A cota para japoneses na Seleção Brasileira de Futebol

Nunca é tarde para corrigir uma injustiça histórica!

E a injustiça à que me refiro é a completa e total ausência de brasileiros de origem asiática na Seleção Brasileira de Futebol! Cotas já!

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A imigração japonesa ao Brasil teve início no começo dos anos 1900. Era um período turbulento, logo após a proclamação da República do Brasil (15/11/1889), em que a escravatura formal tinha sido abolida, mas começava uma escravatura informal: a de povos imigrantes de outros lugares do mundo, para trabalhar na lavoura do café e de outras culturas, em condições análogas à escravidão.

Hoje estamos entre a quarta e quinta geração de descendentes de japoneses no Brasil. Estes representam mais ou menos 1% da população total brasileira. Ao longo dos últimos 100 anos, estes contribuíram magnificamente para a construção do Brasil, com o seu  sangue, suor e lágrimas. Também ajudaram a difundir a cultura oriental, como o tofu, o sushi, o sashimi, Jaspion e Changeman.

Porém, na história do futebol brasileiro, não há um único representante nipo-brasileiro convocado para a Seleção. Ao longo da gloriosa e exitosa trajetória da seleção canarinho no mundo, vimos Pelé, Garrincha, Sócrates, Zico, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Kaká, Neymar, mas nenhum ídolo representando os sofridos descendentes japoneses. Pelo percentual, 1% daria um representante a cada 100. Mas o que temos é zero representantes, dentre uns 1000 que já vestiram a camisa. É isto justo?

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A mesma situação ocorre nos clubes da série A. Não há descendentes de japoneses em Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, ou em outro grande clube, olhando o Brasil de ponta a ponta. Pior ainda, a discriminação é tanta, que nem clubes menores, da série B ou C, contam com parcela expressiva de jogadores de origem nipônica.
Os últimos de que me lembro, se é que ainda estão na ativa, são os grandes craques Sandro Hiroshi e Rodrigo Tabata.

 

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Sandro Hiroshi
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Rodrigo Tabata

Também tinha um tal de Zhizhao no Corinthians, mas este era chinês nato, não descendente (portanto não elegível a cotas), além disso era apenas uma ação de marketing. Era um perna-de-pau completo, jogar que é bom, nada.

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Uma cota é uma ação afirmativa com o objetivo de corrigir desigualdades históricas.

As cotas na seleção brasileira serviriam para minimizar a diferença de oportunidades. Seria mais justo Sandro Hiroshi competir com o estrelato de Neymar se os dois fossem convocados igualmente para a seleção.

Outro argumento é que um jogador cotista não teria a qualidade de um Neymar, ou algum outro jogador de ponta. Besteira. Se for o caso, a CBF poderia oferecer aulas de nivelamento de futebol aos cotistas. Além disso, todos nascem iguais, não? Segundo o princípio da igualdade, definido no artigo 5º da Constituição, “todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza”.

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Sei que o ideal seria estimular os descendentes de japoneses a se destacarem nas divisões de base dos clubes, mas isto demoraria algumas décadas para surtir efeito. O uso de cotas permitiria que esta injustiça histórica começasse a ser remediada agora. Ou seja, encurtaria em dezenas de anos a correção para o problema citado.

Muitos devem estar pensando que tal argumento é absurdo. Mas, absurdo por quê? Não teriam os descendentes de japoneses os mesmos direitos de correção à injustiças históricas que outras minorias em outras áreas? Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros, parafraseando George Orwell?

Portanto, pretendo tornar público o debate sobre a intensa desigualdade futebolística representativa no país do Futebol.

Campanha Sandro Hiroshi na Seleção Brasileira já!

2 comentários sobre “A cota para japoneses na Seleção Brasileira de Futebol

  1. Olga

    Arnaldo, achei estranho este artigo. Talvez a falta de nipo-brasileiros no futebol seja apenas a pura falta de interesse dos nipo-brasileiros em ingressar no futebol. Não conheço o mundo do futebol, mas acho que é só uma questão de querer se destacar neste mundo da bola

    Curtir

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