O imbecil eletrônico

Linguagem de máquina de baixo nível:
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
Vire 90 graus à esquerda
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
Levante o braço direito 90 graus
Segure a porta
Puxe o braço direito
Levante o braço direito 135 graus
Pegue o conteúdo na primeira fileira à direita, na terceira posição
Puxe o braço direito
Segure a porta
Empurre a porta com o braço direito
Vire 180 graus
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
Vire 90 graus à direita
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda


Linguagem de programação de alto nível:
for 1 to 3
{
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
}
Vire 90 graus à esquerda
for 1 to 2
{
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
}
Abra a porta da geladeira
Pegue o conteúdo na primeira fileira à direita, na terceira posição
Feche a porta
Vire 180 graus
for 1 to 2
{
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
}
Vire 90 graus à direita
for 1 to 3
{
Ande um passo com a perna direita
Ande um passo com a perna esquerda
}


Linguagem de seres humanos

    – Pegue uma cerveja para mim, por favor.

 


 

O mais poderoso supercomputador existente hoje em dia pesa 1,5 kg e está entre nossas orelhas: é o cérebro humano.

 

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Intercâmbio nos EUA

O Vinícius é do programa de aprendizes da Klabin SA. Tem 16 anos, e vira e mexe me pede instruções de Excel e de Matemática (quando não tenho tempo, ele volta depois, mas não desiste).

Ele é só um garoto, mas um garoto que ousa sonhar, que ousa pedir. Ousa desafiar o mundo, contra todas as probabilidades. Quer saber?

Aposto nele.

 

http://www.kickante.com.br/campanhas/vinicius-nos-usa

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4 décadas de um engenheiro

Tive a honra de conhecer o grande professor Kokei Uehara há uns 10 anos. Na época ele era o presidente da Associação Cultural Brasil Japão de São Paulo, e eu era alguém que estava meio perdido sobre rumos a tomar.
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Uehara foi professor de hidráulica da USP por várias décadas, e é conhecido como o “domador de rios”. Exerceu vários cargos de liderança na faculdade e fora dela.
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Uma das histórias que ele me contou foi sobre as quatro décadas de engenheiro.

Primeira década: Técnico
Nos primeiros 10 anos depois de formado, o engenheiro procura dominar a parte técnica: conhecer o seu trabalho, evoluir no que sabe fazer, executar muito bem o que lhe é dito para fazer. Entender como são as regras num ambiente de trabalho, conhecer o limite do que pode fazer ou não.

Administrador
Na segunda década do engenheiro, ele já domina a técnica e dá um passo maior: como administrar pessoas e processos. Se antes diziam para ele fazer alguma coisa, agora ele é que diz a alguns outros o que fazer. Agora ele tem mais responsabilidades, uma visão mais ampla dos assuntos. Expande os limites do que é possível fazer.

Economista
Na terceira década, o engenheiro já conhece bem o que faz e como fazer. E ele passa a se interessar em saber como o mundo funciona, num nível mais estratégico. Quais as implicações do que faço no mundo, e como o mundo implica no que faço. Por que algumas ideias funcionam e outras, não? Como posso contribuir para o todo?

Filósofo
Na quarta década de engenheiro, ele passa a se questionar. Por que estou fazendo isto? Qual o sentido de todos esses anos de trabalho? O que é realmente útil, e o que não é? O que eu faria diferente nas últimas décadas em trabalhei?

Acredito que este panorama seja válido não apenas para engenheiros, mas qualquer bom profissional. Em algum momento eles começam a jornada. Tentam dominar o que fazem. Depois, ensinar e liderar outros. Tentam entender o mundo ao redor, e refletem se o que fizeram valeu a pena. Tentam saber o por quê disto tudo. Como posso ser feliz, mesmo sem entender o mundo?
Sinto que ainda não compreendo totalmente a mensagem que ele quis transmitir. Mas sinto que as quatro décadas de um profissional fazem muito sentido.

Peter Drucker em 40 frases

Peter F. Drucker nasceu na Áustria, em 1909. É considerado o fundador da Administração moderno. Em 95 anos de vida, escreveu mais de 30 livros e dezenas de artigos de profunda sabedoria.

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Apresento aqui algumas de suas ideias, em mais ou menos 40 frases.

 


Planejamento

Planejamento de longo prazo não tem relação com decisões futuras, mas com o futuro das decisões presentes.

O melhor jeito de prever o futuro é criando-o.

A única coisa que sabemos sobre o futuro é que será muito diferente do que imaginamos.

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Sobre reuniões

Ou você trabalha ou você se reúne. Não é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Reuniões demais são sintomas de uma má administração.


 

Eficácia

Não há nada mais inútil do que fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito.

Ser eficaz é mais importante do que ser eficiente. Fazer a coisa certa é mais importante do que fazer certo alguma coisa.

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Inovação
Se você quer algo novo, tem que parar de fazer o velho.

Inovação é o instrumento específico do empreendedor. É o ato de dotar recursos com nova capacidade para criar riqueza.

O que é possível de ser medido é possível de ser melhorado.

Pratique o abandonamento sistemático. As coisas ficam obsoletas. Se for para serem superadas, que sejam por você mesmo.

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Conhecimento

O conhecimento deve ser aperfeiçoado, desafiado e aumentado continuamente, ou desaparece.

O computador é um imbecil.

O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito.

Quando um assunto se torna completamente obsoleto, ele vira matéria obrigatória na faculdade.

O conhecimento e a informação são os recursos estratégicos para o desenvolvimento de qualquer país. Os portadores destes recursos são as pessoas.

Prepare-se para passar a vida toda estudando.

Opiniões contrárias dão alternativas, estimulam a imaginação e ajudam a desafiar ideias pré concebidas. Encoraje opiniões contrárias.

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Pontos fortes e fracos

Resultados são obtidos explorando oportunidades, e não resolvendo problemas.

É muito mais fácil ir de uma performance de primeira classe para uma de excelência do que sair da incompetência para o mediocridade.

Conheça os seus pontos fortes. Aplique-o em áreas onde você possa contribuir. Assegure que os valores da empresa sejam compatíveis com os seus.

O sucesso vem para aqueles que conhecem a si mesmo. Trabalhadores do conhecimento devem ser os seus próprios CEOs.

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Administração

Muito do que chamamos de gerenciamento consiste em dificultar o trabalho das pessoas.

Executivos devem à organização e aos colegas não tolerar indivíduos que não performam em trabalhos importantes.

Nenhuma instituição sobrevive se precisa de gênios ou de super-homens para administrá-la. Ela deve ser organizada de forma que possa ser gerenciada por seres humanos médios.

Gerenciamento é substituir músculos por cérebro, folclore por conhecimento, e força por cooperação.
O propósito de uma empresa é de criar um cliente.


 

Coragem

Para todo empreendimento de sucesso, alguém, algum dia, teve que ter um ato de coragem.

Pessoas que não assumem riscos em geral cometem dois grandes erros por ano. Pessoas que assumem riscos geralmente cometem dois grandes erros por ano.

Existe o risco que você não pode correr, e o risco que você não pode deixar de correr.

 

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Ação
Planos são apenas boas intenções a menos que sejam imediatamente postos em prática.

Ideias não movem montanhas. São as escavadeiras que o fazem. Ideias devem ser executadas para surtirem efeito.


 

Tempo
O tempo é o recurso mais escasso do ser humano e a menos que seja gerenciado, nada mais pode ser gerenciado.

Conheça o seu tempo.


 

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Liderança

Administração é fazer certo as coisas. Liderança é fazer as coisas certas.

Liderança efetiva não é fazer discursos ou ser querido, liderança é definida por resultados e não por atributos.

Muitas discussões sobre a tomada de decisão assumem que apenas executivos sêniores tomam decisões. Este é um erro perigoso.

Posição não confere privilégios ou poderes. Posição impõe responsabilidade.

A produtividade do trabalho não é responsabilidade do trabalhador, mas do administrador.

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Perguntas

O que deve ser feito?
Qual é o correto?
Como posso contribuir?


 

É óbvio

Dizem que muito do que falo é óbvio. Mas se é tão óbvio, por que ninguém disse isso antes? E por que ninguém pratica?

 


Segunda-feira

O que você vai fazer de diferente na segunda-feira, após ler este texto?

​ Isomorfismo em cubos mágicos

Isomorfismo é uma palavra difícil para dizer que duas coisas são iguais, apesar de não parecerem à primeira vista.
Isto é importante porque, se identificarmos isomorfismos, podemos aplicar soluções já conhecidas a novos problemas.

 

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O cubo mágico normal é assim: 3 x 3 x 3. 6 lados, cada lado com uma cor. Movimentos nos eixos Vertical, Horizontal e Lateral.
Este cubo estranho, que ganhei de presente do meu amigo Didiel Peça, pode parecer diferente:

 

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Mas olha só as semelhanças: 3 x 3 x 3. 6 lados, cada lado com uma cor. Movimentos nos eixos Vertical, Horizontal e Lateral. Se cada bolinha for equivalente a um cubículo, o método de resolução é exatamente o mesmo.
O movimento RD aplicado a ambos demonstra a semelhança.

 

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O cubo maçã é exatamente a mesma coisa. 3 x 3 x 3. 6 lados, cada lado com uma cor. Movimentos nos eixos Vertical, Horizontal e Lateral.

 

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O cubo estrela também é isomorfo ao cubo normal. Esta só tem uma diferença: a peça do meio tem orientação, ao passo que a no cubo comum a peça central é neutra.

 

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Movimento RD aplicado a ambos:

 

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O cubo assimétrico também é isomorfo, apesar de ser uma pouco mais difícil de enxergar.

 

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Ao invés de cores, o que muda são as formas: um pouco mais estreito ou comprido em cada dimensão. Mas cada cubículo tem exatamente o seu lugar e orientação no cubo resolvido.

 

Movimento RD aplicado ao cubo assimétrico. Aqui o desafio é saber qual a posição correta a que cada peça corresponde, e aplicar os mesmos algoritmos do cubo normal.
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Todos os cubos apresentados são iguais, ou isomorfos.

 

Não é necessário reinventar a roda. Basta reconhecer onde há uma roda.

 

 

Arnaldo Gunzi
Outros cubos:

X-Cube – Introdução

Como resolver o dodecaedro mágico? – Introdução

Poliedros mágicos

 

 

O Manual do Escoteiro Mirim

Na minha biblioteca particular, há uma coleção de livros que guardo até hoje: o Manual do Escoteiro Mirim.

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É a série de livros mais antiga que guardo até hoje.

São 20 volumes, completos, estrelando os sobrinhos escoteiros do Pato Donald, Margarida, Tio Patinhas, Pateta, etc… É uma espécie de enciclopédia lúdica, para crianças.

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Foi a minha mãe que comprou esta coleção, há 30 anos atrás. Mas não comprou a coleção inteira de uma vez. Era assim: toda semana, alguns fascículos da biblioteca eram publicados, e ela ia à banca de jornais comprar. Quando os fascículos completavam um livro completo, ela podia pedir para encadernar um livrinho. Então eram necessários vários meses de dedicação para completar esta coleção.

 

A coisa mais comum do mundo era alguém começar a colecionar e parar no meio. Mas ela, que sabia que eu gostava de ler, persistiu até o fim.

 

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Os livros continham capítulos sobre a natureza, jogos, mágica, jornalismo, esportes olímpicos, futebol. Sempre muito ilustrado, de fácil leitura para crianças.

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Há tempos atrás, não existia internet, nem computador pessoal. A biblioteca do Escoteiro Mirim foi para mim algo como um Google da época.

 

Recentemente, a Editora Abril começou a republicar o manual. Este pode ser encontrado nas livrarias, como no link abaixo. Hoje, com a internet, já não é mais tão legal, mas não deixa de ser uma coleção  bastante interessante.

http://www.livrariacultura.com.br/p/manual-do-escoteiro-mirim-40045899

 

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Como ser infeliz com 1 milhão de dólares

É possível ser infeliz com 1 milhão de dólares? Sim, e é muito fácil e até comum. Basta ter expectativas muito acima disto.

Se começo com 10 milhões e termino com 1 milhão, quebrei a cara.
Se sou um ricaço, herdeiro de uma fortuna e tenho uma grande pressão por sucesso, o 1 milhão é só o início da jornada.
Se tinha uma expectativa de receber vários milhões, mas terminei com 1, também quebrei a cara.

É até possível inventar uma fórmula para isto:

 

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Se a realidade for maior do que a expectativa, estou no lucro.
Se a expectativa for muito maior do que a realidade, aparentemente estou no prejuízo.

 


 

O mundo globalizado dos tempos atuais não ajuda a setar as expectativas corretas.

Num anúncio de algum produto, colocam a pessoa mais bonita do mundo, que passou por maquiagem, cabelereiro e photoshop. De repente, ela passa a ser o padrão para milhões de jovens, que nunca serão sequer parecidas.

Um jovenzinho abre uma empresa chamada “Facebook” e conquista bilhões de usuários. Passa a ser o heroi, o vencedor. Mas para cada vencedor haverá centenas de milhares de empreendimentos que fracassarão.

 


 

Mas por outro lado, é possível ser feliz com 1 real.

É algo meio estoico, meio zen-budista. Mas se a expectativa for igual a Zero, a fórmula fica assim:

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A realidade é a única coisa que temos. Se ela não for o sucesso, o que será?

 


Uma fábula de Esopo e uma história de Drucker

A fábula dos potes

Um pote de vaso e outro de cobre boiavam num rio.
 

Um dia, o pote de cobre foi puxado pela correnteza e bateu no vaso, quebrando uma pontinha deste.
 

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O vaso reclamou muito, e resolveu revidar. Desta vez, foi o vaso que bateu  no pote de cobre. Mas, novamente, foi o vaso que se quebrou, deixando o pote de cobre intacto.
 

O lado mais fraco sempre será prejudicado ante o confronto contra uma força desproporcionalmente superior.


 

O Monstro e o Cordeiro
 

O grande criador da Administração como ramo de estudo, Peter F. Drucker, viveu na época da Segunda Guerra Mundial e viu a ascenção dos nazistas ao poder. Ele conviveu com duas pessoas em particular: o Monstro e o Cordeiro.
 

Esta é uma das histórias de Drucker que mais me impressionaram.


 

O Monstro

Drucker chegou à Alemanha em 1927, trabalhando como trainee em um jornal. Em 1932, os nazistas estavam ganhando poder, e Drucker, preocupado, passou a procurar emprego em algum lugar fora da Alemanha.
 

Nesta época, ele escreveu dois artigos: um atacando o nazismo, e outro sobre a questão dos judeus na Alemanha. Com a ascenção dos nazistas, os artigos foram banidos e os exemplares queimados. Para Drucker, foi uma forma de “não se colocar em cima do muro”, assumir uma posição irreversível que o forçasse a sair do país imediatamente.
 

Hitler assumiu o poder em Janeiro de 1933. Algumas semanas depois, Drucker demitiu-se do jornal e estava se preparando para deixar o país. Nisto, Reinhold Hensch, um jornalista, veio falar com ele, para reconsiderar a decisão. Hensch era do partido nazista, e com a ascenção dos mesmos, ele passara a ser o homem no comando do jornal.
 

Hensch disse: “Te invejo por sair do país. Queria sair também, mas não posso. Isto tudo é insano. Estou com medo do que ouço nas reuniões do partido, sobre matar judeus e ir à guerra. Eu disse a mim mesmo que seria tudo retórica, e não dei bola. E ainda acho isso. Uma vez no poder, eles vão ver que não é bem assim, têm que mudar de ideia”.

 

Drucker: “Por que você não vai embora? Não tem nem trinta anos e não tem família que dependa de você. Tem um diploma em economia e não vai sofrer para conseguir um emprego”.

 

Hensch: “É fácil para você falar. Você conhece várias línguas, esteve no exterior, é esperto. Eu nunca saí de Frankfurt e não tenho conexões – meu pai é um artesão”.

 

Drucker, furioso: “Isto é bobagem. Quem se importa com o que seu pai é? Qual a diferença que isso faz?”

 

Hensch: “Você não entende, Drucker. Não sou inteligente o suficiente. Sou nada, sou ninguém. Mas quero poder e dinheiro para ser alguém. É por isso que me juntei aos nazistas anos atrás. E agora, eu vou ser alguém!”
 

Drucker não aceitou a oferta e saiu do país. Acabou indo para Londres e depois para os Estados Unidos. Doze anos depois, Drucker leu no New York Times:
 

Reinhold Hensch, um dos mais procurados criminosos de guerra nazistas, cometeu suicídio quando capturado por tropas americanas numa casa bombardeada em Frankfurt. Hensch era um dos chefes da SS nazista com o título de Tenente-General, comandou as infames tropas de aniquilação. Ele estava a cargo da campanha de extermínio de judeus e de “outros inimigos do estado nazista”. Ele era tão cruel, feroz e sanguinário que era conhecido como “O monstro” (Das Ungeheuer) mesmo entre os seus homens.


 

O Cordeiro
 
Em Abril de 1933, Drucker encontrou “o Cordeiro”. Paul Schaeffer estava fazendo as malas. Ele tinha aceitado a oferta do “Berliner Tageblatt” para ser o editor chefe.
Schaeffer sabia muito bem o que estava acontecendo na Alemanha. A motivação dele para aceitar a posição era outra.

 

Schaeffer: “É justamente por causa deste horror que eu tenho que aceitar o trabalho. Sou o único que pode prevenir o pior. Eles precisam de mim porque tenho contatos em Londres e New York. Vão me ouvir quando eu disser que atos assim vão trazer problemas para eles.”

 

Drucker: “Mas Paul, você não tem medo que os nazistas te manipulem, aproveitem o seu prestígio respeitável para chegar ao objetivo deles?”

 

Schaeffer, indignado: “Eu não nasci ontem. Se tentarem me manipular, levanto e vou embora. Eles não vão correr o risco”.

 

Quando Schaeffer chegou a Berlin ele foi recebido com muita fanfarra. Títulos, dinheiro e honrarias sem fim. E os nazistas imediatamente passaram a usá-lo. Faziam ele dizer que não era anti-semita e que tinha bons amigos judeus.
Todas as vezes em que havia um massacre, Schaeffer era enviado para dizer que era um “exceção pontual”, que não ocorreria novamente. Quando as notícias de rearmamento alemão surgiram, Schaeffer escreveu um artigo sobre o grande desejo de paz mundial de Hitler.
 

Depois de dois anos em Berlin, quando Schaeffer já não tinha tanto prestígio e não era mais útil, ele foi liquidado e desapareceu sem deixar rastros.

 


 

Para fechar, Drucker escreve. “Os homens tornam-se instrumento do mal quando, como Hensch, acham que podem dominá-lo com a sua ambição, e como Schaeffer, juntam-se ao mal para evitar mal pior. Sempre me perguntei qual dos dois causou mais prejuízos – o Monstro ou o Cordeiro – e qual o pior pecado, o da busca por poder de Hensch ou do orgulho e arrogância de  Schaeffer?”

 


 

Este foi um resumo bem simplificado do texto completo, que se encontra no “Adventures of a Bystander”.

 

Nota: o “Adventures of a Bystander” é uma raridade. Comprei num sebo, no centro de SP, há uns 15 anos atrás. Hoje, temos a internet. Mas a versão pirata na internet é de qualidade horrível, ilegível.

Equilibrar pratos

A vida é como equilibrar pratos.

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Temos objetivos de curto, médio e longo prazo. Temos família, trabalho, estudos. Cuidar da saúde física. Cuidar da mente. Continuar sempre em busca do desenvolvimento pessoal. Várias demandas urgentes e não urgentes, mais importantes e menos importantes.

E temos uma quantidade finita de tempo, energia, concentração, dinheiro.

 


 

Portanto, com a quantidade finita de recurso, temos que ir priorizando alguns pratos, dando uma girada em outros que estão para cair. Às vezes, um ou outro prato cai, às vezes um outro prato é adicionado. O importante é o balanço geral, o equilíbrio entre curto e longo prazo, o equilíbrio entre o que posso fazer e o que não posso, o equilíbrio entre trabalho, estudo e família.

 

Arnaldo Gunzi

Jul 2016

Metrô sem catraca: o VLT carioca

Em 2006, fui para a cidade de Quebec, no Canadá.
Nesta cidade belíssima, dois detalhes me chamaram a atenção: as casas não tinham muros e os ônibus não tinham cobrador.

Casas sem muros
Nenhuma casa, hospital, universidade, shopping, nada tinha muro. Fiquei alojado na Universidade de Laval, e andando pelo câmpus, chegava num ponto que não sabia se havia saído da área da universidade ou não.
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Casa em Quebec
Morei muito tempo na periferia de São Paulo, onde além de um muro alto, a minha casa tinha uns pedaços de vidro cimentados em cima do muro e um cachorro Pastor Alemão grande para tomar conta da casa. Eu me perguntei quando no Brasil chegaríamos neste nível de civilidade canadense.
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Muro de casa da periferia de SP

Ônibus sem cobrador
A segunda coisa chocante que vi eram os ônibus sem cobrador. Tinha o motorista e uma caixinha para pôr o dinheiro. Não voltava troco, você tinha que colocar o valor exato. O motorista não conferia nada: se o ônibus custasse 2 dólares e o fulano colocasse 10 centavos, ninguém nunca ia saber quem foi.
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Ônibus do sistema de transporte de Quebec
Eu pensei. Se o nível de calote for baixo, menor do que o custo de pagar um cobrador para ficar na catraca, realmente é melhor para todo mundo não ter cobrador. Confiança entre as pessoas e honestidade são a chave disto tudo. A população sabe que, se não pagar, a empresa de ônibus não vai sobreviver, o que será ruim para todos. É um pensamento coletivo, ao invés de individual.

O VLT carioca
Avançando 10 anos no tempo: 2016. A cidade do Rio de Janeiro agora conta com um transporte chamado VLT: Veículo Leve sobre Trilhos. Um trenzinho de 5 vagões pequenos, ao ar livre. Chamar de metrô é exagero, está mais para super ônibus articulado.
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Ele veio para preencher alguns erros no transporte da cidade. Por exemplo, o metrô do Rio não passa pela Rodoviária. O metrô também não passa pela zona portuária. Nem pelo aeroporto Santos Dumont (mas tem uma estação a um quilômetro dele, a Cinelândia). Já o VLT faz exatamente este trajeto, e uma das ideias é que o VLT ajude na revitalização da região portuária da cidade.
E o mais curioso: o VLT carioca não tem catraca! Não tem cobrador! Tem apenas um leitor de cartão, em que o próprio passageiro passa o Rio Card.
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Como o VLT passa pelo centro do Rio, que está sendo embelezado para as Olimpíadas, fazer estações com catracas ficaria muito feio. Hoje é tudo aberto, igual a um ponto de ônibus.
E se o passageiro não passar o cartão? Há uns fiscais, que podem ver e cobrar que o passageiro passe o cartão. Mas não há tantos fiscais assim, o que significa que será muito na confiança mesmo.
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O VLT tem sensores para contar o número de passageiros. Se o calote for maior do que 10% dos passageiros, a prefeitura vai cobrir a diferença. Se este calote for consistemente alto, não vai restar outra alternativa senão levantar muros, colocar catracas e cobradores em torno das estaçõeszinhas. Quem sabe, colocar cacos de vidro no alto do muro e um Pastor Alemão também. Depois que as Olimpíadas passarem, é claro.

Pois bem, vejamos em que vai dar o experimento do transporte sem catracas. A população carioca em geral é trabalhadora e honesta. O VLT faz um percurso pequeno e pelo centro da cidade. Entretanto, há um nível de pobreza alto no RJ, e que teria que ser resolvido atacando as raízes: economia forte, educação de qualidade, etc.
Vou resgatar este post daqui a 10 anos, para comparar a expectativa com a realidade. Será que em 2026 teremos o nível de Quebec em 2006?

Doze conselhos para um infarto feliz!

Repassando…

 


Dr. Ernesto Artur – Cardiologista

Quando publiquei estes conselhos ‘amigos-da-onça’ em meu site, recebi uma enxurrada de e-mails, até mesmo do exterior, dizendo que isto lhes serviu de alerta, pois muitos estavam adotando esse tipo de vida inconscientemente.

1. Cuide de seu trabalho antes de tudo.  As necessidades pessoais e familiares são secundárias.

2 Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.

3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.

4.. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.

5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.

6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.

7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.

8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro. (e ferro , enferruja!!. .rs)

9.. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado.. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.

10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos.. Eles vão te deixar tinindo.

11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.

12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.

Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.


OS ATAQUES DE CORAÇÃO


Uma nota importante sobre os ataques cardíacos..
Há outros sintomas de ataques cardíacos, além da dor no braço esquerdo(direito). Há também, como sintomas vulgares, uma dor intensa no queixo, assim como náuseas e suores abundantes.

Pode-se não sentir nunca uma primeira dor no peito, durante um ataque cardíaco. 60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto dormiam, não se levantaram… Mas a dor no peito, pode acordá-lo dum sono profundo.

Se assim for, dissolva imediatamente duas Aspirinas na boca e engula-as com um bocadinho de água. Ligue para Emergência (193 ou 190) e diga ”ataque cardíaco” e que tomou 2 Aspirinas. Sente-se  numa cadeira ou sofá e force uma tosse, sim forçar a tosse pois ela fará o coração pegar no tranco; tussa de dois em dois segundos, até chegar o socorro.. NÃO SE DEITE !!!!

Um cardiologista disse que, se cada pessoa que receber este e-mail, o enviar a 10 pessoas, pode ter a certeza de que se salvará pelo menos uma vida !

 

Links

Alguns textos.


Seth Godin é um criativo escritor, e tem várias ideias provocativas. Devido à concorrência entre empresas de transporte (Uber e Lyft) nos EUA, está tendo uma corrida para baixo, de quem fornece preços menores. Ele sugere o contrário: quem cobra mais, mas oferece  serviços cada vez melhores: uma corrida para cima.

http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2016/06/a-dollar-more-vs-a-dollar-less.html


Alexandre Versignassi, Editor da Superinteressante, conta a história do “Trabant”, um carro que todos poderiam ter, na Rússia. O problema era que a fila de espera era de 15 anos. E compara o Trabant com o Iphone, nos dias atuais.

http://super.abril.com.br/blogs/crash/ganancia-a-arma-mais-eficiente-contra-a-pobreza/

 


 

Nassim Taleb conta como uma minoria barulhenta, digamos 5% da população, mas engajada, ativa, que ocupa os espaços da mídia, pode influenciar os resultados ante uma maioria (que tem mais o que fazer do que lutar por um assunto específico).

http://www.fooledbyrandomness.com/minority.pdf