​ A resposta correta no fim do livro

Do primeiro dia do pré primário até o último dia da pós-graduação, tive um único modelo de ensino: há uma resposta errada (a minha) e há uma resposta correta, aquela no fim do livro.
 

O professor está sempre correto, e a resposta do fim do livro é sempre perfeita. Se a minha resposta for diferente, tenho que rever os cálculos até chegar na mesma resposta.

 

Mesmo se a resposta for igual, mas a minha técnica for diferente, tenho que aprender a chegar ao final pelo mesmo caminho.

 

Mas, e se resposta correta do fim do livro estiver errada?

 

O mundo muda. As hipóteses mudam. As regras mudam. O futuro será diferente do passado. 99% dos pensadores que escreveram as respostas corretas dos livros já estão mortos.
 
O mundo dos livros é o das regras explícitas. No mundo real, as regras são implícitas – não estão escritas em livro algum, devem ser descobertas. Para cada regra explícita há 1000 regras implícitas.
 
Todo o conhecimento contido nos livros está no passado. Já era. Já funcionou e não vai funcionar de novo. O próximo Google não virá de um sistema de busca melhor. A próxima Amy Whinehouse não terá o mesmo estilo musical. O próximo Einstein não descobrirá a Teoria da Relatividade (e nem o paradoxo do pretérito imperfeito complexo com a Teoria da Relatividade, rs!).

 

O desbravador deve explorar o mundo até o limite do mapa. A seguir, jogá-lo fora e partir por um caminho nunca d’antes trilhado, o seu caminho.

 

Em uma frase: Encontre a resposta certa que não está no fim do livro.

 

Inovadores são os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados.
Steve Jobs.

 

 
Navegadores antigos – Fernando Pessoa
 

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

“Navegar é preciso;  viver não é preciso”.

Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário;  o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

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