Muri, Mura, Muda

Muri, Mura e Muda são conceitos antigos, mas que estão sempre atuais. Revisei alguns trechos deste post sobre excesso de trabalho, desequilíbrio de processos e trabalho que não agrega valor.

Forgotten Lore

Mesmo após tantas décadas, há conceitos do Sistema Toyota de Produção que são importantes, belos, e ignorados por muitos.

Muda-Mura-Muri

Um deles é o Muri Mura Muda. São três palavras em japonês, que querem dizer o seguinte.

Muri – sobrecarga, esforço além do suportável
Mura – desequilíbrio, desbalanço
Muda – trabalho que não agrega valor

Nota: essas palavras são oxítonas. A pronúncia é na última sílaba, mais ou menos assim: Murí, Murá, Mudá.


Muri

O “Muri” é uma carga de trabalho excessiva sobre uma pessoa. É comum em bancos, mercado financeiro e consultoria uma cultura em que trabalhador fique na empresa mais de 12 horas por dia, e de vez em quando vare algumas noites (com orgulho). Em alguns momentos específicos, talvez nem tenha problema, mas viver constantemente assim não parece ser algo saudável. A longo prazo isto não é bom para a pessoa.

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Conheci um fulano que fazia questão de…

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O índice X-Men de Inflação

O Dragão dos anos 80

Este post é para quem só conhece o Real como moeda brasileira.

Quem tem menos de 30 anos hoje não conhece na pele as garras do dragão dos anos 80, a Hiperinflação. Foi uma época de inúmeros planos econômicos, troca de moeda constante, perda de valor monetário e descrença no futuro, que só mudou com o Plano Real de Fernando Henrique Cardoso.

Eu também era muito jovem nos anos 80, mas senti alguns dos efeitos nefastos de uma hiperinflação. Não chega nem perto do que sentiram as pessoas da população economicamente ativa da época, mas mesmo assim senti.

Esta história começa em 1986. José Sarney era o primeiro presidente civil do Brasil em muitas décadas.


Plano Cruzado

Em fev 1986, Sarney anunciou o Plano Cruzado. As medidas econômicas foram congelamento de preços, troca de moeda de Cruzeiro para Cruzado, cortando 3 zeros.

 

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X-Men 1 – nov 88. Cz$ 260,00

Em nov 88, a épica revista X-Men número 1 foi lançada pela Editora Abril, a um preço de capa de Cz$ 260,00 (Cruzados).

As histórias desta época eram do fantástico roteirista Chris Claremont, e eram um mix de aventura, drama, suspense. Mas o que quero trazer para o post são somente as capas. Na verdade, somente os preços da capa. Esta era em formatinho padronizado com 80 páginas e tiragem mensal, o que faz com que a revista tenha praticamente o mesmo valor anos depois, sendo a variação de preços somente devido à inflação.

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X-Men 2 – dez 88: Cz$ 350,00

A revista X-Men n.2 já custava Cz$ 350, e no outro mês, Cz$ 450. Um aumento de 200 cruzados (80%) em 2 meses!

E, 1988, 0 plano Cruzado (e o Cruzado II) já tinha afundado completamente. O congelamento de preços não funcionou (nunca funciona), os gastos públicos não diminuíram. Foi como dar um analgésico sem tratar a causa da doença.

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X-Men 3 – jan 89: Cz$ 450,00. Brasil e a Inflação, até que a morte os separe!

Lembro-me de que neste época todo mundo era “Fiscal do Sarney”: responsável por fiscalizar se algum malvado comerciante capitalista estava aumentando preços congelados.fiscalSarney.jpgCongelamento de preços sempre causou e sempre causará desabastecimento de produtos. Desabastecimento sempre gera um mercado negro. Imagine uma dona de casa que faz bolos para vender. Se ela gastar Cz$ 80 para fazer o bolo e coloca uma margem de Cz$ 20, o produto final terá um preço de Cz$ 100. Mas, se o bolo tiver o preço congelado a Cz$ 50, a dona vai tomar prejuízo se vender o bolo. Ela vai preferir não vender o bolo, ou não fazer o bolo – vale mais a pena comer o bolo do que trabalhar para fazer e vender o mesmo. Ou ela pode vender panquecas. Ou vender o bolo a Cz$ 100 no mercado negro, para quem realmente estiver precisando do bolo ao preço justo deste.

 

Mercado Negro não é um lugar secreto de piratas, longe da polícia. Mercado negro é qualquer lugar onde o comprador e vendedor simplesmente ignoram o congelamento e acordam o preço. Ou seja, qualquer lugar com quaisquer pessoas.

Caso descrito pelo livro “Saga Brasileira”, da jornalista Miriam Leitão. Um efeito bizarro do congelamento de preços, foi que o carro usado (sem tabela de congelamento) passou a ser mais caro do que o carro novo (preço tabelado). Mas é óbvio que ninguém conseguia comprar o carro novo na concessionária, só via mercado negro.

As três edições de X-Men em Cruzados geram o gráfico a seguir. Anualizando o índice X-Men de inflação desses dois meses, dá uma inflação de 3.300% ao ano!!

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Plano Verão

 

O Plano Verão veio em jan 1989. Mudança de Cruzado para Cruzado Novo, cortando 3 zeros, congelamento de preços (de novo, esse pessoal não aprende).

A revista X-Men n. 4 veio com o preço de capa de NCz$ 0,45  (Cruzado Novo), o que reflete exatamente o corte de três zeros do preço em Cruzados (450 Cz$).

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X-Men 4- fev 89: NCz$ 0,45. O Brasil também viveu uma jornada de horror!

O preço de NCz$ 0,45 se manteve pelos próximos dois meses. E aí, o dragão adormecido voltou, e com força total. NCz$ 0,58, NCz$ 0,75, NCz$ 1,00.

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X-Men 8 – jun 89: NCz$ 0,75

Em janeiro de 1990, a revista X-Men n. 15 já custava NCz$ 17. No mês seguinte, NCz$ 30, e no posterior, NCz$ 53. Um aumento de 8 mil % em um ano!

 

Sarney, quando questionado sobre o que poderia fazer para acabar com a inflação, disse: “Nada. É tudo culpa da crise internacional!”. Infelizmente, mais de 20 anos depois, uma certa presidenta do Brasil disse o mesmo.

 

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X-Men 17 – mar 90:  NCr$ 53. Fim da linha para o Futuro do Brasil.

Para dar um paralelo de como era a situação, imagine uma nota de 100 reais. Hoje, 100 reais compra um monte de coisas. Mas, daqui a um ano, a nota de 100 reais tem um poder de compra equivalente a 1 (um) real, e o governo tem que inventar notas de 500 reais, 1000 reais, etc. Depois que um pãozinho passa a custar 1000 reais, o governo corta três zeros, inventa uma moeda chamada “real novo” ou “real verdadeiro”, e o pãozinho passa a custar 1 real novo.

 

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1000 Cruzados passaram a valer 1 Cruzado Novo

 

Lembro-me que nesta época ninguém carregava moedas no bolso. A gente recebia um troco em moedas, e dois meses depois a moeda não valia mais nada. Era mais válido receber o troco em balas – pelo menos o açúcar da bala não evaporava com o tempo. Mas como o dono da padaria não era bobo, ele fazia questão de empurrar as moedas sem valor como troco.

 

Lembro-me também que fui ao Japão com os meus pais. E uma coisa que me chamou a atenção era a de que eles utilizavam moedas. Tudo quanto era máquina de refrigerante aceitava moedas, a moeda de 100 ienes. Hoje, mais de 20 anos depois, as moedas de 100 ienes continuam existindo no Japão.

 

As edições de X-Men em Cruzados Novos geram o gráfico a seguir, começando em NCr$ 0,45 e terminando em NCr$ 53. Anualizando o índice X-Men de inflação deste período, dá uma inflação de 8.000% ao ano!! Note que o gráfico é exponencial. Se nada fosse feito, o dragão só iria ficar cada vez mais forte.

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Plano Collor

Lembro-me bem do primeiro presidente eleito democraticamente pelo brasileiro após décadas. Lembro-me de que ele era a esperança de salvação deste povo sofrido. Lembro-me da cobertura das revistas e jornais da época, e de uma ministra chamada Zélia Cardoso de Melo.

Logo nos primeiros dias de governo, era lançado o Plano Collor 1, em março de 1990. A moeda passou de Cruzado Novo para Cruzeiro, sem corte de zeros. A primeira revista deste novo governo era a X-Men 18, com preço de Cr$ 30,00.

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X-Men 18 – abr 90: Cr$ 30,00. Amargo destino do brasileiro sob Collor.

Ocorreu nesta época uma dos experimentos econômicos mais bizarros da história: o confisco da poupança. Imagine todo o seu dinheiro guardado no banco. E imagine que agora ele não é mais seu. Aliás, é seu, mas você não pode sacá-lo, nem usá-lo para nada, e este estará sujeito à uma taxa de correção arbitrária, obviamente abaixo da inflação. Ou seja, um confisco.

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X-Men 19 – mai 90: Cr$ 30,00

A lógica é mais ou menos assim: o excesso de dinheiro em circulação causa inflação. Então, vamos tirar o dinheiro de circulação na marra, isto vai acabar com a inflação e os brasileiros vão ficar felizes.O Plano Collor 1 foi radical. Destruiu inúmeros sonhos, quebrou centenas de empresas. Tinha muita gente com dinheiro na poupança para comprar um apartamento, e que estava esperando Collor assumir para ver se os preços baixavam – ficaram sem apartamento e sem dinheiro. Foi uma época de desesperança, depressão, suicídios e ataques cardíacos. Não é nada agradável ver todo o dinheiro de uma vida confiscado. Todo mundo conhecia alguém que fora muito afetado pelo plano de Collor e Zélia.

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X-Men 20 – jun 90: Cr$ 40,00

Tirar dinheiro de circulação na marra causou uma recessão, o Brasil diminui 4% no ano. Pequenos empresários que não tinham capital de giro quebraram, porque não recebiam e tinham que pagar os salários em dia.

O plano foi tão desastrado que levou, indiretamente, à queda de Collor. O impeachment foi por uma denúncia qualquer de corrupção, mas a indignação popular foi causada mesmo pelo pior plano econômico de todos os tempos.

E o pior é que a inflação não morreu. Só deu uma acalmada no começo.

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X-Men n.30 – abr 91: Cr$ 180,00

 

Em abril de 1990, a revista X-Men n. 18 custava Cr$ 30,00. Em julho de 90, já custava Cr$ 60,00. Em dez /90, já custava Cr$ 180,00.

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X-Men n. 33 – jul 91: Cr$ 330,00. Vingança da inflação, que voltava com tudo

O governo Collor foi liberando o confisco da poupança para os setores amigos. O governo continuava a gastar como sempre. Como em todos os planos econômicos, quem pagou o pato foram os mais fracos, que não conseguiam se proteger e tiveram o dinheiro de uma vida toda preso no banco. Ao Collor I sucedeu-se o Plano Collor II, com congelamento de preços (de novo?!?!) e outras medidas que nada resolveram. 

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X-Men n. 35 – set 91: Cr$ 430,00.O mistério da Fênix da inflação, que retorna das cinzas

Em ago/1992, a revista custava Cr$ 5.200,00, 172 vezes o valor do início do plano.

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X-Men n. 46 – ago 92: Cr$ 5.200,00. Não tinha melhor título do que Inferno!

Nesta época, eu tinha uma estratégia. Esperava dois meses para comprar a revista, com o preço corroído pela inflação. Em set/92, a editora abril cansou de remarcar os preços, e adotou uma tabela. A revista custava o valor B7 da tabela. E o jornaleiro só tinha que trocar a tabela, todos os dias, arruinando a minha estratégia de comprar revistas de meses passados.

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X-Men n. 50 – dez 92. A capa não tinha mais preço. A inflação era tão alta que desistiram de remarcar o preço.

Collor prometeu dar um tiro na inflação. Acabou dando um tiro nos brasileiros, e o dragão da inflação continuou firme e forte. Note o comportamento exponencial do gráfico do índice X-Men. Neste período, a inflação anualizada foi de 800%!O comportamento exponencial do gráfico nem permite que se veja os números. Disponibilizei neste link os dados tabulados da série histórica da revista dos X-Men.

 

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A minha família é de ascendência japonesa. Nesta época, diversos familiares emigraram para o Japão – tornando-se dekasseguis. 80 anos depois dos japoneses emigrarem para o Brasil, a terra prometida, era a vez de seus filhos e netos retornarem para o Japão.
A insegurança econômica (não adianta acumular cruzados, pois desvalorizarão) e a insegurança jurídica (não adianta colocar no banco, pois o o governo confiscará) geraram um Brasil sem futuro. Quanto mais o futuro é imprevisível, mais gasto tudo no presente.
Se não posso guardar, tenho que consumir tudo o quanto antes. Era comum o pessoal ganhar o salário e fazer a compra do mês no mercado, estocando commodities. E o escambo (troca de mercadorias sem troca de dinheiro) tinha voltado, já que a moeda tinha cada vez menos valor.
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Espero nunca ver um pãozinho custar uma nota de 100 mil reais

Plano Real
Em fev 1994, depois do fracasso de três ministros da fazenda, Itamar Franco chamou Fernando Henrique Cardoso ao ministério da Fazenda. Ele montou uma equipe de economistas predominantemente da PUC-RJ, e adotou uma série de medidas consistentes para atacar a causa do problema da inflação.
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X-Men n. 71 – set 94: R$ 1,45

Não foi um caminho fácil, é claro. Foi necessário abrir a economia, quebrar monopólios, permitir a competição. Modernizar a estrutura produtiva, gastar somente o que se arrecada (Lei de Responsabilidade Fiscal). Muito estudo, planejamento, coragem para encarar políticos irresponsáveis, mas eis que agora o Brasil voltava aos eixos!

O mais importante de tudo: o Brasil voltou a ter futuro. Era possível planejar. Grandes investimentos poderiam ser feitos com segurança.

A história do Plano Real pode ser acompanhada no livro Saga Brasileira, da jornalista Míriam Leitão.Um efeito disto: a editora Abril voltou a publicar o valor da revista na capa.
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X-Men n. 85 -nov 95: R$ 1,90
A inflação é o mais cruel dos impostos. É a forma do governo te taxar sem colocar uma arma na sua cabeça. O problema é que são os mais fracos são os mais prejudicados. É como uma corrida em que quem aumenta primeiro sai ganhando. Quem não tem poder de barganha para negociar  aumentos fica para trás, e vai comprar tudo com preço de hoje mais caro, a partir de um salário nominal do mês retrasado.
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X-Men n. 95 – set 96: R$ 2,20

O Brasil colheu os frutos de uma moeda forte por 20 anos, o que permitiu um avanço inimaginável na economia, política, e na sociedade. Não mais troca de moedas. Não mais corte de três zeros. Não mais troca de ministro da Economia a cada meio ano, como um time que só perde troca de técnico.

 

Mais de 90 meses depois, em março de 2000, a revista X-Men n. 137 custava R$ 2,50. Para quem esperava que ela custasse 250.000 reais, aquilo era um sonho! As pessoas voltaram a usar porta-moedas, o dono da padaria voltou a empurrar balas como troco.

 

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X-Men n. 137, mar 2000: R$ 2,50. O resgate do Brasil.

Note como o índice X-Men de inflação é muito melhor para o período pós Plano Real. Em seis anos, o aumento do preço de capa foi de apenas 1 real. O comportamento exponencial já não existia mais. A moeda de 1 real existe até hoje, em 2016.

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A revista dos X-Men em formatinho acabou uns meses depois, passando a ter um outro formato, outro número de páginas, etc. Mas eu não colecionava mais as revistas nesta época.

 


 

Conclusão – a Fênix dos anos 2010

Quem viveu o período de hiperinflação provavelmente entrou com zero e saiu com zero. Apenas sobreviveu, não acumulou patrimônio.

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A Fênix ressurge das próprias cinzas

Quem sabe, se os rumos políticos e econômicos fossem menos desastrosos no passado, hoje estivéssemos num nível de desenvolvimento como o da Coreia do Sul, por exemplo.Ousei sonhar com um Brasil de primeiro mundo, após o Plano Real. Parecia que o Brasil começava a decolar. Mas o Dragão da inflação, do desgoverno, das políticas econômicas demagogas e ineficazes, voltou das cinzas como uma Fênix, ameaçando engolir o futuro.

 

O que é possível fazer, neste contexto? Pelo menos a minha parte: trabalhar, criar novas soluções criativas para as necessidades atuais, tornar-se cada vez mais produtivo dentre as dificuldades. É para isto que trabalho, e é para isto que este espaço existe.

Arnaldo Gunzi
Fev 2016

 


 

Leitura recomendada.

Saga Brasileira, a longa luta de um povo por sua moeda. Míriam Leitão.

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http://www.livrariacultura.com.br/p/saga-brasileira-22491015

 


 

Anexos:

Disponibilizei neste link os dados tabulados da série histórica da revista dos X-Men.

Veja também

Telefonia nos anos 80

Crise e Oportunidade

 

 

O que podemos aprender com as Ondas Gravitacionais de Einstein?

100 anos de Relatividade
Hoje, em fevereiro de 2016, cientistas de um grupo chamado LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) anunciaram que a teoria de ondas gravitacionais de Albert Einstein foi finalmente comprovada. Não tenho muita ideia do que isto significa exatamente, mas sei que o relatório deles tinha mais de 1.000 cientistas de vários países do mundo, foram gastos bilhões de dólares em 2 detectores gigantescos em formato de L com braços de 4 km, mantendo vácuo interno, e com espelhos refletindo raios laser. É um trabalho espetacular e um marco na história da Física, sem dúvida alguma.
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Demorou 100 anos de avanços tecnológicos, investimento de bilhões de dólares e envolvimento de milhares de cientistas para comprovar que Einstein estava certo. Uma conclusão: Einstein era um cara Fodástico, com F maiúsculo.

Ok, não sou Einstein, nenhum de nós é. Mas podemos nos inspirar nele.

O que podemos aprender com Einstein?


 

1 – “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”
Einstein era um físico teórico. Não tinha laboratório, não fazia experimento algum. No começo de carreira, era um analista de patentes de segunda categoria, que escondia os rascunhos de suas teorias quando o chefe chegava perto. Não tinha nem computador (não existiam), o que significa que desenvolveu a Teoria da Relatividade com lápis e papel! Mas ele tinha muita imaginação e curiosidade.

Desde quando era criança, Einstein fazia diversos experimentos mentais: imaginava-se viajando junto com a luz, depois olhando para outro feixe de luz que ia na direção oposta. E questionava. O que aconteceria se ele se ele levasse um espelho? Veria a própria imagem ou esta nunca o alcançaria? E se tivesse dois espelhos paralelos?

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Imaginação e curiosidade são os segredos de Einstein, não conhecimento e erudição.

“A Lógica vai te levar de A a B. A Imaginação a qualquer lugar.”

“O importante é nunca parar de questionar. A Curiosidade tem sua própria razão de existir.”

 Lição: Imaginação e Curiosidade


 

 2 – “Não podemos resolver problemas usando o mesmo nível de pensamento em que estes foram criados”

Eis a razão pela qual a criatividade é maior que o conhecimento. O conhecimento existente só resolve problemas do passado, só responde perguntas velhas.

É claro que dominar o conhecimento existente é importante para não reinventar a roda. Mas para resolver problemas novos, temos que usar um nível de pensamento diferente do que já foi utilizado até hoje. Isto significa fazer novas perguntas. Isto significa não se deixar influenciar por respostas já existentes. E isto tudo só é possível através da criatividade.

 “A Educação é o que resta após esquecer tudo o que aprendi na escola”
“A única coisa que interfere no meu aprendizado é a minha educação.”

 Lição: Fazer perguntas


 

3 – “Não se preocupe com a sua dificuldade com a matemática. Asseguro que a minha dificuldade com ela é maior.”

Obviamente, Einstein sabia muito de matemática. Mas ele não dominava a área tanto quanto outros colegas. E, para domar a relatividade, ele necessitava de uma matemática que não dominava. Para isto, pediu ajuda a colegas como Marcel Grossmann, e até à sua esposa, Mileva Marić – que manjava de matemática mais do que ele.

Einstein tinha domínio do core dele, a física. Para o que não dominava, buscava colaboração. Não é preciso saber tudo, é preciso saber colaborar.

Lição: Colaboração


 

4 – “A Realidade é uma mera ilusão, embora seja uma ilusão muito persistente”

Um dos artigos que levou à ideia de relatividade foi o experimento de Michaelson & Morley, que dizia que a velocidade da luz era a mesma, independente do observador. Este resultado não fazia o menor sentido, não havia teoria que a explicasse.

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Rascunho do experimento de Michaelson & Morley

 

Uma alternativa era a de que havia algum erro no experimento.

Outra alternativa era a de que o experimento estava certo, e toda a física existente estivesse errada. Este foi o caminho explorado por Einstein, e que levou à Relatividade e às tais ondas gravitacionais comprovadas 100 anos depois.

A Contradição é uma grande fonte de inovação. Se o modelo prevê x, e acontece y, quer dizer que há um oportunidade.
O Inesperado é uma grande fonte de inovação. Se todos os anos há aumento na venda de panetones, e ano passado não houve, quer dizer que há algo novo, que pode ser explorado por quem faz as perguntas certas.

Lição: Contradição como fonte de inovação


 

 

5 –    “Se você não pode explicar de forma simples, não entendeu direito.”

Um assunto complexo pode ser decomposto em temas mais simples, que podem ser entendidos. Mesmo um cubo mágico de 1.000 lados (procure aqui no blog) pode ser resolvido com passos simples.

“Tudo deve ser feito tão simples quanto possível, mas não mais simples do que isto.”

“Toda a ciência não é nada mais do que o refinamento do pensamento cotidiano.”

Lição: Simplicidade


 

6 – “Poucos são os que vêem com os próprios olhos e sentem com o próprio coração”

Que tal pensar por si mesmo, ao invés de repetir o pensamento de outrem? Nós temos sim o direito de questionar, de discordar, de pensar.

Arthur Eddington fez uma série de experimentos a fim de confirmar a Teoria da Relatividade.

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Uma das fotos de Eddington do eclipse solar de 1919
Pouco depois das observações de Eddington confirmarem que a luz era realmente dobrada pela gravidade, um estudante perguntou a Einstein o que ele faria se a relatividade geral tivesse falhado na descrição da natureza. Einstein teria dito: “Seria uma pena para o Lorde todo-poderoso. Porque a teoria está correta”.

Lição: “A única coisa de valor real é a intuição.”


 

Telégrafo

Para finalizar, gosto muito de uma frase de Einstein, que ao mesmo tempo tempo envolve tudo isso de criatividade, simplicidade, experimentos mentais, abstrações:

“O telégrafo sem fio não é difícil de entender. O telégrafo comum é como um gato muito comprido. Você puxa o rabo dele em Nova York e ele mia em Los Angeles. O telégrafo sem fio é a mesma coisa, só que sem o gato.”

Arnaldo Gunzi

Fev 2016


 

Leitura correlata:

Einstein: His Life and Universe by Walter Isaacson (Author)
http://www.amazon.com/Einstein-Life-Universe-Walter-Isaacson/dp/0743264746/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1455435870&sr=8-1&keywords=einstein+isaacson

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http://www.nytimes.com/2016/02/12/science/ligo-gravitational-waves-black-holes-einstein.html?_r=0

 

Foco

Multitask?
Nos tempos atuais, é comum ver pessoas conversando e olhando e-mails, em reunião presencial mas mexendo no whatsapp, facebook, twitter, telegram, etc.

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Ter nas mãos o poder de fazer tanta coisa ao mesmo tempo dá uma impressão de grande ganho de produtividade. Mas será que é assim mesmo?

A curto prazo, estamos otimizando uma série de tarefas pequenas, como responder e-mails e mensagens que seriam lidas em algum momento. Mas, a longo prazo, estamos prejudicando o foco em trabalhos grandes e importantes ao ficar conferindo o celular a cada 5 minutos. Ou seja, entrego mais besteiras em menos tempo, postergando a entrega de trabalhos importantes.

O cérebro é um recurso escasso, um supercomputador que demorou milhões de anos para ser desenvolvido, e é caro (consome 25% da energia do corpo humano). O cérebro não é multitask, é monotask. Não é possível contar de 0 a 100 e ao mesmo tempo conversar com alguém prestando atenção.  Só consigo fazer um item importante por vez.


O Presente

Uma lição do prof. Carlos Viveiro: qual o momento mais importante e quem é a pessoa mais importante?

 

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O momento mais importante é o presente. O passado já foi, o futuro vai chegar. As ações têm que ser feitas agora, no presente.
A pessoa mais importante é a pessoa que está conversando contigo agora, neste momento. Porque esta é a única que consigo ajudar agora, neste momento.

Viver no futuro causa ansiedade, e viver no passado causa depressão.

Que tal viver plenamente o presente? Que tal dedicar plena atenção a quem está em sua frente?

https://ideiasesquecidas.com/2015/06/28/seja-pleno-em-tudo-o-que-fizer-mesmo-com-multas-de-transito/


Foco

O foco é como um raio laser: a luz concentrada pode cortar até aço.
Foco significa alocar grandes porções de tempo a um trabalho importante, desligando e-mail, telefone, interrupções. Deixe isto tudo para um período pré-determinado, digamos 10 min a cada 2 horas.

O foco é tão importante que dois dos maiores estrategistas da história falam dele.


Sun Tzu

O autor de “A Arte da Guerra” dedica um capítulo a falar de Energia. O “Chi” é a energia potencial focada.

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Ele diz coisas como: “Na defesa, seja impassível como uma montanha. No ataque, atue como uma águia ataca uma presa.” Ou seja, um ataque rápido, preciso, focado.

“A energia é como o retesar de uma besta. A decisão é como apertar o gatilho.” – a energia é acumulada com os preparativos, estudos, planejamento. Quando a energia é liberada, novamente, é rápida, precisa, focada.


 

Clausewitz

Carl Von Clausewitz foi um grande estrategista militar nascido na Prússia, e escreveu um clássico chamado “Sobre a Guerra”. Um de seus conceitos é o de centro de gravidade: é aquilo que o oponente tem de mais importante, mais valioso, é o cerne dele. É análogo ao conceito de centro de gravidade em física.

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A recomendação de Clausewitz é a de fazer um ataque preciso, firme e concentrado no centro de gravidade do oponente, a fim de realmente atingir onde vai causar estragos.

 


 

 

Portanto, que tal atingir o centro de gravidade do problema, ao invés de atingir o whatsapp do problema?

 

Arnaldo Gunzi

Fev 2016

 

Mapa do Site

 

Chiquinho do Acordeon

  
Vou compartilhar uma história, uma dúvida, e um momento de tensão.
Eu estava no aeroporto de Curitiba. Era sexta feira à tarde, e faltavam mais duas horas para o meu voo para São Paulo. 
Fui para o segundo andar, onde há uma série de lanchonetes. Tomei um lanche, que estava horrível mas mesmo assim custou caro.
Depois do lanche, abri o laptop e fiquei trabalhando um pouco. Estava muito barulho ali, então resolvi sair da lanchonete e ir para um canto distante do aeroporto, onde tinha pouca circulação de pessoas. 
Estava quase na hora de ir para a área de embarque, quando surge, longe, um velhinho. E este caminha em minha direção, obviamente querendo falar algo. 
Estava meio na cara que era alguém precisando de dinheiro, então achei que ele fosse pedir uma esmola. Antes mesmo dele chegar, já tinha pensado em dar uns trocados. 
O velhinho tinha cabelos totalmente brancos, um rosto de quem viveu bastante, de quem teve muitos sofrimentos e alegrias.
Chegando à mesa, ele me cumprimentou e perguntou: “Você quer me ajudar comprando o meu disco?”
O velhinho saca um cd, onde está escrito “Dedos elétricos”.
Pergunto quanto é, e ele me diz “Vinte reais”. Diz que ele era muito bom com o acordeon, e que as músicas são de sua autoria.  
Um turbilhão de pensamentos toma a minha cabeça. Meio caro para um cd meia boca de alguém que nem conheço. Poderia falar um “não” puro e simples. A segunda alternativa era dar uns 2 reais de esmola, e falar para ele ficar com o cd. Mas escolhi a terceira alternativa, a de comprar o cd, não pelo produto em si, mas porque o velhinho veio vender a sua arte, o seu trabalho. 
Já que resolvi comprar, outra alternativa que veio à minha cabeça foi pedir um desconto. Acabei não fazendo isso, porque não queria rebaixar o trabalho do velhinho. 
Falei: “Ok, então me dê um desses”. Abri a carteira, e me deparei com um problema. Só tinham notas de 50 reais. Perguntei: “tem troco?”
Ele olhou para a nota de 50 com uma cara de quem gostaria muito de ficar com ela e falou, “não tenho troco não, mas eu vou lá trocar. Todo mundo me conhece aqui, pode confiar”.
De novo, o impasse. Eu poderia cancelar tudo, falar que não dá tempo e ir embora. Mas, já que tinha chegado até aqui, resolvi ir em frente: “ok, pode ir lá trocar. Mas daqui a 10 min tenho que ir embora “.

O velhinho andou, e depois de um tempo perdi-o de vista. Certamente um turbilhão de pensamentos também deve ter passado pela sua cabeça. Poderia ir embora com os 50 reais, eu nunca o encontraria de novo. 
Fiquei sentando, me perguntando: “será que ele volta ou não volta?”
Olho no relógio, foram-se 5 minutos. 
Depois, mais 5 minutos. 

 

Momento de tensão….
Comecei a guardar minhas coisas. Ia esperar no máximo mais cinco minutos e ir embora. 
E eis que o velhinho surge. Devolve o troco de 30 reais, fala que o telefone dele está escrito no cd e se despede. 
Chegando em casa, coloco o cd para tocar. A gravação é bem tosca, com qualidade ruim. As músicas até que são legais, mas nada de espetacular. Uma delas me lembra a música “Baião”, do fantástico Luís Gonzaga.

Normalmente não dou esmolas, nem fico comprando o que me oferecem. Já disse “não” inúmeras vezes, milhares de vezes. Não sou legal, nem bondoso com estranhos. Muito menos confio em alguém assim. 
Se ele viesse pedir esmola, ganharia uns dois reais no máximo. 
Não sei se ele é realmente músico, se a história é verdadeira ou não. Gosto de acreditar que sim. 

O que me tocou é que ele veio vender algo de que tinha orgulho, o fruto de seu trabalho, talvez o que ele tenha de melhor a oferecer nesta vida. 
Fiquei me imaginando com 85 anos de idade, sem dinheiro. E eu tentando vender algo de que me orgulhe para um rapaz na faixa dos 30. Pode ser que ele diga “não”, pode ser que ele me dê uma esmola. Eu poderia aceitar a esmola por caridade, mas não venderia um trabalho da qual me orgulho por uma esmola. Ficaria feliz em vender pelo preço justo. 

Obs. Pesquisei sobre “Chiquinho do Acordeon” no Google. Retornou um outro artista: outras músicas, outros álbuns, outra região do Brasil. Portanto, o velhinho do aeroporto não pirateou este outro homônimo. 

Cubo X – Montar a base

Conforme os posts anteriores, o Cubo X foi montado no formato em X e com as camadas de topo e laterais prontas.

Para resolver a base, serão as seguintes etapas:
A – Virar todos os amarelos para cima
B – Resolver um dos lados externos
C – Resolver problemas de paridade e finalizar
É necessário apresentar alguns algoritmos para permitir trabalhar na base.  Estes estão apresentados no final deste post.

Parte A – Virar todos os amarelos para cima
Pode-se ter 2, 4, 6 ou mais peças de canto que não estão virados para cima, mas sempre em pares.
IMG_1475.JPG
Peças a serem giradas para ficar com o lado amarelo par acima

 

A ideia é posicionar as peças a serem viradas, via movimentos Translado 12 e 23.
Se tiver 2 peças, colocar elas juntas, no canto inferior esquerdo conforme figura, e aplicar o movimento rotação de cantos.
Cubo2giros.jpg
Aplicar mov. rotação de cantos
Se tiver 4 peças, colocar assim e aplicar o X paralelo.
IMG_1488.JPG
Para virar as 4 peças com o amarelo para cima, aplicar o X paralelo
Ou utilizar uma combinação do movimento X2, X paralelo e rotação, para posicionar / girar as peças.
Chega-se numa configuração como a seguinte.
IMG_1478.JPG
Peças com o lado amarelo para cima

Passo B
Uma vez que todas as peças estão com o lado amarelo para cima, a ideia é arrumar tudo sem desarrumar esta orientação.
Via movimentos de Translado 12 e 23, sempre é possível arrumar pelo menos uma das bandas. Na foto a seguir, a banda laranja está arrumada, faltando arrumar as demais.
IMG_1480.JPG
Lado laranja arrumado

Passo C
O caso principal é quando os movimentos de Translado 12 e 23, conseguem resolver o resto do cubo X.
Mas podem haver problemas de paridade.
Vou descrever as principais situações.
Duas peças de edge opostas. Aplicar três vezes o movimento X2.
MovX2tothe3
Duas bandas opostas. Aplicar o movimento de troca de bandas opostas.
MovTrocaBandasOpostas
Paridade trocada. Este é o caso mais chato. É quando fica assim:
IMG_1489.JPG
Paridade trocada: nem os movimentos de translado, nem as trocas de banda ou edge resolvem
Solução: aplicar o movimento de acerto de paridade, que vai dar uma bagunçada nas peças amarelas para cima. Mas basta aplicar novamente as técnicas acima para transladar e arrumar as peças, que a paridade agora está certa.
IMG_1491.JPG
E eis que o Cubo X está resolvido. Não é tão difícil assim.

 


 

Algoritmos utilizados
Movimento Translado 12
Translada12.PNG

Movimento Translado  23

 Translada23.PNG

Movimento X2

MovX2.PNG

Movimento X2 aplicado três vezes: Troca edges laterais
MovX2tothe3

Movimento X paralelo

MovXParalelo.PNG
Movimento rotação de cantos
TrocaCantos.PNG
Movim. Rotação de Cantos

 

Movimento Troca banda fácil (tem a desvantagem de inverter um edge lateral, obrigando a fazer dois desses movimentos para conservar a paridade. Mas é muito útil).
TrocaBandas.PNG
Movimento troca bandas opostas
MovTrocaBandasOpostas.PNG
Movimento acerto paridade
TrocaParidade.PNG
Troca edges do Meio
EdgesMeio.PNG
Movimento troca cantos x 5
Se aplicar 5 vezes o movimento troca canto, acontece de girar três edges centrais:
TrocaCantosX5.PNG

Conclusão
Há vários métodos possíveis de resolver o Cubo X ou qualquer outro puzzle desta natureza.
O que há em comum entre os métodos é  que estes são divididos em sub métodos e sub etapas, possíveis de serem entendidas por um ser humano. Por exemplo, no cubo X, primeiro arrumar o formato, depois resolver a camada de cima, do meio e a de baixo.

IMG_1491.JPG

 

O segredo é descobrir métodos invariantes, que mudam alguma coisa sem mudar outras. Reconhecer e discernir padrões. Dividir para conquistar.
Desta forma, algo muito complexo pode ser quebrado em etapas muito simples, e  o impossível será possível.
Fim.
Arnaldo Gunzi
Fev. 2016
Vide também

Poliedros mágicos

Cubo-X

Dodecaedro mágico


Próximo desafio:
Dodecaedro truncado – Tuttminx IMG_1503.JPG

 

 

Reflexões pós férias

Tirei um período de férias. Quando retornei, duas das pessoas mais competentes que conheço disseram algo como: “É bom tirar férias de vez em quando, organizar a vida, cuidar da família, e voltar com a corda toda!”

 
Por outro lado, duas das pessoas  menos competentes que conheço disseram aproximadamente isso: “Que vida boa! Queria saber como você faz para tirar férias. Faz vários anos que não tiro, porque não paro de trabalhar!”

 

AntGrasshopper.jpg

 

Se isto fosse uma fábula de Esopo, os personagens seriam formigas, cigarras e teria uma moral da história: “Quem é competente não precisa parecer competente. Já quem não é competente, precisa parecer competente.”

 

Mapa do Site

 

 

Cubo X – Topo e laterais externas

No último capítulo do tutorial do X-Cube, chegamos ao cubo no formato em X.

 

IMG_1472.JPG
Anteriormente, foram apresentados a Introdução, Dissecação e Notação:

 

 

A ideia aqui é montar o cubo externo sem desmontar o formato em X. Primeiro, montar o topo e a lateral, e a seguir a base.
 


 

Parte A – Montar o topo

 

Na verdade, montar o topo do cubo externo não é um grande desafio. Basta fazer os movimentos r, l, f e b  combinados com a movimentação da última e/ou penúltima camadas. Fica como exercício para o leitor.

 

O cubo com o topo montado fica assim.

 

IMG_1473.JPG

 


 

Parte B: Montar a lateral

 

A ideia agora é montar a lateral externa sem desmontar o formato em X nem desmontar o topo.

 

Para tal, pode-se utilizar o “algoritmo lateral”, descrito a seguir.

 

Ele coloca a peça de edge do lado de  trás na lateral. As peças pintadas de cinza não interessam, neste momento.

 

Lembre-se da  Notação em que a letra em minúsculo refere-se ao cubo externo, e a letra em maiúsculo ao cubo interno.

 

MovTrocaLaterais.PNG

 

O irmão gêmeo simétrico é o movimento lateral à esquerda:

 

LateralEsquerda.PNG

 

Arrumando as laterais, fica assim:

 

IMG_1474.JPG

 

Basta aplicar sucessivamente este método, para todas as 8 peças laterais do  
cubo X.
IMG_1475.JPG
(Visão oposta do X-Cube)

 

Com isso, quase todo o cubo estará resolvido. Mas, por este método em camadas, a encrenca fica para o final: montar a base (a camada amarela). Isto fica para o próximo Post.

 

Arnaldo Gunzi
Fev 2016
 


Bônus: Padrãozinho legal

 

IMG_1423.JPG