Seleção de Ideias 2014

Para fechar 2014, alguns dos posts que achei mais interessantes.
2014-2015

Ideias simples para aumentar o número de doadores de sangue

A Fórmula mágica para vencer na bolsa de valores existe. E quase quebrou o planeta. 

Tecnologia

A Lei de Moore e o futuro da Apple

Anos bissextos, bugs no Excel do Mac e do Windows

Biologia e Computação

Somos feitos de Carbono e computadores de silício. Coincidência?

Câncer de computador?

DNA aplicado à pintura de Zebras

Como um fracasso no tratamento do câncer virou uma inovação

Posts com inspiração na China e Japão

Estratégia chinesa: Recapturado e solto 7 vezes

Homenagem a Shigeo Shingo, gênio oculto do Sistema Toyota e um dos maiores eng. industriais do mundo

Exemplo de Liderança e Austeridade

Uma das histórias de que mais gosto: o Consultor Samurai

Menção honrosa ao poetinha Vinícius de Moraes

2015 tem muito mais!

Fat Tony e o dilema do prisioneiro

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Esta digressão é meio longa e viajante, é normal se ninguém entender.
Já comentei sobre o dilema do prisioneiro aqui (https://ideiasesquecidas.wordpress.com/2014/08/24/dilema-do-prisioneiro-e-assertividade/). É o assunto mais famoso e estudado da teoria dos jogos. Dois homens estão presos. Estão incomunicáveis. Se um confessar e o outro não, o que confessou se livra e o outro fica preso por 10 anos. Se ambos confessarem, ambos ficam 5 anos. Se ninguém confessar, ambos ficam presos por seis meses.
Por outro lado, Fat Tony e Dr. John são personagem criados por Nassim Taleb, autor de Black Swan. Taleb é uma das mentes mais provocativas do mundo atual.
Dr. John é o nerd perfeito. PhD, MBA, terno e gravata, tem um emprego com carteira assinada numa grande empresa.
Fat Tony é alguém que enriqueceu na vida real, investindo em commodities. Desconfia de todas as regras da matemática, dos economistas, do mundo dos negócios. Desrespeita regras quando acha que é a coisa certa a fazer.
Como eles resolveriam o dilema do prisioneiro?
  • Dr. John: se for um jogo único, a estratégia dominante é  a de confessar, independente da ação do outro. Se for um jogo repetitivo, deve-se adotar uma estratégia do tipo tit-for-tat (olho por olho) com perdão, como o tit-for-two-tats.
  • Fat Tony: Porra, eu chamaria o meu conhecido, Don Corleon, para intermediar o acordo. Nenhum de nós confessa. A gente fica um mês preso, depois os advogados tiram a gente e ficamos limpos. Se o corno do outro prisioneiro confessar, ele se ferra.
  • Dr. John: Mas o enunciado do problema diz que eles estão incomunicáveis. Não há um terceiro elemento intermediando a negociação.
  • Fat Tony: Dane-se o enunciado. Nunca vi duas pessoas ficarem incomunicáveis. Nunca vi advogado não poder falar com cliente. Nunca vi juiz não ser influenciado pelas pessoas certas.
Quero salientar nesta história que o modo lógico de resolver problemas não se aplica 100% na realidade. A realidade tem condições de contorno e hipóteses diferentes do mundo matemático. Ficar preso ao enunciado do problema não vai gerar novas soluções.
Recomendo a leitura de Dr. John x Fat Tony, original, no livro do Cisne Negro, para entender este post.
Mas como o Black Swan tem 500 páginas, uma descrição apenas de Dr. John e Fat Tony pode ser vista aqui
Arnaldo Gunzi.
Dez/2014

Produtividade em áudio

O tempo é o recurso mais escasso de qualquer ser humano, e deve ser bem aproveitado.
Muita gente diz que não consegue ler livros, não tem tempo, etc. Por outro lado, a quantidade de tempo que se perde no trânsito é cada vez maior. Ouvir rádio pode ser bom para notícias, mas pelo menos 50% do tempo de rádio é de propaganda e conteúdo inútil.
E se fosse possível ler um livro no trânsito? Ou ler um livro caminhando? Na academia?
Na verdade, é possível sim ler caminhando ou no trânsito. Audio books são livros lidos em voz alta. Estes podem ser em mp3 ou em outros formatos compatíveis com um ipod, celular, qualquer outro player.
Serviços como o Audible.com são pagos e de excelente qualidade. Alguns livros custam 10 dólares. Cursos do grupo The teaching company saem por 30 dólares e são de uma qualidade extraordinária.
Existe uma alternativa gratuita, o Librivox. São voluntários que lêem o livro e disponilizam o áudio para download. Infelizmente, nem sempre a qualidade do áudio é boa. Outra alternativa (ilegal) é procurar em torrents.
Além de livros, podcasts são uma fonte útil de informações. ITunes U, também podem ser baixados.
É lógico que para isto tudo funcionar, é necessário ter Internet com um mínimo de qualidade e um smartphone ou algo como um iPod. E também saber inglês. Isto tudo é pré requisito.
Imagine quantos assuntos são possíveis de aprender, 40 min por dia, durante um ano?
Quem tiver outras dicas de produtividade, favor comentar.
graphi-audiobooks
Arnaldo Gunzi
Dez/2014

“Profissionais” x “Amadores”

Um “amador” tem a conotação de alguém que tem alguma outra ocupação principal, mas faz o assunto em questão por hobby, lazer, paixão. Um “profissional” vive do assunto em questão, já faz isto durante anos, portanto é de se supor que o profissional seja melhor do que o amador.

Mas um amador pode ser extremamente talentoso e produzir um conteúdo fora de série. Um profissional pode ser alguém que produz conteúdo de forma burocrática, preso a formalidades ou a outras regras.

Uma das belezas da internet é que ela permite que conteúdos produzidos por pequenos “amadores” sejam divulgados para todo o mundo. Num passado não muito distante, tal conteúdo só chegaria ao público após passar por filtros das redações jornalísticas, gerados por “profissionais”. Este efeito é a tal da “cauda longa” de Chris Anderson, em que milhões de pequenos indivíduos produzem trabalho que passa a ser notado pelo resto do mundo. O fato é que os “amadores” estão superando os “profissionais”, nas áreas em que a cauda longa emerge.

Dois exemplos:

Um jornalista desconhecido produziu um blog de extrema qualidade, chamado waitbutwhy. Rapidamente, o blog viralizou, tendo atualmente 75 mil seguidores.
Este post explica a história dos confrontos atuais do Iraque, de uma forma extremamente clara e concisa. Nem a Folha, nem a Globo.com tem uma linguagem nem visão semelhantes.
http://waitbutwhy.com/2014/09/muhammad-isis-iraqs-full-story.html

Este post conta a história de uma visita à Coreia do Norte. Também é um post claro, de alta qualidade, e até engraçado.
http://waitbutwhy.com/2013/09/20-things-i-learned-while-i-was-in.html
Exemplo 2: Um programador desconhecido começou a produzir vídeos sobre como programar em Java. De forma concisa, descontraída, ele explica muito bem os conceitos. Ele também destaca muito bem as pegadinhas inevitáveis que um programador vai passar. O conteúdo é gratuito no youtube, itunesU. Ele também fez um blog de apoio ao vídeo.
https://howtoprogramwithjava.com/

Para efeito de comparação, tenho um livro da coleção Schaum sobre Java, que custou uns 80 reais. É pesado, cheio de definições complicadas. Parece uma aula de Universidade, ou seja, um pé no saco. Portanto, rapidamente abandonei o “profissional” pelo “amador”.
Talvez o maior amador de todos seja Steve Jobs. Atropelando todas as regras de business, ele conduziu a empresa com pura paixão, produzindo algumas das maiores revoluções da computação. Quando ele foi colocado para fora da Apple em 1985 e substituído por um “profissional” (John Sculley), a Apple passou a ser uma empresa comum: corte de custos, aumentar EBITDA, margem, VPL, TIR, gerenciamento da rotina, análise SWOT, blá blá. E a Apple quase foi à falência, sendo salva pelo mesmo Jobs, anos depois.

A próxima revolução vai ser a dos amadores. Portanto, continue um amador, faminto e tolo.

stayhungry1

Arnaldo Gunzi
Dez/2014

Criar Oportunidades 

O livro “De Zero a Um”, de Peter Thiel (já foi citado aqui), tem um co-autor chamado Blake Masters.
É curioso saber que este livro nasceu de uma oportunidade.
Peter Thiel, notável empreendedor do Vale do Silício, deu um curso sobre startups na universidade de Stanford. Blake era apenas um de seus alunos. Mas ele fez algo a mais do que apenas tomar notas do curso.
Blake fez anotações minuciosas do curso e o formatou como se fosse um livro. Disponibilizou as notas em seu Blog, na internet.
As notas do curso eram de tanta qualidade que logo essas cópias estavam sendo amplamente downloadadas e distribuídas.
Peter Thiel, ao invés de tentar processar o ex aluno por direitos autorais, reconheceu o potencial do material e convidou  Blake Masters para transformar em livro de verdade.
Já assisti a inúmeras aulas de vários professores, mas nunca transformei as notas de aula em material de verdade.

As oportunidades estão em todos os lugares. Assimetrias de tempo, espaço, conhecimento, novas tecnologias, novas culturas, estão sempre exigindo soluções. Cabe a nós aproveitar as oportunidades.

Link para baixar as notas de aula:
Arnaldo Gunzi
dez/2014

Resumos e Reviews

Dica de produtividade.

Na Amazon.com (e também em outras livrarias on line), há a seção de “Reviews” dos leitores. Muitas vezes, há excelentes resumos, opiniões e recomendações dentro destes reviews.

Por exemplo, um livro como “On China”, de Henry Kissiger, tem mais de 500 páginas. Ler os reviews pode dar uma visão geral sobre os temas mais importantes, assim como alguns dados interessantes. Combinando isto com uma leitura dinâmica, é possível entender o livro em poucos dias.

Por exemplo, de relance dá para aprender que a China tinha 25% do PIB mundial em1500, 30% em 1800 e apenas 4% em 1950 (ultrapassado pelas potências europeias e americana). Que a cultura deles tem forte influência do confucionismo – padrão de conduta e coesão social. Sun Tzu – manobras indiretas- colocar bárbaros para lutar com bárbaros. Medo de desordem social por conta de história recente de sofrimentos.

Por fim, é importante formar o hábito de ler sempre em inglês, tanto o livro quanto os reviews. Inglês ou outra língua que se queira aprender.

Reviews

Arnaldo Gunzi.

Mandar dinheiro para casa

O TED talk tem vários vídeos interessantes, que fornecem um ponto de vista diferente.

Dilip Ratha é um indiano, que migrou para os EUA com 20 dólares no bolso. Conseguiu conquistar o seu espaço nos EUA. No vídeo, ele conta a dificuldade de mandar dinheiro para a família, em outro país.

Há mais de 250 milhões de imigrantes no mundo. Mandar dinheiro para outros países é uma operação sujeita a muita burocracia, altas taxas. Há sempre muito controle, para evitar lavagem de dinheiro. Em alguns países africanos, e na Venezuela, é praticamente impossível enviar dinheiro de forma legal.

Por outro lado, esta transferência de renda é para pessoas extremamente pobres. E altas taxas e burocracias são extremamente onerosas para quem já é pobre.

Não há solução simples, mas Dilip Ratha clama por smplificações e desonerações para transferências de baixo valor, para pessoas que apenas querem sobreviver.

Arnaldo Gunzi.

10 x melhor

De vez em quando, surgem algumas ideias diferentes, que passo a incorporar nos meus trabalhos.

Peter Thiel foi um dos fundadores do Pay Pal, e é um dos grandes empreendedores de startups do mundo. O cara investiu no facebook, por exemplo. Ele escreveu um livro – “De zero a um”, onde conta um pouco de suas ideias.

A que mais ficou marcada para mim é a seguinte.

Ele investe somente em startups que têm tecnologia 10x melhor que a tecnologia atual.

A tecnologia tem que ser pelo menos, uma ordem de grandeza superior à tecnologia atual. Isto porque, se for só 20% melhor, não vai valer a pena adotar. Se já existe um processo estabelecido, tem que valer muito a pena para alguém investir, treinar e modificar o padrão já existente.

Isto explica porque alguns dos meus trabalhos deram certo, e outros, não. Trabalhos que eram somente levemente superiores ao processo atual sempre falharam. E trabalhos que era certamente muito superiores ao processo atual podem falhar também, mas a chance de sucesso é maior.

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A segunda ideia legal é a de monopólio. Que a startup tem que mirar o monopólio, senão vai falhar. Mas não é tão fácil assim. Para conseguir o monopólio, tem que começar num nicho, pequeno. Conquistar o nicho, depois se expandir. Pensar grande, andar pequeno.

Inovação na IDEO

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O IDEO é uma das melhores empresas do mundo em inovação e design de produto.
O vídeo “Ideo Deep Dive” mostra o processo criativo aplicado na reinvenção de um carrinho de supermercado, em uma semana. Vale a pena dar uma olhada.

Alguns insights podem ser úteis para aplicação no dia-a-dia.

Ambiente: informalidade, roupas casuais, bicicleta pendurada no teto, espaço de trabalho lúdico
Ambiguidade entre o Modo Criança (divergência de ideias) e o modo adulto (convergência de ideias)
Caos focado: Brainstorming, intensa geração de ideias divergentes, que depois convergem em protótipos funcionais

Time multifuncional: designer, engenheiro, linguista, Mba, num lugar sem chefia nem hierarquia – extrema “polinização cruzada”
Consulta a “real experts”: usuários comuns, do mundo real

Neste ambiente, a ideia é “Pedir desculpas ao invés de pedir permissão” – faz primeiro, vê se alguém ficou ofendido depois
Estimulo a falhar com frequência – pode-se tentar, tentar, tentar, não tem problema em falhar ou o resultado ser ridículo

Os fundadores da IDEO, Tom e David Kelley, têm alguns livros sobre o seu processo de inovação, e o “Design Thinking” – geração de valor atrás do design.
Não à toa, Steve Jobs era um dos grandes clientes da IDEO.

Nem tudo pode ser emulado em ambientes de trabalho diferentes com objetivos diferentes, mas certamente alguns destes insights podem ser úteis no dia-a-dia.

Criar do zero

Ser o primeiro a fazer alguma coisa demanda uma capacidade criativa e propensão ao risco que poucos imaginam. Criar algo do zero para o primeiro passo é muito mais difícil que dar os passos seguintes.

A Apple, ao criar o primeiro smartphone de verdade da história, gastou mais de 150 milhões de dólares num projeto que ninguém sabia se daria certo.
Algumas das coisas que eles fizeram:
Correram atrás dos fabricantes de LCD para desenvolver o vidro que eles necessitavam para incorporar a tecnologia touch screen.
Reescreveram milhões de linhas de código do sistema operacional desktop, para conseguir rodar num celular centenas de vezes menos poderoso
Como o hardware não estava totalmente pronto no desenvolvimento do sistema operacional, eles criaram um emulador do hardware para testar o desempenho e duração da bateria.
Criaram equipes para criar seis protótipos diferentes do iPhone e ver qual seria o melhor.
Preocupados com o efeito no cérebro humano, eles criaram um protótipo de cabeça humana, para estudar o impacto do sinal telefônico no cérebro.
Com o fracasso de vários protótipos, muitas vezes as equipes simplesmente não sabiam o que fazer.
A ordem expressa a ser seguida era que o telefone deveria fazer tudo com apenas um botão.
No lançamento oficial do primeiro iPhone, Steve Jobs tinha em mãos um protótipo. Ainda não era o modelo definitivo. As vezes, o software travava. Outras, o sinal caía, ou alguma coisa simplesmente não funcionava. Nos treinamentos para o lançamento, ele mostrou as funcionalidades do modelo numa sequência decorada, porque qualquer desvio da sequência faria o protótipo travar.

Quem olha o resultado final pode até achar que foi fácil chegar a ele. Mas não, se é fácil, foi porque tiveram muitas cabeças pensantes para tornar isto fácil.

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Comentário final: Em todos os trabalhos que faço, tento manter a interface simples e intuitiva. Muitas vezes, até acho que deveria fazer um marketing maior, colocar algo que lembre que o trabalho é complexo. Mas, se o iPhone do Jobs é simples, não vai ser a minha planilha que vai ser complicada. O máximo que faço é colocar um nome um pouco mais elaborado no trabalho, e um easter egg escondido.

Abelha polinizadora

Segundo Walter Isaacson (do livro Inovadores), gênio é o que olha para uma situação e enxerga um único ponto: o mais importante.

John von Neumann foi um poli matemático gênio, influenciando diversas áreas, e sendo um dos responsáveis pela arquitetura do computador moderno.

Quero enfatizar aqui o estilo de Von Neumann: o estilo de abelha polinizadora. Na configuração da arquitetura do computador, ele não era especialista em quase nada. Mas tinha visão de tudo e agia mais como alguém indo e voltando com ideias, e discutindo com especialistas de áreas específicas (memória, processamento, algoritmos, etc).

Ele não era um maluco solitário, mas um fanfarrão colaborativo.

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Cachorro preguiçoso

Antes da fama, Einstein foi chamado de “cachorro preguiçoso” pelo seu professor de matemática, Hermann Minkowski. Isto porque ele realmente não tinha muito interesse em seguir as regras formais da academia, e nem queria saber muito de matemática – o seu negócio era Física.

As opiniões são baseadas em algumas poucas impressões que as pessoas têm. Opiniões são as commodities mais baratas que existem, portanto devem ser ouvidas com cuidado.

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