​Prometeu e Epimeteu

Nesta virada de ano, nada mais adequado que a história da criação do homem segundo a mitologia grega. Começa com Prometeu e Epimeteu, irmãos, e titãs, raça de seres que antecederam os deuses do Olimpo.

https://i0.wp.com/tooeleonline.com/wp-content/uploads/2013/06/Prometheus-and-Epimetheus-630x630.jpg

O primeiro tem o dom da antevisão, e o segundo, o dom da visão retrospectiva. Um olha para o futuro, e o outro, para o passado. O primeiro, muito sábio, inteligente e zeloso, o segundo, afobado, inconsequente, incauto.

Os deuses deram aos irmãos a tarefa de criar os seres vivos da Terra.

Prometeu (o que olha para o futuro) criou os seres vivos com muito cuidado a partir de argila, e a deusa Atena deu o sopro de vida a estes.

Epimeteu (o que olha para o passado) ficou com a responsabilidade de conceder um dom específico a cada animal.

Os animais pegaram a senha, ficaram numa fila, e Epimeteu foi distribuindo as habilidades: garras, velocidade, casca dura, poder de voar, etc.

O ser humano foi o último da fila, e quando chegou a sua vez, o atrapalhado Epimeteu já tinha distribuído todas as habilidades que ele tinha em mãos. Assim, o ser humano não tem garras afiadas, dentes esmagadores, velocidade arrasadora, veneno, nem nada especial.

Prometeu apiedou-se deste indefeso ser, e deu um jeito de fornecer alguma habilidade. Tornou-os eretos como os deuses. E, além disso, roubou o fogo dos deuses para dar aos homens.

O fogo permitiu que os humanos se protegessem do frio, forjassem armas, cozinhassem alimentos, ajudando a sua evolução de um macaco desajeitado a um grande caçador coletor, depois um grande agricultor.

Os deuses enfureceram-se com Prometeu. Ele foi acorrentado a uma rocha, e condenado a ter o seu fígado devorado por uma águia, todos os dias. Durante a noite, o fígado crescia, para ser devorado novamente no dia seguinte.

https://i2.wp.com/www.theoi.com/image/T20.1Prometheus.jpg

O homem também sofreu a vingança de Zeus. Este criou uma bela criatura, chamada Pandora, a primeira mulher, e enviou-a a Epitemeu. Pandora tinha um espírito enganador, uma língua afiada e muita curiosidade. Epimeteu tinha sido avisado pelo precavido Prometeu a não aceitar presente algum de Zeus. Mas Pandora era de tal beleza, uma coisa tão linda, tão cheia de graça, num doce balanço a caminho do mar, que foi impossível o incauto Epimeteu resistir.

Junto com Pandora, veio uma caixa, que tinha somente uma instrução clara: não abrir. Porém, um dia, a curiosidade de Pandora foi tanta, que ela abriu a caixa, e espalhou todas as doenças por este planeta. Depois que todas as doenças se espalharam, ela viu que tinha ficado alguma coisa no fundo da caixa: a Esperança.

https://i1.wp.com/curiosityculture.com/wp-content/uploads/2017/02/Pandora-Opens-the-Box.jpeg

O nosso benfeitor Prometeu se safou, depois de um tempo. O herói Hércules matou a águia e o libertou, numa pausa dos seus 12 trabalhos. Tendo o dom de antever o futuro, Prometeu sabia que sofreria consequências, mas também sabia que dar o fogo aos homens era a coisa certa a ser feita, e que ele mesmo se safaria no final.

E, mais do que o fogo, Prometeu deu aos homens o dom da antevisão. Todos os animais conseguem olhar apenas para o presente e o passado, como Epimeteu: juntar alimentos, sobreviver hoje e agora. Somente o ser humano tem o dom de olhar para o futuro, prever e planejar o amanhã a partir do momento presente. Este é o verdadeiro legado de Prometeu.

Veja também: o Deus Janos.

Sobre mitologia em geral, gosto muito dos livros do Rogen Lancelyn Green. Ele escreve muito bem, de forma simples. Tem de mitologia grega, nórdica, egípcia, etc.

https://amzn.to/2VZjokZ


Links

http://www.uexpress.com/tell-me-a-story/2011/3/6/prometheus-and-epimetheus-a-greek-myth

https://www.greekmythology.com/Myths/The_Myths/Creation_of_Man_by_Prometheus/creation_of_man_by_prometheus.html

Recomendações de livros para um jovem em início de carreira

Alguns livros para um jovem em início de carreira, pelo engenheiro Marcos Gomes de Melo. O Melo é engenheiro mecânico, da turma de 1969 do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Ele possui um vasto conhecimento, uma longa e bem sucedida carreira e vale muito a pena ouvir suas recomendações.

Por outro lado, vários dos meus colegas são formados muito recentemente, e falta neles um lastro de conhecimento mais profundo.

Minha sugestão: colocar na lista de livros a ler em 2018.

Livros

1. Carta de Antônio Paiva ao filho Gustavo Paiva que emigrou de Portugal para o Brasil e, posteriormente, veio a ser industrial em Alagoas;

Link do Google Drive: https://drive.google.com/open?id=1MgJ_M1JHRCfgqT3xl917rdzQV0js3vcg

Transcrição aqui.

2. Cartas de um executivo a seu filho; G. Kingsley Ward

 

3. Understanding Media; Marshall Mac Luhan;

4. Administração: responsabilidades, tarefas e práticas; Peter Drucker;

5. História da civilização; Will Durant; leitura obrigatória pelo menos do Volume 1 que trata da nossa herança oriental;

 

6. Sobre a China; Henry Kissinger;


7. A primeira aldeia global; Martin Page;

8. O Gene egoísta: Richard Dawkins;


9. Sapiens; Yuval Noah Harari;

10. Homodeus; Yuval Noah Harari;

 

Razões descritas pelo Melo:
1. Carta tem um poder de síntese de recomendações de um pai para um filho que parte para ganhar a vida em território desconhecido distante.

2. O livro contém várias cartas de um executivo canadense bem sucedido que ao enfrentar um país em guerra sentiu necessidade de prover seu filho com conselhos que aprendeu com a experiência, e sentiu necessidade de transmitir o aprendizado. A leitura é fácil e cada período merece reflexão demorada. Um livro que presenteei meus filhos quando se formaram.

3. O livro de Mac Luhan tem tradução em português, mas muito mal feita, distorcendo conceitos. O principal conceito de Mac Luhan expresso no livro é que os meios são extensões do ser humano transformando-o em um novo ser. Desta forma um homem e seu martelo é um ser humano diferente do homem sem martelo e que nem conhece martelo. O livro mostra ou pretende mostrar como as diversas ferramentas transformaram o ser humano: linguagem falada; linguagem escrita; linotipo (livro); rádio; telégrafo; ferrovia; carro; TV; telefone; internet (o livro foi escrito em 69 no mesmo ano em que a internet foi inventada mas profeticamente Mac Luhan previu vários de seu efeitos, com p.ex. que cada pessoa poderia produzir seu canal de TV ou de rádio); A tradução foi feita pelo publicitário Décio Pignatari que colocou mais ênfase nas “media” como “mídia” meios de comunicação e não como “ferramentas” como extensões do ser humano. O homem é ele e suas ferramentas, “cyborg”. Entender como ele muda, comportamento e relacionamento com outros seres humanos, ao ter novas ferramentas, é o que importa a leitura deste livro.

4. O livro seminal de Peter Drucker ao racionalizar e sintetizar conceitos sobre Gerenciamento (management) que foi traduzido como administração, e a meu ver não traduz a força que Drucker deu à ciência do Management. Importante para entender as responsabilidades, tarefas e práticas de um gerente numa empresa. Especialmente para um jovem em início de carreira.

5. História da Civilização é um livro obrigatório para conhecer a história da Civilização. O volume I é sobre a Civilização de origem oriental: chinesa, japonesa, etc. e mais importante para nós que conhecemos pouco destas civilizações. O nosso ensino de história só nos passa, um pouco, da história da Civilização ocidental: greco-romana, européia.

6. O livro do Kissinger preenche bem a lacuna de conhecermos a história da China e entendermos como ela se tornou a potência que é hoje. O que o futuro da China nos reserva e como o mundo será modificado doravante: o livro ajuda a pensar no tema. Fazer previsões (forecast) é uma atividade nobre e inerentemente humana.

7. Uma síntese da história de Portugal muito importante para entender o Brasil e os brasileiros. Importante porque apesar de sermos descendentes de portugueses pouco conhecemos de sua história e especialmente que eles já foram um império, donos dos Oceanos.

8. O gene egoísta de Dawkins, é uma releitura da teoria da evolução de Darwin, onde o Dawkins exprime pela primeira vez o conceito de memes que seria algo similar ao gene para efetivar transmissões culturais, e que a competição/cooperação não seria entre as espécies mas entre os genes. O livro desperta-nos para pensar sobre a vida e sua evolução e como os genes são eternos.

9 e 10. Dispensa comentários.

 


 

Alguns links:

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/comunicacao/understanding-media-598064

https://www.amazon.com.br/Administra%C3%A7%C3%A3o-Responsabilidades-Pr%C3%A1ticas-Peter-Drucker/dp/B004TI7V4W/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1514596581&sr=8-1&keywords=Administra%C3%A7%C3%A3o%3A+responsabilidades%2C+tarefas+e+pr%C3%A1ticas%3B+Peter+Drucker%3B

https://www.livrariacultura.com.br/busca?N=0&Ntt=Hist%C3%B3ria+da+civiliza%C3%A7%C3%A3o%3B+Will+Durant

 

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/ciencias-sociais/ciencias-politicas/relacoes-internacionais/sobre-a-china-22957132

https://www.livrariacultura.com.br/p/ebooks/historia/a-primeira-aldeia-global-17542464

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/ciencias-biologicas/filosofia-da-ciencia/o-gene-egoista-2271351

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/historia/historia-mundial/sapiens-uma-breve-historia-da-humanidade-42865102

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/historia/homo-deus-46351043

 

Aforismos diversos – cérebro, felicidade, ser quem somos

Uma coletânea de frases curtas e pensamentos

——————————
Consumo de energia do cérebro. O cérebro humano é extremamente desenvolvido, e isto custa caro. Os 100 bilhões de neurônios gastam 25% das calorias do corpo humano. Isto, com um órgão que pesa 1 quilo e meio, em digamos 70 quilos totais. É como uma fornalha de calorias.
Mas pensar, ler, estudar, usar a cabeça, não gasta mais calorias do que não pensar em nada. Se não fosse assim, Einstein precisaria comer tanto quanto o nadador Michael Phelps.
O uso de energia do cérebro é mais ou menos igual a deixar um carro ligado. Vai consumir gasolina ficando parado ou não.
Portanto, melhor usar este carro para ir para lugares nunca d´antes navegados, do que ficar parado no mesmo lugar observando a paisagem.
——————————
Será só eu que prefiro um dia trabalhando do que um dia na praia?
https://mbtauk.files.wordpress.com/2015/05/trancoso3.jpg
——————————
Somos feitos de Tempo. Nosso limite para fazer qualquer coisa não é o dinheiro, habilidade física, qualidade de ensino. O limite final é o tempo disponível. Tempo = Vida. Administre bem o seu tempo.
——————————
Ambição infinita
Não fomos feitos para sermos felizes. Fomos programados biologicamente para
querer algo, conseguir e no momento seguinte, querer algo novo. É só pensar em
como seria se fosse o contrário. Uma espécie que se contentasse facilmente
seria rapidamente ultrapassada por outra com ambição infinita.
Portanto, não é um iate, uma casa na praia ou uma viagem à França no futuro que vai nos fazer mais felizes.
O único jeito de ser feliz é ser feliz hoje, agora, com o que temos e com a vida que levamos.
——————————
Odeio questoes do tipo “a internet emburrece, sim ou não?”. Porque é um tipo de questão que leva a nada. A internet é uma ferramenta extremamente poderosa.
Assim como toda ferramenta, pode ser bem utilizada ou não. Quem souber utilizar o seu poder para se aperfeiçoar acima da média vai levar vantagem.
Quem ficar o dia inteiro jogando, chateando e entrando em discussões fúteis, vai emburrecer.
Na média, talvez emburreça, talvez não. Mas a média não interessa. A média não serve para coisa alguma. O que interessa é o que cada indivíduo faz. E espero
que os indivíduos aproveitem este nível de conexão sem precedentes na história para criar aplicações também sem precedentes na história.
——————————
Dinossauros são sinônimos de algo velho, ultrapassado, extinto há muito tempo. Entretanto, os dinossauros dominaram a Terra por 150 milhões de anos! O Homo sapiens existe há menos de 500 mil anos. Muito improvável que a nossa espécie consiga sobreviver por tantos milhões de anos assim. Não temos moral de dizer que os dinossauros foram um fracasso.
https://i0.wp.com/d0od.wpengine.netdna-cdn.com/wp-content/uploads/2015/06/chrome-dinosaur-game.png
——————————
Seja como Elon Musk. Ou não? Vi um anúncio assim:
“Elon fundou o PayPal porque queria fazer transações e não tinha como,
Anos depois não estava contente com as missões espaciais e fundou o Space X, depois o Solar City e a Tesla.
Seja como Elon.”
Discordo. Seja quem você é. O pior erro que podemos cometer é querer sem quem
não somos. Ou, como diria Nietzsche: Torne-se aquilo que você é.
——————————

Feliz ano novo em VBA

Cartão de ano novo em VBA. Um presente para os leitores deste espaço.

Baixe do Google Drive e clique em “gerar”, para ver a mensagem. As macros devem estar ativadas.

https://drive.google.com/open?id=1AlmxLJCevUlJkMa52aWoOauLxJPzA5-8

Do meu blog de Excel-VBA.

Um cartão de ano novo com flores e imagens bonitas é para os fracos.

Bom mesmo é um cartão em Excel VBA. Baixe a planilha no link abaixo, e clique em “Gerar” para ver a mensagem. As macros devem estar ativadas. https://drive.google.com/open?id=1AlmxLJCevUlJkMa52aWoOauLxJPzA5-8

via Cartão de ano novo em VBA — Ferramentas em Excel-Vba

Um conto de Natal do velhinho ranzinza

O velhinho ranzinza já foi descrito anteriormente neste espaço. É um senhor na faixa dos 80 anos, que vive sozinho. Não casou, nem tem filhos, nem parentes nem amigos próximos.

Hoje é véspera de Natal.

O dia começou como todos os outros: tomou café, caminhou um pouco, reclamou dos políticos. Sua caminhada é difícil. Ele tem artrite, precisa de uma bengala, e todos os seus movimentos demoram, demoram m u i t o.

Por ser um dia comemorativo, ele decidiu ir ao mercado comprar insumos para uma ceia especial. Escolheu um tender congelado, batatas para acompanhar e um molho especial feito à base de cebolas. Um vinho tinto chileno, para fechar o pacote.

Passou o resto do dia preparando a sua ceia especial. Caprichou no molho, experimentou as batatas. Respirou fundo o aroma da carne salpicada com o molho…

Chegando umas 7 da noite, achou um desperdício fazer a ceia e não dividir com ninguém. Pensou em quem poderia ligar. Não era casado, nem tinha filhos. Também não tinha irmãos. Um primo morava em Minas, e alguns outros, no Rio Grande do Sul. Parece que uma sobrinha morava em São Paulo, mas ele nem sabia o nome dela. Pensou em alguém do trabalho. Já tinha se aposentado há uns 15 anos, e perdido contato. Alguns conhecidos já tinham falecido ou estavam tão inválidos quanto ele próprio. Não conseguia ter atividades sociais atualmente, devido à sua incapacidade física.

O único contato maior era com o zelador do prédio, os porteiros e as faxineiras. Mas o contato com os porteiros era mais para ralhar com o desempenho deles do que para conversar. Além disso, eles tinham família, não iriam passar o Natal com um velho inválido, um porco-espinho que os espeta mas que no fundo tem cerne mole.

Ele teve um ataque cardíaco há uns 10 anos. Ficou um mês no hospital e foi salvo pela medicina moderna. Ele refletiu, se não tivesse sido pelos médicos, não poderia desfrutar da ceia de hoje…

No momento seguinte, o velhinho ranzinza deixou os devaneios de lado e foi ver a carne, que estava queimando.

Todos os preparativos feitos, era só esperar. Tomou um banho, vestiu a sua melhor roupa, e ficou à frente da televisão para matar o tempo, onde viu, como em todos os anos, uma dramatização de “Um conto de Natal”, de Charles Dickens: aquela história do avarento que recebe a visita dos espíritos do passado, presente e futuro.

Chegando a hora, ele deliciou-se com o banquete. Comeu o mais devagar possível, para desfrutar do momento.

Brindou com o vinho, ao Natal, à Vida e à Felicidade!

Um Feliz Natal para todos!

Terminada a janta, foi dormir. A partir de amanhã, tudo voltará à rotina, ao normal. Poderá voltar a atazanar a vida dos porteiros, cobrar performance das faxineiras do prédio, ir ao mercado, preparar a sua refeição e reclamar dos políticos. E dormiu o sono dos justos…

Posfácio: No Japão atual, vem ocorrendo um fenômeno chamado Kodokushi. Com o aumento da longevidade das pessoas e a diminuição do número de casamentos e filhos, há uma porcentagem cada vez maior de velhinhos solitários e desamparados. O mesmo tende a ocorrer em outras sociedades, em níveis cada vez maiores, inclusive no Brasil.

Porque trabalho na indústria

Este escrito é um corolário do anterior, o que é dinheiro para mim.

Sendo dinheiro energia, e sendo a soma do trabalho útil das pessoas, prefiro trabalhar num setor onde efetivamente há a transformação da natureza em um insumo útil ao ser humano. Trabalho primário, indústria.

O dinheiro não é um fim em si. É apenas um intermediário. No fim, é uma troca entre duas pessoas, com o aumento do bem estar de ambas. Um jogo de soma positiva.

Não gosto muito do setor financeiro, mercado de valores, bancos. Estes são setores onde entra dinheiro e sai dinheiro. Na minha visão, é quase como um jogo de soma zero, apenas redirecionando a energia existente. Dinheiro pelo dinheiro.

Alguns dirão que não é verdade. O setor financeiro é extremamente importante para a economia, ao permitir liquidez e investimentos. E, realmente, o setor financeiro é muito importante. Porém, é uma contribuição indireta. É como colocar óleo nas engrenagens de uma máquina, o óleo vai fazer a máquina rodar melhor. Entretanto, eu prefiro ser engrenagem do que óleo.

Enquanto puder me dar ao luxo de escolher, esta é a minha opção. Quando não tiver escolha e tiver que encarar o que vier, que assim seja.

Outros apontam que eu tenho ações na bolsa de valores. É verdade, tenho sim. Mas não é para fins especulativos. Não fico comprando e vendendo. Faço buy and hold. É mais para proteção ao risco do que para investimento. Não confio na renda fixa, que no final das contas está atrelada a títulos da dívida do governo. Não sou maluco de confiar todos os ovos num cesto inseguro como o governo brasileiro.

Prefiro gastar meu tempo estudando, aperfeiçoando habilidades, ensinando neste blog ou nos outros, do que tentando ganhar com trades na bolsa.

Como diria o grande filósofo Friedrich Nietzsche, escrevo essas palavras com o meu sangue, e para compreendê-las, o leitor deve ler com a alma.

O que é dinheiro para mim?

Dinheiro, para mim, é igual à energia. É algo equivalente à soma do trabalho útil de todas as pessoas.

O universo, naturalmente, tende ao caos – é a segunda Lei da Termodinâmica, a Lei da Entropia.
Não é o estado natural do mundo que todos tenham acesso à alimentação, moradia, educação. O estado natural do mundo é que é difícil obter acesso à alimentação, moradia. Em outras épocas foi extremamente difícil. Educação então nem se fala.

Para extrair algo do mundo e transformar num insumo para o ser humano, é necessário um trabalho útil. Útil no sentido de que deve ser efetivo. É possível alguém fazer muito esforço mas não gerar nada, daí no fim do dia, ele vai passar fome do mesmo jeito.

É a soma deste trabalho útil que permite à humanidade sobreviver ou não. Se o trabalho gerar menos do que consome, a tendência é de a humanidade desaparecer. Se gerar mais trabalho do que consome, a tendência é de crescer.


Definições de dinheiro

Tradicionalmente, nos livros básicos de economia o dinheiro tem três funções.

  • Meio de troca
  • Unidade de medida
  • Reserva de valor

Ao invés do João dar bananas para Alfredo e receber laranjas, eles trocam notas de dinheiro. O dinheiro serve como meio de troca entre laranjas e bananas. Também serve como unidade de medida: se eu cortar 1/3 de banana para completar com 1/2 laranja, estrago ambas as frutas, mas sendo o dinheiro divisível, consigo fazer esta equivalência. E também serve como reserva de valor, se Alfredo não quiser bananas hoje, mas sim amanhã, ele pode guardar as notas que receber.

No fundo, o dinheiro é apenas um intermediário. E este intermediário tem diversas vantagens. Pode tornar o trabalho extremamente intrincado, complexo: alguém que trabalha numa peça de manutenção de uma gigantesca indústria de minérios vai receber o dinheiro, e com isso comprar bananas. De outra forma, seria impossível o João receber a peça da indústria e trocar por bananas.

Para ser um bom intermediário, o dinheiro tem que ter várias características: difícil de falsificar, escasso, durável, divisível, portátil, etc.

As razões são simples. Se for facilmente falsificável, perde todo o valor. Se dinheiro desse em árvore, como folhas, não teria o valor da escassez, e é por isso que folhas não servem para ser dinheiro, e nem dinheiro dá em árvore. Se não for durável, não serviria como reserva de valor. Se não for divisível, não consigo trocar 1/3 de banana por 1/2 laranja. Se não for portátil, eu teria que usar um carrinho de mão de dinheiro para comprar uma laranja (e é o que acontece, em países com superinflação).

Note que o ouro é o metal perfeito para servir de intermediário. É extremamente escasso, não falsificável, durável eternamente, divisível – na verdade dúctil, e por ter muito valor, portátil.

Entretanto, o ouro é tão escasso, mas tão escasso, que o crescimento do mundo é muito maior do que o crescimento da quantidade de ouro minerada no planeta. E não faz sentido lastrear o crescimento do mundo em algo que não cresce.

Portanto, o dinheiro é energia no sentido de que o valor de trabalho de uma pessoa vai ser transformado num valor equivalente ao trabalho de outra pessoa, ou pessoas, ou indústrias.


E o que é energia?

Muito instrutiva é uma aula do grande cientista americano Richard Feynman, em que ele discorre sobre energia.

Um primeiro impacto: ninguém sabe exatamente o que é energia. Não há um entendimento preciso sobre o que seja isto.

E um segundo impacto: ao invés de dizer que a energia se conserva após um processo, talvez seja mais interessante pensar no contrário. Àquilo que se conserva após um processo, dá-se o nome de energia, seja lá o que for: cinética, térmica, radioativa, etc. Então, por definição, a energia seria conservada.

Seja como for, é bom ter em mente as duas leis da termodinâmica: a energia se conserva entre processos, mas uma parte dela se conserva na forma de entropia, ou seja, é perdida do trabalho útil.


Confiança

Uma nota de 100 reais é apenas papel. Não dá para comer, não vale nada intrinsicamente. É apenas um intermediário.

Mas, para desempenhar este papel, as pessoas devem confiar que vão poder gastar o dinheiro recebido.

No fundo, no fundo, é a confiança que importa.

Tendo confiança, qualquer coisa pode desempenhar o papel de dinheiro: cigarro nas prisões, pedras redondas nas ilhas do pacífico, um número no extrato bancário, ou até um papel com uma impressão em cima.

O problema é quando ocorre a quebra da confiança. Quando o dono da impressora de dinheiro imprime mais dinheiro do que crescimento do trabalho, ocorre inflação. Alguns poucos, os que têm meios de se proteger recebendo valores inflacionados, se dão bem. A grande maioria, que não tem reajustes rápidos, sai perdendo.

Quando ocorre quebra de confiança na moeda, o trabalho continua existindo. Mas o meio de trocar este trabalho, não. Em casos extremos, a sociedade volta ao escambo: prefiro trocar laranjas por bananas, diretamente, do que trocar laranjas por moeda podre, que vai perder o valor. Quando se tem laranjas para trocar, tudo bem. Mas o mecânico da peça de manutenção de grande indústria não recebe bananas, recebe moeda podre. E ele vai querer continuar sobrevivendo, mesmo que isto signifique trocar de emprego, digamos ser feirante – mesmo que o trabalho dele na grande indústria seja muito mais valioso para a sociedade a longo prazo. E, assim, fecha-se o ciclo, o trabalho útil diminui, a energia é desperdiçada, e a entropia vence.

Veja também: O Índice X-Men de inflação, sobre a hiperinflação dos anos 80.

Nota: Todo o ouro do mundo cabe num cubo de 20x20x20 metros, para dar ideia de quão escasso é.

O Crepúsculo dos Ídolos em 40 frases

O Crepúsculo dos ídolos, é um livro do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, publicado em 1889.

https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/51OO4wlyfwL._SX323_BO1,204,203,200_.jpg

O subtítulo “ou Como se filosofa com o martelo” já diz tudo: ele usa o martelo para atacar a filosofia, a razão, a moral, os costumes, destruir tudo.
“Ídolo com pés de barro” se refere a uma história bíblica: uma estátua, um ídolo, com a cabeça de ouro, peito de prata, pernas de ferro e pés de barro. Apesar de todo o seu resplendor, uma pedrinha rolando morro abaixo atingiu o seus pés de barro, e derrubou o ídolo. E é isto que Niezsche mais gosta de fazer: derrubar ídolos atacando os seus pés de barro, principalmente os maiores ídolos de seu tempo.

Gosto muito de Nietzsche, por ele ser provocativo e politicamente incorreto.

Segue abaixo alguns excertos do livro.


Prólogo

No mundo há mais ídolos do que realidades.

Este pequeno escrito é uma declaração de guerra, não se trata de ídolos contemporâneos, mas de ídolos eternos.

Posso fazer perguntas com o martelo e, talvez, ouvir como resposta aquele famoso som oco que fala das entranhas infladas – quão agradável para aquele que possui ouvidos por trás dos ouvidos, ante ao qual precisamente aquilo que gostaria de permanecer em silêncio, tem de ser ouvido alto e em bom tom.


Parte 1. O problema de Sócrates

Sócrates e Platão são sintomas de declínio, instrumentos da dissolução grega.

Sócrates pertencia ao povo mais baixo: Sócrates era plebe. Sabe-se inclusive quão feio ele era. Os antropólogos entre os criminalistas nos dizem que o típico criminoso é feio: monstro de aspecto, monstro de alma.

Em tudo Sócrates é exagerado, bufão, caricatura, e oculto, de segundas intenções, subterrâneo.

Com Sócrates, o gosto grego se modifica em favor da dialética. O gosto aristocrático é vencido com isso; a plebe ascende ao primeiro plano com a dialética.

Ele trouxe uma variante no combate entre homens jovens e adolescentes. Sócrates também era um grande erótico.

Sua apavorante feiúra o exprimia para todos os olhos: ele fascinou ainda mais intensamente como resposta, como aparência de cura para esse caso.

Sócrates fez da razão um tirano, e não é pequeno o perigo disto.

O modo com que Sócrates fascinava: ele parecia ser um médico, um salvador. É engano dos moralistas achar que é possível sair da decadência ao fazer guerra contra ela. Sair da decadência está fora de sua força, é novamente a mesma expressão de decadẽncia.


Parte 2: A “razão” na filosofia

Tudo o que há séculos os filósofos manejaram foram conceitos-múmia, nada de efetivamente vivaz veio de suas mão.

Outra idiossincrasia dos filósofos não é menos perigosa: ela consiste em confundir o último e o primeiro. Eles põem no início, como início, aquilo que vem no final – infelizmente!

Quatro teses:
1 – As razões pelas quais este mundo foi classificado como aparente fundamenta, muito mais, sua realidade. Uma espécie diversa de realidade é absolutamente indemonstrável
2 – As características que se deu ao “verdadeiro ser” das coisas são características do não ser, do nada. O mundo é aparente na medida em que é apenas ilusão ótico-moral.

3 – Fabular sobre “outro” mundo distinto deste não tem absolutamente qualquer sentido.

4 – Dividir o mundo em “verdadeiro” e “aparente”, seja da maneira do cristianismo, seja da maneira de Kant é apenas uma sugestão de decadência.


Como o “mundo verdadeiro” se tornou fábula

Abolimos o mundo verdadeiro: Que mundo restou? Talvez o mundo aparente? Mas não! Com o mundo verdadeiro abolimos também o mundo aparente!


Moral como contranatureza

Todas as paixões possuem uma época em que são meramente nefastas, em que puxam para baixo suas vítimas com o peso da estupidez.

Atacar as paixões pela raiz significa atacar a vida pela raiz: a práxis da Igreja é hostil à vida.

O que é mais venenoso contra os sentidos não foi dito pelos impotentes, mas pelos ascetas impossíveis, por aqueles que haviam tido a necessidade de serem ascetas.

Para uma nova criação, como o novo Reich, ter inimigos é mais necessário que amigos: somente no antagonismo ele se torna necessário.

É ingenuidade dizer “assim e assim o ser humano deveria ser”.


Os quatro grandes erros

Não há erro mais perigoso do que confundir a consequência com a causa: é a autêntica corrupção da razão.
A fórmula mais universal que está na base de toda religião e moral, reza: “faz isso e aquilo, não faça isso e aquilo”. Este é o grande pecado da razão, a mortal irracionalidade.

Erro do espírito como causa, confundido com a realidade! E convertido em medida da realidade! E denominado Deus.

Erro das causas imaginárias – partir do sonho a uma determinada sensação, imputa-se retrospectivamente uma causa.

A doutrina da vontade foi essencialmente inventada com a finalidade de punir, isto é, de querer encontrar um culpado.

O cristianismo é uma metafísica de carrasco.

Qual é a nossa teoria? Ninguém dá ao ser humano suas características, nem Deus, nem a sociedade, nem seus pais e antepassados, nem ele próprio. Ninguém é responsável pelo fato de existir. Nós negamos a Deus, negamos a responsabilidade em Deus: somente dessa forma é que redimimos o mundo.


Os “melhoradores” da humanidade

Conhece-se minha exigência ao filósofo de colocar-se para além do bem e mal. Não existem absolutamente fatores morais. Moral é apenas uma interpretação de certos fenômenos, uma interpretação equivocada.

Em todas as épocas, se quis “melhorar” os seres humanos, a isso se chamou moral.


Sentenças

É preciso ser um animal ou um deus para viver sozinho – diz Aristóteles. Falta o terceiro caso: é preciso ser ambos – um filósofo…

Da escola de guerra da vida – O que não me mata me fortalece.

Ajuda-te a ti mesmo, e então todos ainda te ajudarão. Princípio do amor ao próximo.

Torna-se caranguejo quando se procura pela origem. O historiador olha para trás; por fim, acaba acreditanto também no para trás.

Desconfio de todos os sistemáticos e fujo do caminho deles. A vontade de sistema é uma falta de retidão.

Quão pouco se precisa para a felicidade! O som de uma gaita de fole. A vida seria um erro sem música.

O psicólogo tem de afastar a vista de si mesmo para poder enxergar algo.

Tu és autêntico? Ou apenas um ator?

Procurei pelos grandes seres humanos, e sempre encontrei apenas os macacos do seu ideal.

És alguém que só olha? Ou que se põe ao trabalho? Ou alguém que desvia o olhar, pondo-se de lado?

Queres caminhar junto? Ou à frente dos outros? Ou seguir o próprio caminho? É preciso saber o que se quer e que se quer.

O ser humano é um erro de Deus? Ou Deus é um erro do ser humano?


O MARTELO FALA

“Por que tão duro!” -falou ao diamante um dia o carvão: “não somos afinal parentes próximos?”
Por que tão frágeis? Ó meus irmãos, assim vos pergunto: vós não sois afinal – meus irmãos?
Por que tão frágeis, tão prontos a ceder e a amoldar-se? Por que há tanta negação, tanta renegação em vossos corações?
Tão pouco destino em vossos olhares? E vós não quereis ser destino e algo inexorável: como poderíeis um dia vencer comigo?
E se as vossas durezas não querem relampejar e cortar e despedaçar: como poderíeis vós criar comigo?
Todos os criadores são em verdade duros. E venturança precisa parecer-vos imprimir a vossa marca sobre milênios como sobre cera, –
Venturança de escrever sobre a vontade de milênios como sobre bronze – como sobre algo mais duro do que o bronze. Totalmente duro solitariamente é o que há mais nobre.
Esta nova tábua, ó meus irmãos, coloco sobre vossas cabeças: tornai-vos duros! –


Nota: Resumos têm uma utilidade resumida. Recomendo a leitura do livro inteiro para uma visão mais completa.

https://amzn.to/35LcNQj

Não é assim que as coisas funcionam

Recado para aqueles que esperam serem ordenados para fazer alguma coisa.

Não é assim que as coisas funcionam.

Para fazer alguma coisa acontecer, tem que ter iniciativa.

O estado natural dos processos tende à entropia, à desordem. É a segunda lei da Termodinâmica.

Sair da entropia e colocar ordem exige esforço, trabalho, concentração.

O negócio é agir, ao invés de esperar;

E puxar, ao invés de ser puxado.

O melhor governo

O melhor governo é aquele que deixa as pessoas viverem.

O pior governo é o do salvador da pátria, que diz que vai consertar todos os problemas do mundo.

 

Vejamos o que a sabedoria do Tao Te Ching já dizia, há 2 mil anos:

Quando um Grande Soberano governa,
o povo mal sabe que ele existe.

Os menos grandes são amados e louvados,
os ainda menores são temidos,
os mais inferiores ainda são desprezados.

Os negócios seguem o seu curso e as pessoas pensam: “Somos livres”

Tao Te Ching, verso XVII

 

 

Sobre a métrica correta

Outro dia, vi um post de alguém que dizia ter mais de 1000 views diários de seu perfil profissional no LinkedIn. Ela dava dicas de como ter “sucesso” na rede – possivelmente venda e lucre com isso também.

Ora, o meu perfil no mesmo tem menos de 1 view por dia. Isto não faz a menor diferença, não me torna um profissional melhor ou pior. Não é a métrica correta: views no perfil tem zero correlação com um bom trabalho profissional em sua área de atuação.

Algumas métricas melhores: Estou feliz com que faço? Tenho harmonia no mundo profissional e isto não perturba a harmonia em casa? Agrego valor de verdade com o meu labor? O que fiz vai retornar para a sociedade, direta ou indiretamente? Estou com a consciência limpa? No final do dia, valeu a pena?

 


 

Poema em linha reta – Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

 
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?