Lições de como dizer inverdades

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Há 200 anos atrás, o filósofo Arthur Schopenhauer escreveu um pequeno tratado, chamado “como vencer um debate sem ter razão”. Ele lista 37 técnicas de debate, amplamente empregadas por políticos, oradores e pensadores da época. O que o motivou a escrever este manual foi a “patifaria intelectual” de pessoas que queriam defender interesses, ao invés de tentar encontrar a verdade. De lá para cá, a tecnologia evoluiu muito, mas as pessoas continuam iguais. E, os políticos, idem.

Vou ilustrar alguns casos

– Ataque ad hominem: ataques à pessoa, e não às ideias. É o que o PT faz, insinuando nepotismo, alcoolismo, sem fato concreto. Ao invés de discutir planos, tenta denegrir a imagem da pessoa. Foi o que minou a candidatura de Marina Silva no primeiro turno. O que realmente interessa? A pessoa ser indecisa? Ou fazer um excelente governo?

– Tomar o específico e generalizar: Dilma disse que Minas, apesar de ser um dos estados mais ricos, é o terceiro pior em atendimento do SAMU.
Falácia: dentro todos os indicadores de saúde, ela escolheu especificamente aquele que era pior, e tenta generalizar, dizendo que tudo na oposição é ruim. Aecio respondeu que, na média geral, a saúde de MG era uma das melhores do BR, segundo indicadores do Ministério da Saúde.

– Extrapolar por semelhança: Dima insinuou que Aecio recusou-se a fazer o teste do bafômetro, e disse que “não dirige sob efeito de álcool e drogas”.
Falácia: nåo há nenhuma prova ou indício de que o concorrente usou drogas. O que ela fez foi uma extrapolação além dos fatos – recusar a fazer o teste indica alcoolismo, álcool é uma droga legalizada, então ele é drogado.

– Colocar no tempo conveniente: Dilma disse que Armínio Fraga, quando presidente do Banco Central, recebeu a inflação num nível e devolveu muito acima. Mas, ora, é incorreto fazer isto. Quem viveu aquela época viu uma inflação de 40, 80% ao mês na época de Sarney e Collor. O povo sentiu inúmeras mudanças de moeda (cruzeiro para cruzado, cruzado novo, cruzeiro de novo, cruzeiro real), sentiu os efeitos de planos mirabolantes, como congelamentos, plano Collor. Na época em que FHC assumiu, forma tomadas medidas duras, drásticas para alguns segmentos. O resultado foi a estabilidade econômica e o progresso nas décadas posteriores. Ao invés de falar que a inflação foi de 1000% ao ano para 10%, a candidata pega um período de anos conveniente para insinuar meias verdades.

– Escolher áreas convenientes: outra falácia é criticar o desenvolvimento em áreas específicas. Dilma criticou muito a parte de educação, citou escolas técnicas, etc. Mas, conforme se viu no parágrafo anterior, havia muitos ajustes mais urgentes e importantes a serem feitos. E governar é priorizar. Sempre vai ter uma área que vai ficar menos privilegiada que outras. Quando se promete tudo para todos, o que se consegue é sempre palavras ao vento, nada para ninguém.

É muito triste ver uma campanha com tantos ataques de tão baixo nível, especialemente ataques ad hominem

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