Tempo

O tempo está a seu favor quando você não tem pressa. E ter o tempo como aliado aumenta muito a sua chance de sucesso.

Quando você corre contra o tempo, tenta do chegar logo ao destino, o seu risco de problemas aumenta. E a sua vida útil tende a diminuir também.

Quando você corre contra o tempo, os juros compostos estão contra você. Quando você não tem pressa, mas paciência e perseverança, os juros compostos estão a seu favor.

Quando você corre atrás do dinheiro, vira escravo dele. Mas quando voce tem o suficiente para viver o mínimo, e não liga em ganhar grandes somas em pouco tempo, é o dinheiro que é o seu escravo.

Se você entendeu a mensagem, vai ver que sonhar em ganhar na mega sena da virada é besteira. Isto porque quem tem a mentalidade de perseverança e esforço, está pensando no longo prazo, sem atalhos.

Pequenas moedas

O mundo não é linear. As vezes, achamos que uma pequena melhoria, uma pequena diferença, não vai dar em nada. Mas esta pequena melhoria pode possibilitar outra melhoria pequena, depois outra, e quando se vê, o todo está 2 vezes melhor do que o original.

No longo prazo, o poder dos juros compostos é imbatível. Deposite uma pequena moedinha por dia, e no final de um longo período, vai haver muito acumulado.

Desequilíbrio de processos

Outro dia, vi um anúncio de um relógio com precisão de nanossegundos, cheio de estilo e elegância. Obviamente, também custava os olhos da cara.

 

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Aí, lembrei de um dos princípios de produção da Toyota, o “Mura”.

“Mura” é o desequilíbrio entre um processo e outro. Não adianta ter um processo altamente controlado, com tecnologia de ponta e resultados fantásticos, se algum outro processo da cadeia é ruim, tosco, mal feito. É aquela velha ideia, de que a força de uma corrente é restringida pela força do elo mais fraco.

 

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Por mais que o princípio pareça simples e óbvio, é o que mais acontece nas empresas: computadores e softwares sofisticados para pessoas que não usam nem 10% disto, vendas excelentes mas pós-vendas péssimo, etc. Além disto, é extremamente difícil eliminar algumas assimetrias: equipamentos novinhos e excelentes devem convivem com outros velhos e obsoletos, justamente porque a troca envolve investimento, Capex.

 

E o que isto tem a ver com o relógio? De que adianta um relógio preciso nos nanossegundos, se:

– O resto do mundo não tem um relógio tão preciso assim
– Todas as reuniões que você for marcar vão ser em hora cheia, ou de meia em meia hora
– Todos os programas de TV, teatro, rádio, tudo é marcado em hora cheia ou fracionária

Ou seja, o relógio é mais para se gabar do estilo e precisão do que para usar mesmo. Algo como “O meu relógio tem precisão de nanossegundo, o seu não teeem”.

 

 
Arnaldo Gunzi
Mapa do site

 

 

 

Preço e Valor

Durante a última “mega-promoção” da Black Friday, vi muita gente fazendo compras porque “O preço está bom”.

Suponha que os preços estivessem mesmo bons. Mesmo assim, comprar por causa do preço não é uma boa estratégia. O ideal é comprar pelo quanto de valor aquilo agrega. Pergunte-se:

A sua TV antiga ainda cumpre as funções que deveria cumprir? O que a TV nova vai agregar de valor?

A torradeira velha ainda funciona bem? Você vai ganhar tempo ou um pãozinho melhor com a torradeira nova?

Quantas vezes por mês você vai usar a super cafeteira fashion da promoção do black friday?

O maravilhoso aparelho de ciclismo e musculação, que vai ocupar metade da sala, vai ser mesmo utilizado, ou vai ficar esquecido após meio ano?

Para que um aparelho de blu-ray com surround sound, se a maioria do que você vê é no computador?

O que há de valor? Ou é apenas impulso consumista, para satisfazer um desejo de prazer no cérebro? Ou é para mostrar para os outros que você tem?

Quanto mais você gira o seu patrimônio, mais ele diminui. No giro, também tem a taxa de remuneração dos intermediários (lojistas, comerciantes), impostos (e é sempre uma facada) além dos custos de produção. Nunca vai haver lucro girando patrimônio, a menos que você seja um profissional que trabalha com isto, um corretor.

A minha proposta é trabalhar com valor, estando o preço numa faixa aceitável.

Se a TV quebrou ou já está dando problemas demais, aí sim, vamos para outra. Não importa o preço.

Se uso continuamente e me dá um prazer terrível a cafeteira, aí sim, vamos comprar . Não importa o preço.

Se vou realmente usar por um ano inteiro o aparelho de musculação, cumprindo o plano que tracei de usa-lo das 6 as 7 da manhã nos dias úteis, aí sim, compro. Não importa o preço.

Isto é comprar por valor, e não por preço.

 

O mundo gira

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O mundo tem altos e baixos, picos e vales.

O mundo dá voltas, e o que pode estar em alta hoje, pode estar em baixa amanhã, e vice-versa.

Uma vez, um amigo comentou comigo que não havia perspectivas na empresa dele. Todas as vagas estavam ocupadas por pessoas competentes e de confiança da diretoria. Não parecia haver espaço para as aspirações de outras pessoas.

Recomendei para ele não olhar para um panorama estático achando que ele vai se manter ao longo do tempo. Tudo pode acontecer. Pessoas podem entrar e sair (por vontade própria, aposentadoria, demissões), posições podem surgir, a diretoria pode mudar, a empresa pode ser comprada por outra. Oportunidades podem surgir, nesta ou em alguma outra empresa. O mundo é grande, o mundo é vasto. Cabe a nós fazer o nosso trabalho de forma competente e agarrar as oportunidades que surgirem. O mundo sempre terá espaço para pessoas que geram mais receita do que recebem de salário.

Por coincidência (ou não), meio ano depois desta conversa ele conseguiu uma posição, pela abertura de uma vaga num setor correlato.

 

Não menospreze o próximo por você estar numa posição superior à dele. Isto pode mudar.

Não ache que não é possível chegar numa situação boa olhando para um panorama estático. Porque isto pode mudar.

A única coisa que sabemos do mundo é que não dá para saber como ele será.

 

 

Lei e Justiça

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Ouvi um comentário muito pertinente, do jornalista Ricardo Boechat:

A Lei existe para perseguir a Justiça. Mas nem sempre a Lei consegue ser tão bem escrita para representar a Justiça. Pode haver casos em que, seguir a Lei ao pé da letra cause uma injustiça. A razão principal do Direito tem que ser a Justiça, e depois o cumprimento da Lei.

Esta discussão vem da possibilidade da Lusa ser rebaixada, por perder 4 pontos por ter escalado irregularmente, por confusão administrativa, um jogador reserva, num jogo praticamente amistoso. Situação em que claramente há culpa, mas não há dolo.

 

Peguei essa do blog do Juca Kfouri

“Teu dever é lutar pelo Direito. Mas no dia em que encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça.”

Do jurista uruguaio Eduardo Couture.

Macaco e Abacaxi

 

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Há muito tempo atrás, vi um programa da NatGeo, onde os pesquisadores davam um abacaxi coberto com mel para os macacos comerem.

A justificativa era assim:

– Macacos são seres bastante inteligentes

– Se der a comida prontinha, eles ficam entediados e acabam gastando energia com travessuras

– Portanto, damos a comida a eles com algum grau de dificuldade, para obrigá-los a pensar e gastar energia. Só que o grau de dificuldade não pode ser grande demais, senão ele não consegue e se frustra.

 

Pensamento meu: Será que a Vida não faz a mesma coisa com o ser humano? Dá uns abacaxis para você descascar e obter o mel? O problema é que as vezes a Vida erra na dosagem, e dá uns abacaxis espinhosos demais.

 

Almoço

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Uma vez, tive uma conversa assim:

Eu: A hora do almoço é a melhor hora do dia, não?

Colega: Sim, o nosso trabalho poderia ser só almoçar. A gente chega meio-dia, almoça com o pessoal, e volta para casa. E continua recebendo salário integral, é claro.

Eu: Verdade.

Colega: Mas o ser humano é um ser lazarento. Ia ter gente reclamando: “Puxa, que saco sair de casa só para ir almoçar. Ter que encontrar o chefe é ruim demais. O bom mesmo seria receber sem nem sair de casa”.

Eu: Rs, concordo plenamente.

 

Schopenhauer: “A ganância do homem é como a água do mar: quanto mais bebemos, mais sede temos”

 

 

 

Crise = Ameaça + Oportunidade?

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É comum, em tudo quanto é MBA, dizer que a palavra para crise é formada pela junção das palavras para “Ameaça” e “oportunidade”.

Ou seja, a crise representa uma ameaça. Mas ao mesmo tempo, é uma excelente oportunidade.

Mas será que os chineses pensavam assim mesmo?

Na verdade, não. A palavra para crise, é pronunciada como weiji.

 危机 – wei ji

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Carbono e Silício

O carbono e o silício são da mesma família, na tabela periódica de elementos.

Ambos tem 4 elétrons na última camada. Como os átomos precisam de 8 elétrons para estabilizar, eles têm que fazer o número máximo de combinações, 4.

Para o carbono, isto faz com que os tipos de combinações possíveis seja gigantesco. A vida toda é baseada no carbono, é a matéria prima para tudo que é orgânico. Seja DNA, proteínas, tudo tem o carbono como elemento chave para formar a vida. Você é feito de carbono.

Já o silício tem número atômico maior, é mais pesadão. Faz menos combinações do que o carbono. Mas mesmo assim, é capaz de fazer muitas combinações. Isto gera um produto interessante: semicondutores. Uma composição de materiais de silício, que permitem a passagem de eletricidade por uma direção, mas não por outra.

O semi condutor mais simples é o diodo, com duas camadas de semicondutores. Depois o transístor, que tem três camadas. O homem percebeu que o transístor poderia servir como filtro ou como amplificador. Daí para frente, aprendeu a domar a eletricidade e o mundo usando semicondutores.

Níveis de abstração maiores levaram ao circuito integrado, depois ao hardware. Você está lendo isto numa criatura de silício, o computador. E o resto é história. O Vale do Silício que o diga.

Enquanto a natureza aprendeu a domar o carbono, o engenhoso ser humano aprendeu a domar o silício, parente pesado do carbono.

Leitura recomendada: O polegar do violinista

Arnaldo Gunzi