Navegar é Preciso

Navegadores Antigos

Belíssimo poema de Fernando Pessoa.

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
“Navegar é preciso; viver não é preciso”.

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Coragem

Para qualquer coisa que você fizer, é necessário ter coragem. Qualquer seja o curso de ação, sempre haverá alguém a dizer que você está errado. Sempre haverão dificuldades que o tentarão a acreditar que os críticos estão certos. Seguir um curso de ação até o fim requer a mesma coragem que um soldado precisa. A paz tem suas vitórias, mas necessita de homens e mulheres corajosos para conseguí-la.

Ralph Waldo Emerson
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Whatever you do, you need courage. Whatever course you decide upon,
there is always someone to tell you that you are wrong. There are
always difficulties arising that tempt you to believe your critics
are right. To map out a course of action and follow it to an end
requires some of the same courage that a soldier needs. Peace has
its victories, but it takes brave men and women to win them.

Ralph Waldo Emerson

Before the law

(Recontando um conto de Kafka)

Um homem queria conhecer a Verdade. Perguntou a diversas pessoas onde poderia encontra-la. Acabou chegando num portão, que ele deveria atravessar para conhecer a Verdade.

Um guarda, grande e forte, não permitiu a entrada do homem.

O homem tentou persuadi-lo, mas não obteve resultado. Tentou suborná-lo trazendo comidas e bebidas. O guarda aceitou, mas disse que só aceitaria para que ele se convencesse de que isto não adiantaria para nada.

Os anos foram passando, e o guarda continuava protegendo o portão.

Um pouco antes da morte do homem, ele perguntou ao guarda. “Durante todos esses anos, ninguém mais apareceu para entrar no portão da Verdade. Por quê?” O guarda respondeu: “Porque este portão é somente seu”. O homem perguntou: “Por que você guarda o portão e não me deixa entrar?” O guarda respondeu: “Porque esta é a minha função”. Após a resposta, o homem morreu e o guarda fechou o portão.

 

 

 

Combate a corrupção

Alguns conceitos interessantes de combate a corrupção que aprendi com o meu amigo Lorival Verillo, ligado a uma ONG chamada Amarribo.

Embora a corrupção seja um mal, a incompetência é tão ruim quanto. Fazer um serviço mal feito leva a retrabalho, perda de eficiência da sociedade em geral, e no final das contas é uma subtração de valores dos cofres públicos.

Ter as contas aprovadas pelos tribunais de contas não é um atestado final de que não houve corrupção. Os tribunais fazem um exame mais geral e menos rigoroso das contas, podendo aceitar, por exemplo, notas frias bem elaboradas. Portanto, os tribunais de contas acabam legitimando a ação do corrupto. É comum ver nos jornais algum político falando que: “o tribunal de contas aprovou as minhas contas”. O leigo vai achar que realmente o sujeito não tem

Obras de pavimentação são as preferidas pelos corruptos em geral, porque uma vez que a obra for concluída, não tem muito como saber o quanto foi gasto (em regularização do terreno, estabilização do solo, material para base e pavimento). E também porque qualquer município precisa de pavimentação, e há inúmeras empresas que prestam este serviço.

Corruptos usam e abusam de compras em valores pequenos. Abaixo de 8 mil reais, não é necessário fazer licitação (conforme a lei de Licitações 8666), apenas enviar cartas convite para três empresas. Portanto, eles combinam diversas compras abaixo do limite, combinam preço com algumas empresas e está tudo certo, estão dentro da lei.

A nota fiscal eletrônica permite maior facilidade em cruzar dados. A tendência é que o trabalho do corrupto torne-se mais difícil com a tecnologia.

Vide site http://www.Amarribo.com.br

Vales do Silício genéricas

Silicon_Valley

Imagine a seguinte fórmula: governos injetando bilhões de dólares em um pólo de desenvolvimento, principalmente catalisado por universidades, a fim de criar algo como uma cópia do Vale do Silício (notável pólo de inovação e criatividade). Vai dar certo? Minha resposta: Não.

Dinheiro do governo (ou seja, controlado por burocratas e cheio de burocracias) e universidades (onde se preza muito mais um artigo publicado nos anais de um jornal tailandês qualquer do que resultado de verdade) não é uma combinação fértil para empreendedorismo dinâmico e inovador de verdade (e não inovador só no papel). É mais provável que 50% do dinheiro seja desperdiçado no caminho burocrático (por incompetência, má fé ou burocracia mesmo),  uns 40% sejam mal direcionados (para publicar e pagar as viagens para o tal artigo na Tailândia, ou pior, para financiar algum empresário viciado em verbas públicas), e só uns 10% virem algo realmente efetivo (e esses 10% viram a justificativa de todo aparato acima). Quem trabalha em governo e universidade normalmente não gosta de riscos (se não não estariam lá), ao passo que empreendedorismo envolve muito risco, quebrar a cara.

Não por acaso, há uma incontável lista de empreendedores que abandonaram a faculdade (Steve Jobs, Mark Zuckerberg, Bill Gates)  ou que não tem instrução formal alguma (Thomas Edison – o inventor da lãmpada e de milhares de outros produtos, Silvio Santos).

 

Mais importante que políticas governamentais guiadas por universidades é a liberdade para criar e trocar ideias e experiências, proteção jurídica ao patrimônio material e intelectual e aos ganhos que se obtém com o empreendedorismo, pouca burocracia para diminuir os custos de empreender, cultura que permita muito risco de tentar e falhar na maior parte das vezes,  menor tradição de empregos públicos puxando as melhores cabeças para o governo.

 

Finalmente encontrei alguém que concorda comigo:

http://colunas.revistaepocanegocios.globo.com/ideiaseinovacao/2014/03/31/sucesso-consistente-so-vem-de-ambientes-que-incentivam-alta-performance/

Diz Clemente Nóbrega, no artigo acima:

“A Alemanha jogou fora US$20 bilhões tentando criar clusters de biotecnologia como os da Califórnia. Não dá certo porque tem de haver um ambiente que queira mais do que gerar patentes ou fazer P&D. “Geografia”, aqui, não é um lugar – é o ambiente de um lugar. Tem de querer ir para o mercado, vender e crescer. Universidades, em geral, não têm iniciativa para comercializar as ideias que geram. Seus pesquisadores ficam felizes em criar, mas não se excitam com “vender”.

Tecnologia não dá dinheiro, P&D não dá dinheiro, patentes não dão dinheiro. O que dá dinheiro são ambientes desenhados para incentivar risco acima da média.”

Hooked – parte 1

 

Hook1

Hooked

“Hooked”, algo como “Fisgado”, é uma análise de como os produtos (principalmente aplicativos de celular) fisgam os clientes, tornam eles “viciados” em apps.

Ciclo de produtos viciantes
Gatilho -> Ação -> Recompensa Variável -> Investimento
Um comportamento gera um gatilho (estou entediado) -> o usuário faz alguma coisa (verificar facebook) -> isto gera uma recompensa (vê status dos amigos) -> isto faz com que o usuário ou gaste mais tempo ou dinheiro para manter esse ciclo girando e antecipando recompensas futuras.

O ponto chave é a rotina. Fazer com que o comportamento da pessoa vire rotina. Rotina é algo que pode ser fácil de adquirir, mas difícil de quebrar. Algo assim: se estou entediado e tenho acesso a internet, vou dar uma olhada no facebook. Mas quebrar a rotina, parar de olhar o facebook, é difícil, a menos que alguma outra rotina apareça.

Há muitos modelos de jogos atualmente que são “freemiun”. Grátis para jogar, experimentar um pouco. Depois de um tempo, o jogador começa a pagar para perder menos tempo ou ter mais facilidades. No modelo acima, o jogo espera o nível de recompensa do usuário chegar num ponto em que ele tem que fazer um investimento para continuar a ter as recompensas de jogar.

Hooked – parte 2

 

 

Hook2

Sobre a zona de conforto, o livro enumera dois fatores principais: frequência de uso e utilidade. Algo que seja simples e utilizado muito frequentemente, mesmo que tenha pouca utilidade, como o facebook, twitter, entram no primeiro caso.

Já algo que seja pouco utilizado, mas quando o for traz uma utilidade enorme, entra no segundo caso.
A Amazon costuma anunciar produtos de concorrentes em seu próprio site. A ideia é a Amazon se tornar um agregador de valor, referência em compras. Mesmo perdendo a venda, o usuário vai saber que a Amazon é um lugar bom e confiável para fazer compras, e vai ser a primeira opção na cabeça do usuário quando este voltar a comprar on-line.

Para medir o grau de dificuldade de se fazer algo, existem as dimensões tempo, dinheiro, esforço físico, esforço mental, aceitação social, não rotina. Um produto que melhore qualquer dessas dimensões das pessoas, por menor que seja, pode ter um impacto muito grande. E exemplos estão por todo lado. O café solúvel demora alguns segundos para ser feito, enquanto o café normal demora uns 5 min para ser feito mais uns 3 minutos para lavar a bagunça. Esses 8 min de diferença criaram um mercado bilionário.
Sobre drivers de comportamento
Todo comportamento é guiado por um dos três motivos principais: buscar prazer ou fugir da dor, buscar esperança ou fugir do desespero, procurar aceitação social ou fugir da rejeição social.

As pessoas valorizam mais quando investem tempo e esforço próprio no produto final. Estão dispostas a pagar e valorizar mais.

Hooked – parte 3

Como as ideias apresentadas afetam a gente? Algumas aplicações possíveis:
– Gatilho: colocar na cabeça do cliente, que quando precisar de alguma coisa em alguma área, o seu produto vai resolver, assim como a Amazon é a solução de e-books a Coca cola é a solução de refrigerante.

– Ação: o trabalho a ser feito pelo usuário deve ser algo que ele tenha condições de fazer, mas que ao mesmo tempo seja demandante e desafiador.

– Recompensa: Fazer com que o trabalho entregue ao usuário seja muito bom. Ou que gere recompensas ao usuário, em termos de satisfação ao atingir metas.

– O seu produto é algo simples mas que é utilizado com frequência, ou é algo que agrega grande valor e utilidade às pessoas?

 

Rotinas

– Quebrar rotinas ruins: eliminar coisas que são rotinas desnecessárias (ex. reuniões, e-mails desnecessários ou ineficazes, bate papos com pessoas que não levam a nada)

– Fortalecer rotinas boas: aumentar rotinas boas (ex. reuniões eficazer, e-mails que gerem ações de verdade, etc)

 

Dimensões de comportamento

– O seu produto exige muito esforço físico do usuário? Muito esforço mental? Exige tempo? Dinheiro? Faz com que a pessoa seja excluída de algum grupo social? É algo fora da rotina da pessoa? Se sim para qualquer dessas questões, deve-se rever o produto para contornar algumas dessas dificuldades
– Valorizar o trabalho: pedir para as pessoas fazerem um pouco do seu trabalho, para entender algumas das dificuldades. E vice-versa, você fazer um pouco do trabalho de outros

Duas perguntas

Na vida, há diversas vezes em que estamos em dúvida sobre qual caminho a seguir, qual a abordagem a fazer. Tomar um caminho “A” pode fazer com que alguma pessoa não goste, tomar o caminho “B” pode representar algum grande risco.

Há duas perguntas que Peter Drucker sempre faz, e que sempre são boas para se ter em mente.

– O que deve ser feito?
– O que é o correto?

Independente da opinião dos outros, ou da responsabilidade de quem seja, ou do histórico de erros do passado, o que deve ser feito neste momento para consertar o futuro?

O que é o correto? Doa a quem doer, o que é o certo a ser feito?

Uma vez eu tinha errado na classificação de uma lista de itens de um trabalho. Toda a metodologia estava correta, tinha apenas esse erro, que alterava bastante o resultado final. O problema é que as parciais do trabalho já tinham sido apresentadas para o nível de diretoria. Havia duas alternativas. Ou fazer de conta que não vi, porque provavelmente ninguém iria perceber, ou assumir o erro e refazer todas as apresentações.

Apliquei as duas perguntas a este caso. Qual o correto? O correto é assumir que havia uma falha. Embora em nível gerencial provavelmente ninguém percebesse, na primeira vez que o trabalho fosse ser implementado em nível operacional, certamente alguém perceberia, e todo o trabalho cairia em descrédito. O que deve ser feito? Assumir o erro, refazer toda a análise e reapresentar para todos. Foi exatamente isto que fiz, e este foi um dos trabalhos mais efetivos que já realizei.