Para abrir em caso de terremoto

No Japão existe um biscoito preparado exclusivamente para o caso de terremotos.

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É um biscoito de trigo bem seco e duro, para ficar anos sem estragar. Quase não tem tempero: se fosse muito salgado, faria a pessoa sentir sede, e não se sabe se haveria água num desastre natural.
 

É numa embalagem de metal – para aguentar fortes impactos. Tem um abridor como o de latas de refrigerante.
 

É um biscoito, mas também um retrato do trauma de ter passado por terríveis guerras, bombas atômicas, terremotos e tsunamis.

 

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Este trauma é tão forte que há tempos o Japão vive dificuldades econômicas por causa de uma cultura excessiva de poupar recursos.
 

Uma vez vi uma entrevista de duas velhinhas japonesas de mais de 70 anos, que têm mais de 1 milhão de dólares em suas contas bancárias e mesmo assim vivem em total austeridade, economizando hoje para o caso de dificuldades futuras.
 

Há culturas que são o oposto: se endividam hoje para pagar em dobro no futuro.
 

Não sei o que é certo ou não, mas sei que arte de dominar a percepção do Tempo é o maior desafio do ser humano.

Como tornar uma aula mais produtiva

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Uma aula, livro ou curso pode ter um bom conteúdo e boas ideias. Mas a coisa mais comum do mundo é esta boa ideia se perder logo após o final da aula ou do livro.
 

Uma dica para evitar isto: separe uma folha de papel e escreva nela uma lista de tarefas.
Vá colocando nesta todas as ações que você quer aplicar. E, no dia seguinte, cumpra a lista de tarefas.
 

Sempre é preciso um esforço consciente para aprender algo novo ou mudar um hábito velho. Depois de aplicar a ideia muitas e muitas vezes, esta se torna o novo hábito, e não precisa mais ficar relembrando. Se não transformar a ideia em ação, hoje, agora, esta vai ficar para sempre como apenas uma boa ideia.


 
Exercício: Anote numa folha de papel dois hábitos simples que você queira melhorar, como dizer um “Bom dia” verdadeiro ou ignorar o celular quando conversando cara a cara com alguém. Comece a praticar imediatamente.

 

Seja pleno em tudo o que fizer, mesmo com multas de trânsito

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Há uns 10 anos, li uma frase de um chinês chamado Er Hu, que dizia “Seja pleno em tudo o que fizer. Se é para guerrear, destrua o adversário, se é para amar, o faça com toda a intensidade”. Achei esta frase um tanto poderosa, mas logo a ignorei por ser absorvido pela difícil tarefa de sobreviver ao dia-a-dia.

 
Esta ideia de viver plenamente o agora lembra o Carpe Diem, lema de alguma escola de filosofia. Mas, para mim, até então era mais uma ideia, apenas outra teoria filosófica que não servia para nada. Nunca tinha tentado viver desta forma.
 


 

Isto até o dia em que tive uma aula, com o prof. Carlos Viveiro. Este me passou um conceito e uma tarefa.

 
O conceito é que viver o presente é extremamente difícil.

 
1. O presente é o aqui e o agora. Não é o futuro, não é o passado. Não é antecipar sofrimento ou felicidade. Não é reviver bons momentos ou lamentar maus momentos. Não é pensar no que poderia ter sido ou o que vai ser, e sim, no que sou e estou agora. Ser feliz agora.
 

2. Se o presente é o mais importante, a pessoa com quem eu estiver falando agora é a mais importante do meu mundo atual. Seja quem for, só consigo afetar a pessoa com quem eu consigo me comunicar agora,
 

3. Se consigo apenas influenciar quem está a minha frente e agora, o meu objetivo sempre deve ser fazê-la mais feliz.

 
Pode parecer simples, mas quantas vezes nos vemos conversando com a esposa/ marido/pai/mãe sem dar a menor atenção verdadeira?


 
Depois da aula, dediquei-me plenamente à minha família (enquanto tive energia). Embora ninguém tenha percebido nenhuma grande diferença, por dentro eu estava muito feliz de finalmente seguir o conselho de Er Hu.

 
No dia seguinte, peguei o carro para o trabalho. Peguei um caminho diferente porque fazia tempo que não ia por este, e fui mudando a estação de rádio. Ouvi uma música bonita, que fazia anos que não escutava. “I’m not in love”, dos Pretenders. Prestei plena atenção na música, e me deliciei com cada segundo dela, como nunca antes eu fizera, ignorando a batalha do trânsito.
 

O restante do dia também foi neste ritmo.
 

Mais um menos umas 16h, percebi que era o dia do rodízio do carro. E que eu tinha andado pela cidade de SP no horário do rodízio, e que o caminho que eu fizera tinha um radar chato que com certeza me pegou. Esta é a primeira vez na vida que simplesmente esqueço do rodízio – normalmente sou tenso demais para esquecer disto.

 
Fiquei chateado? Não. Desfrutar de verdade da companhia de pessoas queridas, admirar a beleza de um passeio de carro sem o stress do trânsito e ouvir a uma boa música com o coração valem muito mais do que qualquer multa pode valer.


 
Dois exercícios:
a) Apenas escute a música, com plena atenção. É a ilustração do quanto pode-se fazer em 1 segundo.

b) Escolha uma pessoa, hoje, e dedique-se plenamente a ela (e comente o resultado aqui no blog, é claro).
 

Arnaldo Gunzi
Jun 2015


 
Link do Prof Carlos Viveiro:
http://www.negociarte.com.br/


Princípio da Reciprocidade – dar para receber

Ouvi uma história muito legal.

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Um padre administrava uma igreja. Todos os anos, ele pedia contribuições para melhorias em alguma coisa na igreja – e todos os anos os mesmos fiéis contribuíam. Porém, este ano a reforma era pesada, e ele precisava pedir um esforço maior por parte dos seguidores de sua fé. Mas ele também não queria onerar demais os fiéis seguidores de longa data que sempre ajudavam a igreja.
O padre fez algo diferente. Num determinado domingo, ao invés de pedir dinheiro, ele falou para cada seguidor pegar 10 dólares da caixinha da igreja. Cada um deles deveria investir estes 10 dólares da melhor forma possível, para depois contribuir para a reforma da igreja.

Os resultados foram surpreendentes. Um deles organizou um bazar para vender coisas usadas. Outros compraram ingredientes para fazer um bolo e uma feira beneficente. Outro anunciou seus serviços de passeador de cães, arrecadou fundos e doou toda a receita. O retorno total foi quase 20 vezes maior do que o “investimento” do padre.
A fonte da história é o livro “Persuação e Influência”, de Steve Martin et al.


A estratégia chinesa de guerra número 17 diz: “Dê tijolo para obter jade”. Dê algo pequeno agora para obter algo maior no futuro. Muitas das amostras grátis que recebemos têm esta lógica, a de primeiro fornecer para depois pedir. O problema é que são tantas amostras grátis de tanta coisa que já ficou batido, “tijolos” baratos não tem mais apelo. O seu “tijolo” deve ser algo genuinamente novo e com bons motivos, para aí sim se obter a “jade”.
Nota: Jade era um sinônimo tão forte de riqueza na China, que o ideograma de “jade” é um Rei com um enfeitezinho.

Jade:Jade

Rei: Rei

Arnaldo Gunzi
Jun 2015

Fazer o tigre sair da montanha

Uma das 36 estratégias de guerra chinesas diz “Faça o tigre sair da montanha”.
O território do tigre é a montanha, ele é o dono do lugar e conhece cada árvore de cada caminho. Mas, se o tigre estiver na cidade, vai ficar perdido que nem barata tonta.

Tiger

Uma estratégia de persuasão é esta, a de mexer com o território.


 

Quer negociar alguma coisa difícil? Faça o outro lado vir até a sua mesa, ao invés de você ir até ele. No mínimo, a sua auto-confiança será maior, ao você ditar as condições ao invés das condições serem ditadas a você: vai ter café ou não? Vai ser aconchegante ou não? O seu banco vai estar numa posição mais elevada do que o do outro?

 
E como fazer o tigre sair da montanha? Que tal oferecer alguma coisa para ele vir? Ou marcar num território supostamente “neutro”, e conveniente a ambos? Mas, muitas vezes, um simples convite é suficiente.

 


Não tem nada haver, mas “tigre na floresta” me lembra William Blake:

 
The Tyger
BY WILLIAM BLAKE

 

Tyger Tyger, burning bright,
In the forests of the night;
What immortal hand or eye,
Could frame thy fearful symmetry?

 

Tigre, tigre incandescente
Nas florestas da noite.
Que mão ou olho imortal
Pode enquadrar tua terrível simetria ?

Arnaldo Gunzi
Jun/2015

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Maus, a história de um sobrevivente

Maus é a autobiografia de Art Spielgelman e a relação complicada com seu pai, Vladek Spielgelman.
Vladek era judeu na Alemanha de Hitler, e viveu na pele todas as dificuldades do holocausto.

 

Maus
Os judeus foram desenhados como ratos (daí o título: maus em alemão = mouse = rato), os nazistas como gatos, os americanos como cachorros, os poloneses como porcos.

 

São muitas e muitas histórias contadas em detalhes impressionantes, algumas com rancor, outras mostrando as dificuldades que Vladek viveu, outras com os traumas que deixaram sequela.
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Tentarei descrever rapidamente algumas histórias.
  • A família de Art tinha boas condições financeiras antes da Segunda Guerra. Com a ascenção de Hitler, as coisas foram piorando: perseguições, restrições, fechamento de empresas judias.

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  • Uma das primeiras vítimas foram os mais velhos. Os avôs de Art tinham sido convocados pelos nazistas a ir para uma “casa de repouso” nazista. O panfleto mostrava velhinhos alegres vivendo uma vida em paz, digna. Os avôs se negaram a ir, e se esconderam até serem descobertos.

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  • Após os avôs serem pegos, a família de Vladek fugiu de um lado para outro. Se esconderam no teto de uma casa abandonada, e depois numa casa de poloneses. Teve um amigo de Vladek que ficou meses escondido num buraco debaixo de uma lixeira.

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  • Um primo de Vladek (Haskel) convidava oficiais judeus amigos, oferecia muita bebida, jogava e perdia muito dinheiro com cartas. Era a forma dele sobreviver.

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  • Um soldado nazista uma vez pegou o chapéu de um judeu e jogou para longe. Mandou ele buscar. Fuzilou o coitado, dizendo que evitou a fuga deste. Com isto, foi premiado com um fim de semana de descanso.
  • A família de Art tentou fugir para outro país, com a ajuda de atravessadores. Vladek era muito desconfiados, mas o que o convenceu foram cartas de parentes, que supostamente tinham fugido para a Polônia. Mas as cartas eram apenas um engodo, e todos foram presos pelos nazistas – e levados a campos de concentração.
  • Saber falar alemão e inglês representou a diferença entre a vida e a morte para Vladek. Com o decorrer da guerra, ficou evidente que os EUA iriam vencer. Um dos oficiais do campo de concentração começou a ter aulas de inglês com Vladek, oferendo proteção e privilégios em troca.

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  • Vladek é extremamente pão duro. Não joga fora nada, nem um copo de plástico descartável velho. Conta todo dia cada centavo que tem. Conta até o número de palitos de fósforo que tem.
  • Uma vez, Art deu carona a um negro. Vladek começou a xingar (em polonês) o negro (schwarzer) de tudo o que era jeito, e só parou quando este desceu no destino. Mas como pode alguém que sofreu discriminação racial fazer o mesmo?

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Os relatos acima são 1% do livro. Nem citei a mãe (Anja) e nem o irmão mais velho (Richieu) que viveram o holocausto com Vladek. Art Spielgeman está nu nesta obra. Não pelado no sentido físico, mas no sentido de que põe para fora todos os seus segredos mais íntimos.

 

Maus não é um livro político, nem foca Vladek como heroi. Muito pelo contrário: Art e Vladek cometem erros, ações incompreensíveis e comportamentos contraditórios, como todo ser humano.

 

Arnaldo Gunzi
Jun/2015

 

Links sobre a Coreia do Norte, Estado Islâmico e Economia

Alguns links interessantes

Sobre a vida na Coreia do Norte, o tenebroso estado comunista que cedo ou tarde vai implodir. É um relato sobre um dos lugares mais fechados do mundo.
http://waitbutwhy.com/2013/09/20-things-i-learned-while-i-was-in.html
O que é o tal do Estado Islâmico? Por que é tão difícil chegar a uma solução naquela região?
http://waitbutwhy.com/2014/09/muhammad-isis-iraqs-full-story.html


Joguinho de simulação. Seja o Ministro da Fazenda do primeiro mandato de Dilma Roussef, neste joguinho de Economia
http://www.pgc3.com.br/
Documentário sobre o Freakonomics, os microeconomistas que focam em detalhes e contradições práticas das pessoas. O capítulo sobre Sumô, que contrasta a pureza exterior do esporte com coisas mudanas que aconteceram na prática, é especialmente chamativo.

Pequeno experimento com o Dilema do Prisioneiro

O Dilema do prisioneiro é um jogo clássico da Teoria dos Jogos. É um dilema porque, se um oponente escolher trair o outro, o primeiro obtém ganhos locais. Mas, se um confiar no outro e ambos colaborarem, o resultado global é melhor para todo mundo.
 

Fiz um pequeno simulador baseado neste jogo. É em Excel, disponível para download neste link.
https://drive.google.com/file/d/0B7qV4XXADYw2bzYweWc3YkViOUk/view?usp=sharing

 

TelaDilema


 

O jogo

Você está participando de um jogo com as seguintes regras:
 

– são 12 pontos em jogo, você contra um oponente
– tanto você quanto o oponente têm duas opções: dividir os pontos (cooperar), ou tomar todos os pontos para si.
– caso ambos cooperam, cada um receberá 6 pontos (6 e 6).
– caso um escolha “cooperar” e o outro “tomar”, o primeiro não ganhará pontos, e o segundo ganhará 10 pontos (10 e 0) ou (0 e 10).
– Caso os dois oponentes escolham tomar tudo, ambos ganham um ponto (1 e 1).
– são 20 rodadas contra cada oponente.


 

Os personagens
Simulei três tipos de personagens para jogar: o avarento, o coração mole, e o assertivo.

 
O tipo avarento é alguém que sempre joga “tomar tudo”, a fim de maximizar seus ganhos imediatos.

 
O tipo coração mole sempre joga compartilhar, sabendo que a longo prazo o bolo a ser dividido é maior se houver colaboração.

 
O tipo assertivo é baseado na estratégia “tit for tat” – retribui na mesma moeda o resultado anterior do oponente. Se o oponente escolheu cooperar na rodada anterior, ele coopera também. Se o outro escolheu tomar, ele também vai fazer isto. O primeiro voto dele é sempre cooperar, dando um voto de confiança. Um assertivo é alguém que não é nem “bonzinho” nem “malvado”, e o tit for tat é o comportamento que mais se aproxima de alguém assim.


 

Duelos

O Coração Mole é massacrado pelo Avarento.

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O Avarento também ganha do Assertivo, mas a margem é menor.

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Um avarento contra outro avarento: todo mundo sai perdendo.

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Já um coração mole contra um assertivo ou outro coração mole: todos saem ganhando.

Um assertivo contra outro assertivo também resulta em cooperação plena.

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Portanto, o quadro final de resultados entre jogos ficaria assim:

TelaResultados

 

Neste caso, o Assertivo ganha, com o ganancioso em segundo e o coração mole em terceiro.

 

Imaginando algo mais próximo da população de verdade, digamos que 25% da população seja de Avarentos, 50% de assertivos e 25% de corações moles. Neste caso, o ranking de ganhos ponderado ficaria assim:

TelaResumo

 

E o comportamento assertivo sai ganhando, neste mini campeonato de algoritmos.

E, numa população onde a maioria é de assertivos ou corações moles, o coração também ganha do avarento.

O resultado deste joguinho é meio metafórico, mas creio que podem surgir lições daí.

Uma sociedade onde ninguém coopera dá origem à “tragédia dos comuns” – um termo da Economia, onde um resultado que seria melhor para todos nunca é alcançado.

Uma sociedade só com “bonzinhos” é vulnerável a um espertalhão, ganancioso.

De algum modo, o ideal é ficar entre estes extremos.

 

 

Arnaldo Gunzi

Jun/2015

O algoritmo de Feynman para resolver qualquer problema  

Richard Feynman foi um dos maiores físicos da história. É reconhecido pela extrema criatividade com que abordava e resolvia problemas.

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O algoritmo de Feynman para a resolução de problemas afirma o seguinte:
1 – Formule a Pergunta
2 – Pense arduamente
3 – Escreva a resposta

 

Esta afirmação ficou famosa, por ser um pouco lúdica, um pouco simplista. Meio brincadeira, meio séria. Ao mesmo tempo muito verdadeira e muito falsa – ou seja, genial.

 
A primeira parte, “formule a pergunta”, pode parecer trivial, porém não é. Fazer a pergunta correta é quase já fornecer a resposta.

 

O foco de um bom resolvedor de problemas não é encontrar a resposta, e sim fazer a pergunta correta. Reformular as perguntas existentes, de forma a permitir que a resposta resolva algum problema do mundo real, aproveitando as assimetrias de espaço, tempo, cultura, informações e oportunidades em geral.

 

Uma pergunta genérica demais (como resolver o problema da fome no mundo?) não serve para nada, uma pergunta específica demais não serve para nada (como resolver o meu problema de fome?). Uma pergunta óbvia não leva a nada, uma pergunta esdrúxula também não.

 

A Casas Bahia, nos anos 80 e 90, não se perguntou “Como vender móveis mais baratos para a classe C?”, e sim “Como financiar a classe C para permitir que eles comprem móveis?”.

 

Ulisses, na Ilíada, não se perguntou “Como vencer a Guerra de Troia?”, e sim “Como fazer para abrir os portões de Troia de dentro dos muros?”

 

Já dizia Picasso: “Computadores são inúteis, eles só sabem dar respostas”.

 

A segunda parte, pensar arduamente, também pode parecer trivial. Mas, se é tão trivial assim, por que tantas pessoas desistem sem nem ao menos tentar responder?

 

A maior barreira de todas reside na própria cabeça do ser humano. Muita gente já assume que não consegue responder, que tem que buscar a solução na internet e copiar a resposta que alguém elaborou. Errado. Vale muito mais desenvolver a própria resposta do que copiar as ideias de outrem.

 

Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso tão poucos se dediquem a ele – Henry Ford

A terceira parte, “escrever a resposta”, também é muito importante. Porque as pessoas esquecem os detalhes das respostas, e somente podem avaliar precisamente se estão certas ou erradas se tiverem algo escrito: a pergunta, a resposta com todos os detalhes, a data, as pessoas envolvidas. Assim, pode-se ter um feedback das perguntas e respostas e consequente evolução das mesmas.

 

 

A Zappo paga para o funcionário se demitir: encontrar a isca certa.

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O processo de contratação de pessoas é um dos mais críticos de qualquer empresa: é custoso, demorado, e mesmo assim erra-se muito. E pessoas são o recurso mais crítico de qualquer organização.
 

O pessoal do Freakonomics conta uma história interessante sobre contratação, numa empresa extremamente não convencional: a Zappos.

 
Assim que acaba o processo de contratação, depois da primeira semana de treinamento do novo funcionário, a Zappos faz uma oferta: “te dou 2 mil dólares para você pedir demissão agora mesmo”.

 
Qual a lógica de se oferecer 2 mil dólares para alguém se demitir na primeira semana?

 
A lógica é a seguinte. É impossível haver um processo de RH perfeito, onde só se contratem as pessoas certas. Vão haver erros, muitos erros. E os erros custam caros: são alguns meses até descobrir que o novo funcionário não serve para a vaga, da onde ou ele se demite ou é demitido, e mais alguns meses até retomar o processo e contratar outro funcionário. Eles estimaram que este erro custaria em média 4 mil dólares. Daí, valeria a pena pagar 2 mil para se livrar logo de alguém que não está comprometido com a empresa.
 

E qual a taxa de aceitação desta proposta indecente? Cerca de 1%.

 


 

O processo de contratação é tão difícil, que conheço um Gerente que nunca contrata pelo RH. Ele sempre contrata por indicação das pessoas que confia. E ele só confia em algumas poucas pessoas, que já demonstraram comprometimento, capacidade de gerar resultados, etc. E ele não abre mão, de jeito nenhum, dessas pessoas. Se uma outra empresa quiser roubar o bom funcionário, ele cobre a oferta, recoloca o sujeito, promete o que ele quer, mas não deixa ele sair. Aliás, qualquer cargo mais alto numa empresa certamente é por indicação de algum conhecido.
 

Na maioria das grandes empresas, uma ideia completamente inusitada como a da Zappo nunca teria êxito: os processos são engessados demais para permitir algo assim. Mas, quem sabe, ideias como esta inspirem os RHs do mundo a pensar de outra forma…

 

Arnaldo Gunzi
Junho 2015

 

http://freakonomics.com/2011/11/21/paying-people-to-quit-what-law-schools-can-learn-from-zappos/