A Verdade e o Conto

Uma mulher pobre, mal vestida e faminta chega numa vila.
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Ela bate a porta da primeira casa, a fim de pedir comida e abrigo. A moradora olha pela janela, mas não abre a porta.
A mulher vai à segunda casa da vila. Novamente, os moradores não a recebem dentro de casa.
E ela passa por todas as casas da vila, sem ser recebida por ninguém.
Ela fica num campinho, sem saber o que fazer.

Surge um moço, bem vestido, bonito e alegre.
Ele bate na primeira casa, que prontamente o recebe, com festa e alegria.
A seguir, ele vai visitar a segunda casa, e novamente, muita festa e alegria.
É assim em todas as casa da vila.
Depois que ele sai da última casa, passa pelo campinho.
Ela comenta: “Eu também passei por todas as casas, mas ninguém me atendeu.”
Ele respondeu: “Então venha comigo, vamos juntos a partir de agora.”

A mulher maltrapilha é a Verdade, e o homem bem vestido é o Conto.
Poucos abrem o coração para a Verdade nua e crua.
Todos abrem as portas para os contos e histórias. Mas histórias desprovidas de verdade são vazias, fúteis.
Elas devem vir juntas para atingir os corações das pessoas.
Fonte: Rachel Barcha, que interpreta a contadora de histórias Sherazade.

Resolvendo o Cubo X interno

Introdução
Continuando os posts anteriores, Introdução, “Dissecação” e Notação,  a próxima etapa é a de colocar o X-Cube no formato original, sem se preocupar com as extensões do cubo externo.
Para isto, basta notar que o Cubo interno do Cubo X é igual ao cubo de Rubik 3x3x3. Só que, ao invés de olhar para as cores, vamos olhar para o formato das peças.
Basta entender a configuração das peças para tal. Vamos considerar as peças de canto como uma peça em “L”, contando as duas extensões dos dois lados adjacentes.
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As peças do meio mais a extensão são um “I”.
As peças centrais são fixas.

Procedimento
Começar com um cubo embaralhado.

1 – Resolver o topo de uma das cores amarelo ou branca
Pode-se começar fazendo a tradicional cruz (no caso, amarela).
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Depois completa-se o topo do cubo. Sempre é possível chegar a esta configuração, e é fácil, para quem conhece o cubo de Rubik normal.
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Visão oposta do cubo
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2 – Resolver a lateral
Consiste em utilizar a mesma técnica para preencher a lateral correta do Cubo de Rubik. Apenas deve-se notar que a peça em L deve estar na lateral, no lugar da peça em I.
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Eu costumo usar o movimento (R’D) (RD) (R’D2) (RD’) (R’D’) (R) para preencher a lateral. Mas pode-se utilizar qualquer algoritmo que preencha as laterais.
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Fazer o mesmo movimento para os quatro lados, desta forma arrumando a primeira e a segunda camada.
Imagem: primeira e segunda camadas corretas.

3 – Resolver a Base
Novamente, deve-se utilizar os mesmos algoritmos do cubo de Rubik. Um para rotacionar os cantos, as peças em L. E outro para rotacionar e transladar as peças em I.
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Para rotacionar os cantos, eu conto quantos giros de 90 graus devem ser dados. O movimento (R’D) (RD) (R’D2) (R) rotaciona três dos lados.
Com as peças de canto corretas, deve-se atacar as peças em I sem modificar as peças em L. Para posicionar as peças em I, uso dois algoritmos (e variantes simétricas no sentido oposto).
Algoritmo 1: (RL’) (FR’) (LD2)(RL’) (FR’L)
Algoritmo 2: (FL) (B’L’) (BF’) (DB) (D’B’)
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Pode-se utilizar o método preferido do cubo de Rubik para colocar o formato em X. Basta saber reconhecer o padrão de peças em “L” e em “I” e posicioná-los corretamente.
A aplicação destes métodos é suficiente para acertar o formato do cubo.
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Há um caso bizarro de paridade que merece ser mostrado. As vezes, acontece algo assim: somente uma peça “I” errada.
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Para consertar a paridade, basta trocar o sentido de algum dos cubos laterais e rearrumar o cubo.
Como eu disse, para resolver o Cubo X é necessário saber o cubo de Rubik, senão não tem como começar. Caso haja dificuldade em algum dos movimentos descritos, há vários tutoriais na internet que explicam o cubo de Rubik normal.
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Então, este foi o primeiro passo: Colocar o cubo no formato de X, alinhando o cubo interno, com movimentos idênticos ao do Rubik 3x3x3.
Nos próximos posts, serão apresentados métodos para arrumar o cubo externo.

 

 

Bônus: um padrãozinho legal:

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Basta fazer

(RL’ FB’ UD’ RL’)

(R’L UD’ FB’ R’L)

 

X-Cube – Metodologia Geral e Notação

Continuando os posts sobre o Cubo X: Introdução e “Dissecação”.

Primeiro, vamos chamar de “cubo interno” o cubo 3x3x3, sem as extensões dos lados. E vamos chamar de “cubo externo” o cubo com as extensões.

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Começando do cubo totalmente embaralhado, por exemplo assim:

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O método de solução consiste em:
1 – Colocar o cubo no formato correto

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2 – Arrumar o topo e as laterais do cubo externo

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3 – Arrumar a base do cubo externo

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Cada uma das etapas terá um post detalhado.

Como explicado no Dodecaedro mágico, a ideia é utilizar “padrões invariantes”. São movimentos que mantém igual a maior parte do cubo, alterando apenas uma ou duas faces.

Como é extremamente complexo resolver um cubo desses inteiro, a ideia é ir resolvendo por pedacinhos. Esses pedacinhos são os sub-grupos do grupo maior. No final das contas, resolver qualquer puzzle desses significa analisar e reconhecer padrões, só isso.


 

Notação para o cubo interno

A notação utilizada é mais ou menos igual ao do cubo normal.

Notação do cubo de Rubik. A diferença é que uso apóstrofe (‘) para indicar a inversa.

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O Giro é sempre de 90 graus, no sentido horário.

Notação para o cubo Interno

A notação refere-se aos lados L (Left – Esquerda), R (Right – Direita), U (Upper – Acima), D (Down – Abaixo), F (Front – Frente), B (Back – Trás).
Quando se gira o lado, gira-se junto a “extensão”.

A notação com apóstrofe (‘) significa que o giro é no sentido anti-horário (ex. L’, R’, U’) e um número a seguir significa múltiplos do movimento (ex. R2, L2, F2).
A referência para as fotos abaixo é o lado branco para cima e o vermelho de frente.

L (Left – Esquerda),

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Note que um movimento L tira o formato em X, deixando numa configuração esquisita.

 

L’

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L2

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R (Right – Direita),

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U (Upper – Acima),

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D (Down – Abaixo),

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F (Front – Frente),

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B (Back – Trás).

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M (Meio no sentido de L).

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S (é o meio no sentido de F).

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Notação para o cubo Externo

 

É a mesma coisa, mas utilizando letras minúsculas. Gira-se somente a extensão.
Para os lados U e D, não existe extensão, então o movimento é o mesmo do cubo interno.

l (Left – Esquerda),

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r (Right – Direita),

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f (Front – Frente),

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b (Back – Trás).

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Cuidado para não confundir o movimento do cubo interno com o externo.


 

Os posts que virão explicarão como resolver o topo e as laterais, e por fim a base do cubo X.

 

Arnaldo Gunzi

Jan 2016


 

Bônus:
Um padrãozinho bonito para se fazer com o X-Cube.

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Basta fazer (M2 S2).

 

 

 

Estratégias do xadrez para a vida

Bruce Pandolfini é um dos professores de xadrez mais conceituados do mundo. Apresento a seguir um resumo de algumas ideias interessantes, publicadas originalmente na revista Fast Company e também na Exame.

Bruce_Pandolfini_new.jpgFoto: Bruce Pandolfini


Clareza no presente x clarividência do futuro

A maioria das pessoas acha que a estratégia dos grandes enxadristas consiste em pensar muito adiante, prevendo 10 ou 15 lances futuros. Não é verdade. Os enxadristas pensam apenas até onde é preciso, e isso significa pensar apenas alguns poucos lances à frente. Pensar longe demais é perda de tempo, na medida em que as informações são incertas.

Jogar xadrez significa controlar a situação que se tem pela frente. Você precisa de clareza, não de clarividência. O X da questão não é saber até onde os grandes pensam adiante, mas como eles pensam no momento presente.

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Não se contente com a primeira boa ideia. Procure uma melhor.

Você nunca deve jogar o primeiro bom lance que lhe vem à mente. Pergunte a você mesmo se há algum lance melhor. Já vi Garry Kasparov praticamente sentar-se sobre as mãos para conter sua vontade de fazer um movimento.

“Se você enxerga uma boa ideia, procure outra melhor” – é o meu lema. Para conquistar uma grande vitória, pense diferente.


Vantagens pequenas geram resultados grandes

 

Wilhelm Steinitz foi o primeiro grande professor de xadrez dos tempos modernos. Steinitz desenvolveu a teoria do xadrez posicional – jogar por vantagens aparentemente insignificantes. Só um pouquinho, muito pouquinho. Tomado isoladamente, nenhum desses pouquinhos significa nada, mas quando se somam sete ou oito deles, você passa a ter o controle da partida.

 

220px-Wilhelm_Steinitz2.jpgFoto: Wilhelm Steinitz


Anatoly Karpov, a Jiboia constritora, é um excelente exemplo de jogador posicional. Não dava nada ao adversário. Não arriscava. Não cedia. Era um lutador de trincheiras, que mantinha o jogo se movendo um centímetro por vez.

1365857123_anatoly-karpov-the-great-chess-player.jpgFoto: Anatoly Karpov


Arriscar

Se um lance do adversário não faz sentido, continue procurando a razão. Se tudo indicar que seu adversário cometeu um erro, tome a peça dele! Se você o fizer, ou você está errado e vai aprender alguma coisa, ou está certo e vai ganhar um lance. Não tenha medo de agir com base em sua própria análise.


Jogar contra o adversário, e não contra suas peças

Para ser um bom enxadrista, é preciso saber ler a mente das pessoas. E isso começa com saber ler seus olhos.

Às vezes a partida se reduz uma guerra psicológica. Kasparov usava muito bem isso. Ele costumava quebrar a resistência das pessoas. Quando o adversário faz um movimento errado, ele faz caretas ou ri de maneira a humilhá-lo.  Isso pode deixar o adversário muito abatido.

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Foto: Garry Kasparov

Kasparov perdeu essa vantagem quando jogou contra o computador Deep Blue. Afinal, estava jogando com uma máquina.

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Imagem: como Kasparov poderia derrotar Deep Blue em um lance!


Eu me recordo de uma partida disputada por dois russos, Anatoly Karpov e Viktor Korchnoi.

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Foto: Viktor Korchnoi

Korchnoi tinha abandonado a União Soviética e pedido asilo no Ocidente, e esse fato fez a partida ser ainda mais intensa. Karpov tinha em sua equipe um “psicólogo” chamado Vladimir Zukhar. Na realidade, Zukhar era pouco mais do que um especialista em ficar olhando as pessoas fixamente, com os olhos arregalados. Durante todo o tempo da partida, seu papel era olhar fixamente para Korchnoi, e isso o deixou tremendamente nervoso. Karpov acabou vencendo a partida por uma margem muito estreita.


Nunca deixe seu adversário ver você suando

Cometer um erro no meio da partida pode deixar o jogador arrasado. Mas os jogadores excepcionais aprendem a manter calma e confiança totais – pelo menos por fora. Os grandes jogadores podem duvidar do acerto de um de seus próprios lances, mas nunca duvidam deles mesmos. Mas existe uma grande diferença entre cometer um erro e retroceder. Retroceder não é necessariamente negativo. Para conseguir uma vantagem no xadrez, frequentemente é preciso abrir mão de alguma coisa. Na verdade, uma retirada pode ser uma manobra brilhante de ataque, pegando o adversário desprevenido.

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Aprenda a perder para poder aprender a ganhar

Aprender xadrez quando se é criança tem um problema: inevitavelmente, você vai perder muitas vezes. E, evidentemente, uma das principais razões pelas quais uma criança faz qualquer coisa é o desejo de agradar a seu ego. Mas, se você aprende a aceitar as derrotas enquanto é jovem, acaba aprendendo a ganhar. Essa é uma das primeiras funções de um bom professor de xadrez: mostrar aos alunos como suportar a dor da derrota.


Ensinar as pessoas a pensarem

Minhas aulas incluem muitos momentos de silêncio. Ouço outros professores e vejo que eles passam o tempo todo falando: “Por que você está fazendo essa jogada?”, “Que outras opções você está levando em conta?” Quanto a mim, deixo meus alunos pensarem. Quando faço uma pergunta e não recebo a resposta correta, formulo a pergunta em outras palavras – e espero. Nunca dou a resposta. A maioria das pessoas não se dá conta do poder do silêncio. Parte da comunicação mais eficaz entre professor e aluno, entre jogadores mestres, se dá durante os momentos de silêncio.

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Links:

http://www.fastcompany.com/37127/all-right-moves

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/693/noticias/uma-aula-de-estrategia-m0048561

 

Dissecando o X-Cube

Continuando o post anterior sobre o Cubo X, Introdução ao X-Cube, este post mostrará um cubo desmontado.

Não era a minha intenção fazer isso, mas depois de ficar várias horas mexendo, o X-Cube desmontou na minha mão. Aproveitei para documentar. Quem é engenheiro, exatóide, gosta de ficar desmontado coisas para ver como funcionam – mesmo que às vezes não consiga montar de volta.

As peças centrais, que são invariantes aos movimentos, têm uma capinha da cor do lado. Tirando a capinha, aparece o parafuso.

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Visão do cubo sem a peça central e sem duas peças adjacentes.

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Detalhe da peça central, parafuso e capinha.

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Detalhe da peça central encaixada.

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Há um eixo central, onde ficam 6 peças parafusadas (uma para cada lado). Isto é exatamente igual ao Cubo de Rubik tradicional, o 3x3x3. O mecanismo é muito parecido, a diferença é que o Cubo X tem uns “extensores” que ligam as peças externas.

 

Note o mecanismo circular que permite que o mesmo gire.

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Todas as demais peças fora do eixo são inter travadas. Não tem parafuso, cola, nada, só o formato os segura (e por isso, se forçar eles se soltam).

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Detalhe do cubo X, retirando a primeira camada (branca) inteira.

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Peças da primeira camada, a Branca.

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As peças têm exatamente o mesmo tamanho do Rubik 3x3x3, certamente é porque os criadores do Cubo-X queriam aproveitar o máximo que podiam do cubo normal.

Cubo X montado.
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Uma forma de resolver o Cubo X é assim, desmontando e remontando. Algoritmo Força Bruta total. Mas esse não é um método muito elegante. Não é o espírito da coisa, além de dar um trabalhão.

Os posts que virão futuramente explicarão um método para resolver o Cubo X. A ideia é ajudar o leitor a não ser apenas um seguidor de algoritmos, mas a entender a lógica do que realmente acontece.

 

Arnaldo Gunzi

Jan 2016

Mapa do site

 

 

 

1 kg Ação = 1 ton Teoria

Uma mensagem para aqueles que procrastinam. Para os que deixam de agir por achar que não têm conhecimento suficiente, não estão prontos, não têm dinheiro nem tempo.

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Uma má notícia: nunca estaremos 100% prontos. Nunca o conhecimento será completo, nunca haverá recursos sobrando.

Não há ação sem riscos. Não há empreendimento sem dor. Não há inovação sem dúvidas.

Quando o conhecimento for completo e o risco for nulo, o problema será um problema do passado. Não há mérito em resolver um problema já resolvido.

 

QuoteFrost

 

Temos que agir com o que temos. Jogar com as cartas que temos hoje, não as que sonhamos em ter. Não podemos esperar a teoria responder tudo, nem termos 100% de certeza.

 


 
Esta mensagem foi inspirada em algo semelhante que li de Peter Drucker, inclusive contendo o poema de Frost. Como não consegui encontrar onde li isto, reescrevi com minhas palavras. Se alguém puder me indicar em qual livro Drucker  usa esta citação de Frost, favor escrever na seção de comentários.

 


Epílogo

“Secret sits”, de Robert Frost:
“We all dance around in a ring and suppose. While the truth sits in the middle and knows”

Outras citações pertinentes.

“Um quilo de ação vale por uma tonelada de teoria” – Ralph Waldo Emerson

“Onde há um empreendimento, alguém, algum dia, teve que ter um ato de coragem” – Peter Drucker

“Não espere por um convite para fazer a diferença” – Peter Drucker

 

 

 

 

X-Cube – Introdução

Dentre os posts que fazem mais sucesso no Forgotten Lore, estão os dos poliedros mágicos e do dodecaedro mágico.

O X-Cube é um parente um pouco diferente dos cubos mágicos normais, e também acho mais difícil que o dodecaedro mágico. A cara do X-Cube é assim:

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O preço da Amazon é cerca de US$ 35. Mas o problema nem é o preço do produto. O frete é mais uma grana, e ainda a Amazon recolhe os impostos da aduana brasileira – a soma destes dá US$ 50. Ou seja, US$ 85, e com o dólar a 4 reais, R$ 340.  Não dá nem para brincar de cubo mágico no Brasil…

A minha sorte é que tinha um conhecido que estava vindo dos EUA. Fiz a encomenda, e salvei uns bons dólares com isto.


 

O X-Cube é assim. Isto pode girar para qualquer lado: direita, esquerda, em cima, embaixo, frente, trás – nos três eixos como o cubo mágico.

Os quadrados externos – fora do cubo normal – só podem girar se os 9 estiverem juntos. Darei mais detalhes depois.

 

Uma foto é do cubo virado ao contrário, para dar a visão dos 6 lados em duas fotos.

Este brinquedinho girado aleatoriamente fica assim, bem assustador:

 

 

 

Para resolver o X-Cube, é necessário ter conhecimento da solução do Cubo Mágico comum, o cubo 3x3x3. Senão, não dá nem para começar.

 

A ideia é utilizar os movimentos do Cubo 3x3x3 para resolver o cubo interno, e movimentos do dodecaedro mágico para resolver a parte externa do mesmo.

Seguindo a mesma ideia do dodecaedro, a minha solução não é a mais otimizada, nem muito elegante. É apenas uma solução possível. A ideia também é dar uma dica aos leitores interessados a entender a lógica por trás disto tudo – para uma introdução ler o post “criando a sua própria solução“.

Um X-Cube pode parecer assustador. Mas é formado de movimentos básicos também encontrados no cubo 3x3x3, e generalizações destes encontrados no dodecaedro. Também tem uns truques novos, mas a lógica de todos esses caras é muito parecida.

Como dá trabalho escrever, aos poucos vou publicando aqui neste espaço.

 

Índice do Cubo-X

 

Arnaldo Gunzi

Jan 2016


 

Link da Amazon.

via Amazon.com: The X-Cube: Toys & Games.

Apenas mais um ferreiro na cidade

Um ferreiro como outro qualquer

Imagine-se na Idade Média. E imagine que a sua profissão é de ferreiro. É o ofício que você aprendeu desde pequeno, é o que você gosta e que sabe fazer. Imagine também que você mudou-se para uma nova cidade, e vai começar a exercer o seu ofício de ferreiro nela. O problema é que a cidade nova tem dezenas de outros ferreiros, e você será apenas mais um ferreiro na cidade.

 

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Um caminho possível é o de tentar fazer igual ao que todos os outros ferreiros fazem, e através de muito esforço ser reconhecido como um grande ferreiro após muitos anos ou décadas de trabalho.

Outro caminho é o ferreiro inovar. Criar novos produtos, para novas aplicações. Fazer produtos dezenas de vezes melhores do que os existentes. Uma carruagem melhor.  Uma espada mais forte e mais barata. Um processo produtivo com menos perdas.

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Se o ferreiro conseguir fazer isso, ele vai se tornar a referência da cidade nesta nova técnica. Será um ferreiro diferente, e o retorno virá em proporção direta ao valor que ele agregará com estas novas ideias.


 

Caminhos
Se você percorrer o mesmo caminho já trilhado por outros, vai chegar exatamente no mesmo lugar que outros já chegaram. Não dará um passo além disso.

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Ou, como diz o educador financeiro Bastter, “Como você espera chegar num resultado diferente se faz a mesma coisa que todo mundo?”


 

Como inovar de forma eficaz?

A inovação é a vantagem competitiva para o novo ferreiro. Este blog foi feito para os ferreiros que pensam diferente.
Há diversas ideias, ferramentas e metodologias sobre inovação. Gosto muito do visão de Design Thinking: centrada no usuário, divergência e convergência, prototipagem rápida, lean, etc.

Há diversos posts já publicados aqui, e muitos outros seguirão.

Arnaldo Gunzi

Jan 2016

 


 

Nota final

Nada haver com as ideias acima, mas a título de curiosidade.

O deus grego dos ferreiros era um cara chamado Hefesto. Feio, manco, tosco, mas extremamente competente no que fazia.

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Hefesto era casado com Afrodite, a deusa do Amor e da Beleza. Afrodite era linda, sensual, ardente, pecadora. Zeus fez Afrodite casar-se com Hefesto, muito feio e quadradão, como punição para ela. Ela gostava mesmo era de Ares, o deus da Guerra.

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Afrodite (Vênus), Zeus (Júpiter), Ares (Marte) eram protagonistas no Olimpo, e até viraram nomes de planetas. https://ideiasesquecidas.com/2014/05/22/planetas/

Hefesto era um coadjuvante importante.

 

 

 

Telesp informa: este número não existe

Hoje passei em frente a um prédio, na Rua Fagundes Dias, na Saúde – SP. Antigamente, era um prédio da Telesp.
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Me lembro muito bem deste local, porque passei por uma experiência traumática nele, no começo dos anos 90. Este post é para as pessoas mais jovens, que não viveram esta época.

 


 

Telefonia nos anos 80

A Telesp (Telecomunicações de São Paulo) era a empresa estatal responsável pelas telecomunicações em SP.

Hoje em dia, qualquer um pode comprar quase de graça um número de celular pré-pago e sair falando. Mas nos anos 80 era extremamente caro e demorado ter uma linha telefônica convencional, de telefone fixo!

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Era tão caro e tão raro, que a maioria das pessoas (inclusive os meus pais) alugava a linha telefônica. Era tão caro que as pessoas declaravam a posse da linha telefônica no imposto de renda.
Dando um chute comparativo, era como se uma linha de telefone fixo custasse R$ 20 mil. Assim como hoje tem gente que vive de aluguel de imóveis, nos anos 80 tinha gente que possuía dezenas de linhas telefônicas e vivia do aluguel de telefones.

E o gargalo não era só o preço. Mesmo se eu tivesse dinheiro para comprar, tinha que colocar o nome numa lista de espera e ficar anos esperando, para talvez ter a linha.

Para quem não tinha telefone, a alternativa eram os orelhões.

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Já usei muito os orelhões, e sempre tinha umas fichas telefônicas no meu bolso.

fichaTelesp

Cartelas-de-Fichas-Telefonicas-Telesp


 

Sorteio de linhas telefônicas

De tempos em tempos, a Telesp fazia um esforço para aumentar a quantidade de telefones na rede.

 

Teve uma vez no começo dos anos 90, que teve um tal de um sorteio de linhas telefônicas. Os interessados nesta promoção pegavam uma senha, a Telesp fazia o sorteio das senhas ganhadoras. Estes tinham o direito de comprar a linha telefônica com facilidades, furando a fila de anos de espera. Era algo assim. Não sei precisar exatamente o que foi, porque tinha uns 14 anos na época. Mas me lembro muito bem do que passei.

Os meus pais queriam aproveitar esta oportunidade, e a gente foi lá, pegar a tal senha para o sorteio de linhas telefônicas. Fomos ao prédio da R. Fagundes Dias. Havia uma fila quilométrica de pessoas. Nunca tinha visto tanta gente assim numa fila. Ela começava no prédio, e ia por vários quarteirões ali do bairro da Saúde. Talvez umas 5 mil pessoas. Sei que a gente foi andando para achar o final da fila e entrar nela, mas o final da fila não chegava nunca!

A minha mãe, impaciente como sempre, deu um jeito de furar a fila entre um quarteirão e outro. Entramos na fila, que andava bem rápido. Mas mesmo assim ficamos um bom tempo na fila, uma hora ou mais. Entramos no prédio da Telesp, e a única coisa que fizemos foi pegar um papel, que era a tal senha para o tal sorteio.

Obviamente, este trabalho todo foi em vão. Não fomos sorteados para obter o direito de comprar uma linha telefônica, e tivemos que esperar a privatização das telecomunicações para obter linhas telefônicas acessíveis financeiramente e de qualidade infinitamente superior ao que conhecíamos.

 

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http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,a-verdade-sobre-as-privatizacoes-imp-,632392

 

Com a privatização das teles, o preço de aquisição caiu a zero. A linha já não era mais um recurso escasso. Com isso, eu me lembro que a gente passou a ter dois números de telefone fixo em casa, um que tínhamos comprado meses depois do sorteio de senhas descrito acima, e outra linha quando o custo de aquisição caiu a zero – talvez por trauma do passado, minha mãe resolveu ficar com duas linhas, vai que a linha se torna escassa de novo.

Também me lembro que até poucos anos atrás o meu pai ainda declarava no imposto de renda a linha telefônica adquirida com tanto esforço nos anos 90, mesmo que na prática o valor dela fosse nulo – trauma de uma época difícil.

Fica aqui o registro do que vivi na era da telefonia estatal, que espero nunca mais repetir.
Arnaldo Gunzi

Jan 2016


 

Obs. Quando a gente discava um número errado, inexistente, a mensagem automática que a gente ouvia era “Telesp informa: este número de telefone não existe, favor consultar o catálogo telefônico ou chamar o serviço de informações”.

Outro serviço dos anos 80 muito útil era a hora certa. A gente ligava “130” para saber as horas pelo relógio mais preciso de São Paulo.

 

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Veja também:

O índice X-Men de inflação

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A Jornada do Usuário

Ferramenta: Jornada do Usuário

 

Continuando o post anterior, sobre Design de Serviços, apresento uma ferramenta muito útil, a Jornada do Usuário.

 

Este é um exercício simples, mas poderoso. Calçar o sapato do cliente, do início ao fim da jornada em que utiliza os serviços de sua empresa. Consiste em mapear as ações principais e identificar os gargalos do processo.
 
Um template está disponível aqui.

 

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Como o cliente fica sabendo do produto ou serviço? Ao entrar, qual a primeira coisa que ele vê? Quem o atende? Como ele escolhe? Como paga? Como leva o produto? Como é em caso de troca?

 


 

Exemplo: Blockbuster

 
Um exemplo muito simples.
Nos anos 90, a rede de locação de filmes Blockbuster era onipresente.

 

O usuário ia até a loja, empolgado por escolher um filme.
Ficava zanzando pela loja. Escolhia feliz um título entre centenas de outros. Voltava para casa e via o filme.
O problema era que na segunda-feira, tinha que devolver o DVD! Era uma obrigação ir até a loja, não um prazer.

 

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Outro ponto péssimo eram as multas, quando o cliente não esquecia de devolver. Saía mais caro que a locação.

 

A satisfação do cliente na jornada terminava mal.

 

Várias empresas atacaram estes pontos fracos. Uma delas foi a Netflix, nos EUA. Antes mesmo de ter filmes e séries pela internet, a Netflix era uma empresa de aluguel de filmes. Mas o modelo era diferente. Era envio e recebimento de filmes pelo correio. Quantidade ilimitada, por uma quantia mensal. E sem multas para quem não devolvesse os filmes – a restrição era a de que a pessoa só assistiria a novos filmes se devolvesse o antigo.
 
A Blockbuster foi uma empresa de produtos: loja físicas, DVD alugados e devolvidos. A Netflix é uma empresa de serviços: quero ver o filme, o DVD é só um meio.
 

 
É fácil olhar para o passado e dizer essas coisas – é  o “efeito retrovisor” tão citado por economistas como Nassim Taleb e Daniel Kahneman.

 

O grande teste é prever o futuro.
 
Vamos lá, aplicar a jornada de serviços à outro setor qualquer.

 

Setor aeroviário

 

Imagine um executivo que vai voar a trabalho. Vamos fazer o exercício da Jornada deste usuário.

 

A jornada do usuário ao viajar de avião é péssima: pagar caro na passagem, acordar cedo, chegar com bastante antecedência no aeroporto e ficar esperando, pagar extremamente caro numa xícara de café, entrar como boi no avião e ficar enlatado como sardinha, ganhar um lanche horrível, quando não tem que comprar o mesmo. Esperar malas na esteira, ficar numa fila para pegar táxi. Quando chove, cancela voo, aí é tão ruim que nem quero lembrar da experiência.

 

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O usuário não desfruta da viagem de avião. Ele quer chegar ao destino. Ou fazer uma reunião presencial. Há muitas lacunas a serem preenchidas neste setor, e inúmeras oportunidades. Mas também não há soluções fáceis. Sei que vou agradecer muito a quem conseguir operacionalizar uma boa solução.

 

Fazer a Jornada do Usuário é uma forma muito útil de encontrar gargalos e centrar a inovação nas pessoas.

 

Arnaldo Gunzi
Jan 16

 

 

Sorvetes e Design de serviços

Design de serviços
O design de serviços é o design (projeto) que foca na experiência completa do cliente ao usar o seu produto/serviço.

 

O objetivo é assegurar que o serviço esteja num ótimo nível, do começo ao fim. Que o produto ou serviço seja centrado no usuário, nas pessoas. Que utilizar o produto ou serviço seja uma experiência memorável, ou nas palavras de Steve Jobs, insanamente grande.

 

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Pontos de interação
 
Há uma série de trabalhos feitos em backstage invisíveis ao usuário final. Os pontos de interação são o “momento da verdade”, em que efetivamente haverá interação com o usuário, no frontstage. Um erro no momento da verdade pode pôr a perder todo o trabalho do backoffice.

 

Uma vez fui num restaurante japonês. Os sushis estavam muito bons, os pratos do rodízio em geral estavam excelentes. Mas na sobremesa, veio um sorvete que estava péssimo. Parecia aqueles sorvetes coloridos que tinham  gosto de remédio, que eram vendidos antigamente.

 

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O restaurante caprichou nos pratos principais, mas parece que economizou na sobremesa. E mandaram muito mal, porque a sobremesa é o último prato, o sabor que fica na boca do cliente após sair do restaurante.
 


 

Experiência completa 

 

O design de serviços deve se preocupar com a experiência completa do cliente, do início ao fim. Não é só vender o produto. Tem que ter todo o suporte pré e pós vendas, toda a garantia de qualidade.

 

Uma vez comprei um “iPod” pirata chinês barato, aparentemente igual ao original, mas que não durou nem três meses. Este tipo de produto consegue um ganho local rápido (pegou meu dinheiro) mas obviamente o ganho global é negativo. Prefiro pagar mais caro num iPod verdadeiro, que me garanta  peças verdadeiras – vide post sobre confiança na marca.
 


Tudo é serviço 

 

Seja lá o que for que uma empresa produza, no final das contas tudo é serviço.

 

Não quero uma furadeira, quero um furo na parede. Não vou ficar olhando para a beleza da furadeira nem para suas especificações técnicas, nada disso interessa. Quero um furo bem feito na parede, com o mínimo de esforço físico e mental.

 

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Não quero uma máquina de café, quero o café, não quero uma televisão, quero entretenimento.
 
A mesma coisa ocorre com relação ao seu trabalho. Não interessa se você passou um minuto ou um ano trabalhando para entregar algo, o que interessa para o cliente final é o quanto isto é útil para ele, do início ao fim da experiência.

 

Por exemplo, engenheiros focam muito no como produto funciona, e não na experiência de quem vai usar. Um engenheiro da GE fez uma máquina de ressonância de última geração, que era a melhor do mundo tecnicamente. Mas esta máquina aterrorizava as crianças, que tinham que ser sedadas. Isto só funcionou depois de centrar a inovação no usuário, e
transformar a sala numa “aventura pirata” – vide post sobre Ressonância magnética divertida.

 

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Outra foto:

 

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Até mesmo empresas B2B deveriam se preocupar com o serviço que está sendo oferecido. Porque a empresa que está comprando o produto é formada de pessoas, que querem entregar um bom trabalho e se preocupam com os seus empregos. E, além disso, depois depois do B2B vem sempre um B2C, com consumidores querendo produtos e os serviços atrelados a ele.
 
Portanto, no final das contas tudo é serviço, e o serviço é avaliado no todo, do início ao fim.

 

No próximo post: A Jornada do Usuário, uma ferramenta para ajudar a entrar nos sapatos do usuário.

 

Análise – Concurso de cachorro quente

Comer um cachorro quente é algo bom, não? Mas não é tão bom assim se for para participar de um concurso e ter que comer mais de 50 cachorros quentes.

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A história do cara que revolucionou as competições de quem come mais cachorro quente já foi contada neste blog, aqui.
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Gostaria de acrescentar uma análise, de como melhorar um processo produtivo, digamos o de comer um cachorro quente.


 

Como se come um cachorro quente
Uma pessoa normal seguiria os seguintes passos:

– Pegar o cachorro quente
– Morder um pedaço
– Mastigar
– Engolir
– Tomar água quando ficar seco demais

Ok, não? Para saborear o cachorro quente como uma refeição, tudo bem. Mas e se o objetivo for participar de um concurso de quem come mais cachorro quente?
A grande maioria das pessoas faria exatamente o processo acima, só que mais rápido.
Takeru Kobayashi se perguntou. O que pode ser pré-processado? Pós-processado? Separado ou agrupado? Quais etapas são desnecessárias?
Quais os gargalos do processo? Depois ele passou um bom tempo testando alternativas, medindo e tabulando resultados.

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Pré-processamento
Num determinado processo, o que pode ser antecipado de forma eficaz? O que pode ser feito por outras pessoas, em paralelo, para mitigar os gargalos do processo?
No cachorro quente, o único órgão do corpo que trabalha é a boca. Por que não utilizar as mãos também?

 

– Pegar o cachorro quente
– Utilizar as mãos para pegar, despedaçar e manipular.


Separar e Agrupar
Há partes do processo que podem ser separadas e processadas? Ou que é melhor serem agrupadas?
Kobayashi notou que a consistência do pão (fofa, muito volume) contrastava demais com a da salsicha (densa, pesada). Faria mais sentido separar salsicha e pão. Juntar muitas salsichas e devorar, juntar só os pães e devorar.

 

– Utilizar as mãos para separar o pão e a salsicha

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Gargalos do processo
Quais são os pontos críticos do processo? Há alguma forma de economizar o uso destes?
Kobayashi notou que muitos competidores tomavam bastante água, para ficar mais fácil comer. Mas a água é pesada, e ocupa um volume importante do estômago.
Faria mais sentido tomar o mínimo possível de água. E também, não perder tempo levando a água à boca, mas usar as mãos para molhar o pão e tirar o excesso de água – trabalhar com as mãos em paralelo com a boca.

– Molhar o pão despedaçado na água
– Espremer bem o pão (com as mãos) para tirar o excesso de água
– Enfiar o pão na boca

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Etapas que não agregam valor
Há etapas do processo que agregam pouco valor e podem ser eliminadas?
Kobayashi engole os pedaços que coloca na boca, sem mastigar. Afinal, ele já tinha feito um pré-processamento com as mãos (argh, já desisti de participar do concurso).

– (eliminar a parte de mastigar)
– engolir o alimento


 

Medir a eficácia
Durante cada um dos testes, Kobayashi mediu e tabulou os tempos e as variáveis testadas. Só assim pôde comparar se o método era melhor ou não que os anteriores.


 

Não ter medo do ridículo

Há mais coisas que Kobayashi faz, como uma dancinha ridícula. Mas  é importante não ter medo do ridículo ao tentar implementar um novo processo, uma mudança. Qualquer mudança ao status quo será esquisita, mas são essas mudanças que realmente vão fazer a diferença.
Depois de um tempo, todos os competidores aprenderam a imitar Kobayashi e criar novos métodos. Portanto, o ridículo de hoje pode ser o normal de amanhã.

 


 

Trabalho dói

Comer cachorro quente é legal, mas comer o pão imerso em água e triturado com as mãos, não. Comer a nível competitivo é trabalho full time. No trabalho, não tem essa de fazer o que gosta, fazer o só o que é legal. Muitas vezes tem que engolir uns sapos (ou uns cachorros quentes). Trabalho é dedicação full time, colocando um monte de energia, cérebro e persistência. Não tem jeito.


 

Kobayashi ganhou fama e participou de outros concursos, como comer taco, pizza, etc.

 

Este exemplo de melhoria de processo é bem ilustrativo, porque todo mundo conhece o processo de comer um cachorro quente. Mas, depois desta análise, acho que vou ficar um bom tempo longe de um hot-dog.
Um vídeo para acompanhar o método Kobayashi.

Arnaldo Gunzi
Jan 2016

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