Simulador de Riscos na Cadeia de Suprimentos

Fui co-autor de um artigo na revista Mundo Logística n. 67, que saiu este mês (nov 2018), a convite do amigo Décio Tarallo.

 

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O case descrito é bastante interessante e importante. É um simulador da cadeia de abastecimento florestal.

 

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Este modela os principais elos do abastecimento: produção, estoques, transporte e consumo. Cada ponto de estoque é como se fosse uma caixa d’água. Cada caixa d’água recebe ou fornece água para outros elos do sistema, comunicando-se através de “canos” – que representam o transporte.

 

 

A “vazão” de cada cano é controlada por uma espécie de “torneira”. Cada “torneira” tem um comportamento probabilístico, baseado em dados históricos e em simulações de chuva.

 

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Com isto, é possível estimar riscos e calcular os tradeoffs entre as diversas alternativas diferentes, pensando no processo como um todo. Não adianta desengargalar um ponto e engargalar o ponto seguinte, por exemplo.

 

Esta ferramenta está sendo bastante utilizada atualmente, para balizar decisões que seriam difíceis de serem tomadas sem analisar a cadeia como um todo.

 

Para ver a matéria completa, sugiro comprar a revista http://www.revistamundologistica.com.br/.

 

O primeiro livro de matemática do Brasil

 

Ganhei um belo presente do meu amigo Marco Antônio Lima de Prado.

 

É uma reprodução do primeiro livro de matemática do Brasil, que escaneio aqui. A fonte é uma apostila do prof. Prandiano, responsável pelo Museu da Matemática, em São Paulo.

 

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Este espaço não dá retorno financeiro, mas muito retorno em termos de fortalecimento de laços e de ideias.

Obrigado, Marco.

 

 

Seja voluntário para dar aulas

Dar aulas é sempre interessante, porém dar aulas voluntárias para adolescentes é mais interessante ainda.

 

 

A empresa em que trabalho tem uma ação social, um programa chamado “Investir Vale a Pena”. Neste, participam cerca de 30 adolescentes de 15 a 17 anos, provindos de uma comunidade carente da cidade de São Paulo. O curso tem o objetivo de ajudá-los a desenvolver competências nas áreas de liderança, empreendedorismo e finanças pessoais. O grupo tem aulas aos sábados de manhã, durante o ano inteiro. É um curso gratuito, mas há um critério forte de seleção e várias metas a serem cumpridas, a fim de não perder a vaga.

 

 

Faz três anos, dou uma aula por ano e/ou participo da banca da conclusão de trabalhos.

 

É um grande aprendizado, tanto para eles quanto para os professores.

 

Algumas reflexões:

 

1)  O modo de comunicação deve se adequar aos alunos. Sem querer, a gente usa termos como CAPEX, OPEX, SAP, BI, VPL, TIR, Pitch, MVP. Esses termos são muito específicos do meio empresarial.

 

Exemplo:

Numa das aulas, a aluna perguntou o que era SAP, após algum comentário meu.

A minha resposta foi a de que SAP era um tipo de ERP (obviamente, todos entenderam menos ainda…)

 

Portanto, temos que explicar de forma adequada à realidade dos ouvintes. Parece óbvio, porém, na prática é muito difícil se colocar no lugar dos outros para tal.

 

2) A relação de autoridade é diferente. Estou muito acostumado com aulas, palestras e reuniões com profissionais, ou seja, meus pares. Estes têm maturidade o suficiente para se inserir no contexto, e portanto, liberdade para ir e vir.

 

Com os jovens, na primeira das minhas aulas, dei a eles a mesma liberdade do pessoal acima. Em pouco tempo, alguns perderam o interesse no conteúdo e se dispersaram, gerando ruído.

 

A solução foi fazer o que dificilmente eu faria em outro contexto, como falar num tom mais alto, pedir explicitamente para fulano não dispersar. Ou seja, impor autoridade e tirar um pouco da liberdade de ir e vir. Após isto, todos respeitaram, o que mostra que não é má fé, e sim, interpretação de regras.

 

 

3) Não os subestime. Uma terceira e última, para não alongar demais. Os pontos acima dão a entender que o conteúdo deve ser o mais simples possível, mas não é isso. Não os subestime, são pessoas que têm vontade e capacidade de compreender muito bem a mensagem, se a comunicação conseguir ser feita.

 

Numa das aulas, expus o conteúdo proposto (juros simples e compostos), mas não deixei de dar a minha viajada filosófica (sobre dinheiro, trabalho e as leis da termodinâmica). É um arroz com feijão com um temperinho diferente, da qual os alunos não só absorveram, como surgiram boas discussões posteriores.

 


 

Conclusão

 

Vale muito a pena dedicar pelo menos algumas horas por ano dando aulas voluntárias.

 

São jovens famintos por conhecer o mundo corporativo, cheios de vontade de se desenvolver e gerar valor no mundo real.

 

Alguns resultados. Este curso formou pelo menos uma dúzia de alunos que acabaram sendo contratados pela empresa, todos eles pessoas da alta índole, como o amigo Marco Antônio Lima de Prado.

 

Além disso, a gente também sempre aprende com este processo.

 

Investir em pessoas cheias de vontade vale muito a pena.

 

 

 

 

 

 

 

 

Um desconhecido analista júnior chamado Einstein

Albert Einstein (1879 – 1955) é o cientista mais pop de todos os tempos. Ele estampa pôsteres, camisetas, canecas e uma infinidade de produtos mundo afora. Sua foto e suas ideias aparecem com frequência em revistas de ciência popular. Vira e mexe, Einstein é tema de filmes e documentários.

 

Até a sua famosa equação, E=MC², aparece em todo lugar, embora pouquíssimos a compreendam de fato.

 

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A fascinação por ele é tanta que, depois da sua morte, o médico legista decidiu roubar o seu cérebro para descobrir o segredo da genialidade, uma história muito maluca contada no livro “Conduzindo Mr. Albert”.

 
Mas a história é não-linear, como eu gosto de explorar neste espaço.

 

No caso do nosso querido cientista alemão, há um evento que o transformou, da noite para o dia, de um obscuro analista de patentes para o maior cientista do planeta. Este evento foi a confirmação de sua teoria, por outro cientista, Arthur Eddington. Porém, há algumas pontas soltas nesta história…

 

Fosse o rumo da história um pouquinho diferente, talvez ninguém conhecesse Einstein.

 

 


Breve histórico

 
O cientista alemão Albert Einstein publicou 4 artigos em 1905, o seu ano miraculoso. Dentre os artigos, em especial uma explicação do efeito fotoelétrico (que lhe renderia o Prêmio Nobel de 1921) e um paper sobre a Teoria da Relatividade Especial.

 
Mas não foi a Teoria da Relatividade Especial que o fez famoso. O adjetivo “especial” vem de “específico”, no sentido de que a teoria valia apenas num caso restrito.

 

Einstein passaria mais 10 anos trabalhando em sua teoria, a fim de incorporar a gravidade, e aí sim, abalar as fundações do universo newtoniano.

 

Porém, como tudo na história, ele não estava sozinho nesta corrida. Um cientista como ele deve trocar informações com outros pares, a fim de ajudar e ser ajudado também. Um concorrente específico, o brilhante matemático David Hilbert (1862 – 1943), se fascinou com a Teoria da Relatividade e passou a estudá-la por conta própria.

 

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Hilbert foi um dos maiores matemáticos de todos os tempos. Eu me arriscaria a dizer que, QI contra QI, Hilbert vencia Einstein facilmente, seria proporcional a um 7 x 1. Nota – neste aspecto, o diferencial de Einstein não era a matemática, e sim a abstração física. Ele mesmo disse, um dia: “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”.

 

 

Einstein publicou o seu artigo definitivo com a Teoria da Relatividade Geral em 1915. Hilbert também publicou artigos com dias de diferença, até incorporando ideias de Einstein no seu paper.

 

 


A confirmação da Teoria por Arthur Eddington
Sir Arthur Eddington (1882-1944) foi um magnífico astrofísico da época. Ele foi uma das primeiras (e únicas) pessoas do mundo a compreender a beleza e o impacto das equações de Einstein.

 
Eddington bolou um experimento, a fim de confirmar na prática as predições de Einstein. A ideia básica era medir a posição de algumas estrelas, em duas circunstâncias: com ou sem a presença do Sol. A grande massa do Sol faria com que a luz da estrela se curvasse, dando a impressão de ela estar em uma posição diferente em relação à posição real.

 

Porém, a luz do Sol ofusca completamente a luz das estrelas, de modo que este teste deveria ser feito num eclipse solar.

 

As medições foram realizadas em 1919, em dois locais: na cidade de Sobral, no Ceará, e em São Tomé e Príncipe, na África.

 

Após os cálculos serem divulgados, confirmando a teoria, voilá, Einstein passa a ser o cientista mais famoso do mundo. O período era o fim da Primeira Guerra, e um astrônomo inglês confirmar a teoria de um alemão em algo importante era uma manchete boa demais.

 
Porém, há controvérsias. A tecnologia de 1919 não era tão precisa assim, e muita gente afirma que o erro era maior do que a certeza da medição.

 

Além disso, o experimento de Sobral (que dava resultados próximos ao da física de Newton) foi descartado por problemas técnicos.

 

Eddington era fã de carteirinha da Teoria da Relatividade, o que dá a impressão de haver um certo viés confirmatório nisto tudo. Talvez, se a história fosse um pouquinho diferente, fossem eles menos corajosos, talvez Eddington e sua equipe chegassem que o resultados eram inconclusivos, deixando a confirmação para testes posteriores.

 

 

Um eclipse solar não ocorre todos os dias, sendo que testes subsequentes demorariam anos para ocorrer, digamos uma década depois. Talvez, nesse meio tempo, os cientistas passassem a dar mais destaque ao paper de Hilbert do que de Einstein, afinal Hilbert era o maior gênio da época, e Einstein, desconhecido (mesmo o Nobel veio anos depois que ele era famoso, em 1921, e não foi pela Relatividade, mas pelo efeito fotoelétrico).

 

 

A Teoria da Relatividade é correta, conforme medições posteriores comprovaram e vêm comprovando até hoje – vide a confirmação das ondas gravitacionais pelo LIGO. Porém, talvez o crédito fosse para Hilbert. Mesmo se o crédito fosse para Einstein uma década depois, talvez não tivesse o destaque midiático que teve, e seria alguém relativamente desconhecido. Por exemplo, a Física Quântica também revolucionou a ciência, contudo somente os mais nerds conhecem os nomes dos cientistas envolvidos.

 

 
Seja como for, Einstein inspira gerações de jovens apaixonados por matemática, física e ficção científica, e suas elegantes fórmulas até hoje reinam como corretas para explicar os mistérios do espaço-tempo.

 

De Charles Chaplin para Einstein: As pessoas gostam de mim porque todos me compreendem. As pessoas gostam de você porque ninguém te compreende.

 


 

Links

https://www.quora.com/Whos-the-real-father-of-general-relativity-Einstein-or-David-Hilbert

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein#Artigos_do_Ano_Miraculoso
https://www.esa.int/Our_Activities/Space_Science/Studying_the_stars_testing_relativity_Sir_Arthur_Eddington
https://www.nature.com/news/2007/070910/full/070903-20.html

https://undsci.berkeley.edu/article/natural_experiments

https://en.wikipedia.org/wiki/Arthur_Eddington

Pequena enquete interior

Mais dinheiro, mais trabalho, cargo maior, mais sucesso, mais beleza, carro novo, viagem ao exterior, vinhos chilenos, relógios importados?

 

 

Ou

 

 

Mais amigos, mais família, mais natureza, mais presente, mais saúde, mais música, mais estudos e mais simplicidade?

 
A resposta é de cada um de nós.

 

 

Aforismos de Sêneca sobre a vida

Lucius Amadeus Sêneca, também conhecido como Sêneca, o jovem, foi um filósofo romano que viveu entre 4 a.C. e 65 d.C. Ele é um representante da escola estoica de pensamento.

 

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Os aforismos a seguir darão uma ideia do que é o estoicismo.

 

A vida não é curta. A vida é longa o suficiente, desde que a pessoa saiba usá-la.

As pessoas são frugais em guardar os seus bens pessoais, porém quando se trata do seu tempo, o seu bem mais precioso, elas a desperdiçam copiosamente.
As pessoas perdem o dia na expectativa da noite, e a noite com o medo do amanhecer.

(Comentário rápido. Nos meus tempos de engenheiro da Aeronáutica, tinha uma pessoa que entrava no escritório as 8 da manhã, nada fazia o dia inteiro, até ir para casa as 17h. Todo mundo dizia que o mesmo iria se aposentar dali a 3 anos, e estava só esperando o tempo passar. Ora, acho que há coisa melhor a fazer com a vida do que cumprir expediente sem produzir nada de útil)

 
Tudo na vida é emprestado. 

Lembre-se que tudo que temos nesta vida está emprestado para nós pelo Destino. Este pode reaver tudo sem nos avisar. Portanto, devemos amar nossos entes queridos, mas sempre lembrando que não há promessa que podemos cumprir para sempre.

 

A vida feliz é a que concorda com a sua natureza. Ora, isso não poderá ocorrer se a mente não for sã e não estiver em posse da própria saúde e, em seguida, corajosa e enérgica, nobre, paciente e acomodada às várias situações. Ela deverá também cuidar sem ansiedade do corpo e das coisas que adornam a vida, sem se deiar deslumbrar por nenhuma, e estar pronta a utilizar os dons da fortuna, sem ser escrava deles.

 

 

Aquele que é corajoso é livre.
A verdadeira felicidade está fundada na virtude. E o que o aconselha a virtude? A nada julgar bom ou mau, a não ser o que te suceder por causa da virtude ou do vícios. Permanecer inabalável diante do mal e de um bem. Nada te constrangerá, será livre, seguro e isento dos males e perigos.

 

 

Por que fala com mais coragem do que vive?

 

A riqueza é o escravo do sábio e o mestre do tolo.

 

Não é que o homem tem pouco, mas o homem que quer sempre mais, que é pobre.

 

O mais poderoso de todos é aquele que tem poder sobre si mesmo.

 

Não pelas coisas serem difíceis que não temos coragem. É por não termos coragem que as coisas são difíceis.

 


 

Último comentário rápido. O pensador Nassim Taleb comenta sobre Sêneca. Diz que muita gente critica o filósofo romano por este falar de estoicismo, mas ter sido muito rico.

 

Como entender tal contradição?

 

Taleb sustenta que ele é antifrágil. Ele é rico porque o Destino lhe deu capacidade para juntar tais riquezas.  Mas, se este mesmo Destino tirar todas essas riquezas, Sêneca não vai ficar chorando na sarjeta. Ele vai simplesmente continuar andando em frente. Afinal, tudo na vida é emprestado, faz-se uso enquanto tiver, e devolve sem lamentos quando pedirem de volta.

 

 

 


 

Fontes

Livro “Da vida feliz”

https://archive.org/stream/SenecaOnTheShortnessOfLife/Seneca+on+the+Shortness+of+Life_djvu.txt

 

https://www.goodreads.com/quotes/7689848-remember-that-all-we-have-is-on-loan-from-fortune

 

 

 

https://www.goodreads.com/work/quotes/1374471-de-brevitate-vitae

Como resolver o Cilindro mágico

O “cilindro mágico” é como se fosse o cubo mágico, mas em forma de cilindro.

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Nota: Na verdade, não sei o nome verdadeiro deste. Além de ter jogado fora a caixa, esta estava em chinês. Mas “cilindro mágico” é autoexplicativo. Comprei na praça da Liberdade, em São Paulo.

Totalmente bagunçado fica assim:

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Pode parecer meio assustador, mas é quase isomórfico ao cubo de Rubik normal.

É 3x3x3, com uma peça de centro fixa por lado, quatro peças de borda por lado e as oito peças de canto.

Só há duas pegadinhas (que são quase spoilers), que vou colocar aqui.

Pré-requisito: saber resolver o cubo de Rubik – há tantos tutoriais para isto que nem coloco aqui.

Passo 1: fazer a tradicional “cruz”.

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Passo 2: Arrumar um dos lados.

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Passo 3: Arrumar as peças da camada do meio (todos esses passos têm os seus próprios algoritmos).

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Passos 5 e 6: arrumar as peças de borda e canto da última camada:

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Porém, note que mesmo fazendo tudo certo, ocorreu um erro que não ocorreria no Rubik. Duas peças trocadas de posição (no Rubik, ocorrem combinações de três peças trocadas)

Enigma 1: Por que há duas peças trocadas?

Brincando um pouco mais, há outra situação que pode ocorrer. Apenas uma peça trocada.

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Enigma 2: Como é possível ter apenas uma peça trocada?

A resposta está nas simetrias do problema. Sugiro que o leitor tente encontrar ambiguidades nas posições do cilindro mágico em relação ao cubo mágico, antes de prosseguir.

Resposta do enigma 1: As duas peças trocadas ocorrem porque há uma simetria difícil de perceber. A peça curva pode estar à direita ou à esquerda da peça de borda. Na foto abaixo, a peça curva vermelha e branca está à direita da peça de borda vermelha e branca.

O correto no caso específico deste cubo é a peça curva estar à esquerda da peça de borda correspondente.

Só olhando para aparência, não é evidente que a peça de canto circular deve estar à direita ou à esquerda.

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No Rubik, isto não acontece, porque a peça de canto tem três cores, forçando que não haja ambiguidade na posição da peça.

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Resposta do enigma 2: A peça de borda (a circular) da camada do meio pode estar virada para a direita ou para a esquerda.

Como assim?

No Rubik, a peça de borda (circular) da camada do meio tem duas cores, forçando que a orientação desta esteja correta.

No cilindro, a peça tem apenas uma cor, então podemos estar colocando esta de “cabeça para baixo”. Solução: jogar ela para baixo, girar 90 graus, colocar ela de “cabeça para cima” e rearrumar a última camada do cubo.

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Lembrando que é necessário saber resolver o cubo normal para entender minimamente o que está descrito aqui.

Este cubo é bem legal, porque ao mesmo tempo é fácil de resolver para quem entende o cubo normal, mas tem um elemento levemente complicador para servir de desafio.

Vide também:

https://ideiasesquecidas.com/cubos-magicos/

Poliedros Mágicos – Apresentação de outros cubos possíveis e impossíveis, além do cubo de Rubik tradicional.

Dodecaedro mágico

Fernando Collor de Melo, 1989

O momento atual do Brasil me faz lembrar o Brasil do final de 1989, logo após a eleição de Fernando Collor de Melo à Presidência da República.

 

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A semelhança é por ter sido um momento de euforia. Um candidato outsider desconhecido batia o candidato da esquerda, Lula, e havia uma enorme esperança de renovação e combate à corrupção na parte do eleitorado que tinha votado nele.

 

Eu tinha 10 anos na época, e me lembro muito bem do noticiário, jornais e revistas da época.

 


 

Eleições 1989

 

Em 1989, ocorreram as primeiras eleições diretas para presidente depois de muito tempo. O período da ditadura militar tinha acabado, o presidente era o (péssimo) José Sarney e o país estava numa hiperinflação terrível.

 

Essa eleição teve dezenas de candidatos. O maior partido da época era o PMDB, com o grande Ulisses Guimarães. O PSDB era recém-nascido, e seu candidato era o Mário Covas, também um grande político. O famigerado Paulo Maluf também era candidato. O veterano Leonel Brizola também. Outros nomes conhecidos, como Enéas Carneiro, Guilherme Afif Domingos, Fernando Gabeira. E muitos outros. Eram 22 candidatos, segundo esta fonte.

 

Até o Silvio Santos estava no páreo, mas melaram a candidatura dele no tapetão. Ele nunca mais se reaproximou da política, e seria um interessante “o que aconteceria se” ele tivesse sido candidato.

 

“Sílvio Santos já chegou”

 

Os analistas da época diziam que o Brasil não sabia se organizar para uma eleição, e tantos candidatos assim eram a prova disto.

 

 

Fernando Collor era um outsider. O seu partido era um tal de PRN, numa frente chamada “Movimento Brasil Novo” – não é de hoje que todo político quer um Brasil Novo. Ser um outsider era ótimo, porque o brasileiro estava cansado dos políticos tradicionais (pena que os outsiders da época viraram os políticos tradicionais de hoje).

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Collor era conhecido como o “Caçador de Marajás”. Tinha cortado privilégios de vários marajás de seu estado Alagoas. Prometia varrer a corrupção, e dar um tiro na inflação. Além disso era jovem (40 anos na época), atlético, boa-pinta.

 

 

O seu principal adversário era Lula, que disputava a sua primeira eleição a presidente.

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Era um candidato muito mais radical do que aquele que venceria as eleições anos depois, em 2002. Este Lula tinha feito fama junto aos sindicatos da época, organizando greves.

 

 

Ele dizia abertamente que apoiava a reforma agrária, e que não pagaria a dívida externa, por exemplo. Era o Lula “raiz”, até na aparência, mal cuidada, agressiva, sindicalista (parece o Boulos de hoje), organizador de greves puro (também muito diferente da versão ‘paz e amor’ de 2002). Isto assustava demais a classe média que temia os efeitos nefastos de um regime em direção ao socialismo / comunismo.

 

 

 

 

O segundo turno foi entre Collor e Lula, dando Collor no final das contas, 53% a 47%, resultado apertado demonstrando a força da popularidade e carisma de Lula.

 

 

No período entre a vitória de Collor e o primeiro dia de sua posse, os jornais eram só empolgação. O desgoverno Sarney já tinha acabado, não havia mais nada a oferecer de esperanças. Todos os dias, falavam de ministros que estavam sendo cogitados para as

 

pastas, especulações sobre como seria o futuro. Zélia Cardoso de Melo na Economia. Rogério Magri no Trabalho.

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Zélia Cardoso de Melo

 

 

O brasileiro contava os dias para a posse de Collor…

 

 

Infelizmente, tanta expectativa se realizou acompanhada do pior programa econômico da história da Brasil, o plano Collor. Ao invés de congelar só o salário dos políticos, como era a propaganda, ele congelou o Brasil inteiro, confiscando a poupança de quem tinha o equivalente a mais de R$ 5.000,00 de hoje.

 

 

 

Foram sonhos destruídos, anos de trabalho confiscados, empresas quebradas. Ao invés de dar um tiro na inflação, o tiro acertou o povo brasileiro. E o dragão da inflação não morreu, continuou a castigar o Brasil de forma tão intensa quanto antes. Só o plano Real deu um jeito definitivo na inflação, como ilustra este link.

 

Sabemos que o período Collor não acabou bem, nem metade dos 1753 dias do jornal da posse. O Brasil deu um jeito de impichar o Collor, por algum motivo qualquer, sendo o motivo verdadeiro os péssimos planos econômicos.

 

 

De lá para cá, são 28 anos, em que os políticos e economistas aprenderam bastante, e e eleitor também aprendeu bastante.

 

 

Não é possível prever o futuro, de 2019 em diante. Só resta desejar que o próximo presidente tenha responsabilidade para conduzir o país e faça um bom governo. Cabe a nós ajudarmos a escrever a história deste país.

 


 

Links:

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Collor_de_Mello

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%A3o_presidencial_no_Brasil_em_1989

Adiante seu relógio em 1 hora

Todo ano, horário de verão, eu tenho a mesma pergunta: é para adiantar ou atrasar o relógio?

Aí o noticiário diz que é para adiantar em uma hora.

Ainda assim, sempre me confundo: quando for meia-noite, é para colocar para 1 da manhã ou 11 h?

Porque, para mim, adiantar é chegar antes.

Tipo, marquei uma reunião as 9 da manhã e quero adiantar, então vou adiantar para 8h.

E atrasar é a mesma coisa. Se alguém diz que vai chegar atrasado, quer dizer que vai chegar as 10h ao invés das 9h.

Será que só eu tenho esse problema?

De qualquer forma, não se esqueça de adiantar o relógio, à meia-noite, ou seja, jogar este para a 1 da manhã.

Marcos Pontes, o astronauta ministro

Conheço o Marcos Pontes de uma palestra que assisti dele, o que é pouco, mas posso falar muito da parte ITA (fiquei 5 anos), da Aeronáutica (outros 5 anos) e de vários colegas aviadores que fizeram engenharia.

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O futuro ministro da Ciência e Tecnologia é tenente-coronel aviador  e engenheiro aeronáutico, pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

A Academia da Força Aérea (AFA) fica em Barbacena, MG. Entrar e se tornar aviador na AFA envolve uma dedicação enorme. Disciplina militar na veia e formação acadêmica equivalente à administração. Não é para qualquer um. E, para piorar, mesmo que a pessoa seja perfeita fisicamente e perfeita intelectualmente, ser aviador significa voar. E a parte do voo reprova muita gente competente, que simplesmente não tem genética para voar.

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Ser engenheiro do ITA não é pouca coisa. Há pouquíssimas vagas por ano (umas 120). As provas são nos níveis mais elevados do Brasil. Os alunos, além de dar conta do recado,  ajudam a tornar o nível mais alto ainda. Conheci algumas pessoas brilhantes – só na minha turma, duas pessoas conseguiram o título de suma cum lauda – ou seja, nota média de 9,5 no curso. Basta dizer que a Embraer deve muito às cabeças vindas do ITA. O ITA é um oásis de excelência num país que tem uma educação bem abaixo da média mundial.

Ser aviador pela Força Aérea e depois fazer o curso de engenharia no ITA é para pouquíssimos. Todos os aviadores engenheiros que conheci eram pessoas extremamente capacitadas, tanto na parte militar quanto na parte analítica. Os filtros são muito seletivos. Não tem como a pessoa ser fraca, ou um enrolador, impossível.

No currículo dele também consta mestrado em Engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School, Califórnia, EUA, entre outros.

Para ser o astronauta no processo da NASA, houve um processo seletivo, que Pontes participou junto com outros concorrentes do mesmo porte, extremamente capacitados. Pontes foi o melhor do Brasil na época em termos físicos e capacidade intelectual.

Na NASA, foram alguns anos na preparação para ser astronauta, onde ele teve que abdicar dos seguintes itens: a família, a carreira na Aeronáutica e a própria vida.

  • A família porque o treinamento envolvia dedicação total, 24h por dia e 7 dias por semana.
  • A carreira militar porque a missão era civil, e ele deveria abdicar de ambições de seguir a carreira por vias normais.
  • E a vida, porque ir para o espaço é algo potencialmente perigoso. O astronauta deve estar preparado para enfrentar (sozinho) todos os eventuais problemas que ocorrerem durante a jornada. Todo astronauta deve assinar um documento, dizendo que está ciente de que a missão talvez seja só de ida…

Se pegar um avião e ir para a China sozinho já é meio assustador, imagine entrar num foguete e ir para uma estação espacial em órbita no meio do nada?

Embora a finalidade da missão espacial seja muito contestada, não cabia a Pontes questionar os objetivos desta, e sim executá-la da melhor forma possível.

Portanto, Pontes tem uma carreira brilhante, uma formação excelente e certamente uma boa vontade enorme. A palestra e os livros dele mostram todo esse idealismo e otimismo, beirando à auto-ajuda (que não curto muito).

De toda forma, suponho que a formação dele seja melhor que a de políticos como Aldo Rebelo e Aloizio Mercadante, ex-ministros da pasta.

Se ele vai ser um bom ministro, não se sabe, por necessitar de habilidades políticas que talvez ele não tenha. Um ponto forte é que ele conhece outras tantas pessoas brilhantes como ele, e tem potencial para compor um ministério altamente competente.

Por fim, desejo boa sorte. O Brasil precisa de mais ciência e tecnologia de verdade.


Alguns links.

http://www.marcospontes.com/$SETOR/MCP/VIDA/biografia.html

Confesso que colei – sobre a inexistência de cola no ITA

A associação dos burros esforçados