Brinquedos geométricos para crianças e adultos

O Zometool é um brinquedo de gente pequena e também de gente grande. Consiste em esferas de plástico e conectores diversos, como rótulas e treliças. Em resumo, uma série de hastes que se conectam por bolinhas.

http://www.zometool.com/

A primeira vez que vi isto foi no Museu da Matemática de Nova York.
Anos depois, vi isto num artigo da Mathematical Intelligencer. Os caras estavam usando o zometool para modelar umas formas malucas.
O Zometool não tem no Brasil (nem o Little Bits, outra ferramenta de prototipagem rápida). Comprei pela Amazon, pagando o frete, impostos e com a desvantagem do real desvalorizado, pagando mais do triplo do valor que um americano pagaria  (esta é a desvantagem competitiva de morar por aqui…)

Fiquei um tempo brincando com os Zometools, e tentei achar formas básicas : triângulo, quadrado.

zome1.JPG

A haste azul encaixa no buraco quadrado, a amarela no buraco triangular e a vermelha no buraco pentagonal. Cada tipo de buraco se distribui em ângulos diferentes na esfera.

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Segui o manual de instruções para montar um “cubo 4D”.

zome3.JPG

Mas não tive muito mais ideias. Fiquei preso a formas quadradas, sólidos platônicos, coisas do tipo.


Não tive muita criatividade em 15 min, mas nas mãos da minha filha de 4 anos, a coisa foi diferente.
Ela fez uma “árvore que esguicha água”. Depois uma “cobra longa”.
Zome4.JPG

Montou algo que chamou de “letra P”. Depois, fez uma “girafa”, tomando como base o meu cubo. Ou seja, tentou montar coisas orgânicas, vivas, do cotidiano, ao invés de formas quadrada e poliedros.

Zome5.JPG
Também tentou forçar configurações impossíveis, já que a bolinha só aceita ângulos pré-definidos pelas cores.

O Zometool é uma ferramenta muito legal para prototipagem rápida, educadores e crianças.

 

No Museu da Matemática de NY, tinha uma mesa cheia de zometools, livre para brincar.

 

O dia em que eu fundar um Museu da Matemática de SP, vai ter uma seção com centenas de zometools, outro com dezenas de Little Bits, e outra com cubos e dodecaedros mágicos.
Arnaldo Gunzi
Nov. 2015

Mapa do site

Gerador de Bullshit Comunista

Fiz um geradorzinho de bullshit comunista em javascript, e hospedei no link a seguir (porque o servidor do blog não aceita javascript):

 

http://asgunzi.github.io/BullshitComunista/

 


 

Tutorial para criar um gerador de bullshit:

1 – Escolha um tema facilmente “bullshitável”, como textos sobre comunismo.

 


2 – Separe algumas frases para o começo, algumas para o meio, e outras para o fim.

TabelaFrases.JPG

 


3 – Combine-as aleatoriamente.

Ex 1: “Ainda que as circunstâncias tenham mudado, sob o jugo do absolutismo feudal opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunismo.”

Ex 2:  “Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo, da mesma forma que o pequeno burguês em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado.”

 


 

 

Talvez haja algum maluco que veja sentido nisto, mas são frases que não pé nem cabeça.

Fica a dica.

 

http://asgunzi.github.io/BullshitComunista/

 

O mesmo projetinho encontra-se no Github, para quem quiser se inspirar.

Gênios idiotas e Idiotas gênios

Que tal recitar de cabeça 22 mil casas decimais do número pi? Ou aprender islandês em 7 dias? Coisas de gênio? Não. Na verdade, coisas de um cara normal se passando por um deficiente mental para parecer gênio. Não entendeu nada? Vamos lá.
 

PiDecimalPlaces.jpg

 
O termo “idiot savant” (idiota sábio) refere-se a pessoas que têm uma síndrome muito especial: são autistas que possuem uma capacidade absurda em alguma coisa específica, como memória, música, arte. Um autista tem uma capacidade extremamente limitada de comunicação, contato social. Há vários graus de autismo.
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Savant_syndrome
O filme Rain Man descreve uma pessoa especial assim.
 
Outro dia, li numa superinteressante sobre um cara que seria o “elo perdido” entre o idiot savant e as pessoas comuns. Um sujeito com capacidade mental assombrosa, mas que tinha poucos ou nenhum sintoma de autismo. Era um ex-autista, pelo que entendi. Alguém chamado Daniel Tammet, capaz de recitar 22 mil casas decimais do pi, e de aprender islandês em 7 dias. Ele gostava tanto de línguas que tinha até criado a sua própria língua!
 
Já que ele era um autista que não era autista, ele seria capaz de descrever com precisão como é que ele fazia essas coisas. Sobre multiplicação e divisão de números gigantes, ele dizia que cada número era uma forma e uma cor, e que quando ele colocava os números lado a lado, ele “enxergava” o número que estaria faltando. Era a “cinestesia”, capacidade de sentir, ver, tocar algo abstrato. Opa! Que método interessante, pensei.

 

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Passei dezenas de anos estudando um monte de matemática difícil, e tem uns posts aqui neste blog sobre matemática visual, pitágoras visual, dodecaedro mágico, Escher, etc. Seria interessante conhecer este tal método de encaixar formas coloridas, pensei. Mas tinha um problema. Este método do Tammet não era um método. Procurei e não há nenhuma descrição melhor deste método cinestésico. Ele simplesmente olhava os números e enxergava a resposta.
 
Alguma coisa estava errada. Do que sei de matemática desde os gregos até hoje, não há um único método de encaixar formas coloridas para multiplicar e dividir num relance. Muito menos considerando números gigantes como os dos testes que o tal Tammet fazia. E o fato de um número ser rosa e o outro azul não ajuda em nada. Além disso, só há algumas dezenas de cores distinguíveis, não milhões de cores. O que há sim, amplamente disponível na internet, são métodos para fazer multiplicação algébrica de cabeça.
 
Procurei mais, e descobri Joshua Foer. Ele é um jornalista americano que cobriu um campeonato mundial de memória. Ele é uma pessoa comum, que viu os concorrentes do campeonato decorando sequências de vários baralhos, fazendo multiplicações imensas de cabeça, etc. E ele passou um ano treinando com os melhores atletas da memória do mundo, e no ano seguinte conseguiu vencer o campeonato mundial de memória.
 
Foer afirma que Tammet já participou de campeonatos de memória, e que esta é a verdadeira causa de sua memória assombrosa. Tammet até estava tentando ensinar métodos de memorização, há tempos atrás. Ele tem um uma capacidade imensa de memorização, mas é tão treinado quanto qualquer outro atleta mnemônico de alto nível. Aliás, qualquer atleta mnemônico de alto nível conseguiria o que ele consegue fazer.
 
Pode parecer impressionante para uma pessoa comum, mas qualquer coisa que um atleta treinado faz é muito superior ao de um ser humano comum. Correr 100 m em 10 segundos está além da capacidade de muita gente, mas os atletas de ponta conseguem. Dar mil embaixadinhas seguidas é muito para uma pessoa comum, mas não é raro ter pessoas que conseguem.
 
A grande questão sobre Tammet não é a capacidade mental, que sem dúvida é alta, mas inventar que é um idiot savant e que vê formas e cores quando na verdade usa técnicas de memorização.
 
Por exemplo, recitar pi. O recorde é de 70 mil casas decimais. Tammet aparece na lista com menos de 3 mil casas, e tem 50 pessoas antes dele no ranking. Não sei da onde vem o número anterior de 22 mil.

http://www.pi-world-ranking-list.com/index.php?page=lists&category=pi
 
Sobre aprender islandês em 7 dias. Alguém que gosta de línguas pode saber muito bem como usar regras gramaticais. Quem sabe bem memorização, decora uma lista de 3 mil palavras mais utilizadas em alguns dias. E consegue se virar numa conversa simples.
 
Sobre criar a própria língua, muitos linguistas também são capazes de fazer. É fruto de estudo, e não de uma habilidade autística.
 
Talvez o tempo diga se ele realmente vê cores e formas virando números, ou se está apenas inventando a história. Se ele enxergar algo assim, espero que divulgue o como, porque vai revolucionar o ensino de matemática no mundo. Enquanto isso, ele vai vendendo a ideia romântica de que é um autista que conseguiu vencer o autismo e é capaz de feitos incríveis como multiplicar números vendo suas formas. Com certeza, é uma história muito mais legal do que falar que usa técnicas de memorização.
 
Recomendo o excelente livro “Moonwalking with Einstein”, de Joshua Foer.

 
Não dá para memorizar 22 mil casas decimais de pi, mas saber técnicas de memorização ajuda muito para decorar a lista de compras da feira!

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Arnaldo Gunzi

Nov 2015

 

 

 

 

 

Escher e aspirantes a Escher

O grande pintor Maurice Escher deixou obras de cair o queixo. Como estas a seguir.

 

tess75.GIF

 

Algumas características: padrões recorrentes, branco e preto complementando-se, infinitamente por toda a tela.
 
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Que tal decifrar alguns dos segredos de Escher?

 

Vou descrever um padrão básico, mais ou menos simples.

 

Deve-se começar de uma forma simples, que cubra todo o plano. Digamos, um quadrado.
Pseudo1.png

 

A ideia é modificar o quadrado, de modo que a modificação no quadrado básico se propague por todos os quadrados do plano.
Pseudo2.png
(Modificação em um lado)

 

Pseudo3.png
(Modificação deve se refletir no lado oposto)

 

Pseudo4.png
(Modifico em cima e copio a mesma modificação embaixo)

 

Pseudo5.png
(Insiro alguma forma lúdica)

 

Assim, as formas podem ficar muito complexas, com as características de
padrões de pecas brancas e pretas complementando-se, infinitamente por todo o plano.

 

Pseudo6.png

 

Isto implica também que a aresta da direita fique igual à da esquerda. E a de cima fique igual à de baixo.

 

Pode-se trocar a forma, por outra que também cubra o plano: retângulos, triângulos, hexágonos.

 

Pode-se explorar também a simetria em dois quadrados ou mais quadrados.

 

Pseudo7.png
(Peça base com dois quadrados)

 

Pseudo8.png
(Forma final que escolhi)

 

Pseudo9.png
(Pinto de cores alternadas e copio e colo)
 

Fiz esses esquemas no power point, por incrível que pareça. Segue aqui, para servir de inspiração para nós, pseudo-Eschers.

https://drive.google.com/file/d/0B7qV4XXADYw2eFVFWklZQkp1QU0/view?usp=sharing

 

Arnaldo Gunzi
Nov 2015

 

Gentileza gera Gentileza 

Entre 2003 e 2009, fiz inúmeras viagens de ônibus entre SP ao Rio de Janeiro.
Ao chegar à rodoviária do RJ, na zona portuária, há uma série de pichações curiosas em pilares de um viaduto que passa por lá.
Dentro do ônibus, não dá para ler direito o que está escrito. Mas são  mensagens esquisitas, que falam sobre gentileza, amor, como as da foto a seguir.
Gentileza2.jpg
Sempre achei que fosse alguma pichação qualquer. Nunca dei a menor bola para isto.
Gentileza1.jpg
Até que um dia, me falaram de um tal de “profeta gentileza”, que era famoso por pregar que “gentileza gera gentileza”.
Achei curioso, e fiquei com impressão de que já tinha visto isto em algum lugar. Só tempos depois que liguei os pontos: o “profeta gentileza” foi o cara que escreveu as pichações que recebem os visitantes que chegam ao RJ.
O profeta foi realmente meio maluco, mas deixou um legado à cidade: essas pichações viraram patrimônio histórico da cidade do RJ. Isto está até atrapalhando o projeto de revitalização da zona portuária, porque pelo projeto, eles iriam derrubar o viaduto que tem as colunas que são patrimônio histórico. Agora vão ter que derrubar o viaduto e manter as colunas, algo assim.
A pichação esquisita também virou camiseta, imã de geladeira, caderno, etc.
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Numa época em que o mundo está cada vez mais rude e impessoal, o legado mais importante é a mensagem, extremamente simples e verdadeira: “Gentileza gera gentileza”.
Mais sobre o profeta gentileza: https://pt.wikipedia.org/wiki/Profeta_Gentileza


Outros posts sobre o Rio de Janeiro.

A Caixa de Pandora

Nov. de 2015.
Atentado do Estado Islâmico em Paris.
Tragédia ambiental em Mariana.
Massacres na África.
Governo Dilma.

No noticiário: acidentes de trânsito, desvio de verbas na Petrobrás, novos impostos, fome, doença, violência, guerra.

 

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Mas, no fundo da Caixa de Pandora, há a Esperança.

 

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O leite futuro da vaca

Buda estava a pregar o seu ensinamento, quando um camponês pobre falou o seguinte.

– Gostaria muito de ajudar os outros, fazer o bem, como você recomenda. Mas atualmente sou muito pobre. Não tenho muita coisa. Quando conseguir mais posses, posso fazer.

Buda respondeu com uma história.
MilkCow.png

Era uma vez um homem que queria dar uma festa para os seus amigos. E ele queria servir leite. Ele tinha apenas uma vaca, que mal conseguia produzir leite para a sua família. Para dar a festa, ele precisaria de muito leite. Não tem como armazenar o leite produzido, porque iria estragar.

Ele teve uma ideia. Ele iria deixar de ordenhar a vaca por alguns meses. Assim, o leite ficaria armazenado na própria vaca, e ele poderia ter muito leite no dia da festa.

E assim foi feito. O homem parou de ordenhar a vaca. Passado um tempo, chamou os amigos para a tal festa. Só que, na hora de ordenhar a vaca, não saía mais leite algum. Ao invés de ter leite armazenado, ele acabou sem um copo sequer.

– Mas que homem tolo – disse o camponês.

– É assim com todos – respondeu Buda. Se uma pessoa não fizer o bem agora, com o pouco que tem, não vai fazê-lo quando tiver mais posses.

(Recontado a partir de uma história que ouvi)
 

 

 

Airbnb 

O Airbnb é o maior rede hoteleira do mundo, mesmo sem ser um hotel e mesmo sem ter um único quarto a alugar.
airbnbLogo
O Airbnb conecta proprietários de imóveis com pessoas físicas que querem alugar por um período de tempo. Por exemplo, se eu tivesse uma casa na praia, poderia deixar para alugar nos finais de semana que não vou usar.
Este tipo de aluguel sempre existiu, mas você tinha que conhecer alguém que conhecia alguém que tinha a casa. Agora, com a tecnologia, fica muito mais simples (o mercado é mais espesso).
Assim como o Uber, é um modelo diferente do tradicional, e que veio para ficar.
Já utilizei o Airbnb algumas vezes. E gostaria de compartilhar algumas impressões.

Airbnb em Nova York

A primeira vez que utilizei foi numa viagem a Nova York. Era um quarto sala simples, bom, novo. Tinha aquecimento, WiFi, TV a cabo. Foi muito bom, adorei o lugar.  O proprietário do apartamento parece que tinha vários apartamentos naquele prédio. Acho que nem tinha um trabalho principal, parece que o trabalho dele era gerenciar esses aluguéis dos imóveis que tinha.
A taxa era razoavelmente menor do que em hotéis. Como era em NY, não queríamos arriscar, e escolhemos alguém com muitas avaliações positivas.
As taxas são sempre pagas via cartão de crédito, e para o Airbnb. A empresa repassa para o proprietário do imóvel

Airbnb no Rio de Janeiro
No Brasil, vou ao Rio de Janeiro por motivos particulares com alguma frequência. Já fiquei em muitos hotéis diferentes. A maioria é de hotéis velhos e quartos minúsculos.
Passei a testar o Airbnb no RJ. Uma vez deu certo, e outra vez deu errado. Na que deu certo, nada de novo: tudo ocorreu como o combinado.
No caso do RJ, posso assumir mais riscos. Conheço gente que mora no RJ e, caso dê algum problema, tenho um plano B. Então, posso testar apartamentos que parecem bons, e não ligo muito para a reputação da pessoa que está alugando. Os apartamentos de quem tem alta reputação tendem a acabar depressa e também a serem um pouco mais caros.
Da vez que deu errado, era um apartamento que parecia bom, num preço mais baixo. A pessoa não tinha nenhuma avaliação, nem positiva nem negativa. Fiz a reserva, combinei tudo, mas a pessoa não apareceu para entregar as chaves e nem atendia o celular. Esperei por uma hora, e nada.  Fui para o plano B, que era a casa de parente no RJ. Mas, caso não tivesse o plano B, seria complicado.
A pessoa retornou à ligação no dia seguinte, se desculpando por ter confundido, dando alguma desculpa dessas. Cancelou a reserva, e não paguei nada.

O Airbnb é uma opção excelente para quem quer qualidade a um preço mais justo. Há sim um risco maior de ficar na mão, especialmente se a pessoa tem poucas avaliações. Mesmo tendo muitas avaliações, se der algum problema, a resolução  depende muito do proprietário. E, neste mundo, há sempre pessoas interessadas e pessoas não interessadas. O nível se serviço pode variar de muito pior a muito melhor do que em hotéis comuns, e os reviews e avaliações ajudam a mapear isto. O Airbnb é só um intermediário que une duas pessoas, e que pode sim ter alguma responsabilidade legal, mas cujo tempo de reação vai ser muito depois de ter ocorrido o problema.

Recomendação

Gosto e continuarei usando o Airbnb. Recomendo para todos, tomando  as devidas precauções, de preferência tendo na manga um plano B, seja um telefone de um contato, seja um hotel alternativo ou uma reserva de dinheiro para eventualidades.
Arnaldo Gunzi
nov/2015

Eletrônica para crianças, leigos e semi-profissionais

Quando fiz o meu segundo grau técnico em Telecomunicações, mexi com eletrônica. Protoboards, resistores, fontes, capacitores. Achava tudo muito legal, mas havia uma distância enorme entre teoria e prática. Foram alguns anos até construir alguma coisa que funcionasse (mais ou menos). Ficava uma macarronada assim:

Breadboard_complex


Muitos anos depois, numa aula de prototipagem rápida da Escola de Design Thinking, tive contato com o LittleBits.

A ideia é genial. É uma mistura de Lego e Eletrônica.

Há bloquinhos lógicos pré montados, e que podem ser facilmente encaixados/desencaixados entre si, através de conexões com imãs.


Temos a fonte:

Bits_Fonte


Temos as peças de input de controle.

Bits_dimmer

No caso da foto, é um dimmer,que tem uma barra deslizante para controlar a intensidade de energia que passa.


E temos a saída, que é um painel de leds:

Bits_led


Acabou. É só encaixar os três juntos e temos um circuito simples.

Bits_SimpleCircuit

É um controle simples de leds. Muito fácil e didático.

O mesmo circuito demoraria uns 6 meses para fazer no curso técnico, porque vem junto um monte de teoria (Lei de Ohm, Lei de Kirchoff, etc), e também porque no protoboard dá um monte de erros em potencial: mau contato, montagem errada, componente queimado. Uma vez juntei errado os fios da fonte e deu um curto circuito, queimando a fonte (rs).


Se quiser sofisticar, dá para juntar outros “bits” de entrada como interruptor de chave, sensor de pressão, sensor de som, sensor de luz. Dá para colocar outros componentes de saída: um motorzinho, um componente que vibra, um que faz barulho, um que fica piscando. A combinação disto é fantástica.

Um circuito um pouquinho mais complexo.

Bits_Circuit

http://littlebits.cc/how-it-works


Projetos

É lógico que não dá para montar um MacBook Pro com esses LittleBits, mas dá para fazer alguns projetinhos bacanas. Principalmente porque há componentes mais avançados, que permitem conexão sem fio, por exemplo. E alguns que permitem conexão via cloud.

Bits_indicadorUmidade

Indicador de Umidade, alarme, campainha sem fio, ventilador sensível ao toque. Há inúmeras aplicações que são feitas até por crianças (aliás, imagine um LittleBits na mão de uma criança!)

Vídeo com projetos feitos com o LittleBits:


O único problema é o preço. Atualmente, não tem como comprar isto no Brasil. Pode-se comprar diretamente no site deles, mas o preço é em dólares, e ainda tem o frete, e talvez ainda tenha taxação da receita na retirada do produto.

http://littlebits.cc/shop

Pode-se comprar pela Amazon também.

Se alguém for para os EUA e quiser me trazer de presente, agradeço muito. Vou dar de presente para as minhas filhas, mas é daquele tipo de presente que é mais para você do que para elas.

Arnaldo Gunzi

Nov 2015


Vídeo a respeito do assunto.


Assuntos correlatos ou quase correlatos:

Uma corrida com o Uber

O Uber é uma plataforma que une motoristas a passageiros. Os motoristas são pessoas físicas que não tem um vínculo empregatício com o Uber.

No Brasil, o Uber está atualmente em SP, RJ, BH e Brasília.

Uber SP: https://www.uber.com/cities/sao-paulo

Fiz uma corrida com o Uber, só para entender um pouco mais sobre o serviço.

Independente de polêmicas, é um modelo disruptivo que vai mudar para sempre a forma com que o transporte individual de passageiros é realizado, no mundo inteiro. Os tempos mudam, e a legislação tem que acompanhar. É uma forma de inovação social – confira no mapa do Forgotten Lore.


uberlogo


1. Cadastro: depois de baixar o app, a primeira coisa a fazer é o cadastro: login, senha, endereço, cartão de crédito. É chato como todo cadastro, mas pelo menos só tem que fazer uma vez.

2. Na hora de chamar o táxi, seleciono o lugar onde estou. Uma dica é olhar bem onde está marcado, porque o GPS erra um pouco.
Depois, escolho o destino.
Escolho qual a categoria a pegar.

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O Uber Black é o modelo de carros preto, mais luxuosos, um pouco mais caro. O Uber X é mais popular, mas ainda assim com carros novos e com ar-condicionado.
As outras categorias nem conheço, mas suspeito que o Uber Pet seja para levar junto seu cachorro, e o Uber bike, para levar a bicicleta.


3. Peço para chamar o motorista. O Uber faz o chamado, e o motorista que aceitar a corrida aparece no seu aplicativo. No caso, era o senhor da foto. Aparece também a avaliação do motorista e o carro, e o tempo de chegada. Há a opção de ligar para motorista, caso necessário. Também pode-se cancelar a viagem.

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4. O tempo de chegada foi decrescendo, e o motorista chegou exatamente na hora descrita. A viagem foi normal, nada de muito diferente de um bom táxi.

Perguntei para o motorista se os taxistas não encrencam com ele. Ele disse que nunca aconteceu nada. Uma coisa que ajuda é o carro ser cinza e não preto (o Uber X permite outras cores).
Os passageiros também ajudam, esperando fora de ponto de táxi, por exemplo.

O tiozinho tinha como ocupação principal ser motorista de uma empresa privada, para transporte de executivos. Como esta empresa agenda os horários de transporte, ele sabia exatamente as horas em que estaria ocupado e as horas vagas. Portanto, ele aproveitava as horas livres para trabalhar com o Uber, como uma segunda ocupação. Para o profissional, isto é ótimo porque complementa a renda. Para o consumidor, também, porque aumenta a oferta de carros disponíveis para o transporte. Só é ruim para os taxistas atuais, que têm mais concorrência.

Chegando ao destino, o motorista clica num botão no aplicativo dele e encerra a corrida. Saiu na mesma faixa de preços que sairia com um táxi comum.

Não desembolsei um real em dinheiro. O pagamento é sempre pelo cartão de crédito. O Uber cobra de mim e repassa o valor para o motorista, tirando a sua taxa de serviço.

Vem um recibo do serviço no e-mail cadastrado.


Feedback

Depois da corrida, recebo um formulário para avaliar o motorista, de zero a cinco estrelas. Dei cinco, porque fiquei satisfeito.


Modelo de Mercado

Alvin Roth é um “designer de mercados”. Projetou as regras e ajudou a construir alguns mercados como o de hospitais à procura de estudantes de medicina. Ele afirma que para um mercado existir, há duas características básicas que devem ser seguidas: espessura e confiança.

A espessura ou grossura do mercado diz respeito ao número de consumidores e fornecedores existentes. O Uber conseguiu isto, com muita gente interessada em trabalhar e vários consumidores ávidos por qualidade e agilidade no serviço de transporte.

A confiança do Uber vem do sistema de avaliação. O motorista que fica com um número baixo de estrelas por um tempo ou recebe muitas reclamações é excluido do serviço. Quem é bom continua prestando serviço.

O modelo de negócios é muito mais do que apenas a tecnologia. Se eu quiser copiar o Uber, não teria só que copiar a plataforma tecnológica. Teria que convencer milhares de motoristas a aderir do meu lado, oferecendo oportunidades, garantias, auxílio, e fazê-los acreditar que haverá demanda. Também teria que convencer milhares de usuários potenciais de que haveria oferta, de que os profissionais seriam bons, que o serviço seria seguro. Além disso, travar uma disputa jurídica com prefeituras e outras categorias de transporte.

Bom, eu me contento em ser um usuário mesmo.


Conclusão:

O Uber é um serviço extremamente interessante: fácil, rápido, com qualidade. Tenho trauma de taxistas (especialmente no RJ) que dirigem mal, com carros caindo aos pedaços e que dão sempre um jeito de cobrar a mais. Devo passar a utilizar muito mais os serviços do Uber, e espero que este esteja disponível em mais cidades pelo Brasil afora.

Arnaldo Gunzi

Nov 2015

A não lógica da Língua Portuguesa

Quando eu era adolescente, não gostava de gramática. Isto porque as regras gramaticais não têm uma lógica, pelo menos nenhuma lógica que fizesse sentido para mim. Tem mais exceções do que regras, e agora com a nova gramática (que nem conheço direito), talvez eu esteja escrevendo mais errado do que certo.

 
É interessante notar como uma criança fala. A criança não aprende regra gramatical nenhuma, não sabe a diferença entre sujeito e objeto, ou o tempo futuro do passado do pretérito perfeito. Mas a criança assimila todas essas regras e extrapola para o uso em todo lugar.

 

gramatica

Anotei alguns “erros de português” de minha filha de 4 anos. Alguns desses são erros mesmos, outros poderiam ser chamado de erro de lógica da Língua Portuguesa.

 
Português da criança e Português “correto”

Eu sabo = Eu sei
Eu já fazi = Eu já fiz
Eu já di = Eu já dei
Eu já comei = Eu já comi

Eu tavo fazendo isso = Eu estava fazendo isso
Eu achavo que = Eu achava que

A boia cabiu = A boia coube
Meu pé esta sujado = Meu pé está sujo
Dá um sorrisa! = Dá um sorriso!
Sou campeana = Sou campeã


 

É legal também a generalização do uso de prefixos.

Quando eu destomar banho = quando eu sair do banho
Você desabaixou o jogo = você apagou o jogo


 

Perguntas que um adulto não faria.

Ouvindo Asa Branca, “Por falta d´agua perdi meu gado, morreu de sede meu alazão”:
– Por que falta água no sertão? Coitado do alazão.

Ouvindo uma cantiga sobre a cobra que não tem braço nem pé:
– Por que a cobra não tem braço nem pé?

 


Quando ela tinha 3 anos, não conseguia entender algumas figuras de linguagem:

Vizinha: Oi gatinha,
Criança: Não sou gatinha não. Sou uma pessoa.

Com 4 anos, ela já entende este tipo de abstração.

 


A gramática seria muito mais divertida se fosse mais criança: criativa, flexível, questionadora, rebelde, peralta.

Pasquale
 
Qual o problema de sentar na mesa para comer? Ou assistir o jogo? Ao meu ver, o conteúdo da mensagem vale mais do que a forma. E desaprender é mais difícil do que aprender.
 
Prefiro falar de forma errada, mas fluída, do que correta de acordo com uma lógica que não tem lógica, uma deslógica.

 

Arnaldo Gunzi.
Nov 2015.


 

Em homenagem às múmias da academia, o poetinha Vinícius de Moraes, quando contestado sobre erros gramaticais em sua música.

https://ideiasesquecidas.wordpress.com/2014/10/19/imortal-de-verdade-x-imortal-da-abl/

chamada-de-reportagem-sobre-centenario-de-vinicius-de-moraes-na-revista-rolling-stone-brasil-de-outubro-de-2013-1382112022349_615x300