o inverno. A data de início do inverno é no meio do inverno, tanto é que em maio já está bem frio.

Entre os solstícios, há os equinócios. O equinócio é quando o sol fica bem em cima do equador (daí o nome), e serve para marcar primavera e outono.

É como pegar um aquecedor. Digamos que ele esteja sobre sua cabeça – será quente na cabeça e frio nos pés (verão no hemisfério norte e inverno no sul). A seguir, vá movendo o aquecedor até chegar na cintura: é o equinócio, onde tanto a cabeça quanto os pés recebem igual energia. Depois, mova o aquecedor até os pés, estes ficarão quentes e a cabeça, fria.

Esta explicação toda não altera em nada o calor e os dias claros que estamos vivendo. Portanto, curta bastante esse período de férias e de verão!

Trilha sonora: The summer is magic.

O anel de Giges

O anel de Giges é uma das passagens mais famosas da discussão sobre moral e ética.

Giges é um pastor que obteve poderes mágicos através de um anel. Ele conseguia fazer o mal sem ser detectado, e com isso conseguiu glória e riquezas.

A narrativa da história ocorre num diálogo entre Sócrates e Glauco, irmão mais velho de Sócrates.

Glauco defende que qualquer pessoa que tivesse poderes semelhantes seria igual a Giges: pegaria tudo para si, sem medo de impunidade – e é mais ou menos o que acontece com as pessoas com muito dinheiro e poder político.

Já Sócrates argumenta o contrário, que o homem justo, com ou sem o anel, agiria da mesma forma.

Este debate é milenar, e vai continuar atual mesmo daqui a mil anos.

Alguns trechos do livro “A República”, de Platão, na narrativa de Glauco:

“Giges era um pastor que servia na casa do soberano da Lídia.
Devido a uma grande tempestade e um tremor de terra, rasgou-se o solo. Admirado ao ver tal coisa, desceu por lá e contemplou, entre outras maravilhas que para aí fantasiam, um cavalo de bronze, oco, com umas aberturas, espreitando através das quais viu lá um cadáver, aparentemente maior do que um homem, e com um anel de ouro na mão. Arrancou-lho e saiu.

Os pastores estavam reunidos, de maneira habitual, e Giges foi lá também. Estando ele, pois, no meio dos outros, deu por acaso uma volta ao engaste do anel para dentro, e ao fazer isso, tornou-se invisível para os que estavam ao lado, os quais falavam dele como se tivesse ido embora. Admirado, passou de novo a mão pelo anel para fora, e tornou-se visível. Assim senhor de si, logo fez com que fosse um dos delegados que iam junto do rei. Uma vez lá chegado, seduziu a mulher do soberano, e com o auxílio dela, atacou-o e matou-o, e assim tomou o poder.

Se houvesse dois anéis como este, e o homem justo pusesse um e o injusto outro, não haveria ninguém, ao que parece, tão inabalável que permanecesse no caminho da justiça, e que fosse capaz de se abster dos bens alheios e de não lhes tocar, sendo-lhe dado tirar à vontade o que quisesse do mercado, entrar nas casas e unir-se a quem lhe apetecesse, matar ou libertar das algemas a quem lhe aprouvesse, e fazer tudo o mais entre os homens, como se fosse igual aos deuses.

O supra-sumo da injustiça é parecer justo sem o ser.
Até os deuses são flexíveis. Com suas preces, suas oferendas, libações, gordura de vítimas, os homens ruins tornam-se bons.”

Pergunta: um homem justo com poderes ilimitadores tornaria-se como Giges? Deixe sua opinião nos comentários.

Nota 1: Alguns pensadores defendem que moral é algo interno, enquanto a ética é do ambiente, da sociedade em que a pessoa está inserida. Uma pessoa com alta moral se comportaria igualmente com ou sem anel.

Nota 2: É impressionante a força do anel como símbolo. Anel de Giges, anel dos Nibelungos, o Senhor dos Anéis…


A entrevista do jovem Fênix

Sun Ce, o “conquistador”, governante do reino de Wu, estava em busca de talentos, quando ouviu falar de Pang Tong, o “jovem Fênix”. 

Na entrevista, o jovem Fênix se apresentou maltrapilho, parecendo um mendigo. 

O conquistador perguntou: “quais a habilidades você tem?” 

O jovem Fênix respondeu: “comer, beber, e morrer um dia, como todo mortal”.

O conquistador ficou furioso: “que tipo de habilidade é comer e beber?”.

Passou à próxima pergunta: “E o que você estuda?” 

“Estudo aquilo que parece importante estudar”, respondeu o jovem.

“Como você se compara com Zhou Yu (um general extremamente habilidoso da época)?”

“É uma comparação entre uma pérola e uma pedra” 

“Quem é a pedra e quem é a pérola?” 

“Deixo para o senhor responder”.

O conquistador ficou fulo da vida com as respostas vagas e a comparação da pérola, e dispensou o jovem Fênix.  O que o conquistador não sabia era que o rapaz era um estrategista brilhante, que anos depois se aliou a um de seus oponentes e ajudou a vencer um quantidade importante de batalhas, inclusive contra o próprio entrevistador.  

O conquistador não conseguiu enxergar além das aparências. O que ele deveria notar no jovem Fênix não era o quão belo era o seu discurso, e sim o quão efetivo ele era na prática.

Esta história é do Romance dos Três Reinos, um dos mais fantásticos livros de todos os tempos.

Obrigada por economizar no Walmart (!?)


Na saída do Walmart, quando a gente coloca o tíquete que abre a cancela do estacionamento, uma voz feminina diz: “Obrigada por economizar no Walmart”.

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Sempre achei esta frase bastante hipócrita. É para agradecer ou para fazer propaganda? Se fosse para agradecer, um “Obrigada por comprar no Walmart” seria infinitamente mais sincero.

Não adianta tentar enganar. O ser humano percebe facilmente este tipo de intenção por trás de uma mensagem.

Outro exemplo são as garrafinhas de plástico com água, de 500 ml, aquelas que são tão finas que, se apertar, amassa a garrafa toda. Quando lançaram isto, há uns anos atrás, a mensagem da publicidade era proteger o meio ambiente, com menos plástico por garrafa, etc… até pode ser, mas, ao mesmo tempo, diminui custos na produção da garrafa – esta parte não é colocada na propaganda. Será que ser sincero é pedir demais? Dizer que, além de beneficiar o meio ambiente, também reduz custos?

Ou cobrar sacolas plásticas no supermercado. Ora, se o problema é que o plástico é ruim para o meio ambiente, eles que arrumem uma sacola biodegradável. Entretanto, a parte de reduzir custos para o mercado não é citada na propaganda.

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Uma das piores de todas é no avião. De um ano para cá, a bagagem despachada é cobrada (mais ou menos R$ 60 por mala), o que faz com que todo mundo prefira usar uma mala de mão. De preferência, a maior bagagem de mão possível dentro dos limites. Só que muita gente anda com a mala e também com uma mochila, para carregar o notebook de trabalho. Assim, todo mundo tende a colocar a mala e a mochila no compartimento de bagagem, para poupar o minúsculo espaço entre poltronas.

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Se todo mundo colocar mochila no bagageiro, pode faltar espaço para outras tantas malas – típico dilema do prisioneiro, quem colocar primeiro se beneficia, porém o todo fica pior.

Assim, tem uma companhia que tem a extrema cara-de-pau de dizer: “Para o seu conforto, guarde bagagens menores, como bolsas e mochilas, debaixo do assento à sua frente”.

Ora, como assim “para o meu conforto”? Este ato de boa-fé, pensando mais no coletivo do que em si mesmo, é tudo menos para o conforto de quem faz isto. Seria algo muito mais sincero um “Agradecemos a colaboração dos que puserem a mochila à sua frente”, algo assim.

Nota: a própria companhia deve ter percebido o quão ridícula era a mensagem, e a trocou. Agora, pedem para colocar a mochila debaixo do banco para não atrasar o embarque. Certamente um motivo bem melhor, sem dúvida.

Não adianta tampar o sol com a peneira. As pessoas podem ser enganadas uma vez, não mais do que isso.

Obrigado por ler este blog e obter uma sapiência além do comum ao fazê-lo!



Arbitragem e sorvetes


Ilustrando o conceito de arbitragem financeira.

Um menino vivia na fronteira entre a Brasilândia e a Argenlândia.
A taxa de câmbio entre moedas era de um real do Brasilândia para um peso do Argenlândia.

Um dia, os reis dos dois países brigaram feio, e como retaliação, a Brasilândia mudou a taxa de câmbio na canetada: agora um real valia dois pesos.

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O rei da Argenlândia se sentiu profundamente ofendido. Arfando de raiva, ordenou o inverso, que um peso valesse dois reais dentro de seu país.

O menino morava na Brasilândia, e tinha 30 reais no bolso. Ele queria usar esse dinheiro para comprar sorvetes para os amigos deles. Mas era final de campeonato na Argenlândia, e ele também queria ir ver o jogo, que custava 30 pesos.

O menino, então, descobriu como conseguir as duas coisas ao mesmo tempo, explorando a diferença de câmbio.

Ele trocou seus 30 reais por 60 pesos antes de cruzar a fronteira.

Daí, ele usou 30 pesos para ver o jogo de futebol, e ficou com 30 pesos no bolso.
Ainda na Argenlândia, trocou seus 30 pesos por 60 reais.

Voltou à Brasilândia com 60 reais, gastou 30 reais comprando sorvetes para os amigos, e ainda ficou com 30 reais no bolso!


No mundo real, um caso desses nunca ocorreria, porque um câmbio tão assimétrico assim seria uma verdadeira fábrica de dinheiro.

Entretanto, as assimetrias entre preços e mercados existem e são exploradas por muitas pessoas. A essas assimetrias, dá-se o nome de Arbitragem. Um pouco mais tecnicamente, arbitragem seria uma operação que explora diferença de preço entre dois mercados, com risco muito baixo.

Por exemplo. Uma arbitragem pode ser o preço de uma ação, digamos Vale, entre mercados. Na Bovespa (ou B3 hoje em dia), alguém quer comprar Vale em um preço. Em Nova York, alguém quer vender a um preço menor. Existe uma oportunidade, o primeiro que comprar em Nova York e vender no Brasil embolsa o lucro.

É como uma diferença de potencial elétrico que gera uma corrente – e a corrente vai diminuir este potencial. Ou um lado de uma chapa de aço mais quente que o outro lado – vai haver um fluxo de calor e a chapa tenderá ao equilíbrio. A velocidade de convergência indica o quão eficiente é o mercado.

A diferença de preços é normalmente minúscula, porque muita gente faz operações deste tipo. Uma pessoa física comum não tem a menor chance de tirar proveito dessas arbitragens simples, porque a corretagem vai ser maior do que o ganho. Tem que ser alguém que paga pouca corretagem, como a própria corretora.

As corretoras e grandes bancos tinham até pessoas especializadas em fazer operações deste tipo. “Tinham”, no passado, porque hoje em dia são algoritmos que fazem isto, uma vez que a velocidade na transação é o fator essencial para o sucesso.

Um extremo disto é contado no livro Flash Boys, onde o autor Michael Lewis conta como um grupo pagou um investimento de US$ 300 milhões, de conexão de fibra ótica entre mercados de Chicago e New Jersey, a fim de fazer operações de arbitragem alguns poucos milissegundos mais rápido do que qualquer concorrente!

Bom, mas em geral, há várias assimetrias neste mundo, e que podem ser exploradas. Alguns exemplos:

Diferença de preço entre mercados
Diferença de informação
Diferença de know how
Diferença de know who
Diferenças temporais
Diferença de risco entre alternativas
E muitas outras.

Há muito espaço para arbitragens econômicas. É necessário ter criatividade, como o menino do sorvete!