O índice X-Men de Inflação

O Dragão dos anos 80

 

Este post é para quem só conhece o Real como moeda brasileira.

 

Quem tem menos de 30 anos hoje não conhece na pele as garras do dragão dos anos 80, a Hiperinflação. Foi uma época de inúmeros planos econômicos, troca de moeda constante, perda de valor monetário e descrença no futuro, que só mudou com o Plano Real de Fernando Henrique Cardoso.

 

Eu era muito jovem nos anos 80, mas senti muitos dos efeitos nefastos de uma hiperinflação. Não chega nem perto do que sentiram as pessoas da população economicamente ativa da época, como os meus pais, mas mesmo assim senti.

 

Esta história começa em 1986. José Sarney era o primeiro presidente civil do Brasil em muitas décadas.

 


 

O Plano Cruzado

 

Em fevereiro de 1986, Sarney anunciou o Plano Cruzado. As medidas econômicas foram congelamento de preços, troca de moeda de Cruzeiro para Cruzado, cortando 3 zeros.

 

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X-Men 1 – nov 88. Cz$ 260

 

 

Em novembro de 1988, a épica revista X-Men número 1 foi lançada pela Editora Abril, a um preço de capa de Cz$ 260,00 (Cruzados). Na capa, Vampira, Tempestade, Colossus, Cíclope, Kitty Pride, Wolverine e Noturno – bons tempos aqueles.

 

As histórias desta época eram do fantástico roteirista Chris Claremont, e eram um mix de aventura, drama, suspense. Mas o que quero trazer para o post são somente as capas. Na verdade, somente os preços da capa. Esta era em formatinho padronizado com 80 páginas e tiragem mensal, o que faz com que a revista tenha praticamente o mesmo valor anos depois, sendo a variação de preços devida somente à inflação.

 

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X-Men 2 – dez 88: Cz$ 350 – o povo brasileiro também sentia-se traído!

 

 

A revista X-Men n.2 já custava Cz$ 350,00. No mês seguinte, Cz$ 450,00. Um aumento de 200 cruzados (80%) em 2 meses!

 

Em 1988, o plano Cruzado (e o Cruzado II) já tinha afundado completamente. O congelamento de preços não funcionou (nunca funciona), os gastos públicos não diminuíram. Foi como dar um analgésico sem tratar a causa da doença.

 

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X-Men 3 – jan 89: Cz$ 450. O Brasil e a Inflação, até que a morte os separe!

 

 

Lembro-me de que neste época todo mundo era “Fiscal do Sarney”: responsável por fiscalizar se algum malvado comerciante capitalista estava aumentando preços congelados. Vira e mexe alguém aparecia no jornal, preso, por furar o congelamento artificial do governo.

 

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Congelamento de preços sempre causou e sempre causará desabastecimento de produtos. Desabastecimento sempre gera um mercado negro.

 

Imagine uma dona de casa que faz bolos para vender. Se ela gastar Cz$ 80 para fazer o bolo e coloca uma margem de Cz$ 20, o produto final terá um preço de Cz$ 100. Mas, se o bolo tiver o preço congelado a Cz$ 50, a dona vai tomar prejuízo se vender o bolo. Ela vai preferir não vender o bolo, ou não fazer o bolo – vale mais a pena comer o bolo do que trabalhar para fazer e vender o mesmo. Ou ela pode vender panquecas. Ou vender o bolo a Cz$ 100 no mercado negro, para quem realmente estiver precisando do bolo ao preço justo deste.

 

Mercado Negro não é um lugar secreto de piratas, longe da polícia. Mercado negro é qualquer lugar onde o comprador e vendedor simplesmente ignoram o congelamento e acordam o preço. Ou seja, qualquer lugar com quaisquer pessoas.
Caso descrito pelo livro “Saga Brasileira”, da jornalista Miriam Leitão. Um efeito bizarro do congelamento de preços, foi que o carro usado (sem tabela de congelamento) passou a ser mais caro do que o carro novo (preço tabelado). Mas é óbvio que ninguém conseguia comprar o carro novo na concessionária, só via mercado negro.

 

 

As três edições de X-Men em Cruzados geram o gráfico a seguir. Anualizando o índice X-Men de inflação desses dois meses, dá uma inflação de 3.300% ao ano!!

 

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Plano Verão

 

O Plano Verão veio em janeiro de 1989. Mudança de Cruzado para Cruzado Novo, cortando 3 zeros, congelamento de preços (de novo, esse pessoal não aprende).

 

A revista X-Men n. 4 veio com o preço de capa de NCz$ 0,45 (Cruzado Novo), o que reflete exatamente o corte de três zeros do preço em Cruzados (Cz$ 450,00).

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X-Men 4- fev 89: NCz$ 0,45. O Brasil também viveu uma jornada de horror!

 

O preço de NCz$ 0,45 se manteve pelos próximos dois meses. E aí, o dragão adormecido voltou, e com força total. NCz$ 0,58, NCz$ 0,75, NCz$ 1,00.

 

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X-Men 8 – jun 89: NCz$ 0,75. O Brasil abandonado à própria sorte!

 

Em janeiro de 1990, a revista X-Men n. 15 já custava NCz$ 17. No mês seguinte, NCz$ 30, e no posterior, NCz$ 53. Um aumento de 8 mil porcento em um ano!

 

 

Sarney, quando questionado sobre o que poderia fazer para acabar com a inflação, disse: “Nada. É tudo culpa da crise internacional!”. Infelizmente, mais de 20 anos depois, uma certa presidenta do Brasil também colocou a culpa da economia pífia numa suposta “crise internacional”.

 

 

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X-Men 17 – mar 90: NCr$ 53. Fim da linha para o Futuro do Brasil.

Para dar um paralelo de como era a situação, imagine uma nota de 100 reais. Hoje, 100 reais pode comprar um monte de coisas. Mas, daqui a um ano, a nota de 100 reais tem um poder de compra equivalente a 1 (um) real, e o governo tem que inventar notas de 500 reais, 1000 reais, etc. Depois que um pãozinho passa a custar 1000 reais, o governo corta três zeros, inventa uma moeda chamada “real novo” ou “real verdadeiro”, e o pãozinho passa a custar 1 real novo.

 

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1000 Cruzados passaram a valer 1 Cruzado Novo

 

 

Lembro-me que nesta época ninguém carregava moedas no bolso. A gente recebia um troco em moedas, e dois meses depois a moeda não valia mais nada. Era mais válido receber o troco em balas – pelo menos o açúcar da bala não evaporava com o tempo. Mas como o dono da padaria não era bobo, ele fazia questão de empurrar as moedas sem valor como troco.

 

 

Lembro-me também que fui ao Japão com os meus pais. Algo que me chamou a atenção foi que eles utilizavam moedas. Tudo quanto era máquina de refrigerante aceitava moedas, a moeda de 100 ienes. Hoje, mais de 20 anos depois, as moedas de 100 ienes continuam existindo no Japão.

 

As edições de X-Men em Cruzados Novos geram o gráfico a seguir, começando em NCr$ 0,45 e terminando em NCr$ 53,00. Anualizando o índice X-Men de inflação deste período, dá uma inflação de 8.000% ao ano!! Note que o gráfico é exponencial. Se nada fosse feito, o dragão só iria ficar cada vez mais forte.

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O Plano Collor

 

Lembro-me bem do primeiro presidente eleito democraticamente pelo brasileiro após décadas. Lembro-me de que ele era a esperança de salvação deste povo sofrido. Lembro-me da cobertura das revistas e jornais da época, e de uma ministra da Economia chamada Zélia Cardoso de Melo.

 

Logo nos primeiros dias de governo, era lançado o Plano Collor 1, em março de 1990. A moeda passou de Cruzado Novo para Cruzeiro, sem corte de zeros. A primeira revista deste novo governo era a X-Men 18, com preço de Cr$ 30,00.

 

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X-Men 18 – abr 90: Cr$ 30. Amargo destino do brasileiro sob Collor.

 

 

Ocorreu nesta época uma dos experimentos econômicos mais bizarros da história: o confisco da poupança. Imagine todo o seu dinheiro guardado no banco. E imagine que agora ele não é mais seu. Aliás, é seu, mas você não pode sacá-lo, nem usá-lo para nada, e este estará sujeito à uma taxa de correção arbitrária, obviamente abaixo da inflação. Ou seja, um confisco, na prática.

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X-Men 19 – mai 90: Cr$ 30. Brasil sob Ventos e Tempestades!

 

 

A lógica é mais ou menos assim: o excesso de dinheiro em circulação causa inflação. Então, vamos tirar o dinheiro de circulação na marra, isto vai acabar com a inflação e os brasileiros vão ficar felizes.

 

O Plano Collor 1 foi radical. Destruiu inúmeros sonhos, quebrou centenas de empresas. Tinha muita gente com dinheiro na poupança para comprar um apartamento, e que estava esperando Collor assumir para ver se os preços baixavam – ficaram sem apartamento e sem dinheiro. Foi uma época de desesperança, depressão, suicídios e ataques cardíacos. Não é nada agradável ver todo o dinheiro de uma vida confiscado. Todo mundo conhecia alguém que tinha sido muito afetado pelo plano de Collor e Zélia.

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X-Men 20 – jun 90: Cr$ 40,00

 

Tirar dinheiro de circulação na marra causou uma recessão. O PIB brasileiro encolheu 4% no ano. Pequenos empresários que não tinham capital de giro quebraram, porque não recebiam e tinham que pagar os salários em dia.

 

O plano foi tão desastrado que levou, indiretamente, à queda de Collor. O impeachment foi por uma denúncia qualquer de corrupção, mas a indignação popular foi causada mesmo pelo pior plano econômico de todos os tempos.

 

E o pior é que a inflação não morreu. Só deu uma acalmada no começo.

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X-Men n.30 – abr 91: Cr$ 180. Cerco ao sofrido povo brasileiro!

 

Em abril de 1990, a revista X-Men n. 18 custava Cr$ 30,00. Em julho de 90, já custava Cr$ 60,00. Em dez /90, já custava Cr$ 180,00.

 

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X-Men n. 33 – jul 91: Cr$ 330. Vingança da inflação, que voltava com tudo

 

O governo Collor foi liberando o confisco da poupança para os setores amigos. O governo continuava a gastar como sempre. Como em todos os planos econômicos, quem pagou o pato foram os mais fracos, que não conseguiam se proteger e tiveram o dinheiro de uma vida toda preso no banco. Ao Collor I sucedeu-se o Plano Collor II, com congelamento de preços (de novo?!?!) e outras medidas que nada resolveram.

 

 

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X-Men n. 35 – set 91: Cr$ 430,00.O mistério da Fênix da inflação, que retorna das cinzas.

 

 

Em agosto de 1992, a revista custava Cr$ 5.200,00, 172 vezes o valor do início do plano.

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X-Men n. 46 – ago 92: Cr$ 5.200. Não tinha melhor título do que Inferno!

 

Nesta época, eu tinha uma estratégia. Esperava dois meses para comprar a revista, com o preço corroído pela inflação. Em setembro de 92, a editora abril cansou de remarcar os preços, e adotou uma tabela. A revista custava o valor B7 da tabela. E o jornaleiro só tinha que trocar a tabela, todos os dias, arruinando a minha estratégia de comprar revistas de meses passados.

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X-Men n. 50 – dez 92. A capa não tinha mais preço. A inflação era tão alta que desistiram de remarcar o preço.

 

 

Collor prometeu dar um tiro na inflação. Acabou dando um tiro nos brasileiros, e o dragão da inflação continuou firme e forte. Note o comportamento exponencial do gráfico do índice X-Men. Neste período, a inflação anualizada foi de 800%!

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O comportamento exponencial do gráfico nem permite que se veja os números.

 

Disponibilizei neste link os dados tabulados da série histórica da revista dos X-Men.

 

 

A minha família é de ascendência japonesa. Nesta época, diversos familiares emigraram para o Japão – tornando-se dekasseguis. Oitenta anos depois dos japoneses emigrarem para o Brasil, a terra prometida, era a vez de seus filhos e netos retornarem para o Japão.

 

A insegurança econômica (não adianta acumular cruzados, pois desvalorizarão) e a insegurança jurídica (não adianta colocar no banco, pois o o governo confiscará) geraram um Brasil sem futuro. Quanto mais o futuro é imprevisível, mais gasto tudo no presente.
Se não posso guardar, tenho que consumir tudo o quanto antes. Era comum as pessoas ganharem o salário e fazerem no mesmo dia a compra do mês no mercado, estocando commodities. E o escambo (troca de mercadorias sem uso de dinheiro) tinha voltado, já que a moeda tinha cada vez menos valor.

 

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Imagine uma nota de 100 mil reais…

 


 

O Plano Real
Em fevereiro de 1994, depois do fracasso de três ministros da fazenda em dois anos, o presidente Itamar Franco chamou Fernando Henrique Cardoso ao ministério da Fazenda. Ele montou uma equipe de economistas predominantemente da PUC-RJ, e adotou uma série de medidas consistentes para atacar a causa do problema da inflação.

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X-Men n. 71 – set 94: R$ 1,45

 

Não foi um caminho fácil, é claro. Foi necessário abrir a economia, quebrar monopólios, permitir a competição. Modernizar a estrutura produtiva, gastar somente o que fosse arrecadado (Lei de Responsabilidade Fiscal). Muito estudo, planejamento, coragem para encarar políticos irresponsáveis, mas eis que agora o Brasil voltava aos eixos!

 

O mais importante de tudo: o Brasil voltou a ter futuro. Era possível planejar. Grandes investimentos poderiam ser feitos com segurança.
A história do Plano Real pode ser acompanhada no livro Saga Brasileira, da jornalista Míriam Leitão.Um efeito disto: a editora Abril voltou a publicar o valor da revista na capa.

 

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X-Men n. 85 -nov 95: R$ 1,90

A inflação é o mais cruel dos impostos. É a forma do governo taxar sem colocar uma arma na sua cabeça. O problema é que são os mais fracos são os mais prejudicados. É como uma corrida em que quem aumenta primeiro sai ganhando. Quem não tem poder de barganha para negociar aumentos fica para trás, e vai comprar tudo com preço de hoje mais caro, a partir de um salário nominal do mês retrasado.

 

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X-Men n. 95 – set 96: R$ 2,20

 

 

O Brasil colheu os frutos de uma moeda forte por 20 anos, o que permitiu um avanço inimaginável na economia, política, e na sociedade. Não mais troca de moedas. Não mais corte de três zeros. Não mais troca de ministro da Economia a cada meio ano, como um time troca de técnico quando sofre derrota atrás de derrota.

 

Mais de 90 meses depois, em março de 2000, a revista X-Men n. 137 custava R$ 2,50. Para quem esperava que ela custasse 250.000.000 reais, aquilo era um sonho! As pessoas voltaram a usar porta-moedas, o dono da padaria voltou a empurrar balas como troco.

 

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X-Men n. 137, mar 2000: R$ 2,50. O resgate do Brasil, finalmente!

 

 

Note como o índice X-Men de inflação é muito melhor para o período pós Plano Real. Em seis anos, o aumento do preço de capa foi de apenas 1 real. O comportamento exponencial já não existia mais. A moeda de 1 real existe até hoje, em 2018.

 

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A revista dos X-Men em formatinho acabou poucos meses depois, passando a ter um outro formato, outro número de páginas, etc. Mas eu não colecionava mais as revistas nesta época.

 


 

Conclusão – a Fênix dos anos 2010

 

Quem viveu o período de hiperinflação provavelmente entrou com zero e saiu com zero. Apenas sobreviveu, não acumulou patrimônio.

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A Fênix ressurge das próprias cinzas

 

Quem sabe, se os rumos políticos e econômicos fossem menos desastrosos no passado, hoje estivéssemos num nível de desenvolvimento como o da Coreia do Sul, por exemplo.

 

Ousei sonhar com um Brasil de primeiro mundo, após o Plano Real. Parecia que o Brasil começava a decolar. Mas o Dragão da inflação, do desgoverno, das políticas econômicas demagogas e ineficazes, voltou das cinzas como uma Fênix, ameaçando engolir o futuro, nos anos 2006 – 2016.

 

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O que é possível fazer, neste contexto? Pelo menos a minha parte: trabalhar, criar novas soluções criativas para as necessidades atuais, tornar-se cada vez mais produtivo dentre as dificuldades. É para isto que trabalho, e é para isto que este espaço existe.

 

Arnaldo Gunzi

Ago 2018

(Repostando a partir de original de 2016)

 

Tilha sonora. Legião Urbana, Que país é este.


 

Leitura recomendada

 

Saga Brasileira, a longa luta de um povo por sua moeda. Míriam Leitão.

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http://www.livrariacultura.com.br/p/saga-brasileira-22491015

 

Veja também

Dinheiro e Termodinâmica

Telefonia nos anos 80

Crise e Oportunidade

 

5 comentários sobre “O índice X-Men de Inflação

  1. Esthevan Gasparoto

    Arnaldo muito interessante o seu post, de uma riqueza enorme para mim. Não lembro com detalhes pois era muito criança nesta época (sou de 89). Mas lembro dos meus pais comprando e estocando comida do mês todo. Ilustrar o post com os preços das revistas foi muito criativo e didático, uma forma simples de mostrar como a inflação impacta a vida todos, inclusive um jovem que apenas queria comprar gibis.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Esthevan. Quem não viveu aquela época não tem a noção da dificuldade que foi, do desperdício de talento e esforço por conta de uma economia destroçada. A ideia do post é trazer um ponto de vista pessoal e alertar sobre a importância de ter uma economia séria e austera, sem demagogia. Grato pelo comentário.

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  2. Masatomo Gunji

    Nossa, não me lembrava mais desses planos todos! Me fez relembrar as agruras esquecidas nas profundezas da minha memória e que me fez sofrer muito á época do sarney e do plano collor. O confisco tramado por collor e zélia quebrou muita gente, incluindo a mim. Com o confisco, fiquei sem um tostão para pagar funcionários e fornecedores. Tive de vender 5 linhas telefônicas (sim, teve uma época no Brasil em que as linhas telefônicas valiam uma pequena fortuna!), automóveis, poupanças (sim, tinha o Banco Sul América que tinha MUITO dinheiro em caixa e “comprava” os direitos sobre a poupança com deságio de 50%!!! Não me perguntem como o Banco tinha dinheiro !! Com certeza houve muita “maracutaia”…. ) e casa / terreno, tudo à preços módicos, com deságios de 40, 50%!. Fiquei sem nada, e ainda comecei a acumular dívidas fiscais pois não tinha como pagar impostos. Enfim, foi uma época dramática que transformou a minha vida. Fiquei com muita raiva, amaldiçoei collor, zélia e outros “sacanas”, pensei em “matar” uns “safados”,… Mas aprendi muita coisa também. Descobri novos mundos para além do mundo material. Uma delas é que está tudo certo! As coisas são como são. No fim das contas, o collor, o sarney, o lula e tantos outros são apenas instrumentos catalizadores da realidade brasileira, são o resultado da consciência coletiva.

    Curtido por 1 pessoa

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