A história de um boné

O boné da foto tem uma história bem maluca, que começou numa inspeção de raio-X e acabou com o encontro com um time de beiseball brasileiro.

 

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Fui ao Canadá em 2017, a trabalho, com o meu colega Diego Piva. O voo saía de São Paulo e ia até Toronto. De lá, era necessário pegar um voo local, até o destino, uma cidade minúscula chamada Fredericton.

 

 
A saída do Brasil foi tranquila. Porém, no voo de conexão, em Toronto, a inspeção de raio-X pegou tudo o que eu tinha trazido na bagagem de mão. Eu tinha comprado um kit de fatiar queijos, que eles identificaram como sendo um kit de facas. Pegaram o meu protetor solar, por ser líquido. Pegaram a minha garrafinha de água, que estava pela metade… o engraçado é que, no Brasil, tudo tinha passado tranquilamente.

 

 

Ficamos em Fredericton o resto da semana. Era verão, um sol escaldante sem nuvens no céu. A primeira coisa que comprei, na primeira farmácia que vi pela frente, foi um protetor solar e uma garrafa de água. Era um protetor solar em spray, caro (afinal, receber em reais e pagar em dólar não é muito divertido), mas muito bom.

 

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Em Fredericton, com barquinhos ao fundo

Na volta, tínhamos o voo de conexão no sábado, as 15h, e algumas horas de espera pelo voo Toronto-SP, as 23h. Ora, decidimos adiantar o primeiro voo (para as 5 da manhã!) e ficar o dia todo a explorar Toronto.

 
No raio-X da conexão, adivinha o que não passou? O protetor solar em spray e a garrafa de água!

 
Tive que deixar o caro investimento pelo caminho.

 

 

Ao chegar em Toronto, eu e o Diego andamos a cidade inteira a pé. Fomos ao centro da cidade, depois ver a área portuária. Porém, lá pelas 11 da manhã, o Sol já começava a ficar muito forte – e eu não iria comprar outro protetor solar para ser confiscado no raio-X.

 

Fomos visitar o estádio dos Blue Jayz, para ver se dava para ver algum jogo de beiseball. Nenhum de nós entendia nada do assunto, entretanto, parece que os canadenses gostam de beiseball, e que aquele era um jogo importante. Achar o caminho para o estádio foi muito fácil, já que milhares de pessoas estavam indo para lá também.

 

 

Chegando ao estádio, vimos o preço do ingresso. Era uns 80 dólares canadenses, algo assim. Mais de 300 reais. O nosso amor pelo Blue Jays não era tanto assim, que justificasse este gasto. Porém, na entrada do estádio, tinha umas barraquinhas com um pessoal vendendo itens do time. Foi aí que comprei o meu boné do Blue Jays, pagando 30 doletas canadenses.

 

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Depois do estádio, fomos ao restaurante panorâmico, que fica do lado, tomar umas cervejas canadenses e olhar a cidade toda dali do alto.

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Na volta para o Brasil, no aeroporto de Toronto, o Diego Piva me aconselhou a tomar toda a água da garrafinha, a fim de não ser parado no raio-X. Não segui o conselho. Depois de ter os meus presentes confiscados, de me obrigar a comprar um boné por conta dos protetores solares, resolvi cometer deliberadamente um ato de transgressão, desafiar as autoridades locais. Deixei a garrafinha de água com 1/5 do conteúdo, a fim de testar se o pessoal do raio-X era fera mesmo.

 

E, adivinha. Não deu outra. Me pararam no raio-X por conta da garrafinha de água.

 

 

Segundo o Diego, eu já podia pedir música no Fantástico, por ser parado três vezes seguidas no Canadá….

 


 

Fast forward vários meses, desde então, passei a utilizar o boné do Blue Jays em todas as ocasiões em que estava de lazer.

 

Nem sabia direito que time era este, nem torcia por ele, mas estava sempre com o boné.

 

Fui até para a China com este.

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———–

 

Porém, o auge da história ocorreu no Nippon Country Clube, em Arujá, São Paulo. Este clube oferece várias modalidades de esportes, futebol, tênis, etc…

 

 

Estava eu a andar num belo domingo de sol, com o boné citado e a minha família, no meio de uma gincana tradicional chamada “undokai”.

 

 

Um senhorzinho vem falar comigo. Perguntou se eu gostava dos Blue Jays canadenses. Eu não entendi nada. Até que percebi que estava conversando com uma pessoa do time de beiseball local. E, reparando bem, o uniforme do time local tinha um passarinho do Blue Jays igual ao estampado no meu boné! Mais ainda, eu estava cercado por pessoas com o uniforme azul do Blue Jays.

 

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Foto da internet, Nippon Blue Jays

Disseram que o time de Arujá foi fundado por um grande jogador de beiseball, que tinha passagem pelo Toronto Blue Jays. Ele negociara o uso do nome, e trouxera a marca e o know-how para o Brasil.

 
Até hoje, não sei como o senhorzinho sabia que o meu boné era do Toronto Blue Jays, e não da versão brasileira, já que o símbolo é exatamente igual.

 

 

Mas, enfim, que coincidência! Talvez a famosa Teoria dos Seis Graus de Separação se aplique não só a pessoas, mas também à ideias e conceitos tão aleatórios quando um passarinho estampado em um boné!

 

Em homenagem aos importantes rios canadenses, já que eu posso pedir música, que esta seja “O Barquinho”, por Maysa Matarazzo!

(Este vídeo é do filme, a atriz não é a cantora, porém mantiveram a canção original)


 

Inspirado no livro “China em 10 words”, em que o autor narra fatos de sua infância de forma divertida e fazendo relações com fatos históricos.

 


O Nippon Blue Jays não é fraco não. Vide só as reportagens:

http://travinha.com.br/2018/08/29/nippon-campeao-brasileiro-de-beisebol-2018/

https://www.facebook.com/pages/Nippon-Blue-Jays/1563947583855791

http://www.nipponclub.com.br/materias.php?cd_secao=36&codant

https://www.nipponcountryclub.com.br/single-post/2017/07/08/ATLETAS-DO-NIPPON-BLUE-JAYS-CONVOCADAS-PARA-SELE%C3%87%C3%83O-BRASILEIRA-SUB-15-E-SUB-17?fb_comment_id=1005870296127231_1006568479390746

 

 

 

Tribo comunista x tribo capitalista

Imagine duas tribos, uma comunista (o Bananistão) e outra capitalista (o Trumpistão), cada qual com, digamos, 100 pessoas.
Imagine também que a renda de todos os membros de ambas as tribos seja a mesma: um punhado de frutas e dois peixes por dia.

 

 

Num belo dia, em ambas as tribos, surge um empreendedor com uma ideia brilhante: usar uma lança para caçar javalis.

 

 

Com o poder da lança, a distribuição de renda tinha mudado drasticamente. Uma única pessoa passou a ter muito mais renda do que as demais.

 

 

A tribo comunista era governada pela grande líder Barba. Vendo a situação, este criou um discurso de luta de classes. Era a “elite” contra o “povo”. Seria esta elite que estaria por trás dos infortúnios do povo. A elite não queria que o pobre comesse carne de javali, por isso o preço deste ser tão alto.

 

 

Com isto, eles exigiram que a lança do empreendedor pertencesse ao povo. Coletivização dos meios de produção, porque se o povo produz, a tudo ele pertence.

 

 

Ao coro de “Povo bom, rico mau! Povo bom, rico mau!”, o empreendedor entregou a primeira lança aos governantes. Algumas semanas depois, produziu e entregou a segunda lança, sem remuneração alguma, é claro. Depois da terceira lança confiscada, o empreendedor desistiu e voltou para a dieta à base de peixes.

 

O povo não fez muito bom uso das lanças. Um membro da tribo tentou caçar com a lança. Após uma batalha extenuante, finalmente conseguiu. Ao chegar à tribo, dividiu o javali com todos os outros integrantes, ficando apenas com uma fração da recompensa. Nos meses seguintes, este não mais se voluntariou a ir caçar, e nenhum outro o fez.

 

Já no Trumpistão, a desigualdade de renda também aumentou tremendamente. Porém o empreendedor teve a liberdade de fazer o que quisesse com os frutos de sua caçada. Trocou por muitos peixes e ainda sobrou. Contratou mão de obra para produzir lanças e ajudar na perigosa caçada ao javali.

 

 

Quanto mais pessoas aprendiam sobre a lança, mais o conhecimento se difundia, e mais as técnicas de produção e de caça eram aperfeiçoadas. Vendo o sucesso do empreendedor original, vários outros concorrentes surgiram, com tecnologias ainda melhores.

 

 

Como consequência, maior era a desigualdade social, porque uns poucos tinham mais do que o restante. Porém, a desigualdade sozinha nada significa, porque todos os integrantes da tribo se beneficiaram, mesmo que indiretamente, da fartura trazida pelas novas técnicas. O mais pobre não ficou mais pobre, pelo contrário, todos ganharam.

 

Outro fator, não menos importante. O empreendedor do Bananistão, ouvindo falar que teria aos seus meios de produção respeitados, migrou para para o Trumpistão, mais especificamente, um lugar chamado Vale da Areia, onde havia o tecnologia de ponta de lança. Sendo um engenheiro brilhante, contribuiu ainda mais para o desenvolvimento desta.

 

O Bananistão, agora com 99 membros, continua igual, com seu punhado de frutas e dois peixes por dia. Na verdade, está pior, já que as poucas lanças que existiam enferrujaram devido à falta de manutenção.

 

Já a tribo capitalista vem crescendo 7% ao ano. Novas técnicas foram sendo criadas: a rede de pesca, machadinha, novos modelos de fogueira e tantos outros. Frutas, legumes, peixe, javali, galinhas e iguarias de todo lugar estão à mesa dos habitantes de Trumpistão.

 

Por fim, o grande dirigente Barba afirmou que as condições de vida estagnadas do Bananistão são culpa do imperialismo.

 

“Povo bom, rico mau! Povo bom, rico mau!”

 

, gritavam as pessoas ao fundo.

 

 

 

Um rolezinho no Maglev chinês

O passeio de trem mais legal que já fiz na minha vida foi no Maglev, que parte do Aeroporto de Shanghai e vai até a cidade.

 

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Não foi pela paisagem, nem por passar em lugares exóticos, nada disso. Foi apenas pela tecnologia, o que se pode esperar de um blog nerd como este (vide também, posts sobre a China aqui e aqui).

 
O Maglev é um tipo de trem que levita sobre os trilhos. O conceito básico é muito simples. Um ímã atrai ou repele outro ímã, dependendo da polaridade. O negativo atrai o positivo, os negativos se repelem, assim como os positivos.

 

 

Colocando os ímãs para repelir, e com energia suficiente, é possível fazer um trem inteiro levitar. Sem o atrito com o solo, é possível fazer uma viagem a velocidades extremamente altas, gastando menos energia, com menos ruído e trepidação…

 

 

É claro que um ímã para colar um lembrete na geladeira é uma coisa, um ímã para levitar um trem inteiro, controlar velocidade e trepidação, garantir a segurança das pessoas, é algo extremamente mais caro e difícil.

 

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Viajei de Beijing a Shanghai. Pesquisando sobre como ir do aeroporto de Pudong até a cidade, descobri que tinha um trem Maglev, e fiz questão de pegá-lo.

 

 

E, quando digo que fiz questão de pegá-lo, é isso mesmo. O avião até Shanghai atrasou mais de duas horas. Pousei lá depois das 22h. Saí correndo do terminal até a estação do maglev. Felizmente, não havia fila e foi muito fácil comprar o ticket (50 yuanes, uns 30 reais), e peguei o último maglev do dia, às 22:40h.

 

 

Fiz este vídeo do interior do trem. Ele chega a uma velocidade máxima de 300 km/h. Tem um nível de trepidação mais ou menos parecido com a de um trem comum. O maglev não tem rodas, só os magnetos. Porém, como a plataforma dele é fechada, não dá para ver o mecanismo. Se não dissesse que é um maglev, não dá para distinguir se é ou não, somente do ponto de vista do passageiro.

 

 
Pelas pesquisas que fiz, parece que esta versão de trem consegue chegar até o dobro da velocidade, uns 600 km/h. Porém, não faz sentido chegar a esta velocidade no trecho citado, porque a distância entre o aeroporto e o destino final é muito pequena, apenas 30 km. A viagem como um todo dura 8 minutos.

 

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Detalhe da velocidade máxima

 

É mais ou menos assim: demora uns dois minutos para chegar a 300 km/h, anda uns 4 minutos nesta velocidade, depois começa a desacelerar para chegar ao destino. Nem dá tempo para desfrutar do “voo de cruzeiro”.

 
Outro problema é que o destino final fica numa cidade vizinha à Shanghai (provavelmente porque seria inviável financeiramente cruzar o rio entre as cidades). Tem um ramal do metrô até Shanghai, mas devido ao horário, estava fechado.

 

 

Procurei um táxi. E, quando encontrei o ponto de táxi, descobri que este fechava as 23h, exatamente no momento em que eu tinha chegado! Tive que pegar um transporte meio clandestino, esquisito, onde paguei mais de 100 yuanes, o dobro do preço comum. Seria muito mais simples sair do aeroporto e pegar um táxi direto ao destino, mas o espírito da coisa não era ser turista, e sim explorar a cidade o máximo possível.

 

 

O projeto do maglev de Shanghai como um todo não faz sentido. Um trem convencional talvez não chegue a uma velocidade tão absurda, mas digamos, a 80 km/h, faria o mesmo trecho em 20 e poucos minutos. Doze minutos de diferença. Talvez um trem convencional pudesse chegar direto à cidade de Shanghai e integrar ao espetacular sistema de metrô, o que é muito mais útil do ponto de vista do usuário.

 
Outra pergunta. Se a tecnologia maglev é tão superior assim, porque esta não é mais comum? Na verdade, o custo do CAPEX é monstruoso. Imagine o tanto de energia para levitar um trem. Para isto, deve-se construir uma rede elétrica dedicada, só para começar. Além disso, toda a infraestrutura tem que ser específica para o maglev, porque não dá para aproveitar a estrutura de um trem comum. Outro fator é que, se o trecho for muito curto, como no caso do aeroporto, não vale a pena, e se for muito longo, também não vale a pena, porque um avião vai ser muito mais efetivo. No final das contas, é mais barato e garantido aperfeiçoar o sistema de trems comuns.

 

 

Tanto é que a linha do maglev do aeroporto não dá lucro. Tem que ser subsidiado, para a conta fechar.

 

Mas, de alguma forma, esta tecnologia pode sim ser muito útil em algum momento no futuro.

 

E, já que deu tanto trabalho pegar o maglev, que este vire pelo menos um post divertido!

 

 


 

Links:

 

https://www.railway-technology.com/features/will-maglev-ever-become-mainstream/

https://en.wikipedia.org/wiki/Maglev

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maglev
https://www.travelchinaguide.com/cityguides/shanghai/getting-around.htm

https://www.theguardian.com/technology/2018/may/29/maglev-magnetic-levitation-domestic-travel

Por que o segredo da inovação está no ecossistema?

Já ouvi muitas palestras e discussões argumentando que o ecossistema é o segredo da inovação.

 

Sempre achei que isto fosse bullshit. Ecossistema, como assim? O que tem a ver alhos com bugalhos?

 

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Esta mentalidade mudou depois que fui até a China ver o que rola por ali. Ou, no caso dos meus grandes amigos Weber Pimenta e Felipe Allevato, ir ao Vale do Silício ver o que acontece por lá.

 

E, após várias ponderações, a conclusão é que o segredo da inovação está no…. ecossistema!

 

O ecossistema é o todo, a soma de todas as partes. É muito maior do que um indivíduo ou grupo de indivíduos consegue fazer com sua própria força.

 

A começar pelo capital humano. Além desses lugares terem universidades de ponta (como Stanford nos EUA e Tsinhua na China), as melhores cabeças do mundo migram para lá em busca de oportunidades para escalar o seu negócio.

 

 

É um ciclo virtuoso, a semente cresce melhor numa terra boa, e a terra é boa por ter as melhores sementes.

 

 

Cada nó deste network de excelência faz com que o poder da rede aumente exponencialmente, possibilitando que soluções diferentes se conectem e resolvam problemas cada vez mais difíceis.

 

Outro fator é o capital de risco. No Brasil, cada projeto tem que se pagar, gerar caixa positivo ao fim do pouco tempo de projeto. Em contraste, estes ambientes têm elevado capital de risco de verdade. Eles sabem que 99% dos empreendimentos vão falhar, mas o 1% que der certo vai ser o próximo Facebook ou Google.
É quase uma loteria. Se eu gastar todos os recursos em um bilhete, dificilmente este bilhete vai vingar. Tenho que comprar vários bilhetes, ao longo de muito tempo. Entretanto, o bilhete desta loteria do Venture Capital não custa 1 real como o da Mega Sena, mas sim dezenas de milhões de dólares a cada rodada…
Um terceiro fator é o tempo de retorno. Uma startup pode ficar anos e anos sem ter retorno algum. O objetivo é conseguir o monopólio. Vencer o território dentro da cabeça das pessoas, mostrando que a Amazon é a solução de e-commerce, ou o Google é a solução de buscador – entre dezenas de outras soluções de e-commerce e de buscador. Esta batalha pode facilmente durar 10, 15 anos. No caso de carros autônomos, até mais, a fim de superar os grandes problemas técnicos existentes (lembrando que o primeiro grande evento disto foi o Grande Desafio da DARPA, em 2006).

 

É relativamente fácil ter ideias. Difícil mesmo é fazer a ideia acontecer, e vencer a luta pelo monopólio do posicionamento.

 

Além de tudo isto, há fatores indiretos como a logística, infraestrutura, regulação, burocracia, e até fatores pessoais, como segurança, que ajudam o desempenho do empreendedor.
Sempre achei que eu fazia um bom trabalho, no Brasil. Porém, ao me deparar com a realidade destes lugares, me senti como um micróbio. O que consigo fazer com as minhas próprias forças é muito pouco. Não dá para competir. Não é um único indivíduo, ou uma única empresa, que vai fazer a diferença sozinho. A chave é o ecossistema inteiro, o mindset do lugar, a cultura.

 

 

O pesquisador de inovação Steven Johnson diz que os recifes de corais são o grande exemplo de ecossistema de inovação.
Os corais envolvem dezenas de milhares de formas de vida diferentes. Cada forma de vida modifica o ambiente e possibilita que outras formas de vida surjam, nas suas cascas vazias ou consumindo os seus subprodutos.

A área dos corais ocupa 0,2% do oceano, porém abriga 25% da biodiversidade. É como um oásis no meio do deserto.

Não dá para competir individualmente. A competição tem que ser sistêmica, como um ecossistema competindo com outro. Neste quesito, o Brasil está muito atrás.
O ecossistema brasileiro, ao invés de ajudar, atrapalha. Impostos altos para serviços ineficientes, mentalidade de objetivos a curto prazo, melhores cabeças indo fazer concurso público, infraestrutura pouco funcional, educação de baixo nível, mindset de se dar bem individualmente em detrimento do todo (traduzido na famosa Lei de Gérson), instabilidade jurídica regulatória e até sensação de insegurança são alguns dos pontos a citar.

 

Se isto é uma maratona, o Brasil está uns 10 quilômetros atrás do pessoal de ponta como os EUA, China, Israel. Além disso, enquanto os líderes continuam correndo em alta velocidade, o Brasil está engatinhando, e para trás!

 

 

Acorda, Brasil!

 

Ação: vamos ajudar a construir um ecossistema de excelência?

 

Links:

 

https://pxhere.com/pt/photo/1119319

https://ideiasesquecidas.com/2018/08/01/10-topicos-para-entender-a-china/

https://ideiasesquecidas.com/2018/03/25/algumas-palavras-sobre-inovacao/

 

 

 

Quem está no ranking mundial de educação?

A educação é a base para que todo o resto da sociedade evolua. É uma condição necessária, porém, não é suficiente, para um desenvolvimento econômico sustentável.

 

Nos países asiáticos, as pessoas estudam por longas horas e com uma dedicação extrema. O objetivo não é passar de ano, é tirar nota 10. É um comportamento cultural, deriva de tradições milenares como o confucionismo.

 

O reflexo disto é o ranking abaixo.

 

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É da PISA – programa de avaliação de estudantes do segundo grau.

 

No topo da lista, asiáticos como Singapura, Hong Kong, Japão, China, Coreia, Taiwan. Depois, países europeus de primeiro mundo.

 
O ranking é de 2015. Se fosse feito hoje, a China estaria melhor, pelo passo frenético em que ela anda.

 

 
O Brasil, infelizmente, no fim da lista. E, infelizmente de novo, se o ranking fosse feito hoje, provavelmente não estaria muito melhor.

 

Abre o olho, brasileiro!

 
Alguns links:

 

https://exame.abril.com.br/revista-exame/o-melhor-ensino-do-mundo

https://www.businessinsider.com/pisa-worldwide-ranking-of-m…

10 tópicos para entender a China

Confesso que colei

 

Cardióides circulares

Cardióides circulares são figuras como as seguintes.

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É outra maneira de desenhar essas formas, em contraste com a versão linear apresentada em post passado:

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Fiz uns programinhas interativos no Javascript – pacote D3, para brincar. Segue links:

 

Implementação de Cardióides circulares:

https://asgunzi.github.io/CircularCardioids

 

Implementação de Cardióides lineares:

https://asgunzi.github.io/Cardioids/

 


 

Como traçar esses cardióides circulares no braço?

 

Comece dividindo um círculo em N pontos:

 

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Depois, tome um ponto focal de referência (no caso, é o ponto mais à direita).

Trace um círculo com centro no primeiro ponto e raio tocando o ponto de referência:

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A seguir, faça o mesmo com o segundo ponto:

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E assim sucessivamente:

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Até completar todo o círculo.

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Mudando o ponto focal e o número de pontos, tenho várias versões para brincar:

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ccard04.jpgccard03.jpg

 

Novamente, seguem os links para manipular tais curvas:

Implementação de Cardióides circulares:

https://asgunzi.github.io/CircularCardioids

 

Implementação de Cardióides lineares:

https://asgunzi.github.io/Cardioids/

 

E há uma versão em Excel também:

https://ferramentasexcelvba.wordpress.com/2018/09/02/mil-cardioides-no-excel

 

 

 

Assuma a responsabilidade por sua carreira

Dica do pai da administração moderna, o grande Peter Drucker: “Assuma a responsabilidade por sua carreira”.

 

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“Liste suas forças e fraquezas. Quais as atribuições você está preparado a assumir? Prepare-se para assumir tais atribuições, dentro ou fora de sua organização atual.”

Comentário meu:

Não é o setor de RH da empresa que deve te direcionar. Não é o seu superior, nem o diretor da empresa que devem te dar oportunidades. Ninguém te deve nada.

Você é o único que pode assumir a responsabilidade por sua carreira.

Ethos, Pathos e Logos

A Retórica, do filósofo grego Aristóteles, é um dos melhores livros existentes sobre o assunto. Isto é incrível, considerando que foi escrito há mais de 2000 anos – o que mostra o quão genial é o autor.

 

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Isto também é reflexo da própria civilização humana, que há milênios usa argumentos retóricos para persuadir os outros.

 

A retórica pode ser definida como a arte de escolher o melhor argumento a cada caso com o fim de persuadir.

 

3 modos de persuasão: ethos, pathos e logos.

 

  • Ethos: persuade-se pelo caráter, por quem é o orador, se este é digno de fé;
  • Pathos: persuade-se pela emoção, pelos sentimentos causados de tristeza ou alegria, amor ou ódio;
  • Logos: persuade-se pela lógica dos argumentos apresentados.

 

Fossem os seres humanos como computadores formais, bastaria o logos: a lógica da argumentação a partir das hipóteses geraria conclusões. Fim de papo.

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Entretanto, um mendigo explicando os segredos da riqueza, ou um bandido falando sobre o valor da honestidade soariam estranhos – por mais que o argumento lógico faça sentido. Daí o ethos: quem é a pessoa faz diferença.

Digamos, Warren Buffett falar sobre como ficar rico é muito mais coerente, mesmo se ele disser pouca coisa útil. Outro exemplo bem recente é o de Jack Ma, do grupo chinês Alibaba, que tem atribuída a ele inúmeras citações sobre o caminho para o sucesso – mesmo que na China todas as grandes empresas tenham crescido com injeções maciças de dinheiro público…

 

Completando, o ser humano pode ser tocado emocionalmente, e há pessoas que são mais suscetíveis à emoção do que à razão. Os jornalistas utilizam muito desta técnica, o pathos. Falar de um tufão de grande porte que atingiu centenas de famílias é apenas informação. Por outro lado, pode-se focar na história de Vanda, mãe de 4 filhos que saiu para trabalhar e que teve a casa destruída no tufão de grande porte, e que agora vai encontrar forças para recomeçar do zero.

 

Por isso mesmo, Aristóteles diz que a retórica é diferente da dialética, pela retórica usar elementos que não apenas a lógica.

Traduzindo, a lógica é importante, mas não é o único modo de persuasão.

Pessoas exatóides como eu costumam cometer o erro de focar demais no logos  e deixar de lado aspectos de ethos e pathos.

A Retórica é arte de escolher qual a ferramenta usar e em qual intensidade, dependendo do público-alvo.

Nota: A Retórica, assim como qualquer obra de Aristóteles, é densa, cheia de definições, e de palavras esquisitas como tekmérion, entinemas, dialética… ou seja, um prato cheio!

 

Vide também:

Ideias técnicas com uma pitada de filosofia

https://ideiasesquecidas.com

https://ideiasesquecidas.com/2019/03/16/fake-storytelling/

https://ideiasesquecidas.com/2016/11/05/aristoteles-inventou-a-internet-e-o-iphone/

Mil cardióides no Excel

Mil curvas cardioides a mil!

Ferramentas em Excel-Vba

Estive a folhear um livro de puzzles antigo, quando me deparo com uma curva matemática curiosa: a cardióide.

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Esta tem este nome por parecer um coração.

Um detalhe curioso é que é possível desenhá-la somente usando régua e compasso. Como era um processo simples, mas trabalhoso para quem não tem muita coordenação motora, achei mais fácil fazer uma macro em VBA no Excel do que utilizar lápis, papel, régua e compasso.

Roteiro:
– Como desenhar a cardióide no braço
– Dicas de como usar o VBA

Link da planilha Excel para download: https://github.com/asgunzi/cardioidExcel (é necessário ativar macros para rodar).


Como desenhar a cardióide no braço

O desenho da cardióide segue os seguintes passos:

Pegue uma circunferência, e a divida em n ângulos iguais, formando n “casas”.

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Trace uma linha num diâmetro.

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Trace uma linha pulando uma casa do lado direito e duas do lado esquerdo.

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Repita o processo n vezes.

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