Deep Dream

O Deep Dream é um algoritmo de redes neurais do Google, que manipula imagens.

Há um site que permite upload e uso fácil do deep dream: https://www.deepdreamit.com. É muito fácil usar.

Fiz uns testes com uma foto antiga. E me senti como o Sandman (https://wordpress.com/post/60116187/1230/)

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Boids e inteligência de enxame

O algoritmo Boids é um algoritmo de inteligência de enxame, inspirado no comportamento de pássaros.

Vide vídeo a seguir.

 

As regras são muito simples. O algoritmo começa com um número X de boids. Cada boid tenta seguir as seguintes regras:

 

  • Cada boid tenta ir em direção ao centro de massa de seus vizinhos mais próximos
  • Cada boid mantém uma distância mínima para outros objetos (inclusive outros boids)
  • Cada um tenta igualar a velocidade com outros boids próximos

 

O engraçado é que são três regras muito simples, que podem gerar uma complexidade e beleza inimaginável.

São inúmeras configurações possíveis, e ninguém sabe de antemão como será a dança dos boids.

 

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Arnaldo Gunzi

Ago 2015

 

Link do pseudocódigo do Boids

http://www.kfish.org/boids/pseudocode.html

Qual a importância de um projeto recém-nascido?

Um cientista estava mostrando um fato curioso. Quando ele passava eletricidade por um fio enrolado, uma agulha de metal era atraída para este fio.

 

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Um sujeito na plateia perguntou: “Qual a utilidade disto?”

O cientista respondeu: “Qual é a utilidade de um recém-nascido?”


 

E qual a utilidade de um fio elétrico atrair uma agulha?
Este simples fato curioso tem raízes muito profundas: a possibilidade de conversão entre forças elétrica e magnética. Isto deu origem a uma tremenda revolução na eletricidade. Eletroimãs funcionam assim, acionando ou desativando a eletricidade, e portanto, o imã. Já as usinas hidroelétricas fazem o contrário: a força da água movimenta turbinas geradoras, que distorcem um campo magnético, gerando eletricidade do outro lado. Milhares de aplicações surgiram da evolução de ideias recém-nascidas que, no começo, eram apenas curiosidades.

 

Nem tudo tem uma utilidade imediata. Um projeto novo pode ter um tempo de maturidade grande, e não deve ser cobrado como se cobra algo já bem estabelecido.

 

“Todo novo projeto é um recém nascido e pertence ao berçário”, diz o Mestre Peter Drucker, no livro The Daily Drucker.

 

Arnaldo Gunzi

Ago 2015

 

Sonho de uma noite de verão

Sonhos têm fascinado os seres humanos de todas as formas possíveis.

Sandman

Existe uma série em quadrinhos chamada Sandman, de Neil Gaiman. Sandman é o senhor dos sonhos. As histórias são um misto de cultura geral e ideias alucinantes.

 

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Há um capítulo em que Sandman observa uma conversa entre William Shakespeare e Christopher Marlowe, e oferece uma troca: Sandman libera a criatividade de Shakespeare, e este entrega duas peças para o senhor dos sonhos. A primeira destas peças é a comédia “Sonho de uma noite de verão”. A segunda peça é “A Tempestade”, apresentada no último capítulo de Sandman.

 

A seguir, algumas histórias curiosas e verdadeiras sobre sonhos.

 


Ramanujan

Srinivasa Ramanujan foi o típico gênio, no mais puro sentido da palavra. Nunca teve uma educação formal decente. Um dia, pegou um livro de Teoria dos Números e começou a ler. Como o livro só tinha proposições, sem provas, ele achou que a matemática era assim. E ele saiu escrevendo um monte de teoremas, sem provar nada. Algo meio intuição, meio razão.

 

A Teoria dos Números é um dos ramos mais puros e abstratos da matemática, também um dos mais difíceis.

 

Ramanujan dizia que recebia inspiração de uma deusa indiana, e que frequentemente estes teoremas surgiam de sonhos.

 

 Exemplo mais famoso é a seguinte fórmula para definição de valor do Pi. Ramanujan sonhou com a fórmula, acordou e anotou num papel, sem provar se estava certa ou não. Esta é uma das fórmulas em que o valor do pi converge mais rapidamente.
Ramanujan
A sua história inspirou o filme “Gênio Indomável”.

 

Fala sério, como é que alguém pode sonhar uma fórmula dessas?

 


Kekulé

August Kekulé foi um cientista químico que estava à procura da composição do benzeno. Ele já sabia que o benzeno tinha 6 átomos de carbono, mas nenhuma combinação dos 6 átomos parecia fazer sentido.

 

Um dia, ele sonhou com uma cobra engolindo a própria cauda. Foi o insight para propor a composição do benzeno como um ciclo fechado.

 

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Esta sacada foi revolucionária, porque até então, não havia nenhuma evidência conhecida de compostos químicos num ciclo. Por exemplo, H2O, CO2, são lineares sem ciclos.

 


Yesterday

A canção mais regravada de todos os tempos é Yesterday, de Paul McCartney.

 

Esta música tem uma história bem legal. Paul sonhou com o ritmo da música, e gostou bastante.
Mas ele desconfiou que este insight fosse alguma lembrança remanescente de alguma outra canção.
Paul enviou o trecho da música para vários conhecidos, e perguntou se eles conheciam a canção. Mas ninguém a conhecia. Só depois disto ele gravou Yesterday, sem medo de estar plagiando alguém.

 


Conclusão 

A teoria dos sonhos mais próxima de ser verdadeira é a de que Sandman, o senhor dos sonhos, assoprou areia nos olhos de Ramanujan, Kekulé e McCartney, libertando a criatividade destes e permitindo descobertas geniais.
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Arnaldo Gunzi
Ago 2015

 

 

Dica útil

Nunca perca uma chance de fazer uma apresentação em público.

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Não é sempre que há a oportunidade de fazer uma apresentação. E quando há a chance, a maioria das pessoas foge.
Quanto mais se foge de apresentações, pior será quando não tiver jeito de fugir.

Faça o contrário. Muitas apresentações pequenas são um treino na forma de falar, nos modos de se comunicar, para as apresentações que realmente são importantes.

Memória rápida e memória lenta

Há diversas similaridades entre computação e biologia. Uma dessas similaridades acontece com as formas de memória utilizadas.

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Memórias de computador

Computadores têm dois tipos de memória. Uma com velocidade de processamento extremamente rápida mas capacidade de armazenamento limitada, a memória RAM. A outra, com velocidade de acesso baixa mas capacidade gigantesca, que é o disco rígido do computador.
 

Quando o computador vai processar alguma coisa, utiliza a memória rápida, faz todo o processamento necessário e grava/lê os resultados na memória devagar.

 
A memória rápida é muito cara, em termos de US$/megabyte, portanto ela deve ser grande o suficiente para o processamento, mas muito menor que a memória devagar. Já a memória devagar é barata, portanto dá para ter gigabytes dela.
 

É mais ou menos que nem a mesa de trabalho e um armário de arquivo. Pego do arquivo tudo o que preciso, e deixo na minha mesa. Faço o meu trabalho na mesa e depois devolvo tudo certinho ao armário.

 


Memórias do cérebro

O cérebro humano também tem uma memória rápida e outra devagar. A lógica é exatamente a mesma do computador. A memória de trabalho é limitada e gasta uma enorme energia, além de esquecer facilmente a informação. Já a memória de longo prazo não esquece tão fácil assim, mas demora bastante para gravar alguma coisa nesta memória.
 

Quando a gente aprende alguma coisa nova, quem trabalha é a memória rápida. Na primeira vez em que se dirige um carro, a pessoa presta muita atenção em tudo. Lembro que eu tinha que ver onde estava o câmbio, todas as vezes em que trocava de marcha. Depois que o conhecimento é assimilado, o esforço de dirigir diminui bastante, vira algo automático: o conhecimento foi para a memória devagar.

 
Falar em outra língua, em outro país, também é uma atividade bem difícil e exaustiva no começo. Isto porque a memória rápida tem que se concentrar bastante. Depois de um tempo, a pessoa se acostuma, ou seja, o aprendizado vai para a memória devagar.
 


Memória virtual

O computador usa uma malandragem, que é a memória virtual. Quando a memória RAM acaba, o processador pode pegar um pouco da memória do hard disk emprestada temporariamente. O desempenho do processamento vai diminuir um pouco, mas há o aumento do limite de informação a ser manipulada.
 

Até aí, eu já sabia. Mas o que eu não sabia era que o ser humano também conseguia fazer isso: pegar emprestado um pouco de sua memória de longo prazo para usar na memória rápida.
 

Rüdiger Gamm é um cara normal, e era péssimo em matemática. E ele foi treinado em dividir números primos até a 60a casa decimal, raízes quínticas, etc, tudo de cabeça. Como ele conseguia?

 
Um escaneamento do seu cérebro mostrou que ele estava usando áreas da memória de longo prazo para conseguir estender a sua memória comum.
 

http://archive.wired.com/wired/archive/11.12/genius_pr.html
 


Memorização

Há diversas técnicas de memorização poderosas. Por exemplo, uma delas é associar uma lista de palavras que a pessoa quer decorar com algum lugar físico, e criar uma historinha. Ou associar números de 1 a 99 com pessoas, e números com mais dígitos são uma combinação das pessoas representadas pelos números até 99.

 
Mais ou menos assim:
Decore um número de telefone: (32) 94366-2342
Decore uma historinha: o Bozo subiu em um poste e comeu bife de cavalo com o Silvio Santos, depois beijou a Debora Secco.

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É muito mais fácil decorar a historinha, não? O truque é treinar para codificar/decodificar a historinha para os números.

Virando historinha, a gente acessa outras funções do cérebro: criatividade, empatia com os personagens, visualização, etc. E estamos usando outras partes da memória. 

 


Matrix

No filme Matrix 2, tem uma cena em que a Trinity tem que fugir de moto. Mas ela não sabe dirigir. Então, ela downloada a capacidade de dirigir, instala na sua cabeça, e aprende a pilotar a moto em segundos. É no minuto 1:20 do vídeo a seguir.

 

 

Será que um dia chegaremos neste nível?

 

Arnaldo Gunzi
Ago 2015