O Deus Janos

O final de ano sempre tem as festas familiares e as congratulações entre amigos. Hora de fazer a retrospectiva do ano passado e traça as metas do ano seguinte.

 

Dizem que “Janeiro” deriva de Janos, um deus grego que tem dois rostos: um que olha para frente (o futuro) e outro que olha para trás (o passado). Janos é o deus do começo, portões, transições.
 
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Metas para o ano novo
Quanto às metas para 2016, uma boa dica é que estas devem ser SMART:
Specific – bem definidas, claras
Measurable – possíveis de mensurar
Attainable – possíveis de serem atingidas
Relevant – esses objetivos são mesmo relevantes? Porque?
Time-related – com um cronograma de entregas parciais ao longo do tempo

 

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Análise de Feedback
 
Quanto à retrospectiva, é  interessante traçar o que Peter Drucker chamava de “Feedback Analysis”.

 

Consiste em pegar as metas do ano passado e apurar o que foi atingido ou não, e analisar os motivos. Depois, arquivar essas metas de modo organizado.
 
Pode-se descobrir muita coisa sobre si mesmo, sobre suas forças e fraquezas. Pode-se conhecer desejos que sempre estão na lista mas nunca são alcançados, ou coisas que eram apenas fogo de palha. E em contraste, pontos muito fortes.

 


 

Conclusão 

 

Metas SMART e Feedback Analysis são ferramentas poderosas para planejar o ano que vem e terminar o ano atual. Sempre faça uso destes.

 

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Arnaldo Gunzi
Dez 2015
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Porque há tantas pessoas fiéis à Apple? Ou a confiança na marca.

Um amigo meu comprou há pouco tempo um celular (marca asiática) com especificações aparentemente muito boas: processador forte, câmera boa, última versão do Android, etc. Entretanto, desde o começo, vários problemas. Alguns apps não rodavam, às vezes o celular aquecia muito. A câmera parou de funcionar depois de algumas semanas. Ou seja, um celular bom por fora e ruim por dentro, algo como uma Mercedes por fora, mas cheia de peças de Gol 1.0, ocultas lá no meio dos motores, para baratear o custo.

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Usuários não são especialistas em hardware e software. Quem melhor conhece todas as coisas boas e ruins do produto é o próprio fabricante. É o fabricante que pode fazer alianças com os melhores fornecedores e fazer os testes de qualidade. É aí que entra o poder da marca, que é o poder da confiança.
A confiança na marca é saber que está adquirindo uma Mercedes com peças de Mercedes, sem pegadinhas.

Depoimento pessoal
Tive um monte de celulares fajutos e mp3 players descartáveis. A primeira vez que comprei um produto Apple (que eu achava desnecessariamente  caro) foi em 2009, quando estava na Austrália.
Naquela época o iPad 1 tinha acabado de ser lançado. Como a Austrália é um país desenvolvido, a carga tributária era justa. E o Real brasileiro ainda valia alguma coisa. Ou seja, o iPad estava barato, e o comprei.
A minha expectativa era de que fosse apenas mais um dispositivo como qualquer outro. Mas a realidade superou em muito a expectativa. Era o produto mais bonito que já tinha visto na vida, com um monte de funcionalidades espertas. Era algo extremamente bem projetado, perfeito em todos os detalhes.
A partir daí, troquei o mp3 por um iPod, o celular por um iPhone, e assim em diante.

Quebra de confiança
Uma vez que uma marca ganha a confiança da pessoa, é difícil alguma outra marca ocupar esta posição. Principalmente quando é caro ficar testando alternativas diferentes.
Após ganhar a confiança de alguém, o maior perigo não é a concorrência, mas sim a si mesmo. É relativamente fácil quebrar a confiança. Basta o cliente se sentir lesado uma única vez.
Por exemplo, ninguém em sã consciência tem fidelidade a operadoras de telecomunicações: Vivo, Telefônica, Claro. Isto porque todo mundo já se sentiu enganado por elas, com algum serviço inútil sendo cobrado todos os meses, com horas perdidas falando com um operador de telemarketing.

O que posso aprender com isto?
 
Seja como uma marca que inspire confiança. Produtos e serviços de excelente qualidade, tanto por fora mas principalmente por dentro, são extremamente valiosos e muito raros no mundo.
É difícil conseguir a confiança das pessoas, mas é fácil quebrar. Cuidado com isso. Não vale a pena obter ganhos de curto prazo e estragar uma relação de confiança de longo prazo.
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“Os botões do novo iMac ficaram tão bonitos que dá vontade de lamber!”
Steve Jobs, após meses projetando os botões da interface do novo computador.

“Deixe sua marca no universo” – Steve Jobs


Arnaldo Gunzi
Dez 2015

 

Outros links

Sobre o surgimento ipod

Pense diferente

Criar do zero

 

 

 

Pesadelo em um Conto

Este blog busca trazer para o seu público-alvo um conhecimento diferente, não convencional e interessante, um Forgotten Lore (conhecimento esquecido).
Este post é sobre o conto “Hell Screen” de Akutagawa Ryunosuke, um dos mais talentosos escritores japoneses de todos os tempos.
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Akutagawa nasceu em Tóquio em 1892 e faleceu em 1927. Escreveu cerca de 150 contos. Ele é mais famoso no ocidente por uma adaptação para o cinema da obra “Rashomon”, por Akira Kurosawa. Já publiquei um trabalho dele aqui.
A história a seguir é uma tradução livre e resumida do conto “Hell Screen”.
É sobre um pintor, que cria quadros tão aterrorizantes que parecem reais. Este pintor é convidado a pintar um Quadro do Inferno, e ele dá tudo de si para criar o quadro perfeito.
Confesso que já tive pesadelos por causa deste texto perturbador.
Talvez este conto seja um auto-retrato do próprio Akutagawa, escritor capaz de pintar um Quadro do Inferno com palavras.

Uma única lição sobre administração

Se este Blog pudesse transmitir uma única lição aos seus leitores, esta lição seria sobre a importância de ser Eficaz.

 

Eficácia e Eficiência são duas palavras muito parecidas, mas com conceitos bastante diferentes. Saber a diferença entre elas pode resultar no sucesso ou no fracasso de um projeto, no trabalho útil ou em seguir ordens que não levam a nada.
 


Qual a diferença entre eficácia e eficiência?

 

– Eficácia é saber qual é o trabalho a ser realizado.
– Eficiência é fazer bem algum trabalho.

 

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Embora a eficiência seja importante, a eficácia é dezenas de vezes mais importante.
 


Eficácia
Eficácia é parar para pensar e tentar responder a duas perguntas. O que deve ser feito? O que é o correto?

 

Ser Eficaz é fazer um trabalho que realmente agregue valor ao cliente. Não é o número de horas trabalhadas que importa, mas sim o resultado útil que saiu deste trabalho.
 


Exemplos

 

Eficiência é padronizar trabalho, de modo que o conhecimento fique explícito ao processo, e todos o possam executar da mesma maneira. Eficácia é analisar se o trabalho realizado realmente é o que interessa à pessoa que vai receber o resultado.

 

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Eficiência é vender exatamente o que o cliente pediu, nos prazos e na qualidade desejada. Eficácia é entregar o que realmente vai resolver o problema dele, mesmo que ele tenha pedido algo diferente, ou que seja mais barato do que ele tenha pedido. Não é porque o cliente pediu algo que o administrador deve dar isto, até porque o cliente pode não ter tanto conhecimento. Além de ser um vendedor, também ser um consultor. Hoje em dia isto tem até um nome, o Vendedor Consultivo.

 

O digitador mais rápido do mundo é muito eficiente, porque entrega um ótimo trabalho em menos tempo e com menos erros do que os outros. Mas isto não quer dizer que ele seja eficaz, se o que estiver digitando não servir para nada.

 

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Note que o melhor digitador do mundo pode ser substituído por uma máquina, um scanner, ou um macaco treinado. O vendedor pode ser substituído por um catálogo e tecnologia de venda on-line. E o processo automatizado pode ser feito por uma rotina computacional, ou pode ser terceirizado para ser feito por um indiano que recebe um terço do salário.

 

Mas o escritor que dita o trabalho, o Vendedor que também presta consultoria e o administrador que cria os processos não podem ser substituídos por máquina alguma, porque são eles é que programam as máquinas. Máquinas não tem criatividade.
 


Uma última analogia, com o esporte de tiro ao alvo. Eficácia é ter um tiro com uma média próxima ao alvo, independente do desvio padrão. Eficiência é ter um desvio padrão baixo, independente do tiro estar acertando ou não ao alvo.

 

MediaDesvio

 

Primeiro deve-se ter a eficácia de conhecer  o alvo a ser atingido e descobrir o caminho para chegar até lá. Depois, vem a padronização, a melhoria, o ganho de eficiência.
 


TI Bimodal

 

 

Em termos da ideia de TI bimodal, primeiro é o modo rápido, da prototipagem e da adequação de processos – o modo eficaz. Depois, é o modo pesado, dos padrões fixos, estruturados, robustos – o modo eficiente.
 


 

São conceitos simples, mas é impressionante a quantidade de projetos furados e trabalhos que não agregam valor, focando a eficiência de projetos não eficazes.

 

Antes de fazer algum trabalho porque alguém mandou, que tal perguntar: qual o problema a ser resolvido? O que estou fazendo vai ajudar? O que mais deve ser feito? Este processo realmente precisa existir?

 

Eficácia é fazer a coisa certa, e eficiência é fazer certo alguma coisa, segundo o Mestre Peter Drucker.

 
Arnaldo Gunzi
Set 2015
 
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Lição de casa, também inspirada em Drucker: o que você vai fazer de diferente na segunda-feira, após ler este post?
 


Leitura recomendada:

Livro: O Gestor Eficaz

Livro: Introdução à Administração

Strawbees, canudos de construir

O terceiro representante da série de “Prototipagem rápida”, que conta com o Zometool e o Little Bits, é o Strawbees.

É uma ideia genial, fantástica.

São conectores de plástico, em vários ângulos.
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Esses conectores encaixam certinho em canudinhos de refrigerante, ficando bem fixos. Não precisa de cola nem nada.

 

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O legal é que é muito mais simples de se mexer do que o Zometool.

Infelizmente, não tem no Brasil…

http://www.strawbees.com/shop/

Alguns trabalhos com o Strawbees:

 

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O Strawbees também me foi apresentado no curso da Escola de Design Thinking. A prototipagem rápida é um dos pilares do Design Thinking. Um protótipo é algo que passe para as pessoas uma primeira sensação do que é o projeto ou o produto. A pessoa tem que tocar, sentir alguma coisa.

A ideia de um protótipo rápido e barato é de não perder muito tempo elaborando alguma coisa sem obter o feedback dos clientes. Diminui o risco e custos de desenvolver algo que não vai funcionar, ou não vai ser aderente ao processo real.

Antigamente, a prática de projetos era de ficar um tempão especificando a solução, o que gerava um documento de centenas de páginas*. Meio ano de trabalho depois, saía o produto, que normalmente não era o que o usuário desejava. Após vários anos assim, surgiram as chamadas metodologias ágeis de projeto,que têm a linha de criar trabalhos junto ao cliente final, e ir validando os protótipos e ideias parciais.

*Uma história curiosa: uma vez, li uma dessas especificações. Tinha umas 100 páginas, sem nenhuma figura, gráfico, nada. Tudo texto, pesado, incompreensível. Perguntei para o autor se não era melhor ilustrar as ideias de alguma forma. Ele respondeu que o documento só textual era a prática da área dele, para evitar ambiguidades. Não preciso dizer que o resultado não teve ambiguidade nenhuma: demorou, atendeu mal à demanda, desgastou um monte de gente, etc.

Como sempre dizia Steve Jobs, as pessoas não sabem o que querem. Só descobrem o que querem depois que o produto ou serviço já estiver pronto.

 

Arnaldo Gunzi

Dez 2015

 

Mais Design Thinking:

Embrace

Ressonância magnética pirata

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O melhor trabalho 

Compartilhando um pouco da sabedoria de Peter F. Drucker.

 

Sempre que alguém perguntava “qual o seu melhor trabalho”, ele respondia: “o meu melhor trabalho será o próximo”.

 

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Isto porque os trabalhos devem evoluir, devem sempre ser melhores. Um grande profissional não deve viver de trabalhos do passado. Um grande profissional deve tentar alcançar a perfeição.

 

Alcançar a perfeição é impossível, mas sempre devemos buscá-la em nossos trabalhos.

 

Drucker era um perfeccionista. Cada frase tinha um significado, cada afirmação tinha um objetivo.
 


 

Outro exemplo de perfeccionista é o Josep (ou Pep) Guardiola. Sempre muito chato, extremamente exigente, cobra perfeição em cada passe, em cada posicionamento, estuda exaustivamente os adversários.

 

Resultado: assombrou o mundo com um Barcelona imbatível, revolucionou o estilo de jogo do futebol mundial, e indiretamente ajudou a Espanha a ser campeã do mundo.

 

O grande jogador Xavi (outro que fez história como jogador e vai fazer como técnico), dizia: “Se o Guardiola fosse um músico, seria um excelente músico”.

 

É extremamente, muito mais difícil fazer um trabalho perfeito do que um bom trabalho. Um trabalho bom vai ter uma boa vida útil. Mas um trabalho perfeito vai durar para sempre. 

 

Arnaldo Gunzi
Dez 2015

 

Outros perfeccionistas:

 

Sudoku

O Sudoku é um puzzle em que cada quadrado menor deve ser preenchido com números de 1 a 9, sem repetição. E, cada linha e coluna do quadrado maior tem que ter números de 1 a 9, sem repetição. O desafio é encontrar os números para tal.

 

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Achei o Sudoku legal para brincar algumas vezes. Mas o procedimento para encontrar a solução é repetitivo. E tudo o que é repetitivo é possível de ser automatizado. E tudo que pode ser automatizado pode virar uma rotina computacional.

Teve um dia, há muitos anos, em que fiz um resolvedor de Sudokus. Isto dá um bom exercício de VBA.

 

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Basta acionar macros, preencher os campos iniciais, e clicar em “Resolver”.

https://drive.google.com/file/d/0B7qV4XXADYw2aERBRlJoNllTeWs/view?usp=sharing

Fica como presente para os leitores deste blog.

 

Arnaldo Gunzi

dez 2015