​O Princípio dos Pratos Equilibrados

Teremos sempre mais pratos a equilibrar em nossa vida do que a nossa capacidade de mantê-los equilibrados.
 

 

É simples explicar o motivo. Caso contrário, se estivéssemos com a capacidade sobrando, procuraríamos mais pratos para equilibrar, até o limite de nossa habilidade.
Há sempre um emprego com status maior, uma casa mais confortável, um carro mais poderoso, países mais interessantes a visitar, projetos mais desafiadores, MBAs a mais para serem feitos, círculos sociais mais elevados a se inserir, concorrentes com share maior em algum mercado.
Há sempre alguém mais habilidoso, mais capacitado, mais bem-sucedido, mais bonito, mais rico, mais feliz.
O checklist do TO DO é sempre mais convidativo do que o checklist das ações realizadas – aliás, os checklists são sempre do TO DO, o checklist do DONE nem existe.
É necessária pouca energia para colocar um prato novo para rodar. O problema é manter o mesmo rodando por meses e anos a fio.

O Princípio de Peter
O Princípio de Peter diz que a pessoa é promovida até chegar ao nível de incompetência
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Schopenhauer
A ganância é como a água do mar, quanto mais bebemos, mais sede temos.

The Red Queen
 
A Rainha Vermelha, personagem do autor Lewis Carroll, disse:
Querida, aqui devemos correr tão rápido quanto podemos, apenas para permanecer no mesmo lugar. E se você quer ir a algum lugar, você deve correr o dobro disso.

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Quebrar pratos
Há sofrimento quando um dos pratos cai e quebra. Entretanto, quando há pratos demais, um prato quebrado deveria ser uma alegria.
De tempos em tempos, é necessária uma reflexão.
Quais dos pratos são realmente essenciais? Quais poderiam ser substituídos por versões mais simples e fáceis de equilibrar? Ninguém precisa de tantos pratos assim para viver.
Conclusão: Encontre a quantidade certa de pratos a equilibrar. Faça o checklist do DONE.
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Bônus para equilibrar o dia: Brandenburg Concerto n. 4 – Allegro, Johann Sebastian Bach, 1721.

Resposta ao “Desafio Superinteressante”

Desafio 1: Quantos ursos ao redor do buraco?
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Resposta: 6
Basta imaginar a posição central do dado como se fosse um buraco, e contar quantos ursos estão ao redor deste buraco.
Por exemplo, o número 5 tem o buraco no meio, e 4 ursos olhando ao redor.

 


Desafio 2: O quadrado da questão
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Resposta: 6.
Desta vez, a ideia é considerar somente os quatro buracos do número quatro, e ignorar os outros buracos.

​ Superinteressantes

Uma senhora chamada Teresa Doi foi uma das pessoas mais importantes na minha formação.
Nos anos 90, quando eu tinha uns 13 anos, ganhei uma coleção de revistas Superinteressante dessa senhora, amiga de meus pais. Tinha umas 50 revistas velhas que ela iria jogar fora. Como sempre tive a fama de ser curioso e inteligente, ela achou que isto tinha mais utilidade para mim do que para o lixão.
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E, realmente, esta coleção de revistas foi uma preciosidade para mim! Juro que li todas as revistas, devorando cada artigo, cada figura, cada gráfico. Quando criança, tinha a Biblioteca do Escoteiro Mirim.  Na pré-adolescência, essas revistas Super. E a coleção Fundamentos da Matemática Elementar, no Ensino Médio.
Os temas variavam do surgimento do CD, e de como isto iria aposentar o LP, até Aristóteles, e como o maior pensador da história achava que o cérebro servia para esfriar o sangue.
A Super daquela época era muito mais sisuda, mais técnica, do que a Super atual, que quer ser mais descolada.
Grande parte dos artigos eram sobre Física, e eu gostava principalmente das reportagens sobre Albert Einstein, de como ele imaginava-se viajando na velocidade da luz e olhando-se para o espelho: veria ele a própria imagem no espelho? Ou o paradoxo dos gêmeos: o tempo passaria mais devagar para um gêmeo viajando próximo à velocidade da luz, e quando se encontrassem novamente, o gêmeo terrestre estaria mais velho que o que viajou. Ou dos misteriosos quanta, que desafiavam o senso comum: quando observados, comportavam-se como partículas, senão, como ondas.
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Ganhei uma quantidade incrível de conhecimento, vocabulário, repertório de ideias e capacidade analítica, e usaria o máximo desse conhecimento nos anos vindouros, e até os dias de hoje.
Este blog tem mais ou menos o mesmo objetivo, o de apresentar ideias complexas de forma palatável, e possibilitar que outras pessoas tenham a mesma sensação, a mesma fome de conhecimento. Ao dividir conhecimento, na verdade o multiplicamos, como uma grande chama que forma outras chamas.
No final de cada edição da Super antiga (hoje não tem mais), havia um desafiozinho de lógica, pelo prof. Luiz Barco. Lembro de perder horas tentando resolver tais questões.
Inspirado nos desafios do prof. Barco, e para manter a tradição dos puzzles no final de casa Super, proponho dois probleminhas a seguir.
Desafio 1: Quantos ursos ao redor do buraco?
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Desafio 2: O quadrado da questão
 
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Respostas no próximo post.

Assumir a responsabilidade

Todos nós gostamos de pessoas que assumem a responsabilidade dos processos.

Não há nada pior do que fazer uma compra numa loja, e na hora de cobrar o atraso da entrega, ouvir que a logística é terceirizada e portanto a culpa é de outra área. Ou ligar para cancelar uma conta, e ficar pulando de telefonista em telefonista num loop infinito. Para o consumidor não interessa se o problema é no picking, no crédito, na logística, ele quer o produto final.

Para o trabalhador, realmente é difícil assumir a responsabilidade. Uma empresa é formada por várias pessoas, cada qual com o seu papel e responsabilidade, e quase sempre estas têm mais trabalhos do que conseguem fazer. Frequentemente ocorrem falhas, e a justificativa mais natural do mundo é dizer que a falha é de outra área.

Mas não, a falha não é de outra área. A falha é do todo. O líder (aquele com atitude de líder, independente da posição) deve assumir a responsabilidade do processo e também assumir os erros de outras pessoas. É trabalhoso, tem riscos, mas é o que deve ser feito.

Assumir a responsabilidade é uma das características mais importantes do executivo eficaz.

 

 

 

 

 

Notas sobre Tribos

Transcrevo aqui notas sobre o livro Tribos, do autor Seth Godin. Ele escreve sobre marketing e business em geral, e sempre tem bons insights.

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O que é um tribo?
É um grupo de pessoas conectadas umas com as outras, com um líder e uma ideia comum.

Nós pertencemos a várias tribos.

Tribos fazem nossa vida melhor.

A Internet eliminou a geografia, atualmente podemos ter tribos globais.

 

A oportunidade: encontrar ou criar uma tribo, e liderá-la.

 

Alguns exemplos:
Joel Spolsky está mudando o mundo, ensinando como conduzir uma pequena companhia de software.

Mohamed Yunus e Al Gore criaram tribos para as suas causas, de microcrédito e de preservação do ambiente.
Os vários seguidores apaixonados do TED Talks formam uma tribo.

 

O que é necessário?
Para criar uma tribo, é necessário um interesse comum e uma forma de conexão, como itens principais.
Além disso, deve-se motivar, conectar e alavancar:

  • Transformar o interesse comum numa paixão
  • Fornecer ferramentas para melhorar a comunicação
  • Alavancar a tribo para ganhar novos membros

 

Sobre a falta de líderes
Precisamos de você. Pela primeira vez espera-se que todos liderem. O mercado está recompensando quem muda coisas e cria produtos e serviços memoráveis.

 

Crie um movimento

Criar um movimento é mais do que dizer o que fazer. Grande líderes empoderam as pessoas a se comunicar. Estabelecem as fundações para a conexão entre as pessoas.

 

Fãs verdadeiros
Mil fãs verdadeiros é o suficiente. Eles darão atenção e suporte suficiente, eles formam uma tribo.

As organizações prezam demais por números, ao invés de fãs.

 

Medo

Por que nem todos criam um movimento? Por conta do medo.

Revisitando o princípio de Peter. Todos são promovidos até o nível em que são paralizados pelo medo.
Preste atenção no medo, a fim de superá-lo.

 

Memorável

Um produto memorável é como uma vaca púrpura (em referência ao livro anterior de Godin, Purple Cow).

Vacas marrons são chatas. Vacas púrpuras são memoráveis.

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Voluntários

Tribos são voluntárias. Grande líderes não tentam agradar a todos.

Um grupo motivado e conectado é melhor que um grupo apenas maior.

 

Medo, fé e religião

Pessoas que desafiam o status quo fazem algo difícil. A fé é necessária para superar o medo.

Religião é uma série de crenças impostas, como a religião do MBA ou o código de valores de uma grande companhia.
A fé é subestimada, e a religião, superestimada.

 

Hereges
A gerência moderna quer hereges. Estes desafiam o status quo, fazem as mudanças antes que as mudanças aconteçam.

 

Espalhar a palavra
Mostre este texto para mais alguém ler. Divulgue o movimento.

 

O segredo da liderança
Faça o que você acredita. Pinte uma imagem do futuro e vá em busca deste. As pessoas seguirão.

Precisamos de sua liderança.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cuidando do jardim

O meu amigo Diego Oliveira questionou se este site tem como objetivo obter uma renda passiva.

A resposta é não, não tem como objetivo monetizar. O objetivo é expressar ideias, aprender muito com isto, e devolver parte do conhecimento para a sociedade.

 

Aliás, “site” pode ser traduzido como sítio, e como num sítio, tenho que cuidar do jardim.

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Ter um blog como este é como cuidar de um jardim. Um esforço de algumas horas por semana, trabalhando, plantando sementes de ideias, aparando as palavras, tirando ervas daninhas… mais vale a constância a longo prazo do que o entusiasmo de curto prazo, como na história da tartaruga e do coelho. E a recompensa de ter um jardim bonito é a satisfação pessoal, não há monetização nisto.

 


 

Sobre monetização. Como é muito fácil publicar algo na internet atualmente, há uma avalanche de artigos, textos, vídeos, saturando a cabeça das pessoas. E como sempre acontece com o ser humano, o que realmente faz sucesso são vídeos de humor e entretenimento, ou conteúdo de nicho, para crianças por exemplo.

Vide pesquisa abaixo, dos canais brasileiros com mais inscritos no Youtube.

Whinderson Nunes – Comédia
21,8 milhões de inscritos

Kondzilla – Música
15,7 milhões de inscritos

Porta dos Fundos – Comédia
13,3 milhões de inscritos

Felipe Neto – Entretenimento
12,2 milhões

5inco Minutos – Comédia
10,7 milhões

Authentic Games – Games
10,2 milhões

Canal Nostalgia – Entretenimento
9,5 milhões

(http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2017/07/31/canais-de-comedia-lideram-audiencia-do-youtube.html)

 

E isto reflete bem o que faz sucesso na TV aberta, no rádio, em revistas, etc… O mesmo ocorre em qualquer lugar do mundo, o ser humano é igual.

Vide o maior ibope da Globo, agora de abril/2018

  • NOVELA III – O OUTRO LADO DO PARAÍSO
  • FLASH JORNAL DA GLOBO VIVO NOT
  • FUTEBOL REGIONAL VES
  • JORNAL NACIONAL
  • FUTEBOL
  • BIG BROTHER BRASIL

(https://www.kantaribopemedia.com/dados-de-audiencia-nas-15-pracas-regulares-com-base-no-ranking-consolidado-0204-a-0804/)

Bom, pelo menos tem o Jornal Nacional entre novela, futebol e Big Brother…

 

Outro conceito que sempre uso aqui é que o mundo é Pareto, exponencial. É o efeito vencedor-leva-tudo, 20% das pessoas têm 80% da riqueza, 20% dos autores têm 80% das vendas. Num mundo cada vez mais globalizado, o Pareto não será em nível local, mas em nível global – os ricos cada vez mais ricos. A monetização vale mais para os tops do que para os pobres do mundo digital. Talvez até dê para monetizar um site pequeno de alguma forma, mas não sei como fazer, este nunca foi o objetivo.

 

Escrevo aqui simplesmente porque tenho uma paixão por ideias. Escrevo apenas quando há algo de valor a acrescentar, uma experiência, um ponto de vista, ou traduzir algo complicado para uma linguagem mais simples. A Internet é um grande ctrl+c ctrl+v, com muitas ideias copiadas e pouco conteúdo autêntico de verdade, com muito joio e pouco trigo, muito ruído e pouco sinal.

Ou, como diria Nietzsche, estas palavras estão aqui por paixão, a tinta da minha pena é o meu sangue, e os leitores não devem ler com os olhos, mas sim com a alma.

E vamos lá, cuidando do meu pequeno jardim…

 

 

 

 

 

Quantos envelopes preciso comprar para completar o álbum da Copa do Mundo?

Este blog não tem foco em matemática, mas não dá para resistir a um desafiozinho.
 
O meu amigo Marcos Melo quer completar o álbum de figurinha da Copa do Mundo para os netos. Só que, antes disso, quer estimar o custo da brincadeira. A pergunta: qual a probabilidade de completar o algum da Copa, comprando n envelopes?
São 682 figurinhas, 5 figurinhas por envelope.
 
 
Resposta curta.
 
– Com 600 envelopes, 0,02% de chance de completar o álbum.
 
– Com 1000 envelopes, 65% de chance de completar o álbum.
 
– Com 1500 envelopes, 99% de chance de completar o álbum.
 
O Excel / VBA aqui tem um simulador de sorteio de figurinhas por envelope, e a fórmula teórica da probabilidade, para brincar um pouco.
 
           
 
Resposta longa, para quem gosta.
 
 
Imagine todas as figuras em ordem, cada uma sendo uma caixinha.
 
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Hipótese: Não há figurinhas especiais, todas têm igual chance de sair no envelope.
 
 

Vamos focar em uma figurinha qualquer, a figurinha F.
 
Se eu abro apenas um envelope, a probabilidade da figurinha F ser sorteada é 5/682. E a de não ser sorteada é o complemento disto.
 
p(fig F SER sorteada com 1 envelope) = 5/682

p(fig F NÃO ser sorteada com 1 envelope) = 1 – 5/682


Outra hipótese aqui: as 5 figurinhas são diferentes, se puderem ser iguais, a fórmula é ligeiramente diferente.
 

 


Para facilitar a notação, vamos chamar a primeira linha de p(1) e a segunda de p(0), onde 1 quer dizer “sucesso, achei a figurinha” e 0 quer dizer “não encontrei a figurinha”.
p(1) = p(fig F SER sorteada com 1 envelope) = 5/682

p(0) = p(fig F NÃO ser sorteada com 1 envelope) = 1 – 5/682



 

Se eu abro n envelopes, posso calcular a probabilidade da figurinha F ser sorteada como:

p(fig F NÃO ser sorteada em
n envelopes) = p(0) * p(0) * … *  p(0)  = p(0)^n = (1 – 5/682)^n

p(fig F SER sorteada em
n envelopes) = 1 –  p(0 em n envelopes) = 1 – (1 – 5/682)^n
Hipótese aqui, e bem razoável: a probabilidade da figurinha ser sorteada é independente para cada envelope.



Agora, considerando todas as figurinhas do álbum.
 
p(completar o álbum) =  p(1 na primeira figura) x p(1 na segunda figura) … x p(1 na 682 figura)
= (1 – (1 – 5 / 682)^n) ^682


Outra hipótese aqui: a probabilidade de uma figurinha ter sido sorteada independe da probabilidade de outra figura do álbum ser sorteada. Infelizmente, esta hipótese não é verdadeira, porque se uma figura não foi sorteada quer dizer que alguma outra foi, mas podemos considerar que a hipótese é aproximadamente válida.

Conclusão
 

p(completar o álbum) = (1 – (1 – 5 / 682)^n) ^682

onde n é o número de envelopes comprados.

Com 600 envelopes, 0,02% de chance de completar o álbum.

Com 1000 envelopes, 65% de chance de completar o álbum.

Com 1500 envelopes, 99% de chance de completar o álbum.

O programinha no Excel simula os sorteios, e realmente acontece comportamento próximo à fórmula: com 600 envelopes nunca completo o álbum, com 1500 sempre completo o álbum, e com 1000 na maioria das vezes completo, mas às vezes, não completo.

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É lógico que, na prática, faz muito mais sentido trocar as figurinhas repetidas com outras pessoas do que sair comprando a esmo. E, também, provavelmente há níveis de raridade diferentes entre figurinhas, o que torna a coleção mais difícil ainda.

É claro também que, se fizer muita conta, a pessoa acaba desistindo do álbum. Então, o negócio é esquecer isto tudo e se divertir.

 

Força x Persistência

Nos tempos de faculdade, muitas pessoas varavam a noite na véspera de uma prova.

Eu fazia o oposto. Estudava com vários dias de antecedência, dava uma revisada na véspera, e ia passear, sossegado.

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Isto é do estilo de cada um, o desempenho dos que varavam a noite não era necessariamente melhor ou pior.

Talvez tenha aí um pouco da minha herança oriental – pensar no futuro, poupar, valorizar o longo prazo.

Paciência no lugar de pressa. Ir devagar e continuamente, ao invés de ir aos saltos.
Isto continua até hoje. Nos projetos em que participo, prefiro trocar força e intensidade por persistência e paciência.​

Mais ou menos como o conto de Esopo, da tartaruga e do coelho.
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Vejo muitos trabalhos de consultoria que são intensos e pontuais, um deus-nos-acuda de trabalho em pouquíssimo tempo, como uma marretada. Depois que a consultoria faz o ppt, vira as costas e vai embora, tudo volta a ser como era antes. E daí, a diretoria contrata outra marretada, depois outra, até que alguma coisa quebra no meio do caminho.

 

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A alternativa à marreta seria uma prensa, que vai constantemente pressionando, com força gradativamente maior, sem tirar a pressão.

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Não dá para dizer que uma característica é sempre melhor que a outra, depende do contexto… mas já vi várias tartarugas devagares e sempre superando coelhos que pulam para a frente e depois estacionam sem avançar…