Poliedros mágicos

Qual a relação entre Platão, o Cubo Mágico e uma bola de futebol?

Poliedros são figuras geométricas em 3D. Poliedros regulares são sólidos em que todos os lados são iguais.

Os gregos antigos gostavam de perfeição, e nada poderia ser mais perfeito que um sólido com lados iguais.

É fácil construir sólidos com lados diferentes, irregulares. Mas sólidos regulares, existem 5 e apenas 5.

Os 5 poliedros regulares são conhecidos como os sólidos de Platão: a pirâmide (4 lados triangulares), o cubo (6 lados quadrados), o octaedro (8 lados triangulares), o dodecaedro (12 lados pentagonais) e o icosaedro (20 lados triangulares). Platão viveu cerca de 400 a. C.

Platos_solids

Euclides (cerca de 300 a. C.), no livro Elementos, provou que não existem outros sólidos regulares além destes.


Cubo Mágico

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Passados vários séculos, Erno Rubik inventou o cubo mágico, em meados do anos 1970. Um brinquedo extremamente simples para entender, mas diabolicamente difícil de resolver. Há décadas é um dos brinquedos mais famosos e vendidos do mundo.

Mas o cubo não é o único sólido possível de virar mágico. De alguns anos para cá, principalmente com a Internet, é possível haver mercado para todos os sólidos de Platão.

A pirâmide mágica é conhecida como Pyraminx.

Pyraminx

Octaedro mágico:
Octahedron

O dodecaedro mágico é o Megaminx.

Vide aqui o método de resolução do Megaminx.

https://ideiasesquecidas.wordpress.com/2015/10/18/como-resolver-o-dodecaedro-magico-introducao/

Megaminx

E o icosaedro mágico não poderia deixar de estar na lista.

Icosahedron

Uma pena que os sólidos regulares acabaram.


Sólidos semi-regulares

Mas outro grego, Arquimedes (cerca de 200 a. C.) vem ao auxílio. Ele pegou os 5 sólidos e cortou alguns dos lados, criando 13 sólidos semi-regulares, os sólidos de Arquimedes.

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Por exemplo, ao pegar o cubo e truncar os lados, chega-se no “cubo truncado”.

Tem-se também vários poliedros mágicos inspirados nesses poliedros semi-regulares.


Icosaedro Truncado

O mais interessante de todos eles é o icosaedro truncado.

Ao cortar as pontas de cada triângulo, surge um hexágono. E a união dos lados truncados vira um pentágono. Tem-se assim o icosaedro truncado.

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A maioria das bolas de futebol é feita exatamente assim: hexágonos e pentágonos costurados, no padrão do icosaedro truncado.

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O Icosaedro truncado também é uma estrutura possível do carbono, o C60. O icosaedro truncado também serve de base para projetos de domos geodésicos.

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Como não poderia deixar de ser, existe uma versão icosaedro truncado mágico, o belíssimo Tuttminx, com 32 lados, e 150 peças a rearranjar.

TuttMinx

Curiosamente, embora um Tuttminx pareça ser ordens de grandeza mais complicado do que o cubo de Rubik normal, na verdade não o é. O Tuttminx é mais trabalhoso, mas não muito mais difícil. A técnica de encontrar soluções é mais ou menos parecida: encontrar “movimentos invariantes”, reconhecer e aplicar padrões. Mas isto é história para um outro post.

Arnaldo Gunzi
Maio 2015

 


Veja também

 

Dodecaedro mágico

Cubo-X


Links

Pyramin: http://www.aliexpress.com/item/2014-Brand-New-Shengshou-Triangle-Pyramid-Pyraminx-Magic-Cube-Black-Puzzle-Educational-Toy-Special-Toys/1800089897.html

Octahedron: http://www.aliexpress.com/item/2014-Brand-New-LL-8-Axis-Octahedron-Magic-Cube-Black-Puzzle-Educational-Toy-Special-Toys/1800316444.html

Megaminx: http://www.aliexpress.com/item/Neocube-Puzzle-Magic-Cube-New-Year-2015-Christmas-Megaminx-Plastic-Cubo-Magico-Training-Magnetic-Ball-Hot/32236894918.html

Icosahedron: http://www.aliexpress.com/item/MF8-Black-Eitan-s-Star-Icosahedron-Puzzle-Magic-Cube-Puzzle-20-Sided-Speed-Cube-Learning-Education/32273938184.html

Tuttminx: http://www.aliexpress.com/item/Free-shipping-Verypuzzle32-shaft-2-football-magic-cube-tuttminx-football-magic-cube/1335084946.html

Mc Lanche bonito e feio

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Uma vez, fui no McDonalds e pedi um Big Mac e refrigerante, sem batata. A atendente disse que a promoção, com as batatas, sairia apenas um real mais caro.

 
Esta é a típica estratégia de colocar algo “bonito” do lado de algo “feio”. A intenção deles sempre foi, desde o começo, vender o pacote padrão de lanches. E o preço, desde sempre, é o preço da promoção com desconto. O que acontece é que preço das partes separadas é aumentado, justamente para causar o efeito que a promoção vale a pena.
 
Portanto, se você quer vender algo feio, faça assim: coloque algo mais feio ainda do lado, e peça para a outra pessoa escolher. Vai parecer que o primeiro é uma opção não tão ruim assim.
 
Minha mãe também fazia isto quando eu era adolescente. Ela falava para eu varrer o chão. Como eu reclamava, ela falava: “então você passa roupas e eu varro o chão, que tal?”. Aí, nåo tinha jeito de fugir.
 

Tem um economista/psicólogo que faz vários estudos deste tipo, e se chama Dan Ariely. Tem uns vídeos e livros com ideias assim na internet.
 

Mas, se a intenção é vender o pacote completo e não as partes separadas, por que então a empresa não proíbe vender algo senão o pacote? E por que não faz o lanche sem batatas ser MAIS CARO do que a promoção? Ora, a resposta é que o ser humano tem um sentimento muito forte de justiça, e é injusto vender mais caro sem batatas do que com batatas, ou não permitir a venda separada das coisas. Certamente, haveria retaliação futura.

 
Assim, o McCliente aprende que a promoção é melhor que cada parte separada, e na próxima vez, pede direto o número 1. Daí, a atendente responde: não quer acrescentar fritas grande por apenas mais um real?

Arnaldo Gunzi
Maio 2015

Restaurante e escadas

Um dia, fui almoçar num restaurante mineiro,e notei algo que saltou aos olhos. A cozinha ficava num nível abaixo do salão principal, e havia uma escada (não muito larga) por onde os garçons subiam e desciam freneticamente.

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Fiquei imaginando o risco de acidentes: um subindo com um prato de feijoada, outro descendo com um monte de louças sujas, num dia movimentado e depois de várias horas de trabalho…

O ideal seria que a cozinha ficasse no mesmo nível do salão, mas se a restrição de espaço não permitir, mesmo assim existem soluções relativamente simples: basta um elevadorzinho para comida. É um investimento não muito caro e que resolveria permanentemente um problema de segurança.

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Muri, Mura, Muda

Mesmo após tantas décadas, há conceitos do Sistema Toyota de Produção que são importantes, belos, e ignorados por muitos.

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Um deles é o Muri Mura Muda. São três palavras em japonês, que querem dizer o seguinte.

Muri – sobrecarga, esforço além do suportável
Mura – desequilíbrio, desbalanço
Muda – trabalho que não agrega valor

Nota: essas palavras são oxítonas. A pronúncia é na última sílaba, mais ou menos assim: Murí, Murá, Mudá.


Muri

O “Muri” é uma carga de trabalho excessiva sobre uma pessoa. É comum em bancos, mercado financeiro e consultoria uma cultura em que trabalhador fique na empresa mais de 12 horas por dia, e de vez em quando vare algumas noites (com orgulho). Em alguns momentos específicos, talvez nem tenha problema, mas viver constantemente assim não parece ser algo saudável. A longo prazo isto não é bom para a pessoa.

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Conheci um fulano que fazia questão de ficar sempre até muito tarde na empresa: meia noite, madrugada adentro. E usava doses maciças de estimulantes tipo Red Bull e muito café. Durante o dia, as vezes parecia um zumbi, mas fazia questão de ficar presente sem agregar valor algum. Isto pode impressionar a curto prazo, mas deve causar problemas graves a longo prazo.

 


Mura
O “Mura” é o desequilíbrio entre processos: algo ou alguém fazendo muita coisa, enquanto outro fazendo pouco. Isto pode surgir de várias formas. Basta imaginar que num maquinário industrial há diferentes equipamentos com idades diferentes. Máquinas novas tendem a ser mais produtivas, mas podem depender de máquinas mais velhas que engargalam o processo. Desequilíbrios de tempo, espaço, produtividade e informação sempre existem e sempre vão existir, mas a ideia aqui é encurtar este gap, tornar o aproveitamento dos recursos o melhor possível.

 

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Muda
O “Muda” é o trabalho que não agrega valor, no final das contas. Pela cadeia produtiva ter muitas etapas, e pelo processo ser algo em eterna mutação, também sempre vai ocorrer que alguém vai estar fazendo algo que não agrega valor, no final das contas. Algumas perguntas, como “Para que estou fazendo isto”, ajudam a eliminar este tipo de coisa.

 

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Já trabalhei num setor público, onde via muita gente que não agregava valor algum e nem tinha intenção de o fazer. Um dia, teve uma avaliação de desempenho do setor de RH, e distribuíram um punhado de pessas para eu avaliar. Um dos avaliados era uma pessoa que chegava pontualmente as 8 da manhã e saía as 17h, mas fazia absolutamente nada neste período. Já tinha passado muito serviço para ele, que respondia com educação mas não entregava nada. Eu queria dar nota 0 (zero) para ele. Estava disposto a isto, e realmente dei nota zero. Mas fui barrado pelo meu chefe, o comandante da área. Se eu desse nota zero para o indivíduo, aconteceriam algumas coisas: primeiro, a nota baixa dele iria levar para baixo a média do setor, o que era ruim. Segundo, eu não posso simplesmente dar zero para alguém que tem décadas de “bom serviço público” prestado, eu teria que ter uma justificativa muito boa para isto (ele não entregar nada não era uma boa justificativa). Terceiro: não ia adiantar nada, porque ele estava a três anos de se aposentar, e estava ali contando os minutos para isto. No final das contas, mandei o sistema à merda e dei nota dez para o pior funcionário de todos.

 


Muri, Mura e Muda como fonte de inovação

Identificar falhas de processo que não agreguem valor, desequilíbrio de processos e excesso de trabalho são oportunidades para a melhoria do trabalho. São fontes de inovação.

A ideia é atacar as causas e fazer com que as pessoas agreguem valor, tornar processos equilibrados e justos para os trabalhadores.

O que deve ser feito? O que é o correto?

Por que não fazer diferente? Pelo menos tentar fazer diferente?


 

Conclusão
Estendendo o conceito para a vida pessoal, acho muito importante o equilíbrio entre a vida pessoal, profissional, equilíbrio financeiro, metas de longo e curto prazos. É extremamente difícil, extremamente difícil mesmo, equilibrar tudo isto o tempo todo e ainda manter a saúde.
O tempo é o recurso escasso do ser humano. Não é o dinheiro, não é o maquinário.

Não por acaso, a filosofia da Toyota considera o maquinário já depreciado no momento da compra, e busca otimizar o tempo das pessoas.

Ser produtivo é agregar o maior valor possível para a sociedade, para a família, no escasso tempo útil que temos. Ser produtivo não é ficar 15 horas na empresa fingindo trabalhar.
Ser eficaz é fazer o trabalho correto, agregar valor de verdade. Fazer coisas que realmente serão úteis para quem receber o trabalho, encontrar soluções que funcionem efetivamente.

 


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Obs.

O “Mu” das três palavras (Muri, Mura, Muda), é um ideograma que quer dizer “Não”.

Mais ou menos assim: não poder (excesso), não equilíbrio, não valor.


 

Arnaldo Satoru Gunzi
Maio/2015

 


 

 

Agregar valor às filas

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Existe algo mais chato que uma fila?
Uma loja pode ser legal, com bons produtos, e pode ser agradável passear pela loja. Mas a parte ruim é quando o passeio acaba, e é hora de encarar a fila dos caixas. Às vezes 5 minutos, outras 10. Quinze minutos de pé, esperando numa fila é dose… Dependendo do lugar, a espera pode chegar a horas. E, não raramente, pessoas desistem ao ver uma fila.
 

O que é uma fila?
Eu diria que é um desbalanceamento entre o número de recursos disponíveis e o número de pessoas querendo usar o recurso. Há diversas teorias de filas, a fim de dimensionar corretamente a quantidade de postos de serviço para ter uma fila aceitável. Mas a fila não deixa de ser algo muito chato.

 
E como diminuir filas?
 

1 – Uma primeira proposta seria dimensionar os recursos, e ter recursos reserva para eventuais picos de demanda.

 
2 – Outra proposta seria o autosserviço. Lembro-me dos anos 80, onde as pessoas iam ao banco para pagar uma conta de luz. Todo mundo tinha que ir ao banco, então lotava. Lembro que fiquei quase 2 horas na fila do (extinto) Bamerindus. Com o tempo, os bancos foram criando os caixas eletrônicos, onde os clientes mesmos faziam as transações. Com o advento da internet, agora nem o caixa é mais necessário, e com o débito automático, nem mesmo é necessário entrar no site para pagar a conta. Hoje, é quase inaceitável pensar em ir ao banco pagar uma conta de luz.
 

Mas, dimensionar o número de atendentes é algo básico. Que tal agregar valor à fila? A ideia é transferir o ônus de ficar na fila ao estabelecimento, e não ao cliente, já que foi o estabelecimento mesmo que não contratou o número correto de atendentes.
 

3 – Que tal servir biscoitos e bebidas para quem está na fila?
 
4 – Internet, videogame a vontade enquanto em fila?
5 – Que tal ter mostruário de produtos para mexer livremente, quando se está na fila? Digamos, um ipad?
 
6 – Colocar espelhos ou televisão também é uma tática que ajuda. Uma jukebox para os clientes escolherem música?
 
7 – Dar um desconto proporcional ao tempo em quem o fulano ficou na fila?

 
Esta última ideia pode ser interessante em alguns contextos. Imagine que algumas pessoas vão deixar outras passarem na frente, para ganhar o desconto, enquanto as que estiverem com pressa vão ganhar tempo – é o eterno tradeoff tempo-dinheiro num mercado, numa aplicação em micro-escala.

Arnaldo Gunzi
Maio 2015

Acabar com formigas

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De tempos em tempos, surgem formigas no meu apartamento. Formigas açucareiras, bem pequenas. Mesmo sendo no 12 andar, este inseto maldito insiste em aparecer.

 
Em meu histórico de luta contra formigas, tentei muita coisa: jogar inseticida, detergente, fechar o buraco com cimento. Nada disto adianta muito. As formigas morrem, mas outras do ninho a substituem. Se fecho o buraco por onde elas vêm, elas fazem outro buraco.

 
O único método que funcionou é o de usar uma isca com veneno. Misturei mel com água boricada. A receita original dizia ácido bórico, mas em casa só tinha água boricada mesmo.
 

A lógica é a seguinte. As formigas gostam de mel. O mel envenenado demora algumas horas para fazer efeito. As formigas levam o mel para o formigueiro, para alimentar outras formigas. Desta forma, mata-se todo o formigueiro.

 
O impressionante é a força que a programação genética tem sobre o comportamento das formigas. As formigas não raciocinam, são simplesmente programadas a reagir segundo seu script.

 
Depois de algumas horas, dá para ver formigas cambaleantes, que mal podem se mover, mas que continuam a trabalhar, levando o mel envenenado para casa.

 
Depois de mais um par de horas, o número de formigas trabalhando começa a diminuir. Diminui, diminui. Até chegar a ter uma poucas formigas, mas seguindo a mesma programação: se tem comida, levar a comida até o formigueiro, mesmo que a comida tenha veneno e tenha exterminado 90% de seus colegas.

 
Metaforicamente, este é o perigo de ter uma economia planificada, em divergência de opiniões. Ou de ter um software de otimização inflexível.


 

No final, deve-se pegar o mel envenenado e descartar corretamente, a fim de não envenenar outros bichos.

 

Arnaldo Gunzi

Mai 2015

Stock options para politicos – Ideias provocativas – Freaknomics 3

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O salário de políticos é uma discussão de longa data.
 

Por um lado, eles têm que ganhar bem o suficiente. Políticos podem movimentar facilmente centenas de milhões em obras e recursos. Se os políticos ganharem muito pouco, a tentação de desviar um pouquinho dos recursos passa a ser maior. Além disso, a política torna-se mais atrativa para jovens brilhantes, que querem mesmo seguir uma carreira séria.
 

Mas um político não pode ganhar muito mais do que a população. É obsceno pensar num político recebendo salário centenas de vezes maior do que o trabalhador comum.

 
Além disso, o político tende a ter incentivos para legislar em curto prazo: que as obras fiquem prontas em seu mandato, que a euforia econômica seja no seu mandato (e que a conta chegue no mandato seguinte). Não falta gente que quer ser político somente para ter influência e se beneficiar. E isto vira um ciclo vicioso perverso: pela política ser assim, pessoas que realmente poderiam contribuir passam longe, vão para a iniciativa privada.

 
Sobre o salário de políticos, Levitt propõe uma ideia maluca, mas nem tanto.

 
Que tal pagar políticos com um salário mediano, suficiente para ele se manter em boas condições, mas dar polpudos stock options resgatáveis somente daqui a 10 anos?
 

As opções são instrumentos largamente utilizados no mercado financeiro. É uma opção de compra de uma ação a um valor pré-fixado, numa data pré-fixada. Se a ação subir, tenho um lucro enorme na opção. Se não, elas não vão valer nada.
 

Esta ideia é interessante, porque ao mesmo tempo que pagam pouco, podem pagar muito, mas somente caso o país melhore. E, por ser uma opção com prazo de 10 anos, as ações dos políticos tem que ser voltadas a garantir realmente que as mudanças sejam estruturais e benéficas à população no longo prazo, e não demagogia barata no presente para empurrar a conta para o futuro, como tem sido os últimos anos no BR.

 

É claro que a ideia tem furos e seu execução seria complicada. Mas parece ser um sistema interessante para o principal: atrair para a política pessoas sérias, competentes, que gostariam de seguir uma carreira séria e quebrar o ciclo vicioso de maus políticos legislando em causa própria.

 

Que tal pagar para votar? – Ideias provocativas – Freaknomics 2

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Que tal pagar para votar?

 

A ideia é mais ou menos assim: quem quiser votar para presidente, tem que pagar para votar. Se você quer muito que o seu candidato vença, teria que desembolsar mais dinheiro.
 

A vantagem é que votar torna-se um custo palpável, e não apenas idealismo sem lastro.
Mas esta ideia não vai beneficiar os ricos? Na prática, isto já acontece. Mas o que empresas fazem é doações a campanhas.
 

Talvez esta ideia seja mesmo absurda para eleições políticas. Mas, imagine a mesma ideia, em outro contexto.


 

Um grupo de pessoas do trabalho quer fazer uma vaquinha para comprar uma TV, para ver a Copa do Mundo. Aí, tem um pessoal fanático por Samsung, outros fanáticos por Sony, e outros que só querem ver o jogo, tanto faz.
 

Numa votação 1 para 1, quem tem mais fãs vence. O grupo rival fica reclamando do mau gosto do outro grupo. Quem só quer ver o jogo ajuda a pagar a conta, igualmente.

 
Se tivesse uma votação ponderada pela fatia da vaquinha, seria assim: quem é mais fanático paga mais. Os fanáticos que vencerem tem que ver se o valor gerado pelo fanatismo vale mesmo os custos. Mesmo os fanáticos que perderem vão ter mais motivos para se conformar: quem ganhou pagou mais caro (e o fanatismo tem limites). Quem só quer ver o jogo, dane-se a marca da TV, vai sair ganhando: vai pagar menos, afinal, ele só quer ver o jogo!

 

 

Ideias provocativas – Freaknomics 1

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Quando eu era pequeno, jornais (em papel) ainda existiam. Era dividido por cadernos. Tinha o de esportes, o de cidades, os classificados. E tinha o de Economia. Falava de inflação, juros, impostos. E, eu não entendia nada do que estava escrito.
 

Hoje, continuo não entendendo nada de economia, principalmente de macro-economia. Mas aprendi a gostar da parte micro da economia, a parte que trata mais de incentivos econômicos, comportamento de indivíduos e empresas.
 

Um dos responsáveis pela divulgação disto é Steven Levitt, autor de Freaknomics e outros livros da mesma linha. Ele tem um blog, onde expõe ideias, algumas interessantes, provocativas, e outras completamente estúpidas e absurdas (ou não).
 

Já postei alguma coisa sobre eles aqui.

 
Seguem alguns posts de ideias aleatórias


 

Garçonetes x Aeromoças
 

Por que aeromoças não recebem gorjetas, enquanto garçonetes recebem?
As duas fazem mais ou menos a mesma coisa: entregam comidas e bebidas ao cliente.
Levitt não responde a pergunta, mas a minha impressão é a seguinte: ser aeromoça tem (ou tinha) um certo status, um certo glamour. Este glamour se perderia completamente se elas recebessem gorjeta.
 


Tanto faz votar ou não
 

Eu represento um voto em 200 milhões. Se eu convencer meia dúzia de pessoas, são 6 votos em 200 milhões. A não ser que o sujeito seja um militante em tempo integral, o que o indivíduo pode fazer no todo de uma eleição federal é muito pouco. É mais eficaz gastar o meu (escasso) tempo em algo que dê mais chance de retorno.


 

Esses caras do Freaknomics tem um novo livro, “When to rob a bank”, que nada mais é do que uma seleção de ideias do blog.

Por que você está fazendo isto?

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Há trabalhos de consultoria em que gasto dezenas de horas mas que não dão resultado efetivo algum. Por outro lado, há trabalhos em que o gasto de tempo é quase nulo, mas que dão muito resultado.

 
Um bom começo é fazer a seguinte pergunta para o operário, analista: “Por que você está fazendo isto?” “Para que serve?”, “Quem recebe esta informação vai fazer o que com isto?”

 
Dois exemplos reais:

 
1 – Um dia, eu estava vendo o operador de uma balança trabalhar. O produto chegava por uma esteira rolante. Ele pesava o produto, registrava o peso e a identificação do produto no sistema de registro da produção da fábrica.
Até aí, tudo bem.
 

Mas, depois de registrar no sistema, ele preenchia à mão, uma fichinha em papel, com a identificação do produto, peso, etc.

 
Eu: Por que você preenche à mão, sendo que já lançou no sistema a mesma informação?
Operador: Não sei, só sei que me mandaram fazer isto.

 
Esperei um outro turno, para fazer a mesma pergunta.
Eu: Para que você preenche a ficha a mão, e para que serve isto?
Operador 2: Sempre foi feito assim, e serve só para ficar arquivado.
Eu: E se acabássemos com esta ficha?
Operador 2: Eu daria graças a deus!

 
Fui falar com o coordenador:
Eu: Por que eles preenchem a ficha a mão?
Coordenador: Deve ter sido para um controle que precisamos fazer há tempos atrás. Mas hoje não precisamos mais disto. Vou mandar eles pararem.

 
Voltei dois dias depois, e, realmente, ninguém mais perdia tempo preenchendo à mão uma ficha inútil e desnecessária.
 
 

2 – Tinha um analista que preenchia uma série de informações de produção no sistema. Depois, imprimia um monte de instruções em um papel, e saía distribuindo o mesmo para os operadores da máquina.
 

Eu: Por que você imprime um monte de papel e distribui a mão? Não seria mais lógico colocar tudo no sistema?
(Depois de dezenas de explicações preliminares…)
Analista: É porque o sistema não tem o campo “observações do cliente”. Se tivesse, daria para colocar a mesma informação que vai impressa no papel para orientar o operador da máquina.
 

Eu: Então é só pedir para a TI colocar este campo?
Analista: Sim.
Eu: Então vou falar com fulano e pedir para colocar o campo.

 
Duas semanas depois, a impressão em papel com informações paralelas acabou, assim como o desperdício de tempo em redigir, imprimir e distribuir para todas as máquinas um papel com “observações do cliente”.
 

E é surpreendente como as pessoas não sabem o que estão fazendo, não sabem quais informações que geram é realmente útil para os outros, e quais informações que não geram poderiam ser úteis. E basta uma pergunta: “Por que você está fazendo isto?”

 

Preguiças gigantes, Tatus gigantes

Quando eu era criança, achava que o ser humano tinha convivido com os dinossauros. Um homem das cavernas, com uma clava na mão, correndo do tiranossauro. Mas isto não é verdade. O timing está errado. Os dinossauros desapareceram há mais de dois milhões de anos, enquanto o ser humano evoluiu de macaco há uns 100 mil anos.
 

Entretanto, o humanóide de milhares de anos atrás conviveu com uns animais bem esquisitos. Na América do Sul existiam Tatus gigantes, preguiças gigantes, elefantes sul-americanos (mastodontes).

 

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A isto, dá-se o nome de “Megafauna”.
 

Coincidentemente ou não, à medida que os humanóides foram chegando, esses megabichos foram desaparecendo. Uma das teorias existentes é que o ser humano deu uma forcinha para acabar com esta megafauna.

 
Olha só a linha de raciocínio. Na África, onde a evolução do humanóide começou há uns 500 mil anos, há megafauna até hoje: rinoceronte, hipopótamo, elefante. A fauna africana teve tempo de evoluir, de aprender que o humanóide com jeito de macaco era perigoso.
 

Mas o humanóide foi se espalhando pelo mundo, e onde ele chegou, esses bichos sumiram. Nesses lugares novos, os animais não tiveram tempo de evoluir para reconhecer o humanóide como uma ameaça.
 

Há uns 45 mil anos, existiam na Austrália cangurus gigantes e wombats (parece uma paca) do tamanho de rinocerontes. Imagina o ser humano, olhando para um monte de carne ambulante desses, praticamente indefeso…
 

Em ilhas do Pacífico, existiam aves gigantes que não voavam, que também foram extintos nesta época.
 

Na região da Sibéria, há uns 10 mil anos, os últimos mamutes foram extintos. Mamute era um tipo de elefante grande. E a Sibéria era o caminho do ser humano para chegar à América.
 

Chegando às Américas, há uns 10 mil anos, as preguiças gigantes, os tatus gigantes, os mastodontes sul-americanos, a megafauna foi sendo extinta mais ou menos quando os humanos chegavam.
 

Animais gigantes necessitam de um longo período de gestação (o elefante, por exemplo, tem gestação de dois anos), e têm uma vida muito mais longa do que os animais menores. E também estão no topo da cadeia alimentar, no sentido de que dificilmente algum animal ataca um elefante. Um elemento desequilibrante como o ser humano, que consegue atacar estes animais, pode comprometer toda a espécie mesmo se atacar somente um número pequeno de indivíduos.

 

Esta teoria de que o ser humano contribuiu decisivamente para a extinção da megafauna não é a única. Há a teoria de que a culpa foi de um período glacial de mudança climática. De qualquer forma, é uma teoria interessante, e não duvido da capacidade do ser humano.

 


 

Em 2009, estive na Austrália. Vi o ornitorrinco, o wombat, o canguru. O canguru, por exemplo, até hoje não se adaptou ao ser humano. O canguru não sabe atravessar a estrada: eles simplesmente vão pulando, como se não existissem carros. É bem comum ver cangurus atropelados. Aliás, cangurus pulando, só em desenho animado. Dá trabalho pular, então, em 90% dos casos, os cangurus se mexem rastejando.

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O Koala é um bicho preguiça com uma cara bonitinha. O Koala fica o dia inteiro dormindo. Deve ficar acordado umas duas horas por dia, mascando folhas de eucalipto. Quando se mexe, é mais devagar que uma tartaruga treinada pelo Barrichelo. Talvez o Koala tenha sobrevivido até hoje só por que é simpático, se fosse feio já estaria extinto faz tempo.

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O excelente livro “Sapiens, uma história da humanidade”, de Yuval Noah Harari, conta a história da evolução do ser humano e tem várias teorias interessantes.

Arnaldo Gunzi.
Maio/2015

Links úteis
http://www.amazon.com/Sapiens-Humankind-Yuval-Noah-Harari-ebook/dp/B00ICN066A/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1430643739&sr=8-1&keywords=sapiens
http://en.wikipedia.org/wiki/Megafauna#Examples
http://io9.com/5896262/the-last-mammoths-died-out-just-3600-years-agobut-they-should-have-survived
http://phys.org/news183924703.html

 


 

Google + ??

GoogleMinus

 

Tempos atrás, existia o Orkut. Era legal, foi a primeira rede social que “pegou” no Brasil.
Com o passar do tempo, alguma coisa foi acontecendo. Alguém falava de facebook, depois algum outro também falava. Os meus amigos estrangeiros (Japão, Austrália, Europa) nem sabiam o que era Orkut. E, a cada dia que se passava, mais e mais pessoas se conectavam ao face. Numa rede social, o que importa são os contatos. Se há um instrumento em que posso falar com 5.000 conhecidos, para que perder tempo com outro em que há apenas 500?

 
Na guerra das redes sociais, o Google fechou o Orkut e repensou toda a sua estratégia. Lançou um tal de Google+ (Google Plus). A ideia era uma rede social que integrasse vários serviços do próprio Google, como o Youtube, blog, fotos. Se o número de contatos do Orkut era pequeno, eles resolveriam isto. Para maximizar o número de contatos, o Google forçou que TODO MUNDO tivesse uma conta no Google+. A minha conta do Google+ eu não criei, não escrevi uma linha sequer – ela foi escrita automaticamente, migrou da minha conta no Google e puxou fotos que eu tinha no Picasa (que foi adquirido pelo Google). Não autorizei, na verdade nem sabia que tinha uma conta com fotos no G+.

 
O efeito deste sequestro de informações para o G+ foi que, nominalmente, este serviço tem uns 300 milhões de usuários. Mas a grande maioria desses nem sabe que é usuário do G+. Eles usam mesmo são o Youtube, o blog, e outros serviços, que contam na estatística. Mas, na prática, o número de usuários de verdade o G+ é muito menor. Parece estatística do PT, números bonitos que não representam a realidade. Nesta página, diz que apenas 9% dos usuários realmente usam o G+. http://www.businessinsider.com/google-active-users-2015-1

 
Outros efeitos: não gostei muito de ter um monte de informação pessoal compilada sem a minha autorização, e também fiquei com receio de publicar informação nova que pode parar em algum outro lugar que nem sei onde.

 
Há um grande valor numa rede social. Acrescenta à informação publicada na internet uma dimensão pessoal – fulano de tal gosta disto. Isto possibilita traçar um perfil da pessoa e oferecer anúncios personalizados, oferecer novos serviços e manter o uso dos serviços existentes. Quanto mais se sabe da pessoa, maior esta possibilidade.

 
O Google ficou para trás em redes sociais, e tentou recuperar o prejuízo. Mas o G+ seria mais interessante se atacasse algum nicho específico. Enquanto o Facebook é a rede social de amizades, o Linkedin a rede social profissional, o Google + até hoje não sei o que é.

 
A prova de fogo definitiva: enquanto no Facebook vira e mexe alguém me adiciona ou me manda alguma mensagem, nos últimos tempos ninguém me adicionou e nem adicionei ninguém neste tal de Google+. Posso ser teoricamente um usuário ativo do Google+ por mexer no Google, mas uma rede social assim não é nada social.

Arnaldo Gunzi.
Maio/2015

 
Artigos de Abril 2015, sobre mudança de rumos no Google+.
http://www.ibtimes.com/google-plus-getting-minus-sign-hangouts-photos-teams-may-be-moving-android-1576752

http://www.businessinsider.com/what-happened-to-google-plus-2015-4