O segredo para conseguir qualquer coisa

Descobri o segredo dos segredos para conseguir qualquer coisa. É o seguinte: o segredo é que não existe segredo algum. E que, mesmo fazendo tudo certo, pode dar tudo errado. Não há garantia para nada nesta vida.

 

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Primeiro, para conseguir algo, é necessário muito esforço. Muito trabalho duro, dedicação, fins de semana perdidos em prol do objetivo. Noites mal dormidas, horas e horas de empenho sem resultado aparente.

 

Também é necessário ter persistência. Continuar. Há picos de alta e vales de baixa. É o persistir nas dificuldades que faz a diferença. Continuar andando, devagar e sempre, como a tartaruga de Esopo.

 

Outra coisa necessária são os elos com outras pessoas – aliados, fornecedores, clientes, concorrentes, professores, empreendedores, operários. Obter feedback, novas ideias e sugestões para inovação, evoluir no passo do mercado.

 

Não menos importante é a crítica à realidade. Não aceitar opiniões só porque alguém se diz “especialista”. Filtrar as opiniões aderentes à realidade. Saber que tudo na vida tem prazo de validade. Aceitar a derrota quando perder, mas pensar numa forma de se reinventar. Dominar o timing do negócio.
 


Não são condições suficientes
 

Muito mais poderia ser dito, mas tudo isto são apenas condições necessárias. Não são condições suficientes. Ou seja, fazer tudo certo não garante o resultado, mas sem fazer os passos descritos, certamente não haverá resultado.
 
Qualquer um que vier com uma fórmula mágica, estará mentindo. Falsos gurus, falsos profetas, ídolos de pés de argila. Sempre haverá algum efeito colateral, algum custo oculto. Bancos cobram juros, a vida cobra a “taxa de desaforo” quando a verdade vier à tona. Não há atalhos.

 

Emagrecer comendo. Passar na prova sem estudar. Ganhar dinheiro sem trabalhar. Investir em avestruz ou boi ou num fundo que não quebra. Os 10 mandamentos para a felicidade. As 20 leis inquebráveis do sucesso. O amor de volta sem 3 dias. A fórmula mágica da bolsa de valores. Eleger o salvador da pátria que vai resolver todos os problemas: votar no PT para ele tirar dos ricos e dar para os pobres (arghh!).

 

O bom educador não diz o que aluno deve fazer, mas sim o ensina a pensar, orienta, coloca argumentos. A decisão é do aluno.
 

A verdadeira educação é a libertação. Remove as ervas daninhas, o entulho e os vermes que atacam os delicados ramos da planta. A verdadeira educação é leve calor e suave chuva. –  Friedrich Nietzsche, “Schopenhauer como educador”

 

Conclusão: Não há segredo.
 
O homem é livre, projeto de si mesmo, autor de seu destino, ele é inteiramente responsável por si mesmo. – Jean Paul Sartre, “Existencialismo é humanismo”

 


Bônus

 

Perante a Lei – um conto de Kafka
 

Um homem queria conhecer a Verdade. Perguntou a diversas pessoas onde poderia encontrá-la. Acabou chegando num portão, que ele deveria atravessar para conhecer a Verdade.
 
Um guarda, grande e forte, não permitiu a entrada do homem.
 
O homem tentou persuadi-lo, mas não obteve resultado. Tentou suborná-lo trazendo comidas e bebidas. O guarda aceitou, mas disse que só aceitaria para que ele se convencesse de que isto não adiantaria para nada.
 
Os anos foram passando, e o guarda continuava protegendo o portão.
 
Um pouco antes da morte do homem, ele perguntou ao guarda. “Durante todos esses anos, ninguém mais apareceu para entrar no portão da Verdade. Por quê?”
 
O guarda respondeu: “Porque este portão é somente seu”.
 
O homem perguntou: “Por que você guarda o portão e não me deixa entrar?”
 
O guarda respondeu: “Porque esta é a minha função”. Após a resposta, o homem morreu e o guarda fechou o portão.

 

Tufões

Estive a folhear o Tao Te Ching, e encontrei esta frase muito verdadeira.

O sábio não se desespera se surgirem tufões,
pois tufões não tardam a passar.
Uma chuva não dura o dia todo, é produzida pelo céu e pela terra.
Se tudo é tão inconstante, como não seria o homem?
Por isso, o que importa é a atitude interna.

 

 

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Advanced Lane Finding

Sobre o projeto 4 do curso de carros autônomos da Udacity. O objetivo era o de encontrar as linhas de tráfego da estrada utilizando técnicas de visão computacional. A ideia era chegar em algo assim:

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Segue um vídeo do método.

O post completo, com detalhamento das técnicas utilizadas, está descrito na plataforma Medium, cujo link se encontra aqui:

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Tradição oral nas lendas antigas

Muita gente elogiou o post anterior, sobre Telêmaco Borba e as aventuras de Ulisses na Ilíada e Odisseia. Principalmente quem conhece a cidade citada.

Aproveito para fazer um gancho.

Dizem que essas histórias faziam parte da tradição oral antiga muito antes de serem transcritas para o papel, por Homero. Mais especificamente, a Ilíada verdadeira teria acontecido por volta de 1200 a.C., e a transcrição de Homero, em 800 a.C. Ou seja, uns 400 anos de diferença (a história do Brasil tem 500 anos). Neste meio tempo, a história foi transmitida de geração em geração, contada e recontada de cabeça.

Mas a Ilíada tem umas 700 páginas, dezenas de capítulos, centenas de personagens e interligações entre eles (fulano é filho de alguém que é irmão de outro, etc). E a Odisseia, idem, dezenas de capítulos com tramas intrincadas.

Fico me imaginando, como seria possível alguém decorar tanta coisa?


Outras histórias da tradição oral

Há diversas outras obras monumentais que também foram passadas de geração em geração antes de serem transcritas. Dizem que as histórias infantis dos irmãos Grimm, são uma compilação de tradições orais. A história dos três reinos, obra monumental da literatura chinesa, é outro exemplo.

Em geral, lendas antigas de culturas milenares têm esta característica, de serem passadas por tradição oral, de geração em geração, já que o papel ou não existia ou era muito caro ou muito trabalhoso para escrever. Lendas judaicas, germânicas, nórdicas, persas, mesopotâmicas, japonesas, chinesas, aborígenes, incas, maias, africanas, etc.

Portanto, contar toneladas de histórias de geração em geração não é exclusividade dos gregos.


Contos ao redor da fogueira

Em tempos antigos, não havia internet, televisão, rádio, jornal, nada. Fico imaginando as pessoas sentadas ao redor de uma fogueira, após o jantar. E um contador de histórias, narrando a jornada de Odisseus contra o Cíclope, depois contando como ele se amarrou ao mastro do navio para não ceder ao canto das sereias.

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E também imagino muitas crianças, ouvindo cada parte da história com atenção, noite após noite, ano após ano. Crianças estas que crescerão, terão filhos, e recontarão as histórias antigas, acrescentando um pouquinho aqui, tirando um pouco acolá.

Provavelmente, estas histórias tiveram origens em fatos reais, numa guerra que realmente ocorrera algum dia, com pessoas reais. Mas, talvez por estimularem melhor a imaginação humana, talvez somente as versões mais fantasiosas tenham sobrevivido, com um Aquiles invulnerável com exceção do calcanhar, ou com a deusa Calipso tentando seduzir Ulisses com promessas infindáveis, ou um cavalo de madeira com guerreiros escondidos dentro dele.

Com o passar dos milênios, com o aperfeiçoamento e barateamento de tecnologias como o lápis e o papel, algumas pessoas foram transcrevendo algumas destas histórias, a fim de não esquecer, ou enviar para alguém, por exemplo.

Até chegar em um momento onde algum escriba, com meios suficientes (tempo, dinheiro, capacidade intelectual, influência) pegou dezenas de manuscritos diferentes, juntou com centenas de outros relatos orais divergentes, e compilou numa história coerente do início ao fim. Estes escribas são Homero (Ilíada e Odisseia), Irmãos Grimm (Contos de Grimm), Luo Guanzhong (O Romance dos Três Reinos), e outros Homeros equivalentes da história.

Por isso, sempre digo que o lápis, o papel e a imaginação são tecnologias muito mais importantes do que o computador, a internet e a inteligência artificial!

https://en.wikipedia.org/wiki/Iliad
https://en.wikipedia.org/wiki/Homer
https://en.wikipedia.org/wiki/Oral_tradition

Telêmaco Borba

Neste momento, estou saindo da cidade de Telêmaco Borba, no Paraná.

Não sei quem foi este tal de Telêmaco Borba, nem quando viveu, nada.

Mas conheço outro Telêmaco. De uma história de 3000 anos atrás. Telêmaco, filho do grande heroi grego Ulisses e de sua esposa Penélope.
Telêmaco nasceu no dia em que Ulisses partiu para a guerra de Troia, segundo a Ilíada de Homero. Ulisses, o mais astuto dos mortais, era o rei do pequeno estado de Ítaca, na Grécia. Imagine que nesta época, não havia um grande governo central, mas sim dezenas de cidades-estado pequenas, que viviam por si só, mas se juntavam em caso de necessidade.

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E este era um caso especial. O rei de Esparta, Menelau, convocava as cidades-estado aliadas para a guerra contra Troia.

O motivo: o príncipe Páris, troiano, tinha feito algo inimaginável. Numa visita oficial de Troia à Esparta, Páris roubou Helena, esposa de Menelau.

Helena era casada com Menelau, o rei de Esparta. E Menelau, com a ajuda do irmão Agamenon (rei de Micenas), já tinha quebrado o pau com meio mundo para ficar com Helena.

Aliás, Helena não era qualquer mortal comum. Zeus, o deus dos deuses, costumava dar uma escapadinha da esposa Hera de vez em quando, e fazer alguns filhos na Terra. Helena era filha de Zeus. A mais bela mulher que já tinha andado na face da Terra. A mais pura perfeição em pessoa. Bruna Marquezine é nota zero se comparada com Helena…

Mas acabou sendo seduzida por Páris, com a ajuda de Afrodite, a deusa do amor.

Esta história também merece um parêntesis. Numa festa de casamento de dois deuses, Éris, a deusa da discórdia, jogou um pomo de ouro no meio do salão, bem na hora em que todo mundo estava dançando. O pomo tinha um bilhete, escrito, “Para a mais bela deusa da festa”. Três deusas começaram a brigar pelo pomo de ouro: Atena, Hera e Afrodite (daí surgiu o termo “pomo da discórdia”). Como não havia consenso, deixaram o abacaxi (ou o pomo?) nas mãos de Zeus, para ele decidir. Como Zeus não é bobo, ele repassou o abacaxi para frente. Chamou um mortal, que no caso era Páris, para decidir, e ponto final.

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Páris deu o pomo para a Afrodite, deusa da beleza e do amor. Em troca, Afrodite prometeu a Páris o amor da mais bela mortal da face da Terra. E é por isso que Helena embarcou com Páris para a cidade de Troia…

Toda esta confusão para dizer que a Grécia inteira estava em guerra com Troia. Os navios partiram. O recém-nascido Telêmaco ficou aos cuidados da mãe, Penélope.

Além de Ulisses, diversos outros reis e heróis participaram da guerra. Ajax, Agamenon, Aquiles pelo lado dos gregos. Hector, Páris, rei Priam pelo lado troiano.

E a guerra de Troia foi uma tremenda guerra. Troia estava protegida por muros altos e impenetráveis. Os gregos não conseguiam estratégia que funcionasse. Foram 10 anos de guerra, com baixas pesadíssimas para ambos os lados.

Tudo parecia acabado quando Aquiles, o maior e mais poderoso dos gregos, morreu atingido por uma flecha no calcanhar, o famoso calcanhar-de-Aquiles. Dizem que a mãe de Aquiles, a ninfa Tétis, banhou-o no rio Styx, deixando-o invulnerável. Exceto num ponto, o calcanhar, que foi por onde ela o segurou.

No décimo ano de guerra, os gregos estavam exaustos e a ponto de desistir. Mas Ulisses arquiteta a primeira grande estratégia da história: o famoso cavalo de Troia. Os gregos fingem desistir da guerra e ir embora, deixando apenas um cavalo, em homenagem aos deuses. Deixaram um “presente de grego”.

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Os troianos levam o cavalo para a cidade, como um troféu, e comemoram fartamente a vitória, após tanto tempo de guerra.
À noite, os gregos descem do cavalo, e abrem os portões da cidade para a entrada do exército grego, que estava preparado e escondido. Finalmente, eles conseguiram entrar em Troia. Vitória da Grécia. Troia é varrida do mapa, não sobra pedra sobre pedra.

Helena retorna com Menelau para Esparta. Todo mundo volta para casa. Termina a Ilíada. Começa a Odisseia.

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A Odisseia tem este nome porque Ulisses era chamado de Odisseus na mitologia grega. E o livro narra a sua volta para casa, a volta para Penélope e Telêmaco.

Ulisses embarca num navio com os companheiros. A primeira parada é numa ilha. O azar foi que esta ilha era habitada por cíclopes, criaturas monstruosas com apenas um olho. Um dos cíclopes, um tal de Polifemo, aprisiona os homens de Ulisses e diz que vai devorar um por dia. Ulisses, utilizando de suas artimanhas, consegue enganar Polifemo e cegar o seu único olho. Ulisses e seus homens aproveitam a chance e vão embora rapidinho.

O problema é que os Cíclopes são filhos de Posseidon, o deus dos mares. Posseidon não fica nada feliz com a atitude de Ulisses, e faz de tudo para atrapalhar a volta do mesmo.

Ulisses passa pelas sereias (onde ele é amarrado ao mastro para ouvir o famoso canto da sereia sem se deixar levar por ela), pela feiticeira Circe (que transforma seus homens em porcos), criaturas medonhas chamadas Cilla e Caridbe, depois vai até o inferno para perguntar o caminho que ele deveria seguir. Neste momento, todos os seus homens já estão mortos, e sobra só ele.

Ulisses vai parar na ilha de Calipso. Calipso não é uma banda de música, mas um deusa que se apaixona pelo heroi. Ulisses fica 7 anos nesta ilha, onde tem tudo: o afeto de Calipso, comida e bebida à vontade, diversão, serviçais à disposição para qualquer trabalho. Mas Ulisses não estava feliz. Todos as noites, chorava na praia, querendo voltar para casa.

Zeus ordenou que Calipso ajudasse Ulisses a voltar para casa. Ela obedeceu, mas antes, fez uma proposta. Se ele aceitasse ficar com ela, Ulisses teria vida eterna e juventude eterna, além de continuar a viver como um deus em sua ilha.

A resposta de Ulisses: “Prefiro passar poucas décadas da minha vida no lugar correto do que viver a eternidade em um lugar que não é o meu”.

Assim, Ulisses deixa a ilha de Calipso. Mais algumas dezenas de dificuldades depois, Ulisses finalmente retorna para Ítaca, para os braços de Penélope, e para o seu filho Telêmaco. Foram 20 anos (10 na guerra de Troia e 10 no retorno).

E, finalmente, Ulisses conseguiu completar a sua missão. Encontrou o seu lugar na cidade de Telêmaco Borba e passou o resto de seus dias na companhia da mulher e filho, às vezes indo encontrar os amigos no bar Terapia, outras jogando vôlei no clube Harmonia. O almoço, normalmente na Tec’s. Em algumas quartas-feiras, uma pizza na Torre. E, para fechar as suas aventuras, de vez em quando um futebol na Lagoa.

Arnaldo Gunzi
Fev 2016

 

 

 

Decorar muito é mais fácil do que decorar pouco

É impressionante como funciona a memória humana. É mais fácil decorar 10 fatos interligados de forma coerente, do que apenas 2 fatos.

Vejamos um exemplo. Por algum motivo, quero decorar as datas em que as bombas atômicas caíram no final da Segunda Grande Guerra.

Foram nos dias 06 e 09/08/1945.

Método decoreba pura: ficar repetindo as datas. Cinco minutos depois, não sei mais se é em seis do oito ou oito do seis.

Método do todo: Para mim, faz mais sentido pensar no todo, visualizar, correlacionar.

06 e 09 são múltiplos de 03. Aliás, 3, 6, 9 é uma progressão aritmética.
6 em Hiroshima, 9 em Nagasaki.

3 – 6 – 9

 

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Por algum motivo, minha esposa fala que agosto é o mês do desgosto, do cachorro louco. Um mês ruim, e uma coisa ruim, a bomba.

1945 é o ano do fim da Segunda Guerra, que durou de 1939 a 1945. A Alemanha tinha se entregue alguns meses antes.

A primeira bomba foi chamada de Little Boy. A segunda, de Fat Man.
Duas bombas diferentes porque duas tecnologias estavam sendo testadas, uma com urânio, outra com plutônio, substâncias radioativas.
Urano é o deus do céu na mitologia grega, Plutão, o deus do Inferno. Céu e Inferno. Algo caindo do céu e indo para o inferno.

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Plutão
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Urano

Urânio tem número atômico menor, 92, por isso, “garoto pequeno” Little Boy. Plutônio, um pouco mais pesado, “Homem gordo”, com número 94.

Talvez com uma bomba apenas o Japão não se rendesse. Materiais como urânio e plutônio eram extremamente difíceis de obter, enriquecer. Portanto, os EUA queriam mostrar que tinham mais do que uma bomba. Um “não se metam comigo”. Portanto, lançaram duas bombas.

Talvez porque decorar vários fatos obriguem o cérebro a fazer conexões cruzadas. E também, a memória é auto-reflexiva. Decorando X e correlacionando com Y, ajuda a decorar Y e correlacionar com X.

E também, mesmo esquecendo alguma dessas coisas, pelo menos ainda tenho um monte de coisas para contar.

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Little_Boy

https://en.wikipedia.org/wiki/Fat_Man

 

Resumos têm utilidade resumida

Já tentei algumas vezes acompanhar aqueles resumos de um página, de livros de negócios, economia, etc. Fiz um teste, comparando o resumo contra o meu conhecimento de um livro que já tinha lido.

A sensação que tenho é que não funcionam. Perde-se demais do conteúdo ao ler apenas o resumo. Não há a profundidade necessária para a compreensão do tema.

Parece que o ser humano, para entender alguma coisa direito, tem que fazer muitas conexões neurais. Correlacionar o que está sendo dito com alguma experiência: o vinho tomado na praia, a aula com o professor divertido, a música do filme do cachorro, etc… Portanto, o aprendizado humano necessita de tempo e que a mesma tecla seja repetida algumas vezes, sob contextos diferentes. E é isso que o resumo não tem, não dá a chance de martelar o assunto na cabeça do fulano (e isto se o resumo for bem feito, o que muitas vezes não é).

A ideia de conexões neurais tem até um nome: Princípio de Hebb: neurõnios que se ativam juntos, disparam juntos. E este princípio é utilizado em alguns algoritmos de aprendizado de máquina.

O único jeito que um resumo funciona é se eu mesmo fizer o resumo. Ler várias páginas, entender a profundidade e registrar os pontos chave. Ler 500 páginas para criar uma. Aí sim, o resumo vai fazer sentido (mas só para mim).

Um neurônio de McCulloch-Pitts

O que um único neurônio pode fazer?

 

A primeira noção de neurônio artificial é de um paper de 1943, por dois sujeitos: Warren McCulloch e Walter Pitts.

Imagine Walter Pitts como um pequeno gênio, nascido numa família severa, onde o seu pai odiava a escola e queria que ele trabalhasse. Imagine Pitts escondido na biblioteca pública à noite, lendo o Principia Mathematica de Bertrand Russell (um dos maiores matemáticos de todos os tempos) e sonhando em desvendar o mundo.

Walter Pitts (note a testa do sujeito)

Não conseguindo resistir à tentação, coloco aqui uma imagem do Líder, da revista Incrível Hulk.

O Líder

Anos depois, Pitts encontra Warren McCulloch, um neurofisiologista muito mais velho e já respeitado. McCulloch explica que quer modelar o cérebro de uma maneira lógica, como os neurônios do cérebro funcionam, as analogias com o modelo de computador de Alan Turing, a Principia Mathematica, e assim vai. Algumas horas depois, fica evidente que Pitts é o cara certo para fazer a formulação matemática do problema.

Warren McCulloch
Impressionado pela genialidade de Pitts, McCulloch o “adota”. Pitts passa a morar na casa de McCulloch, e eles trabalham juntos todas as noites, após a família de McCulloch ir para a cama. O brilhante, respeitado, velho cientista e o fugitivo de casa, desempregado, sem ensino médio, jovem gênio.
Juntos, eles criam a primeira ideia de neurônio artificial, no paper “A logical calculus of the ideas immanent in nervous activity”, 1943.

O neurônio artificial é algo que recebe sinais como entrada, multiplica por um peso e compara o resultado contra um discriminante. Se é maior, a saída é um. Senão, é zero.

O neurônio de McCulloch-Pitts é binário, com poucos neurônios e sem técnica de retropropagação para fitar os pesos. Pitts mostrou que uma combinação desses neurônios pode emular as portas lógicas (ou, e, não) e, fazendo isto, fazer o mesmo cálculo que um computador digital. Na mesma época, os computadores digitais estavam sendo projetados pelo grande John von Neumann (outro gênio), o que significava que eles faziam todas as contas no braço.

Imagem do paper de 1943

Após este trabalho seminal, uma área completamente nova começou a florescer. Hoje, há retropropagação, múltiplas camadas, centenas de milhares de neurônios, várias funções de ativação, dropout, convolução, transferência de conhecimento, regularização… e muito, muito mais a vir.

Paper de 1943:

http://link.springer.com/article/10.1007%2FBF02478259

Este paper tem apenas três citações. Uma delas é o Principia Mathematica de Russell e Whitehead.

Apenas para finalizar esta nota histórica, a vida real não é um conto de fadas, de mendigo a príncipe. A vida de Pitts foi de mendigo a príncipe para mendigo de novo. Walter Pitts entrou em depressão após algumas decepções. Ele começou a beber pesadamente, se isolou cada vez mais de todos os outros, e morreu sozinho, na pobreza. Ele tinha 46 anos.


Conclusão

Walter Pitts trabalhou numa biblioteca à noite, com lápis e papel. Fico me imaginando o que ele poderia fazer, se tivesse um computador digital e técnicas modernas como TensorFlow, Keras, GPU…

Um mundo inteiro foi construído a partir do neurônio de McCulloch-Pitts, e um mundo muito, muito maior está sendo construído. O mundo é grande!

Escrevi este post em inglês no link a seguir, com um complemento técnico em Keras.

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​ Um baú cheio de tesouros

Energia
O prof. Carlos Viveiro dá aulas sobre comunicação e apresentação. Ele enfrenta vários tipos de público, todos os dias. Vendedores, diretores executivos, analistas de TI, estudantes de graduação, aposentados…

Viveiro me deu uma dica poderosa: a de identificar, no público, alguém que esteja emitindo uma energia positiva, seja um sorriso, um aceno concordando, um olhar de atenção mais interessado.

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Uma apresentação pode ser longa, tensa, e o nível de energia, variável. Altos e baixos. E, nos momentos de baixa, devemos recorrer à esta pessoa que está brilhando, a fim de canalizar a energia positiva desta para iluminar as demais… uma boa dica.

Que tal ir um passo além, e arquivar essas energias positivas?


Mantenha um arquivo de aplausos

Há um livrinho pequeno, e muito bom, chamado “Roube como um artista”.

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Uma curiosidade é que o próprio título do livreto é roubado, de uma frase do pintor Pablo  Picasso:

“Bons artistas copiam, grandes artistas roubam”

Mas o que interessa, para este texto, é um de seus capítulos, que diz: “Mantenha um arquivo de aplausos”.

É como se fosse um baú de tesouros daqueles de histórias de piratas, mas ao invés de dinheiro, o verdadeiro tesouro: e-mails positivos, registros de fatos com que possamos nos orgulhar, uma música que traga alguma lembrança bastante positiva, uma foto ou recordação boa.

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Antes mesmo de ler este livro ou de ter a aula do Carlos Viveiro, eu já mantinha um baú de tesouros. Consiste apenas numa lista simples, com fatos que merecem ser lembrados, anotados num papel. De tempos em tempos, acrescento algum fato interessante a esta lista, e tiro outros, que já não são tão importantes. Não tenho vergonha de me orgulhar do que fui capaz de conseguir com trabalho justo e ético. Não tenho vergonha do que me faz feliz.

Meio viajando, mas um critério para colocar algo no baú é pensar no Eterno Retorno de Nietzsche. Será que ouvir aquela música, naquele momento, com aquelas pessoas ao redor, deu a sensação de “Queria que este momento único nunca mais acabasse. Queria repetir para a eternidade este momento”? Se sim, é um bom candidato a tesouro. O ouro vai e vem. Mas estes momentos são únicos e eternos…

 

 

 

Projeto 3 – Ensinando um carro a se auto-dirigir

Sobre o projeto 3, do nanodegree de carros autônomos da Udacity.

Consiste em ensinar um carro a dirigir sozinho, num ambiente simulado – um vídeo game mesmo. Lida com visão computacional e redes neurais.

Fiz um relatório bem detalhado (e muito técnico) em https://medium.com/@arnaldogunzi/teaching-a-car-to-drive-himself-e9a2966571c5#.d06wvx7hy.

 

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