HumanZés e Zés

HumanZés são criaturas geradas a partir do cruzamento entre um ser humano e um chimpanzé. Parece (e é) uma doideira, mas foi um experimento real, realizado pelos cientistas de Joseph Stálin (tinha que ser…), na União Soviética dos anos 1920.

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A ideia de Stálin era criar uma raça de super-homens. Semi-humanos com a força e a resistência de um macaco. Criar um ser que trabalhasse muito, fosse insensível à dor e que aceitasse comer qualquer coisa. Não precisava ser muito inteligente. Na verdade, tinha que ser inteligente o suficiente para fazer as tarefas que lhe fossem designadas, mas burro o bastante para não reclamar. Os cientistas utilizaram chimpanzés nos experimentos, por serem próximos geneticamente de nós: 99% dos nossos genes são iguais. Uma breve introdução à genética neste post.
Um cientista russo chamado Ilya Ivanov liderou uma expedição à África, cujo objetivo era inseminar chimpanzés fêmeas com esperma humano. Não deu certo. Anos depois, ele tentou fazer o oposto, impregnar voluntárias humanas com esperma animal.

Felizmente, os experimentos nunca deram certo, e o mundo nunca viu essas aberrações andando por aí.


 

Avançando 100 anos, notamos que os humanzés não existem. Mas é como se existissem, em outro grau de especialização.

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Um anúncio de emprego típico dos dias de hoje:

Vaga para analista de negócios. Graduação em Administração, Economia ou Engenharias. Desejável mestrado, doutorado e MBA. Inglês fluente, desejável espanhol e vivência no exterior. Mandarim é um diferencial. Disponibilidade para viagens e trabalho aos sábados. Pelo menos três anos de experiência na função. Conhecimento de SAP, Microsoft Office, Estatística, KPI, PMBOK, certificação Black Belt. Facilidade de comunicação, resiliência, capacidade de trabalhar em grupo, visão estratégica. Contratação CLT.

Salário: 1 mil reais e vale-refeição…

Claro que está meio exagerado, mas é por aí. Humanzés para quê?

 


Save the orangotan

Aproveitando o post para divulgar um trabalho bem legal, de proteção aos orangotangos.

http://savetheorangutan.org

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Links:
“O polegar do violinista”, Sam Kean

https://www.saraiva.com.br/o-polegar-do-violinista-e-outras-historias-da-genetica-sobre-amor-guerra-e-genialidade-5186918.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Humanzee

http://g1.globo.com/platb/espiral/2009/05/08/o-humanze-e-os-bolcheviques-a-tentativa-de-mandar-a-igreja-pros-infernos/

Deixa a vida me levar

O estilo Zeca Pagodinho de gerenciamento é o “deixa a vida me levar, vida leva eu”. Se tudo der certo, fico feliz. Se der errado, não ligo. Estou à deriva, leve, flutuando ao sabor do destino. Aliás, a música é um sambinha agradável, simples e cheio de ritmo.

“Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu”.

 

O estilo Michael Porter de administração é o oposto: Criar o próprio caminho. Ser o dono do seu futuro. Ter um planejamento estratégico para saber exatamente onde chegar daqui a 10 anos. Estabelecer metas duras de longo e curto prazo. Ter disciplina pesada para cumprir uma rotina que leve ao destino desejado. Ser o timoneiro do seu navio. Conduzir a própria vida, danem-se os deuses e o destino.

O problema do segundo método é que a vida não necessariamente vai colaborar. Mesmo fazendo tudo certo, planos não serão seguidos e metas não serão atingidas. O universo às vezes conspira a favor, às vezes conspira contra… na verdade, o universo não está dando a mínima bola para mim.

 


O que você vai ser quando crescer?

A frase mais ouvida por toda criança é “O que você vai ser quando crescer?”

Peter Drucker, o grande mestre da administração, dizia: Estou com mais de 60 anos, e ainda não sei o que vou ser quando crescer.

Eu também não tenho a menor ideia do que estarei fazendo daqui a 10 anos e nem do que vou ser quando crescer.

Em um futuro não tão distante, talvez uma guerra mundial perturbe todo o equilíbrio atual. Talvez eu ganhe na loteria. Talvez uma nova doença nos obrigue a mudar de estado. Talvez o futuro seja muito feliz. Talvez nada mude. Talvez eu nem esteja vivo…

O Destino é sempre muitas ordens de grandeza maior do que as minhas forças.

 


 

O barquinho a deslizar, no macio azul do mar

 

É como se estivéssemos em alto-mar, dentro de um barquinho.

Alguns barquinhos são maiores, outros são minúsculos. Alguns têm vela, remos, boia salva-vidas. Outros, têm nada.

 

Com a nossa força minúscula a movimentar os remos, e nosso know-how de como navegar com a vela, damos alguma direção ao barquinho. Nos casos em que o mar permite e temos sucesso, ficamos tão orgulhosos: “Viram? Consigo domar os mares e ser dono do meu próprio caminho”.

Entretanto, o mar salgado é muito mais poderoso do que nós.

Os gregos antigos oravam a Posseidon (Netuno, para os romanos), deus dos mares, para chegar ao seu destino.

Estes povos antigos atribuíam tudo o que fosse além de nossa força aos deuses. Se tivessem êxito, era porque Posseidon permitiu a navegação nos mares, Atena ajudou a ler as estrelas, e Zeus não atrapalhou. Nunca era apenas a força humana.

Coitado de quem desafiasse os deuses, como fez Ulisses, na Odisseia. Ele desrespeitou Posseidon, ao cegar o único olho e zombar do Cíclope Polifemo, filho do deus dos mares. Por isso, o heroi grego pagou muito caro: demorou 10 anos e percorreu uma jornada árdua para retornar à sua casa.

Enquanto Zeca Pagodinho flutua pelos mares, Michael Porter tenta impor sua vontade sobre o mesmo.

Navegadores antigos tinham frase gloriosa: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Fernando Pessoa.


 

Vida leva eu

A conclusão é a de que Zeca Pagodinho estava certo.

Temos que batalhar muito para percorrer o nosso caminho.

Entretanto, temos que ter a humildade de nos curvar aos caprichos do Destino. Talvez as correntezas estejam atrapalhando. Talvez a jornada seja um passeio agradável. Nunca se sabe o que virá. Vida leva eu.

Se tudo der certo, fico feliz. Se der errado, não ligo. Sou feliz e agradeço por tudo o que tenho.

Se não tenho tudo que preciso, com o que tenho, vivo. De mansinho lá vou eu.

 


 

Bônus. O Barquinho.

Dia de luz, festa de sol
Um barquinho a deslizar no macio azul do mar
Tudo é verão, amor se faz
Num barquinho pelo mar que desliza sem parar
Sem intenção, nossa canção
Vai saindo deste mar e o sol

O barquinho vai, a tardinha cai…

 

 

O Barquinho – Maysa Matarazzo.

Composição: Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli

Mercados desabam 0,16%???

Abro a notícia do link a seguir, dizendo que os mercados asiáticos desabaram devido às últimas notícias.

Temor com Coreia do Norte desaba fechamento de bolsas da Ásia

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Quando vejo o conteúdo, lá diz que a bolsa da China fechou em baixa de 0,16%, a bolsa do Japão, em baixa de 0,25%.

Desde quando uma baixa de 0,16% é desabar?


 

Algumas incorreções.

Primeiro, qualquer desses índices de mercado é composto de várias e várias ações. O Ibovespa, por exemplo, é uma carteira de 59 ações, conforme o link.

Portanto, se o índice final ficou próximo de zero, algumas ações subiram, outras desceram. Na média ponderada, deu o número citado. Portanto, o índice como número absoluto é apenas um indicativo. Não quer dizer nada, de forma absoluta.

 

Segundo, o ser humano tem uma necessidade imensa de explicar tudo. Na bolsa, cada comprador e vendedor têm os seus objetivos. É, no mínimo, superficial justificar as ações de todos os milhares de compradores, vendedores e algoritmos a partir de uma manchete de jornal espalhafatosa. Entretanto, a explicação como a dada é simples, fácil de entender e faz algum sentido, é boa para uma manchete de jornal.

Dá-se o nome de Falácia Narrativa à nossa tendência de querer explicar tudo de forma simples e que faça algum sentido. Temos muita criatividade para interpretar dados e fatos, e atribuir significado. E, assim, explica-se porque o Corinthians perdeu, porque os chineses têm olhos puxados, porque o ornitorrinco nunca surgiu no Brasil, etc…

 

Uma variação tão baixa, de 0,16%, e no índice do mercado, significa nada. O mercado andou de lado. Deu de ombros ao noticiário – não acredita nem nas bravatas do gordinho norte-coreano, nem nos latidos do magnata americano… mas dizer isto não rende cliques.

 

 

 

 

 

 

Jô, Rodrigo Caio, Maquiavel e Kant

O futebol não vive sem uma boa polêmica, não?

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Quem estará correto, o desonesto, trapaceiro e espertalhão jogador Jô, que deliberadamente meteu a mão na bola para fazer o gol, ou o bonzinho, honesto e otário jogador Rodrigo Caio, que num lance em que o adversário foi punido (por ironia do destino, o próprio Jô), assumiu a sua culpa e livrou um cartão amarelo para o espertão?

Levar vantagem sobre um erro ou não?

Esta discussão é antiga, e envolve algumas das maiores cabeças da história, numa discussão infindável sobre valores morais.

 


 

Nicolau Maquiavel

O gol de mão deliberado de Jô lembra uma frase antiga: “Os fins justificam os meios”. A autoria desta frase é atribuída ao pensador italiano Nicolau Maquiavel, 1469 – 1527. Ele escreveu o livro “O Príncipe”, inspirado na família Médici – poderosos nobres da época – e em outros personagens históricos.

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É possível que ele não seja o autor literal da frase “Os fins justificam os meios”, mas esta se encaixa muito bem em sua proposta. “O Príncipe” é como se fosse um manual para que um príncipe se mantenha no poder. O livro contém dicas como “seja benevolente, caridoso, religioso”. Contudo, o governante não precisava sê-lo de fato, apenas nas aparências, pois precisava do apoio da população.

Ele também diz que para o governante é muito mais seguro ser temido do que amado. Outra frase é a de não tentar vencer pela força, quando é possível vencer pela astúcia.

Por essas e outras, o termo “maquiavélico” se traduz em: que envolve perfídia, falsidade; doloso, pérfido.

Mas, antes de tacar pedras, lembre-se de que todos têm o lado Maquiavel. É o lado pragmático, de atingir um objetivo mesmo descumprindo algumas regras.

Maquiavel coloca ênfase total no resultado, e zero ênfase na causa que gerou o resultado. Ele é bastante prático, e aplaudiria o gol de mão de Jô.

Imaginemos outro dilema moral. Se eu voltasse no tempo e estivesse diante de Hitler nenê, eu daria veneno para ele? Por um lado, tirar Hitler do mapa ajudaria a evitar a Segunda Guerra Mundial, que devastou a Europa inteira e tirou a vida de milhões de pessoas. Por outro lado, eu estaria cometendo assassinato.

A resposta de Maquiavel seria bem simples. Acabe com o Hitler nenê. Salve o mundo. E durma tranquilo.

 


 

Immanuel Kant

 

O pensador mais Rodrigo Caio de todos é o grande filósofo alemão Immanuel Kant, 1724 – 1804. Ele tentou criar uma fundamentação moral perfeita, que constrastasse com a antiga moral grega e a moral da igreja católica.

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Kant criou um sistema moral que olha para as causas, e não para as consequências. Se eu me mantive fiel aos princípios ao executar a ação, fiz um bom ato. Rodrigo Caio tem um princípio de ser honesto e falar a verdade, então ele se denunciou.

O primeiro imperativo moral de Kant é uma espécie de Regra de Ouro, porém bem mais complicada: “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal.” É mais ou menos assim. A regra de ouro “faça aos outros apenas o que faria a si mesmo” é bem legal, mas tem defeitos – digamos, um sadomasoquista pode causar dor nos outros porque também gostaria de sentir dor. Então Kant criou uma regra de ouro estendida: ao invés de envolver duas pessoas, envolveria todas, assim consertando a regra.

Uma derivação do conceito de Kant é a de que não devemos usar pessoas como um meio, apenas como um fim em si.

 

O que aconteceria no caso de Hitler nenê? Kant diria que não devemos assassinar o Hitler nenê, porque assassinato é ruim. Entretanto, causar a Segunda Guerra não é um ato pior ainda?

E se um ladrão entrasse em casa, e a vida da minha família dependesse de uma mentira, o que faria Kant? Manteria-se fiel ao princípio de não mentir e condenaria a família? O próprio Kant deu a sua resposta, quando perguntado sobre um dilema semelhante: contaria a verdade ao ladrão e condenaria a família, mantendo-se fiel ao seu princípio moral de ser honesto.

 

Nota-se claramente que a filosofia de Kant pode ser interessante para o Sr. Spock, o alienígena perfeitamente racional da série Star Trekk. Mas não reflete o comportamento do ser humano, que no final das contas é um hipócrita: fala como Kant, age como Maquiavel.

 


 

John Stuart Mill

Uma última linha de raciocínio: o Utilitarismo do pensador inglês John Stuart Mill, 1806 – 1873.

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O utilitarismos também olha para os resultados, como Maquiavel. Mas, ao invés de considerar o resultado para si mesmo, como no caso do Príncipe, considera o resultado para a humanidade inteira. É como fazer uma conta aritmética. Se a quantidade de pessoas felizes foi maior do que a quantidade de pessoas infelizes, o ato é bom.

No caso de Hitler nenê, como isto traria a felicidade de milhões de pessoas a mais, é um bom ato.

No caso de Jô, depende. Como ele joga no Corinthians, e este tem mais torcida do que o adversário, foi um bom ato o gol de mão. Se ele jogasse num time pequeno contra o Corinthians, seria um ato ruim, porque mais gente ficaria infeliz (coincidentemente, a Rede Globo e grande parte dos juízes também pensam assim, rs).

Sempre achei o Utilitarismo muito esquisito. Como mensurar algo abstrato como a felicidade, e tomar uma decisão baseada numa conta de maior ou menor? Entretanto, há muitas decisões que o ser humano toma, que são fortemente utilitaristas.

Se há uma vacina para uma doença terrível, digamos um Ebola de nível mundial, mas essa vacina cura 60% das pessoas e mata 40%? Mill diria para mandar ver, aplicar a vacina. Para Maquiavel, depende dos objetivos do Príncipe liberar ou não a vacina. Para Kant, não é moral liberar a mesma.

Mas e se for uma vacina que cura 99,999% das pessoas, e pode afetar 0,001%?

E se curar 99,99999% das pessoas?

 

O grau de utilidade pode afetar a decisão.

Para fechar o tópico, um livro bem interessante é de Dan Ariely, sobre desonestidade.

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Em resumo, diz que todos nós somos desonestos. Alguns mais, outros menos. A grande maioria é só um pouquinho desonesta, um pouquinho suficiente para levar alguma vantagem (digamos embolsar 1 real do troco que veio errado), mas não tão grande a ponto de perturbar o sono (digamos, se veio 100 reais a mais no troco, devolvemos).

 


 

Conclusão

A conclusão é que escrevi um texto enorme para dizer que não há conclusão absoluta. O legal de filosofia é que para cada argumento, há um argumento diametralmente oposto, mas igualmente válido. Ou seja, é da consciência de cada um decidir o seu lado Jô, o seu lado Rodrigo Caio. Ou melhor, o seu lado Maquiavel, o seu lado Kant, ou o seu lado Stuart Mill.

Mas, na prática, eu não compraria um carro usado do jogador Jô.

 

 

 

Os juros compostos são mais poderosos do que o VPL

Plantar x Colher

Existe uma assimetria importante entre plantar e colher. E o que está no meio da assimetria é um fator extremamente pesado, que se chama Tempo.

Esta semana, eu e equipe envolvida estamos completando um trabalho muito importante. Mas este trabalho não começou ontem. Começou há mais de dois anos atrás, na forma de uma ideia amplamente debatida. Esta ideia gerou os primeiros passos, que envolviam obter e tratar dados. Este primeiro passo sozinho consumiu mais de 6 meses de trabalho só para deixar tudo corretamente encaminhado.

Um segundo passo foi a criação de um protótipo que fizesse exatamente o que a gente queria. E lá se foram mais alguns meses desenvolvendo, e outros tantos testando. Por fim, finalmente traduzir este trabalho para uma plataforma mais completa, final, que envolveu outros tantos meses pensando, trabalhando, aperfeiçoando.

As pessoas chegam e saem no meio do caminho. E, quem não sabe, pode dar o crédito somente ao elo final do trabalho. Mas, para tal elo final existir, foram necessários muitos elos básicos, desde o início até o fim.

Pode-se vender a mesma ideia para duas pessoas, mas ter resultados completamente diferentes no final das contas. As coisas que dão certo, não são por acaso. Não se pode olhar apenas para o resultado final.

 


 

O EBITDA trimestral

O mundo está cada vez ficando imediatista. Mede-se o desempenho do presidente de uma empresa pelo EBITDA trimestral, da mesma forma que se mede um técnico de futebol pelo placar da rodada: se perder três jogos seguidos, troca-se o técnico. Desta forma, contanto que o EBITDA continue bom, tudo está correndo bem, mesmo que uma empresa mal intencionada esteja empurrando para debaixo do tapete uma bola de neve de adversidades que vão cobrar o seu preço num futuro não tão distante.

O grande problema do tempo é que quem planta não é necessariamente quem colhe. Aliás, os melhores investimentos são os de longo prazo, onde certamente quem colhe não é o mesmo que plantou.

O Brasil de Lula colheu os resultados do Plano Real de Fernando Henrique Cardoso, que domou o dragão da hiperinflação e finalmente colocou o país no rumo que ele merece trilhar. O Brasil de hoje, que quase saiu dos eixos, é fruto de 13 anos de políticas populistas, imediatistas e sem fundamento. Neste exato momento, estamos novamente entrando nos eixos, aos poucos, com um gestão muito mais responsável.

Brasil árvore frutos FHC Lula Dilma

 

O ser humano tem extrema dificuldade de conviver com o tempo. Nós valorizamos muito mais o presente do que o futuro. Isto é bastante justificável, uma vez que não existe o longo prazo para quem não sobreviver ao curto prazo. O homem de neandertal precisava comer hoje, ao invés de guardar para um inseguro amanhã. Quem garantiria que o neandertal iria sobreviver para viver o amanhã? E quem garantiria que um lobo não acharia a refeição escondida? Quanto mais incerto o futuro, mais valor tem o presente.

O economista John Keynes diria que, a longo prazo, todos nós estaremos mortos.

 


VPL

A ferramenta matemática que comprova o poder do tempo presente é o tal do Valor Presente Líquido. Uma maçã hoje vale muito mais do que uma maçã amanhã. Tanto maior a taxa de desconto, mais vale o presente ao futuro.

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Quanto maior a inflação, menos consigo saber o valor do dinheiro no futuro, portanto mais ênfase no agora. Quanto mais violenta a sociedade, menos ênfase no futuro – para que investir em estudos e num trabalho honesto, se tudo pode acabar de uma hora para outra? Melhor desfrutar do presente.

Mas o VPL não mede tudo. E o prazo de tempo além do VPL? E todo o resto que não está na conta?


 

Juros Compostos

Foi justamente a capacidade do ser humano de conseguir planejar o futuro que fez dele o que é hoje. A capacidade de poupar em tempos bons para sobreviver a tempos adversos, a capacidade de se sacrificar no presente para obter quantidades muito maiores no futuro. Estudar hoje para agregar mais valor amanhã. Um trabalho honesto e compassado ao invés de um atalho perigoso e incerto. Investir em tecnologia, sofrer um bocado por um tempo, para obter resultados muito melhores. Plantar hoje para colher amanhã.

Em contraponto ao pobre do VPL, a ferramenta que demonstra o poder do longo prazo são os Juros Compostos. Novamente, o Tempo, aquele elemento tão difícil de domar.
Os juros compostos dão retorno exponencial. Um pouquinho melhor hoje, um pouquinho melhor amanhã, passos pouco perceptíveis. Depois de um tempo, teremos um resultado centenas de vezes melhor do que aquele que ficou parado.

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Admiro muito a filosofia oriental, japonesa e chinesa, de dar muita importância ao longo prazo. Eles preferem uma solução que dê resultados melhores no futuro, mesmo sendo mais cara hoje. Eles não se importam com perdas pequenas, contanto que isto esteja alinhado com o objetivo final de longo prazo da empreitada.

Segue um pequeno texto de Akio Morita, fundador da Sony, sobre o tema Longo Prazo.

Espera-se que os gerentes mais jovens fiquem vinte ou trinta anos na empresa. Por isso, os executivos estão sempre pensando no futuro. Se a alta direção despreza os níveis baixos e médios da gerência, pressionando-os para que mostrem lucros neste ano ou despedindo-os quando não alcançam os níveis esperados, este tipo de procedimento pode acabar com o futuro da empresa. Se o gerente de nível médio diz que o seu plano não vai dar resultados agora, mas será bom para a companhia daqui a 10 anos, ninguém vai ouvi-lo, e ele corre até mesmo o risco de ser demitido.
Este estímulo de longo prazo apresentado por nosso pessoal, de cima ou de baixo, oferece grande vantagem ao nosso sistema de trabalho. Podemos criar uma filosofia de trabalho. Os ideais da companhia não mudam.

Para uma comparação, um executivo americano assumiu a direção de uma companhia americana, fechou várias fábricas, demitiu milhares de empregados e foi elogiado por colegas como um grande executivo. No Japão, este comportamento seria considerado lastimável. Acreditamos que fechar fábricas, despedir empregados e mudar bruscamente os rumos da empresa pode até ser bom para o balanço trimestral, mas certamente vai destruir o espírito da companhia a longo prazo.

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Os juros compostos são tão poderosos que sobrepujam a condição inicial, dado tempo suficiente. Um burro esforçado pode se dar muito melhor do que alguém inteligente, mas preguiçoso.

Keynes está muito errado. O longo prazo inevitavelmente chega. No longo prazo, nossos filhos colherão os frutos que estamos plantando hoje.

Resumo em uma fórmula:

1,01^100 >>>  0,99 ^100

 

Resumo em uma frase:

Os juros compostos são a força mais poderosa do universo – Albert Einstein.

​Que livro eu levaria para uma ilha deserta?

Tenho uma biblioteca física com mais de 500 livros, e uma virtual com o triplo disto.


Esta é dividida em quatro macro seções: uma de exatas, outra de administração / economia, a terceira de filosofia e a quarta literatura em geral.
Só não tenho mais livros porque cheguei no limite físico do que cabe num apartamento.
Mas, suponha que estivesse me mudando para sempre para um lugar completamente novo, e tivesse que escolher apenas um único livro da biblioteca. Que livro eu levaria para uma ilha deserta, ou para um país do outro lado do mundo? 

Primeiro, o que não seria. Não seria nenhum livro técnico. Embora muito de minha formação tenha vindo desses livros, o conhecimento de matemática, engenharia e computação é puramente racional, não tem nada de emocional. Posso pegar um pdf desses livros e chegar no mesmo resultado.
Tenho uma coleção de livros do Peter Drucker. Fiquei fascinado por suas ideias e seu jeito de escrever. Mas não levaria um livro dele, ou algum outro de administração, pelo mesmo motivo de existir a alternativa digital. A internet acabou com a necessidade de livros físicos.
A área de filosofia tem muito material de qualidade. Desde livros de introdução, como o de Thomas Nagel, até a obras primas como o Ser e o Nada, de Jean Paul Sartre (que nunca consegui ler, confesso). Da Política de Aristóteles até o Estrangeiro de Albert Camus, há muito material bom. Admiro muito as obras do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, provocantes, insinuantes, politicamente incorretas.
Não levaria nenhum desses. O que eu levaria para uma ilha deserta é o “Think and Grow Rich”, de Napoleon Hill.
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Pense e enriqueça
Napoleon Hill é um escritor de 100 anos atrás, autor de livros de auto-ajuda.
A receita é clássica: força de vontade, persistência, otimismo, um objetivo final definido e coragem.
Não leio muito livros deste tipo, justamente pela fórmula ser conhecida, e também por uma abordagem assim não ter validade científica.
Porém, tem horas em que toda a matemática do mundo não vale nada, a gente precisa mesmo é uma dose de esperança, que pode ter raízes reais ou ilusórias.
Até hoje me lembro da história de Edwin C. Barnes. Um homem falido, que tinha um único desejo ardente: trabalhar com o grande inventor Thomas Edison. Edison é famoso por ter inventado a lâmpada elétrica, mas ele fez muito mais do que isso. Ele criou um império de produtos ligados à energia elétrica.
Barbes viajou num trem de carga, sem bagagem, sem dinheiro, unicamente para se encontrar com Edison. E, finalmente, lá estava ele, vestido como um mendigo, na frente do homem mais rico do mundo, afirmando com convicção: “Bom dia, sr. Edison. Vim fazer negócios com você!”
Independentemente do que Barnes disse, o que contou para Edison foram os seus olhos.
Alguém com a força de vontade e a determinação irradiada pelos olhos de Barnes, disposto a arriscar toda a sua vida por uma única oportunidade, não iria falhar.
Edison deu uma ocupação qualquer a Barnes, algo irrelevante para ele, porém de grande importância para Barnes, por ter a chance de estar em contato com o seu sonho.
Meses se passaram, anos se passaram, sem novidade alguma. Um dia, Barnes viu uma oportunidade. Ninguém queria vender um equipamento chamado “Edison dictating machine”, uma espécie de gravador. Barnes colocou toda a sua energia para vender esta máquina, e foi extremamente bem sucedido, inspirando até a criação de um slogan: “Feito por Edison, instalado por Barnes”.
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Barnes ganhou uma fortuna, vários milhões de dólares na época – o que corrigido para hoje, daria algumas centenas de milhões.
Este livro, cheio de histórias de patinhos feios que viraram príncipes, é o que eu certamente levaria para uma olha deserta.
Pode não ser científico, e pode talvez nem funcionar.


Mas com o ser humano é o contrário: só funciona se ele acreditar.

“Mais ouro foi extraído da cabeça do ser humano do que todas as minas do mundo”. Napoleon Hill.
“O vencedor nunca desiste, o desistente nunca vence”. Napoleon Hill.
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Posso afirmar que este livro já me ajudou muito, principalmente nos momentos de incerteza, nos pontos de baixa energia.


“Continue em frente, não importa o quão difícil seja” – Napoleon Hill.




Links:

Que tal ser pontual nas reuniões?

O costume brasileiro de chegar atrasado é uma das maiores fontes de improdutividade que conheço.

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Um caso bem característico ocorreu comigo há poucos dias.

Fui convidado a representar a minha empresa numa reunião, com umas 15 outras empresas.

O horário do convite marcava início às 14:15h e fim às 16:30h. Obviamente, marcaram 14:15h para começar às 14:30h, sabendo que todo mundo chega atrasado mesmo.

O otário aqui chegou pontualmente às 14:15h, na verdade até uns minutos adiantado. Fui o segundo a chegar. Naquele momento, metade da própria equipe organizadora do evento ainda não tinha aparecido…

Os minutos do relógio foram passando. Às 14:30h as pessoas começaram a chegar de verdade, já que era óbvio que este era o horário desejado do início. E muita gente continuou a chegar.

Uns vinte minutos depois, quase 15h, finalmente o evento começou.

Teve uma apresentação dos organizadores, depois algumas rodadas de discussão. Falamos sobre 2 de 3 temas da pauta. Por volta de 17h, meia hora depois do combinado, os organizadores (será que merecem este nome?) deram o evento por encerrado, porque tinha gente com voo marcado, porque o tempo é curto para o tema, etc.  Inclusive, algumas pessoas já tinham saído da reunião.

Das 3h em que estive presente, somente 2h foram aproveitadas para a finalidade do encontro, produtividade de 66%.

Se a maioria fosse organizada, o evento poderia começar e terminar nos horários combinados, e daria para discutir os três temas da pauta. A sinergia viria da sincronização de 100% dos esforços de 100% das pessoas no período de tempo combinado.

É justo mobilizar pessoas de vários cantos de SP e do país, para desperdiçar o curto tempo delas?

No Japão e em vários outros países de primeiro mundo, o costume é exatamente o oposto. As pessoas chegam adiantadas à reunião. Chegar atrasado é um desrespeito aos colegas. Começar atrasado é um desrespeito a quem está presente. Terminar atrasado é um desrespeito aos compromissos seguintes.

 

O grande Peter Drucker já dizia. Ou você se reúne, ou você trabalha.

Isso porque ele não conhecia o jeitinho brasileiro. Senão, ele diria, “Ou você se reúne, ou fica esperando as pessoas chegarem, ou você trabalha”.

Chegar atrasado é atraso de vida.