Sobre o surgimento do ipod

Ipod1

O itunes (software de gerenciamento de música + loja virtual) surgiu antes do ipod (o player de música).

O itunes já existia, e as pessoas utilizavam os mp3 players da época para tocar as músicas.

Mas todos os players de música tinham pouca capacidade, baterias de curta duração, problemas de software, design ruim. Cabiam poucas dezenas de músicas, com botões complicados. Era uma indústria que ainda estava incipiente.

A Apple estava de olho neste mercado. Já que o itunes tinha uma capacidade fantástica, mas os players não a aproveitavam, eles viam uma oportunidade aí. Além do que, por desenvolver hardware e software, a Apple tinha a filosofia de ter todo o controle da experiência do usuário.

Quando surgiram os primeiros planos de criar um player de música, Joe Rubinstein disse a Steve Jobs que ainda não existiam os elementos necessários para a criação do mesmo. Não havia disco com tamanho reduzido e grande capacidade, nem baterias, nem telas. Deveriam esperar uns 6 meses para surgir a tecnologia necessária.

Eles não queriam criar um player ruim. Eles queriam criar o melhor player portátil de música do mundo, que fosse 100 vezes melhor do que qualquer outro.

Alguns meses depois, Rubinstein estava no Japão, e encontrou um produto novo da Toshiba. Era um disco portátil, extremamente compacto e com uma capacidade gigantesca de armazenamento. Espaço para 1000 músicas. O pessoal da Toshiba não tinha nem ideia do que fazer com isso. Rubinstein fez de conta que não tinha muito interesse, e voltou para Jobs. Disse que agora sim existiam os elementos para fabricar o ipod. Precisaria de um cheque de 15 milhões de dólares para comprar todos os discos que a Toshiba conseguisse produzir, e sinal verde para começar o projeto. Steve Jobs nem titubeou.

“1000 músicas no seu bolso” virou o bordão do ipod.

E assim começou uma revolução no mundo da música digital…

Poka Yoke na enfermagem

Poka  Yoke é o termo japonês para “a prova de erros”. Ou seja, criar procedimentos que não permitam que erros aconteçam por acidentes.

De vez em quando aparece alguma notícia, de enfermeira que aplicou café com leite na veia do paciente, ou que aplicou vaselina ao invés de remédio. E, normalmente, se atribui o erro à negligência da enfermeira, falta de treinamento, salário baixo, etc.

 

Mas será que foi negligência mesmo? Ou falta de atenção? Ou simplesmente foi um erro? Imagine que milhares de pessoas passam pelo hospital por ano, e que milhares de soros são aplicados. Mesmo se a probabilidade de erro for baixa, haverá algum caso de puro erro mesmo, ainda mais porque o pacote de vaselina é muito parecido com o do soro.

Alguns desses erros não ocorreriam se o poka yoke fosse amplamente aplicado à enfermagem. Imagine, por exemplo, que o bico do pacote de vaselina fosse triangular, e o do soro comum fosse em formato de estrela. E que o encaixe do recipiente que vai aplicar o soro no paciente só aceitasse o formato de estrela. Isto automaticamente evitaria um erro grosseiro.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/1188482-os-erros-de-enfermagem.shtml

O Poka Yoke foi difundido por Shigeo Shingo, um dos criadores do método Toyota de produção. Há muito a se aprender com os ensinamentos do Sr. Shingo.
Arnaldo Gunzi
Mapa do site
Eng. Industrial numa fábrica de salsicha

Desequilíbrio de Processos

Muri, Mura, Muda

O poder do Foco

quadrantesJobs

O que você faria, se fosse eleito CEO de uma grande empresa de tecnologia, que foi muito bem sucedida no passado mas atualmente está há um bom tempo no prejuízo? Uma empresa que tem dezenas de produtos, passando por computadores, notebooks, impressoras, PDA (computador de mão)?

Steve Jobs, quando reassumiu a Apple, encontrou uma empresa assim. Existiam vários modelos de computadores, diversas linhas de produtos. Ele começou perguntando os chefes dos tipos de produto para que serviam esses computadores. Tinha o Mac de um modelo X, depois outro modelo Y, etc. Havia uma infinidade de modelos muito parecidos um com os outros. Se nem mesmo ele, que era o chefe da companhia, sabia a diferença entre um e outro, o que diria o consumidor? A pergunta que ele fazia era: qual é o modelo que recomendo para o meu amigo? Se a resposta fosse longa e complicada, ele riscava o produto do mapa.

Finalmente, Jobs se cansou de analisar os produtos existentes, e fez um quadrado numa lousa branca. Dividiu em quatro quadrantes. No eixo vertical, escreveu “Pessoal” e “Profissional”, e no eixo horizontal, escreveu “Desktop” e “Laptop”. Então, a Apple passaria, dali em diante, a focar em quatro e somente quatro produtos: um desktop profissional (Power Mac), um laptop profissional (PowerBook), um desktop pessoal (iMac) e um laptop pessoal (iBook).

Todos os produtos restantes seriam cancelados. Com isso, os engenheiros focariam todos os esforços para fazer 4 produtos excelentes, os melhores do mundo, e não perderiam tempo com coisas que não tinham nada haver com o core da companhia.
O problema é que a receita de todos os outros produtos (impressoras, outros modelos de notebook, etc) era de 1 bilhão de dólares. E mais de 3000 pessoas foram cortadas da Apple com essas mudanças.

Jobs levou a ideia dos quadrantes ao conselho da Apple. O conselho não disse nem sim nem não, nunca votou. Mas Jobs cumpriu o plano assim mesmo.

Meses depois, a Apple continuava com um prejuízo grande, decorrente da perda de receita. Chegou num ponto em que a Apple tinha caixa para sobreviver por apenas 90 dias. Mas a partir daí, a Apple começou a decolar, produzindo um número espantoso de produtos revolucionários.

(Adaptado da biografia de Steve Jobs, por Walter Isaacson)

Como aumentar o número de doadores de sangue

Fui no Hospital das Clínicas, num sábado, fazer doação de sangue.

E acho que há formas bem eficazes de aumentar o número de doadores.

Primeira constatação: Não havia muita sinalização, dizendo qual era o prédio para doação de sangue. Aposto que 90% das pessoas que passam ali na frente nem sabem que é possível fazer doação de sangue naquele local. E é muita gente que passa por ali, porque o HC fica perto do metrô. Tive que seguir o endereço que me foi dado e perguntar para o vigia qual era o local. Depois disso, tive que percorrer o hospital todo para me dirigir a um local 4 andares abaixo. Chegando lá, foi mais tranquilo. Só houve um ou outro procedimento burocrático, mas nada de mais.

Segunda constatação: Muitas pessoas não fazem doações porque simplesmente dão pouca atenção a isto. O cotidiano das pessoas toma tanto tempo, tanta energia, com inúmeras preocupações sobre trabalho, pagamento de contas, família, que fazer algo além do cotidiano é a exceção, e não a regra. Mas, em geral, um número extremamente maior de pessoas faria o esforço de doar sangue, se fossem solicitados, se forem lembrados deste ato a cada período de tempo.

Portanto, imagine que o local de doação de sangue fosse mudado para a esquina entre a saída do Metrô e a rua Teodoro Sampaio, dois dos locais de maior movimento de pedestres da região. E que a sala de doação de sangue ficasse no andar térreo, bem na entrada do prédio. E que houvesse uma sinalização simples, mas clara, de que ali é um local de doação de sangue.  Para complementar, que o metrô sinalizasse dentro de seus corredores o local para doação de sangue. Com certeza, muito mais pessoas que passam por ali seriam “lembradas” todos os dias sobre a doação, saberiam que ali é um local possível e prático para doar sangue, e os estoques de sangue aumentariam.

Terceira constatação: Por outro lado, é um custo muito grande para o hospital fazer a coleta, os exames, estocar e conservar o material. E, pior do que dizer que faltam doadores de sangue, é sair em algum jornal que eles tiveram que descartar sangue doado por falta de espaço para estoque ou falta de conservação. Então, por mais estranho que possa parecer, talvez a localização difícil e falta de sinalização sejam de propósito, para manter os estoques nos níveis ideais. 

 

Arnaldo Gunzi.

Amassar o papel

Uma das inovações mais simples e brilhantes de que já ouvi falar com o da Kimberly Clark, com o papel higiênico Neve.

 

Nee

Imagine que você é de uma empresa que transporta papel higiênico. Para o consumidor, quanto mais leve e “fofo”, melhor. Mas isto significa ter baixa densidade, e também significa ocupar uma carreta pelo volume e não pelo peso. Ou seja, significa que você está perdendo capacidade do caminhão.

 

Então, que tal “amassar o papel”?

Esta é uma ideia simples e brilhante. Basta uma máquina simples no final do processo produtivo, que amassa o papel. A empresa consegue colocar mais quantidade de produtos (uns 20% a mais) no mesmo caminhão, ganhando em frete. Também ocupa menos espaço nos depósitos, e menos espaço na prateleira do mercado. E, para o consumidor, não muda nada. A qualidade do produto continua a mesma, e basta “desamassar” o papel para utilizar. Além de todos os motivos econômicos, ainda adicionaram o marketing: papel higiênico “compacto”, que é ecológico, pois diminiu o número de caminhões e os gases do efeito estufa.

O único fator que poderia fazer o projeto dar errado seria a rejeição popular. Se, por algum motivo, os consumidores não gostarem do produto. Mas, como faz uns dois anos que criaram e ainda continuam a vender o papel, quer dizer que deu certo.

Conversei com um colega da Kimberly, e ele citou que esta ideia surgiu a partir de um trabalho feito com os autores do livro “estratégia do oceano azul”. A partir da ideia inicial, eles elaboraram o escopo do projeto e a posterior implementação. E os custos de implantação também foram baixos, visto que bastava uma máquina simples a mais.

É realmente uma inovação brilhante. Trocar o Ar por Produto, sem perder qualidade.

Sempre há oportunidades para aqueles que conseguem enxergar além do óbvio, e agregam valor em tudo que fazem.

Falsos positivos, golpe da Nigéria e ideias para combater golpistas

Outra história interessante, narrada no livro “Think like a freak”.

Sabe aqueles e-mails ridículos, que chegam de vez em quando, dizendo que “sou um milionário (ou bilionário) nigeriano, preciso da ajuda de alguém honesto para fugir do país com milhões de dólares. Escolhi você por ser uma pessoa idônea, e se me ajudar pode ficar com 10% do dinheiro, blá blá blá”.

Claramente, é um spam dos piores, e imediatamente uma pessoa comum ignoraria. Quem seria idiota o suficiente para cair num golpe desses? Mas por que será que os golpistas continuam enviando, e como será que funciona um golpe desses?

O livro conta a história de um cientista da computação americano que se interessou pelo assunto, e tentou entender a fundo o que se passa.

Na verdade, para um esquema deste dar certo, envolve muito mais passos e muito mais trabalho do que somente mandar o citado e-mail. O golpista tem que trocar uma série de e-mails com a vítima, ganhar a confiança dela, num estágio posterior até ligar para ela ou fazer com que ela efetivamente vá até a Nigéria. Somente depois disso é que a vítima vai adiantar algumas dezenas de milhares de dólares para os golpistas.

Ou seja, o golpe envolve um trabalho longo e cansativo, sendo o e-mail ridículo apenas a isca inicial. E qual é o tipo de pessoa mais provável de cair num golpe desses? Somente quem é extremamente ingênuo. E o e-mail é assim, tosco e boçal mesmo, porque somente quem é muito, muito ingênuo, mal informado ou tem alguma compulsão de curiosidade cairia num golpe desses.

Imagine que o golpista manda 10 milhões de e-mails num ano. E que uns 2000 respondam. E que dos 2000, 20 caiam efetivamente no golpe. Em linguagem estatística de testes de hipóteses, esses 20 são os positivos, os restantes 1980 são os falso positivos e os outros 10 milhões são os negativos.

O trabalho do golpista começa efetivamente quando a primeira leva de vítimas potenciais responde ao e-mail, ou seja, com o universo de positivos e falso positivos. Portanto, é do interesse dos golpistas que os falso positivos sejam no menor número possível.

Imaginem se os golpistas escrevessem um e-mail com uma história mais bem contada, bem mais convincente. O que aconteceria? Provavelmente, uma porcentagem maior de pessoas responderia o e-mail. Digamos que 0.1% das pessoas respondessem. Isto seria o equivalente a 10.000 respostas. Aumentaria em 5x o trabalho de garimpagem das vítimas. E a grande maioria dessas não vai cair no golpe, visto que eles vão perceber nas etapas seguintes que há algo errado. Portanto, o número de falsos positivos aumentaria muito mais do que o número de positivos. Daí, por incrível que pareça, vem a justificativa do e-mail ridículo do golpe da Nigéria: ele é excelente para separar quem é muito ingênuo de quem não é.

O mesmo cientista da computação propõe uma abordagem para combater os golpes. Ele sugere utilizar chatbots (algoritmos programados para conversar num chat e emular um ser humano). Milhares de chatbots deliberadamente responderiam ao e-mail do golpe da Nigéria. Sendo extremamente difícil distinguir num relance quem é um robô e quem é um humano, isto vai obrigar os golpistas a perderem muito mais tempo para achar a sua vítima. A ideia seria tornar o trabalho dos golpistas tão demorado que não seja economicamente viável continuar a aplicar o golpe.

Eu estava pensando. Aqui no BR, um golpe comum é o bandido que liga aleatoriamente para as pessoas da lista telefônica, e diz que sequestrou a filha da vítima do outro lado da linha. A grande maioria dos telefonemas dá em nada, porque a pessoa não tem filhos, não tem filhas meninas, a filha está em casa, etc. mas de vez em quando eles dão sorte de encontrar alguém que tem uma filha, que não está em casa no momento. E muita gente realmente cai no golpe.

Que tal seria se as pessoas, aquelas que sabem que é um golpe, ficassem meia hora na linha? Elas ficariam fingindo que estão caindo no golpe. Isto faria o bandido gastar muito mais energia e tempo para achar a vítima correta, dificultando e, quem sabe, inviabilizando a aplicação do golpe.

Como vencer o concurso de comer cachorro quente

Um jovem chamado Takeru Kobayashi ouviu falar de um concurso que premiava quem comia mais cachorros quentes, no Japão, em 2001. Era um jovem comum, como qualquer outro.

Ele ganhou o concurso e vários outros concursos subsequentes, revolucionando os concursos deste tipo. Na verdade, ele quebrou o e recorde mundial de cachorro quente. E quebrou por muito, dobrou a quantidade comida através de sua técnica.

Qual a melhor técnica para se comer o maior número de cachorros quente no menor tempo possível? Sair comendo tudo e tomando água para ajudar a engolir? Esta era a técnica de todos os participantes.

Kobi fez algo diferente. Estudou diversas alternativas ao modo comum de se comer. Pode-se dizer que fez uma análise Taylorista de um processo produtivo, que no caso era o de consumir cachorro quente.

O normal é colocar o cachorro quente na boca, morder um pedaço e mastigar. Enquanto isso, o resto do corpo espera. Mas por que não fazer diferente? Numa competição, cada segundo conta, e o músculo da boca é o que mais trabalha. Ele percebeu que, se as mãos puderem ir quebrando, despedaçando o pão e a salsicha, ele ganharia em dobro: menos trabalho para a boca, e ganho de tempo ao fazer um trabalho em paralelo.

Ele também separou a salsicha do pão. A natureza da salsicha é de um tipo, compacta, lisa. O do pão, é outra, fofa, macia. E todos gastam muita saliva para consumir o pão, o que obriga o sujeito a tomar água. A água ocupa espaço no estômago. Então, ele cortava o pão em pedaços, molhava na água, comprimia para compactar e expulsar a água, e só então comia. Fazia grande parte do trabalho da boca com as mãos.

Além disso, ele testou inúmeras outras técnicas e variantes. Seria melhor comer com condimento ou não? Colocar água na boca antes do alimento? Comer muito rápido no começo ou ir em ritmo constante? Ele testou inúmeros métodos e metodicamente anotou tudo numa planilha.

E foi assim, com análise e aprimoramento do processo, que ele quebrou os recordes. Não foi com motivação, ou força bruta, ou bravatas.

A moral da história é que a imaginação pode ser utilizada para melhorar processos produtivos. Há perguntas que podem guiar esta melhoria: há processos que podem ser feitos em paralelo? É possível pré processar parte do trabalho? Juntar processos ajuda? E separar? O trabalho deve mesmo ser feito? Há nova técnica ou tecnologia que valha o investimento? Para que estou fazendo isto? É possível categorizar? As definições estão corretas?

Além disso, é importante registrar os métodos para posterior comparação.

Esta história interessante foi narrada no livro “Think like a Freak”.

Hindsight effect

É impressionante como surgem profetas, teorias da conspiração e análises táticas extremamente detalhadas depois do acontecimento. Na verdade, é da natureza do ser humano assimilar e incorporar um acontecimento “fora da curva” imediatamente depois que este ocorre, e achar que este era previsível. O nome disto é “efeito retrospectiva”, ou “hindsight effect”.

O “efeito retrospectiva” é um termo popularizado por Nassim Taleb, um dos pensadores mais polêmicos e heterodoxos da atualidade. Mas já era um efeito bem conhecido e documentado por pesquisadores como Daniel Kahneman.

Por exemplo, o 7 x 1 aplicado pela Alemanha no Brasil, em julho de 2014. Antes do jogo, ninguém em sã consciência apostaria em algo assim. Brasil era candidato ao título, pela tradição, por jogar em casa, etc.

Atençào: não estou defendendo o técnico, porque acho que a atuação foi bisonha desde o início do campeonato. Só quero enfatizar o efeito hindsight.

Depois do jogo, surgiram três grupos de pessoas: profetas, analistas e conspiracionistas.

Os profetas diziam que já sabiam que isto iria ocorrer, que a Alemanha era muito superior, que era evidente a fragilidade da defesa, que o meio campo do Brasil é ruim. Isto até é verdade, mas o que incomoda é a palavra “saber”. Com tantas inúmeras variáveis dentro e fora do campo, como é que alguém pode saber que exatamente as variáveis mencionadas seriam as determinantes?

Os analistas fazem toda a análise tática do jogo, dizendo que o Brasil perdeu o meio de campo, que foi um erro a escalação de X, etc. Mas eles sempre fazem a análise depois do jogo, e nunca antes. Olhar para o passado é fácil, e olhar para o futuro, quase impossível. E se a tática maluca do técnico em abrir completamente o jogo desse certo? Ele seria um gênio e os analistas também diriam que era o certo a fazer?

E as teorias da conspiração sempre surgem depois do evento, nunca antes. Aliás, a teoria que existia antes era de que a Copa estava comprada para o Brasil. Evidentemente, nenhuma teoria da conspiração prévia ao evento sobrevive, porque normalmente está furada.

Com o 11 de setembro de 2001 e a crise econômica de 2008, aconteceu a mesma coisa. Depois que a bolha explodiu, apareceram inúmeros profetas que diziam que era inevitável, que já tinham previsto, etc… Na verdade, muitos desses profetas vivem dizendo o tempo todo que alguma crise mundial ou catástrofe vai acontecer, mas erram em 90% do tempo. São levados a sério nas raras ocasiões em que acertam, sendo esquecidos logo depois.

O pior de tudo é que todos nós sofremos o efeito retrospectiva. É do ser humano, não dá para dizer que é coisa de desequilibrado mental.
Uma forma de evitar o efeito é escrever o que você acha que vai acontecer antes do evento, e comparar como que realmente ocorreu. Você vai se surpreender ao chegar a conclusão de que sua taxa de acerto será de 50%, próximo ao aleatório, e de que ninguém tem a capacidade de prever o futuro.

Por exemplo, antes da copa, eu achava que:
A Espanha iria muito bem, talvez até a semifinal
Brasil e Argentina fariam a final, e a Argentina seria a campeã por ter Messi
Colômbia e Chile seriam mero figurantes
Costa Rica não passaria da primeira fase
Alemanha faria uma boa campanha, mas não chegaria a final

Ambiente, missão e competência principal

Um dos conceitos deixados por Peter Drucker foi o da Teoria do Negócio. Toda empresa deve conhecer o ambiente, missão e seu competência principal. Isto tudo deve estar alinhado.

A empresa agrega valor ao ambiente a que está inserido? A missão da empresa é coerente com o que ela faz de verdade? A competência principal da empresa ajuda a cumprir a missão?