Chaves

Em homenagem a Roberto Bolanos, republico este post sobre o seu trabalho.

Forgotten Lore

 Há anos e anos admiro o trabalho de Roberto Gomes Bolanos, o criador e intérprete de Chaves e sua turma: Seu Madruga, Chiquinha, Quico, etc. Gosto de Chaves pelo bom humor, pelos personagens engraçados, pela inocência dos personagens. Nunca gostei de programas ou humoristas que usam e abusam de piadas de natureza sexual, ou caçoam de estereótipos de pessoas.

 

Imagem

Algumas curiosidades, do livro “Chaves, a história oficial ilustrada”:

Bolanos fazia um quadro chamado “Los chifladitos”, com um ator chamadado Rubén Aguirre. Apesar do sucesso, ele teve de suspender o mesmo porque o outro ator aceitou uma oferta para trabalhar em outro canal. Depois de dias pensando no que fazer, Bolanos começou a escrever um trabalho sobre um garoto pobre, que passeava num parque e teve uma disputa com um vendedor de balões (Seu Madruga). Esta história fez tanto sucesso que deu origem ao Chaves.

Bolanos ganhou o apelido de Chesperito…

Ver o post original 205 mais palavras

Como surgiu o “bug” de computador

bug
O bug de computador é um fato comum a todos que já utilizaram um computador. E os bugs acompanham a história dos computadores desde os primórdios da computação.
Havia um tempo em que os computadores eram eletro-mecânicos. Relês acionados eletricamente faziam uma conexão entre dois pontos, indicando o bit 1, o relê desligado era o zero. A programação do computador era ligar fios entre inúmeros circuitos para indicar qual seria a lógica a ser executada.
Mas, um dia, o computador travou. Foram ver qual era o problema, o que conhecemos hoje em dia como “debugar”. E encontraram o problema. Era uma mariposa, que tinha ficado presa em um relê. Por isso, o nome “bug”. Neste caso, era literalmente um “bug” o responsável pelo bug.
Programar naquela época deveria ser um pesadelo para qualquer um. Além dos inevitáveis bugs lógicos de programação, eles tinham que lidar até com bugs biológicos presos nos relês eletromecânicos.

Uma boa ideia para o RH.

tangled

A Pixar sabe a importância de reconhecer o empenhode seus funcionários. Além de bônus pela execução de um bom trabalho, funcionários extremamente criativos como os da Pixar necessitam de um agradecimento “olho no olho”.

Na ocasião do sucesso do filme “Tangled”, os diretores da Pixar resolveram eles mesmos dar o cheque do bônus. Chamaram todos os funcionários, entregaram o cheque e cumprimentaram, um por um. Juntamente com o cheque, escreveram uma carta de agradecimento e um dvd com uma versão do filme.

Dizem que há funcionários que colocaram a carta numa moldura, e que a exibem orgulhosos até hoje.

Arnaldo Gunzi

Conjectura de Goldbach

A matemática contém algumas afirmações que são extremamente fáceis de serem formuladas, mas extremamente difíceis de serem resolvidas.

2000px-Goldbach_partitions_of_the_even_integers_from_4_to_50_rev4b.svg

A conjectura de Goldbach é um caso desses:

“Qualquer número par pode ser descrito como a soma de dois números primos”.

Números primos são aqueles que são indivisíveis por outros números, como 2, 3, 5, 7, 11. Alguns exemplos da conjectura.

4=2+2

6=3+3

8=3+5

10=3+7

100=53+47

É uma “conjectura” porque ninguém conseguiu prova-lo, em quase 300 anos. E a sua fama provém não da conjectura em si, ou da utilidade prática, mas porque grandes mentes já tentaram prova-la e não conseguiram.

Uma coisa irônica nisto é que o computador pode ajudar a provar alguns teoremas, mas o melhor computador do mundo não vai ajudar nada em outros. Isto porque as provas da matemática requerem que a validade seja para todos os números. Sempre vai haver um número impossível de ser computado (seja ele 10^100000, 10^1000000000). É possível escrever programas de computador para testar números muito grandes, mas não para testar todos os números. O computador serve mais para “desprovar”, no caso de achar um número que não atende a conjectura, ou para aumentar os indícios de que o caminho está correto, mas não para provar.

Um ano de trabalho

download
No livro Creativity Inc, Ed Catmull conta que a Pixar quase perdeu um ano de produção do filme Toy Story II.

Todo o trabalho da Pixar estava em rede, e alguém acidentalmente deu um comando (na plataforma Unix, não conheço o comando) de formatar o servidor. Quando perceberam, era tarde demais para recuperar. Mas ainda existia um backup programado, que eles faziam todos os dias. Porém, foram verificar o backup, e este estava com problemas. Não tinha jeito, o trabalho de um ano inteiro estava perdido.

Foi aí que uma funcionária lembrou que tinha uma cópia do trabalho. Esta estava trabalhando em casa, por conta de licença maternidade. E fazia automaticamente um backup total do trabalho, toda semana, para levar para casa.

Uma das providências que tomaram, depois do incidente, foi a de consertar o programa de backup. Mas o mais impressionante foi o que não fizeram. Ninguém perguntou quem foi a pessoa que apagou os dados, e nem quiseram responsabilizar ninguém. Isto porque eles tinham certeza de que as pessoas da Pixar eram bem intencionadas, e se houve o problema, fora por acidente e não por negligência ou má intenção.

Outra coisa era a liberdade total dos funcionários no trabalho. E, se todos podiam ter acesso aos arquivos e apagar (que causou o acidente, também todos podiam fazer backup e levar para casa (o que salvou a todos). A aleatoriedade trabalha para os dois lados, e eles preferiram manter a cultura da empresa a aumentar controles e sufocar o ambiente.

Arnaldo Gunzi.

A navalha de Occam

simplicity

Existe um conceito chamado de “navalha de Occam” (Occam razor) que diz o seguinte: se há duas explicações para o mesmo fenômeno, provavelmente a mais simples estará correta.

Por exemplo, as soluções mais elegantes da física são também as mais enxutas: as leis de Newton explicam toda a mecânica, e são poucas fórmulas e conceitos. A teoria da relatividade de Einstein era a que melhor explicava os fenômenos da velocidade da luz com a menor quantidade de conceitos da época.

A teoria da evolução das espécies de Darwin é outro exemplo: ideias simples, lógicas e que explicam milhares de anos de evolução.

Como diria Steve Jobs, “Complicar é fácil, o difícil é simplificar”.

Arnaldo Gunzi.

Criatividade e reinvenção de regras

Monkey

Diz uma história, provavelmente inventada mas mesmo assim interessante, que o golfe foi implantado na Índia pelos britânicos que a colonizaram. Mas os campos eram envoltos pela mata nativa, que tinha macacos. Os macacos achavam a bola de golfe diferente, interessante, e constantemente a pegavam.

Os britânicos tentaram de tudo: colocaram cercas, espantalhos, pessoas fazendo barulho. Nada disto deu certo, e os macaquinhos continuavam a atrapalhar o jogo.

Então, eles fizeram algo criativo. Mudaram a regra. Incorporaram que o macaco fazia parte do jogo e era um elemento aleatório. O jogador tinha que continuar a jogada da onde o macaco jogar a bola.

Pixar, Mudanças de Processo e Zonas de Conforto

Ed Catmull é um dos fundadores da Pixar (que surgiu bem antes de Steve Jobs adquiri-la). Ele conta várias histórias interessantes no livro “Creativity Inc”.

41NR3XoAdxL._BO2,204,203,200_PIsitb-sticker-v3-big,TopRight,0,-55_SX278_SY278_PIkin4,BottomRight,1,22_AA300_SH20_OU01_

A Pixar era da Lucas Films (de George Lucas, de Star Wars), e Ed e a equipe dele desenvolveram um sistema digital para edição de vídeo. Este novo sistema permitia mesclar digitalmente cenas de filmes diferentes.

Mas, além de superar a barreira do desenvolvimentos, também havia o fator humano.

Na época, a edição de vídeo era recortando e sobrepondo filmes. Algo artesanal, manual mesmo. E os diretores não queriam perder tempo aprendendo um novo método. Não queriam perder tempo no curto prazo, modificando o processo para apostar em uma ferramenta que poderia não dar certo.

Muitas pessoas e empresas desenvolvem novas aplicações, mas não se esforçar em mudar o processo. A mudança de processo geralmente é um problema tão grande ou até maior que o desenvolvimento técnico. E nada roda direito se não tiver processo. É melhor uma solução mais simples que rode, do que uma solução extremamente complexa, que não roda.

Demografia do Brasil

Já vimos alguns aspectos da demografia do Japão. E do Brasil?

Um site muito bom, com dados e visualização iterativa, é o http://populationpyramid.net/.

brasil1960 brasil2015 brasil2045

O Brasil de 1960 apresentava a típica pirâmide populacional: base larga, poucas pessoas com alta expectativa de vida.

Já o Brasil contemporâneo está bem mais velho. Base menor, expectativa maior. É o mesmo fenômeno que atinge todos os países urbanizados.

O Brasil de 2045 também tende a ter uma base estreita, corpo largo e grande expectativa de vida. Não em termos tão extremos quanto o Japão, mas mesmo assim o suficiente para causar muitos problemas na previdência social. 

Prepare-se para trabalhar até os 80 anos.

O Brasil vai ficar velho antes de ficar rico.