Como uma roda funciona?

Tipos de Equilíbrio

 

Eis uma divagação meio perdida, mas muito importante.

 

Em física, há o equilíbrio estável e o instável.

 
O equilíbrio estável é aquele em que uma pequena perturbação (um empurrãozinho) não faz mudar a posição da bolinha: ela vai e volta para o mesmo ponto.

Equilibrios

Já no equilíbrio instável, um empurrãozinho faz a bolinha sair da posição e não mais voltar: ou seja, colapsar.

 
Por que esta noção bobinha de equilíbrio é importante em física?
 

Porque normalmente os físicos modelam seus problemas em termos de equações. Um sistema de equações pode gerar várias soluções possíveis. A solução pode atender a equação (ser um ponto de equilíbrio), mas pode ser instável – ou seja, na prática é uma solução que não serve para nada. Os físicos procuram soluções estáveis para os seus problemas.

 


 

Como uma roda funciona?
 

Surpreendentemente, uma das invenções mais úteis do homem busca o equilíbrio instável, ao invés do equilíbrio estável.
 

Se você imagina uma roda numa superfície lisa, o ponto da roda em contato com o chão está numa forma de equilíbrio instável: um empurrãozinho na roda, e a roda gira, a posição muda. Mas o ponto seguinte da roda também estará num equilíbrio instável. A roda nada mais é do que uma sucessão eterna de equilíbrios instáveis.

Equilibrio_Roda

E é exatamente por ser uma eterna sucessão de equilíbrios instáveis que faz com que a roda seja tão útil. Imagine a bolinha em equilíbrio instável. Um empurrãozinho e ela já sai do lugar. Enquanto isso, a bolinha no equilíbrio estável precisa de um monte de energia para fugir deste estado.
 

Empurrao

A natureza é fascinante. Aquilo que parecia o seguro, o estável, torna-se pior do que o instável.


 

A vida é um equilíbrio dinâmico

 
Muita gente busca a estabilidade em suas vidas, e inveja as pessoas que a conseguiram: fazer sempre a mesma coisa, ter estabilidade no emprego, ter uma garantia de renda, etc.

 
De modo análogo ao da roda, o equilíbrio instável pode ser melhor do que o estável.

 
A vida é cheia de empurrõeszinhos e empurrõezões. Uma crise, uma mudança de política, um colapso do governo, um problema de saúde, etc.

 

Quando os empurrões acontecem, aqueles que viviam a ilusão da “estabilidade” terão que despender muita energia para se virar: eles são frágeis.

 
Aqueles já que passaram a vida toda tendo que se virar sozinhos têm mais capacidade de se virar de novo, e até se dar bem. São anti-frágeis. A “anti-fragilidade” é um termo cunhado pelo provocativo pensador Nassim Nicholas Taleb, cujas ideias e cisnes negros já foram discutidos muitas vezes neste blog.
 

Ao invés de procurar um porto seguro, tenha em mente que a vida pode dar seus empurrões. Ao invés de evitar a incerteza, que tal abraçar a incerteza? Fazer trabalhos diferentes, assumir riscos controlados, estudar coisas novas e esquecer conhecimento que não é mais válido. Assumir que muita coisa pode mudar, que o seu porto seguro não é tão seguro assim, e que Black Swans podem acontecer.

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Lembro-me de uma frase de Albert Einstein: “A vida é como andar de bicicleta, deve-se estar sempre em movimento”.

 

Arnaldo Gunzi
Julho 2015

 
 

Um erro de 2 mil dólares

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Fracassos de comunicação podem ensinar muito mais do que sucessos.
 
Um caso engraçado ocorreu com os meus pais.
 
O meu pai chegou e disse que queria doar 2 mil ienes a uma associação da qual faz parte.
 
Minha mãe ficou louca, dizendo que era um absurdo, muita coisa, etc.
 
O meu pai respondeu que era para ajudar num novo livro que estavam lançando, que era importante, etc.
 
Minha mãe disse que era demais, que não tinham condições de doar tal valor, etc.
 
E continuaram brigando por um tempão…
 
Depois de um tempão, ela descobriu que ele dissera 2 mil ienes, e não 2 mil dólares. 2 mil ienes equivalem a 54 reais. 2 mil dólares, a 6700 reais. Na cabeça do meu pai, ele tinha falado em 54 reais. Na cabeça da minha mãe, ele tinha falado em 6700 reais. Uma tremenda diferença…
 
Na verdade, não havia problema algum: ambos concordavam que 54 reais de doação era de bom tamanho.

 

Os dois ficaram meia hora perdendo tempo e energia apenas por um problema de comunicação. Tal problema seria facilmente resolvido, se um tentasse entender o outro, ao invés de cada um ficar defendendo sua posição.

 
Eles cometem tantos erros de comunicação que este exemplo é até didático.
 

Mas imagine um ambiente corporativo, com problemas complexos e ordem de grandeza de milhões de dólares.

Quantos problemas não poderiam ser evitados, com uma comunicação clara?

Como ler Shakespeare e como ler Álgebra abstrata

No meio dos anos 90, a primeira aula que tive no primeiro colegial (ensino médio) foi de português. Foi com a Dona Candelária, que já tinha quase 70 anos. Ainda me lembro muito bem dela: uma velhinha, com cara de conservadora. Era rigorosa, meticulosa. E suas aulas eram uma sucessão de nomes: Aluísio Azevedo viveu em (não sei quando), escreveu (não lembro o que) e foi importante (por algum motivo que não entendi até hoje). Gil Vicente escreveu o Auto da Barca do Inferno, onde tinha um personagem X que dava um passeio de barco no inferno. Foram 3 anos assim, com a mesma professora, ensinando desde Camões até Vinícius de Moraes neste ritmo.

 

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Bom, mais de 20 anos depois, posso dizer que a Dona Candelária cumpriu muito bem o objetivo que tinha em mente: fazer a gente decorar um monte de nomes e datas para passar no vestibular. E só.


 

A minha vida seria muito mais leve e as aulas muito mais interessantes se eu soubesse os seguintes truques.

 

Poemas e contos não foram feitos para serem decorados. Shakespeare não foi feito para ser lido da mesma forma que se lê uma equação matemática.

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Shakespeare é teatro. As falas são pronunciadas por pessoas: homens, mulheres. Mocinhos, vilões. Casais apaixonados. Reis traídos e traidores que apunhalam pelas costas. Plebeus trabalhadores e bobos da corte. Cada um com a sua personalidade e seu objetivo.
 

Shakespeare foi feito para atores interpretarem, e para transmitir emoção ao espectador. Amor e ódio. Medo e esperança.
 

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Ao ler Shakespeare, ou qualquer outra obra de literatura, deve-se: a) ler em voz alta, como se fosse o personagem, b) sentir a emoção, c) imaginar o cenário teatral
 

Convido a todos a fazer este exercício com o poema “Fear no More”: ler em voz alta e senti-lo de coração.
http://letras.mus.br/loreena-mckennitt/25253/traducao.html

 
Não temas mais o calor do Sol,
Nem a raiva dos invernos furiosos.
Não temas a ira dos poderosos,
Nem os golpes dos tiranos…

 


É diferente de álgebra, onde quanto menos emoção, melhor. Quanto mais lógica, melhor. Ou não.
Sen^2(x) + Cos^2(x) = 1
(O seno era casado com a tangente, mas o filho nasceu como 1. O cosseno era o carteiro. Precisa de teste de DNA?)

sen+cos

A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa (o capitão cateto quer matar o Rei hipotenusa, que está apaixonado pela bela cateto Cleópatra, num triângulo retângulo amoroso).

 


 

Por que citei Shakespeare? Porque é o autor de inúmeras obras de imensa qualidade, e também porque a D. Candelária me deixou traumatizado com literatura brasileira.

 

Epílogo.
Parafraseando o grande mestre Peter Drucker.
 

Alguém pode afirmar: mas é óbvio que poemas devem ser sentidos com emoção, e não decorados.

 

Réplica: mas, se é tão óbvio, porque todo o meu ensino médio foi uma sucessão de decorebas? Por que nunca ninguém tinha me ensinado isto? (Aprendi esses conceitos num curso do The Teaching Company, sobre como ler Shakespeare). Se é tão óbvio, porque milhares de outras escolas e professores continuam a inserir na cabeça dos alunos nomes, datas e decorebas, como se a cabeça destes fosse um banco de dados access? A cabeça humana é um banco de dados horrível. Mas a cabeça humana tem a capacidade inovadora de fazer as mais belas criações jamais vistas.

 

Arnaldo Gunzi

Jul 2015

 

 

 

Um pavão na terra de pinguins

Um dia, um pavão foi convidado a ir ao pólo sul. No começo, os pinguins acharam ele diferente, com aquele monte de penas coloridas.

Pavao

 

Com o passar do tempo, o fato do pavão ser diferente dos outros passou a incomodar.

 
“Ei pavão, dá para abaixar suas penas? É que você ocupa muito espaço”
Daí o pavão começou a andar sem se mostrar tanto.

 
“Ei pavão, você é muito colorido, dói nos olhos. Dá para usar uma roupa preta e branca por cima?”
“Ei pavão, a sua voz é esquisita, pode ficar mais tempo calado?”

 
E assim, cada vez mais o pavão deixava de ser a si mesmo, para se tornar o pinguim que não era.
E, por mais que se esforce, um pavão nunca vai ser um bom pinguim.

 
Esta metáfora serve para mostrar a importância de sermos nós mesmos: não deixar que processos burocráticos asfixiem a nossa criatividade, não perder a essência de si mesmo.

 
Peter Drucker sempre dizia: Explorar os nossos pontos fortes para obter resultados espetaculares, e fazer com que as nossas fraquezas sejam compensadas pelo grupo como um todo.
 

Fonte: Aula do prof. Carlos Viveiro.

 

Um discurso poderoso

Henrique V é uma peça de teatro de Shakespeare, e conta a história do Rei Henrique V da Inglaterra na guerra dos 100 anos contra a França.

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Antes de uma das batalhas decisivas desta guerra, a moral dos soldados estava baixa. Eles estavam com medo, por estarem em ampla desvantagem numérica contra os franceses. Neste discurso poderoso, Henrique V consegue reerguer a moral dos soldados e conduzi-los à vitória.
 

Link do youtube: https://www.youtube.com/watch?v=RbvMOlpaKlA

 

Repare nos seguintes pontos:
 
– Henrique V convida a todos os que desejam ir embora a se retirar, sem penalidade alguma
– Quanto menos soldados forem, maior a glória repartida, neste dia de São Crispim
– Ele anda cumprimentando os soldados, e pedindo ajuda para subir no pedestal
– Ele cita os soldados pelo nome
– A entonação, modulação da voz de Henrique V dependendo do momento da fala
– Aqueles que derramarem o sangue na luta serão irmãos de sangue dele, do Rei da Inglaterra
 

Isto é um filme, e o Rei é um ator. Mas podemos fazer um exercício. Tente simular um discurso semelhante em voz alta, em casa, para convencer os soldados a oferecem suas vidas para lutar ao seu lado. Eu fiz uma simulação dessas, e ainda deixo muito a desejar como ator e orador…
 

Arnaldo Gunzi.
Jul 2015

 

Pense diferente

Comercial da Apple de 1997.

Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados.
Os que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los.
A única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas.
Eles inventam. Eles imaginam. Eles curam. Eles exploram. Eles criam. Eles inspiram.
Eles empurram a raça humana para frente.
Talvez eles tenham que ser loucos.

Como você pode olhar para uma tela em branco e ver uma obra de arte? Ou sentar em silêncio e ouvir uma música jamais composta? Ou olhar para um planeta vermelho e ver um laboratório sobre rodas?

Enquanto alguns os vêem como loucos, nós vemos gênios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato, mudam.

 
Na ordem de aparição:
Albert Einstein: cientista que revolucionou a física clássica com a teoria da relatividade,
Bob Dylan: músico norte americano extremamente criativo,
Martin Luther King Jr: ativista da igualdade de direitos raciais,
Richard Branson: empresário não convencional, fundador do Grupo Virgin, que engloba mais de 400 empresas,
John Lennon: genial músico dos Beatles, autor de algumas das mais belas canções da humanidade,
Buckminster Fuller: arquiteto e inventor, conhecido pelo estudo de domos geodésicos,
Thomas Edison: inventor da lâmpada elétrica e de milhares de outras pequenas e grandes invenções,
Muhammad Ali: um dos mais lendário lutadores do história do boxe,
Ted Turner: fundador da CNN,
Maria Callas: soprano e cantora de ópera,
Mahatma Gandhi: ativista pela libertação da Índia através de métodos não violentos,
Amelia Earhart: a primeira mulher a voar atravessando o oceano Atlântico,
Alfred Hitchcock: genial cineasta dos primórdios do cinema,
Martha Graham: dançarina e coreógrafa,
Jim Henson: criador dos muppets,
Frank Lloyd Wright: um dos maiores arquitetos americanos de todos os tempos,
Pablo Picasso: pintor surrealista, capaz de mudar a realidade.

 

 

 

Links recomendados:

Discurso de Steve Jobs em Stanford

Lado criativo da tecnologia

 

 

 

 

O Meme de computador

O que é (ou deveria ser) um meme?

A grande maioria das pessoas acha que um “meme” é uma figura com alguma frase escrita sobre ela, com alguma finalidade humorística.

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Mas um “meme” é muito mais do que isto. A palavra “meme” foi criada pelo cientista Richard Dawkins, em seu livro de 1976, “O gene egoísta”.

 


Richard Dawkins é grande defensor do Darwinismo: a ideia de que as espécies animais passam pelo processo de evolução natural, em que as espécies mais bem adaptadas ao ambiente sobrevivem.
 

Uma dos grandes avanços da ciência foi a descoberta do DNA. É através da informação genética que as características dos pais são transmitidas a seus filhos. Está tudo codificado nos genes: cor do cabelo, formato das mãos, altura, etc.

gene

A ideia é que um “gene” transmite uma unidade de informação biológica do pai para o filho.
 

Já um “meme” é algo que transmite uma unidade de informação cultural de uma pessoa para outra.
 

Portanto, uma ideia que é transmitida de uma pessoa à outra é um meme: “Se é Bayer é Bom”, “rouba mas faz”, “pior que está, não fica”, “aqui é Corinthians”. São ideias virais, e o que é transmitido pelo “vírus” é o “meme”.
 

Esta ideia memética pode ser uma música, uma fofoca, uma ideia, uma figura, um vídeo, e até um… meme de computador!


 

Todos nós recebemos e transmitimos um monte desses memes de informação ao longo do dia. Somos uma composição dos memes que chegam a nós e que permitimos que sejam incorporados à nossa personalidade.

 
Portanto, um “meme de computador” é um “meme”, mas um “meme” engloba um conceito muito maior do que o de “meme de computador”.

 

Arnaldo Gunzi

Jul 2015
 

Ascenção e queda do Cine Vitória – RJ

Morei por 8 anos no Rio de Janeiro, nos anos 2000. No Rio de Janeiro, há um lugar chamado “Cinelândia”. A razão deste nome é porque, no passado, havia uma grande variedade de cinemas na região. Mas, nos anos em que estive morando por lá, não havia nenhum cinema por ali. Aliás, havia sim alguns cinemas. Mas eram tão precários e decadentes que não dava para chamar de cinema.
 

Um destes cinemas decadentes era o Cine Vitória. Nos anos 80, era um lugar como na figura a seguir.

12.03.1981 - Frederico Secco - Fachada do cinema Vitóriana no Centro 12.03.1981 - Frederico Secco  - Front of  Cinema Vitória at downtown
12.03.1981 – Frederico Secco – Fachada do cinema Vitóriana no Centro
12.03.1981 – Frederico Secco – Front of Cinema Vitória at downtown

 

Já na década de 2000, ao andar pela rua Senador Dantas, o transeunte se deparava com um lugar horrível caindo aos pedaços, como o da figura a seguir.

CINE VITORIA 2009

 

Ainda assim, funcionava como um cinema, mas passando filmes pornográficos de última qualidade. E este era o mesmo destino de um punhado de outros cinemas remanescentes da região. Um triste destino para um lugar chamado Cinelândia.

 


Voando 10 anos no tempo.

 

Ano de 2015. Na mesma rua Senador Dantas, 45, o Cine Vitória dá lugar à Livraria Cultura. Moderna, bonita, com 9 andares cheios de livros, revistas, dvds, e café. É um resgate de um pouco do orgulho da cidade e um presente aos cariocas!

 

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Há alguns anos, o Cine Odeon também passou por reformas, ficando muito bonito e majestoso. É a cinelândia recuperando parte do charme que um dia teve.


 

Dicas para um passeio na Cinelândia: o bar “Amarelinho da Cinelândia”, o Teatro Municipal, a Biblioteca Municipal, a Livraria Cultura Cine Vitória, e o Passeio Público.

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Senso comum

Numa cidade, havia um grande relógio, que servia como referência para todos. Uma vez, perguntaram para o administrador do relógio como ele acertava as horas. Ele respondeu que, todos os dias, passava em frente a uma relojoaria tradicional da cidade, e conferia as horas dos relógios da loja com o relógio da cidade.
 

Depois perguntaram para o dono da relojoaria como ele fazia para acertar os relógios. A resposta: “Olho para o relógio da cidade, e depois acerto os relógios da loja”*

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É uma história simples, mas ilustra bem a dificuldade de se ter medidas absolutas.
 

Quase a totalidade do nosso conhecimento também é assim: nos apoiamos em uma série de “verdades” que nos foram passadas por alguém (senso comum), ou apresentadas na escola (ciência). É impossível checarmos com os nossos próprios olhos todas estas verdades, então assumimos que, quanto mais pessoas afirmarem a mesma coisa, ou quanto mais científico for o conhecimento, melhor. E, ao nos convencermos de que é verdade, geramos mais um loop de feedback que confirma esta verdade.
 

Se estamos vivos até hoje, é porque o senso comum funciona na grande maioria das vezes. Mas, as vezes ir contra o senso comum pode ser uma boa fonte de inovação.
 

O prof. de economia Timothy Taylor cita a úlcera como exemplo. Por séculos, achava-se que úlceras estomacais eram causadas por stress ou por alguns tipos de comida ou bebida. Porém, cientistas descobriram que a causa mais comum de úlceras é uma bactéria, que pode ser tratada com antibióticos! Esta descoberta rendeu aos cientistas um prêmio Nobel de Medicina. Ainda há muita polêmica sobre o tema, mas não deixa de ser uma abordagem completamente nova a um problema secular.

 
http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2005/10/03/ult34u137002.jhtm

 

Numa empresa há uma série de paradigmas que alguém arbitra, e ninguém contesta (número de dias de estoque de produtos, nível de serviço ideal, etc). Sabe o que acontece quando alguém contesta a autoridade e estabelece um novo padrão mais coerente? Esta pessoa passa a ser também uma “autoridade”.
 

Portanto, não é errado questionar o senso comum, e pode-se chegar a uma quantidade grande de bons resultados com isto.
 

Arnaldo Gunzi
Jul 2015
 

*Fonte da história: A medida do mundo, Robert Crease

Armadura enferrujada

Havia um grande cavaleiro, que trajava uma armadura poderosa. Esta armadura servia para ele se proteger dos terríveis ataques de seus inimigos.

armour

 
O cavaleiro trajava a armadura e ia lutar contra dragões. Depois do trabalho, chegava em casa e tirava a armadura.

 
Com o passar dos anos, e com os machucados que sofria, ele foi colocando camadas mais grossas de armaduras. Além disso, passou a lutar contra dragões maiores.
 
Chegou num ponto em que nem tirava mais a armadura. O cavaleiro chegava em casa, brincava com os filhos, e ia dormir assim mesmo, de armadura.
 
Depois de alguns anos, os filhos nem sabiam mais quem ele era. A esposa também já tinha dúvidas sobre quem estava dentro da armadura.
 
O cavaleiro resolveu tirar a armadura. Mas, após tantos anos, a armadura já tinha enferrujado e não saía mais.

 
Não é errado dar tudo de si num trabalho, num projeto. Mas quantos de nós continuamos a vestir a armadura em casa, com a família?

 

História contada pelo prof. Carlos Viveiro.

Negociar com Godzilla

Sabe como negociar com o Godzilla?
 
O Godzilla é alguém muito poderoso, com o qual não há chance de um confronto direto. 
Para negociar com o Godzilla, é preciso ter aliados. Ganhar um amigo aqui, outro acolá, formar uma massa crítica de aliados para poder encarar o Godzilla.